e contextualizo. Tal como temos de contextualizar que Carvalhal era um animal (passo o exagero), um sujeito sem categoria para treinar o Sporting, a quem tinha saído a sorte grande e a nós o rombo. Até a Direcção da altura o tratou assim, sem a clareza de uma apresentação, parecia que tinha uma doença contagiosa qualquer. Parece-me que estavam à espera da queda e não queria cair também. Mas posso estar a ser injusto. Veio o sucessor, meia dúzia de trapalhadas verbais, sem jeito algum e sem o mínimo de conteúdo e já era o máximo, o futebol estava de volta. Nunca vi vislumbre disso, fosse na forma falada, fosse na forma jogada (a mais importante, no fundo). E lembro-me de pensar “Se eu, um tipo o mais normal possível, acho que aquilo não é nada, imagino um treinador a sério”. Mas a maioria deixou-se levar pela cegueira de um salvador, de um D. Sebastião. É lógico, é normal, é a fome de glória, de ao menos uma miragem de Sporting em campo. Caiu.
Sportinguista a substituir, descendente de uma verdadeira lenda do Sporting, e rua… Quando a maioria esperava um nome grande do futebol, promessas de holandeses e espanhóis, vem o responsável pela soneca de braga. Que me surpreendeu, após afastar-se de uma reles imitação de um sistema adorado na imprensa, mas que voltou a cair na asneira de qualquer treinador em Alvalade desde… que me lembro: aguentar o barco aos ombros! Qual Mourinho no Chelsea, Inter ou Real Madrid, qual Hiddink seja onde for que treinou, qual Capello no Milan ou no Real. Com uma diferença, neles não são nada disso. Nem sequer têm os meios que eles têm. Há tempos alguns falavam de Capello para substituir o Domingos. Eu lembrei-me do que fez Capello ao entrar no Real e sorri, com a imagem dele, Freitas e Godinho numa mesa a olhar para o plantel. Pelo menos um haveria de sair da sala, para não mais entrar.
Sim, Domingos teve as suas incompetências, são factos, estão registados. Perdeu tempo com uma ideia que não funcionaria (e cabe a ele ver isso), quando teve uma que funcionou (mesmo que mais pelos jogadores e garra em virar os acontecimentos), acabou por abandonar meses depois, sucumbindo à pressão dos adeptos. Quando sucumbiu, deu cabo de tudo. Durou dois meses. Dois meses de algum futebol, um de “Ai Jesus, que esta [porcaria] está a meter água”, para a seguir dois meses de tentativa/erro a tentar arranjar uma solução milagrosa. Pobre Método Cientifico! Mas sim, foi ele que emteu as mãoes pelos pés.
E chegamos ao ponto chave: que raio interessa agora Domingos e as suas fraquezas? Se até as maiores (e mais desastradas) mudanças eram imperativos para os adeptos? “Tira o Santos” - Derrota. “Mete o Matías perto do holandês” - Derrota. “Tira o Polga” - Derrota. “Mete o Polga” - Derrota. (ok, sei que estou a exagerar, nem todas foram derrotas, houve empates). Interessa nada. O treino que antes funcionava e até, diziam-me, tinha transformado Paulão e Garcia em jogadores, já não servia. A comunicação com os jogadores, elogiada por tipos da Leiria e depois da Académica, aqui aplaudida e venerada, também não. Afinal o tipo nem fala inglês.
Agora vem Sá Pinto. Ídolo de quase todos, Lenda (meu Deus, o que leio) de quase todos… e estamos de novo no 80! Aprendemos alguma coisa?
Já o disse, pouco me interessa o passado dele. Até porque há, pelo menos, duas versões para a mesma história. Interessa-me que seja treinador do Sporting e tenha sucesso.
Até porque duas certezas tenho:
1º Já comemorei em demasia a saída de alguns treinadores. Desde há uns meses percebi que era uma estupidez da minha parte. Sempre que comemorava a entrada de um outro treinador, e festejava como se de uma chegada à final da Champions se tratasse (passe o exagero, ok), estava mais uma vez, agora eu, a cair na armadilha. Cada treinador que entra não celebra uma vitória. Marca sim muitas derrotas. E já dura desde os anos 80, nem é uma situação roquettiana. E já passaram leões, estrangeiros, conhecidos, desconhecidos, forevers, apostas, transitórios… e acabamos sempre no mesmo. Mesmo quando ganhamos um campeonato, a coisa dura meses. Até quando?
E isto não tem puto a ver com Sportinguismo.
Sim, que eu tenho a certeza que se as coisas começarem a correr mal para o Sá Pinto, vai-se o Sportinguismo à vida e muitos que agora o veneram, vão enterrá-lo. Esta é a 2ª certeza. E nem falo de A, B ou C. Serão muitos. Tantos quantos os que pediram a saída de Manuel Fernandes, esse sim com lugar nas lendas, e que se estiveram a lixar para o Sportinguismo dele. Não vale a pena ir muito longe procurar, está aqui um na minha pessoa. Com Fernando Mendes, um histórico, idem.
E sim, acho que esta é que é a contextualização que deveria andar a ser feita. E que todas as parcelas devem ser inseridas na discussão. Não se pode defender o treinador e achar correto ele ser usado como escudo. Ou não acreditam nisso e tudo bem, ou acreditam e algo vai mal.