Sporting Challenge Day juntou futebol e outras modalidades num dia “à Sporting”
Por Sporting CP
20 Set, 2026
Futebol Formação
Primeira edição da iniciativa levou cerca de 150 jovens Leões ao Estádio Universitário de Lisboa
Futebol, atletismo, râguebi, voleibol, karaté, jogos tradicionais… houve um pouco de tudo na primeira edição do Sporting Challenge Day, realizada este domingo no Estádio Universitário de Lisboa e que desafiou cerca de 150 jovens Leões, dos sub-7 aos sub-13, a saírem da sua zona de conforto e a descobrirem outras modalidades.
Ao longo do dia, os sete escalões de formação de futebol que têm no Pólo SCP Lisboa a sua casa trocaram, por momentos, a bola nos pés por novos desafios. O objectivo? Promover o eclectismo verde e branco e, através de diferentes experiências desportivas, desenvolver competências motoras, coordenação, disciplina, cooperação e capacidade de adaptação.
Pensado para ter uma periodicidade trimestral, o Sporting Challenge Day permitirá que cada escalão passe por 12 experiências ao longo da época. Mas o alcance da iniciativa vai além da vertente física. Fortalecer o espírito de equipa e de pertença, aproximar diferentes escalões e promover o convívio entre atletas e staff são também algumas das metas de um projecto que pretende colocar os Valores Sporting no centro da formação.

“Quanto mais desportos estes miúdos praticarem, melhores jogadores da sua modalidade, neste caso futebol, podem vir a ser”, explicou Tomaz Morais, Co-Director da Academia Cristiano Ronaldo, sublinhando o ADN ecléctico do Clube e a importância de proporcionar aos jovens uma “formação desportiva diferenciada”.
Para o responsável, o crescimento dos jogadores não se mede apenas pelos resultados. “Nós no Sporting CP não impomos a vitória, o caminho faz-se por si mesmo. Eles têm de crescer, têm de se construir, e as vitórias vão aparecendo como resultado de um bom processo de trabalho”, afirmou. E crescer significa também aprender a lidar com aquilo que nem sempre corre bem.
“Saber estar em equipa, no balneário e em campo, representar os valores do Clube” e perceber que “o erro faz parte do crescimento” são princípios que Tomaz Morais considera essenciais no percurso dos jovens futebolistas e que experiências como esta ajudam a moldar a longo prazo.
No final de um dia diferente, haverá, porém, uma medida imediata, e particularmente simples, para avaliar o sucesso da iniciativa: a alegria. “Esperamos que digam ‘grande dia que eu passei, este foi um dia à Sporting CP’”, resumiu, desejando que atletas, famílias, treinadores e restante staff guardem uma experiência feliz e, quem sabe, a vontade de voltar a praticar algumas das modalidades que descobriram durante o Challenge Day.
Aprender uns com os outros
Tiago Carmona, atleta dos sub-13, confirmou essa alegria. Em declarações aos meios de comunicação do Clube, entre uma manchete e um serviço, mostrou-se entusiasmado por dividir este dia com os seus colegas de equipa, “pessoas de quem gosta muito”.
“Experimentar novas modalidades e aprender curiosidades sobre outros desportos também me pode ajudar no futebol”, comentou o médio-centro, que garante que a necessidade de se adaptar a novas realidades e o trabalho em equipa são formas de crescer enquanto futebolista.
“Como sou médio-centro e tenho de pensar mais em campo, consigo pensar em novas técnicas aqui no voleibol. Sou mais baixo, tenho de jogar de forma diferente das pessoas com estatura mais alta, mas passo-lhes a bola, fazemos ponto, é trabalho de equipa e ganhamos o jogo”, apontou, entusiasmado com as outras modalidades ainda por descobrir.
“Estou a gostar muito, está a ser muito fixe, e apesar de ainda só ter praticado um desporto, quero fazer mais. Tenho curiosidade de experimentar andebol. Vi o Mundial, Portugal fez uma boa prestação e gostei”, frisou, surpreendido com a dimensão ecléctica dos verdes e brancos. "Não tinha noção de que o Sporting CP tinha tantos desportos. Só conhecia o futebol e o futsal”, confessou.
A riqueza da experiência não ficou, porém, limitada aos atletas. Também os treinadores de futebol e das diferentes modalidades foram convidados a observar, conversar e trocar conhecimentos.
“Os melhores treinadores hoje em dia são treinadores de mentalidade aberta”, considerou Tomaz Morais, defendendo que o contacto com outras realidades permite recolher ideias e metodologias que depois podem ser transportadas para a modalidade de origem.

Uma visão partilhada por José Carlos Reis, Director Técnico e Operacional das Modalidades. “Há sempre transfer de uma modalidade para outra, quer a nível dos atletas, quer a nível dos treinadores. Nós aprendemos sempre experimentando coisas novas”, apontou.
Para o dirigente, proporcionar estas experiências aos jovens é “de uma riqueza enorme”, não apenas pela cultura desportiva que adquirem, mas também pelo desenvolvimento dos seus padrões motores. Desportos de combate e actividades de interacção, revelou, vão acrescentar ainda outras dimensões ao Challenge Day: a promoção do espírito de grupo, a entreajuda e, naturalmente, a diversão.
Sair da zona de conforto para crescer
Na origem da iniciativa esteve aquilo que Ricardo Damas, Coordenador Técnico do Pólo SCP Lisboa, descreveu, entre sorrisos, como “uma ideia um bocadinho maluca”.
A intenção era responder à necessidade de alargar o repertório motor dos jovens jogadores e proporcionar-lhes experiências capazes de enriquecer tanto o percurso desportivo como o pessoal. Tudo num ambiente de convívio e de identificação com um Clube que tem no eclectismo uma das suas marcas.
Porém, o responsável identificou outra aprendizagem importante a reter, quando um ‘miúdo’ habituado a dominar com uma bola nos pés é colocado perante um desafio completamente diferente.
“Estes jovens estão habituados a serem os melhores na sua modalidade”, começou por explicar Ricardo Damas. Noutro contexto, porém, podem surgir dificuldades e, com elas, a necessidade de pedir ajuda a um colega ou treinador. “Vai dar-lhes resiliência, espírito de sacrifício, necessidades diferentes daquelas a que estão acostumados nas sessões de treino de futebol”, acrescentou.
Usar as mãos, rodar o corpo de outras formas, pensar e adaptar-se rapidamente: pequenos desafios que podem produzir ganhos motores e cognitivos e, simultaneamente, muitas gargalhadas.
O contacto com outras modalidades, aliás, já deixa marcas visíveis no futebol. Ricardo Damas revelou que alguns jovens praticam outros desportos e que essa experiência pode ser reconhecida em determinados movimentos e desmarcações. Por isso, o incentivo é claro: experimentar é bem-vindo.
“Podem praticar tudo, mas continuem a jogar futebol porque são muito bons a fazê-lo”, brincou.

Um Clube ecléctico, com certeza
O Sporting Challenge Day pretende ser também um ponto de encontro dentro do próprio Clube. Não apenas entre atletas, mas entre treinadores que, vivendo os mesmos desafios de formação, podem encontrar respostas diferentes consoante a modalidade.
Ao longo do dia, Ricardo Damas incentivou os técnicos do futebol a questionarem os colegas das demais modalidades sobre movimentos, metodologias e formas de adaptação do treino, dando continuidade a uma partilha que já passou pela realização de mesas-redondas entre treinadores de diferentes áreas.
No fundo, é essa intersecção que dá sentido ao dia: descobrir que cada modalidade pode ensinar alguma coisa às restantes.
“É fundamental criar este espírito de grupo, este espírito de família que nós temos aqui no Pólo”, reforçou Ricardo Damas, já com novas ideias para futuras edições do Challenge Day. E se a primeira edição nasceu de uma ideia lançada aos poucos, vê-la ganhar vida teve um significado especial para o Coordenador Técnico do Pólo SCP Lisboa. “Fico emocionado por ver agora todo o Clube envolvido e esta dinâmica entre todos”, rematou.
Já Bárbara Barros, treinadora de râguebi, é testemunha dessa dimensão partilhada entre as várias modalidades e mostrou-se surpreendida com a capacidade de adaptação demonstrada pelos jovens Leões.
“As fintas foi uma das que adaptaram imenso ao râguebi, e os ‘chutes’ estão impecáveis, certeiros, está óptimo”, contou entre risos. “E estranhamente, nós não estávamos à espera, eles conhecem bastante bem a modalidade. Assim que perguntamos, sabem responder-nos muita coisa”, revelou, ainda, lembrando que a troca de conhecimentos é fundamental para a evolução de atletas e treinadores.
“É muito importante. Há treinadores de futebol que se calhar passaram por outras modalidades, e às vezes isto também ajuda a que tenham um leque de conhecimento diferente”, sentenciou.
