Teorias da Conspiração... Ou não!

SI VERA EST FAMA

"Uma pessoa da intimidade de Hitler disse-me que ele acorda durante a noite soltando gritos convulsivos. Pede socorro, sentado na beira da cama, como que paralisado. É possuído por um pânico que o faz tremer a ponto de sacudir a cama. Profere vociferações confusas e incompreensíveis. Arqueja como se estivesse a sufocar. A mesma pessoa relatou-me uma dessas crises com pormenores em que me recusaria a acreditar se a fonte não fosse de tanta confiança. Hitler estava de pé no seu quarto cambaleante, olhando em redor com ar desvairado. ‘É ele! É ele! Ele esteve aqui!’, gemia. Os lábios tremiam-lhe. O suor escorria abundantemente. De súbito pronunciou números sem qualquer sentido, depois palavras, restos de frases. Era pavoroso. Empregava termos curiosamente reunidos, absolutamente extraordinários. Depois, novamente, voltara a ficar silencioso, mas continua a mexer os lábios. Tinham-no então friccionado, e fizeram-no tomar uma bebida. Depois, subitamente, berrou: ‘Ali, ali no canto! Está ali!’ Batia com o pé no chão e soltava gritos. Tranquilizaram-no dizendo-lhe que nada se passava de anormal; e ele acalmou-se pouco a pouco. Em seguida, dormira várias horas e voltara a ser quase normal e suportável.”

Hermann Rauschning, Hitler Disse-me, 1939.

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Hermann Rauschning (1887-1982)

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Em 1894, um arquiteto croata de nome Tomislav Orsic viajou até Viena, a elegante e cosmopolita capital do Império dos Habsburgos. Nessa metrópole conheceu uma jovem dançarina austríaca chamada Sabine. Perdidamente apaixonados, casaram-se, e em 31 de outubro de 1895, Sabine deu à luz uma bela menina a que chamaram Maria Orsic.

Já na sua juventude, Maria Orsic revelou profundo interesse pelo Pangermanismo, movimento ideológico muito ativo durante e após a Primeira Guerra Mundial e que tinha como principal objetivo unir as duas nações germânicas, a Áustria e a Alemanha.

No rescaldo da derrota sofrida pelos dois impérios, Maria mudou-se, em 1919, para Munique, onde estabeleceu contactos extremamente frutuosos com uma nova organização ocultista e völkisch: a Thule Gesellschaft (Sociedade Thule). Em 1922, juntamente com um grupo de amigas igualmente interessadas por temas espiritualistas e esotéricos - Traute, Sigrun, Gudrun e Heike -, criou um grupo iniciático a que chamaram oficialmente Alldeutsche Gesellschaft für Metaphysik (Sociedade PanGermânica para a Metafísica), também conhecido como Vril Gesellschaft (Sociedade Vril).

Segundo alguns investigadores, esta será a única foto fidedigna das Vrilerinnen: Maria Orsic (1), Sigrun (2), Traute (3) e Gudrun (4).

Para além dos interesses ocultistas, este grupo de jovens do sexo feminino - as famosas Vrilerinnen - partilhavam a mesma imagem inconformista. Numa época em que na moda feminina predominava o cabelo curto, Maria Orsic e as suas amigas insistiam em exibir cabelos muito longos, às vezes amarrados na forma de “rabo-de-cavalo”. Supostamente, os cabelos longos funcionariam como uma espécie de antena cósmica para receber comunicações de serres extraterrestres e de espíritos do Além.

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No final de novembro de 1924, Maria Orsic teve o seu primeiro contacto com figuras de elite do Partido Nacional-Socialista. Rudolf Hess, visitou-a no seu apartamento em Munique, na companhia de Rudolf von Sebottendorf, o fundador da Sociedade Thule. Sebottendorf queria entrar em contato com Dietrich Eckart, um antigo membro dessa Sociedade, que havia falecido um ano antes.

Durante a sessão mediúnica, Maria Orsic incorporou o espírito de Eckart. Subitamente, Eckart anunciou que estava acompanhado de uma outra entidade com uma mensagem importante. A nova voz identificou-se como membro dos Sumi, os habitantes de um planeta na órbita de Aldebaran (na constelação de Touro), uma raça humanóide que colonizara a Terra há cerca de 500 milhões de anos, mais especificamente a região da Mesopotâmia, afirmando que aqueles que tinham sobrevivido ao Grande Dilúvio eram os antepassados da raça ariana. Sebottendorff reagiu com ceticismo e pediu provas. Enquanto estava em transe, Maria rabiscou vários caracteres de aparência estranha, que se concluíram serem da escrita suméria.

Maria já havia estabelecido contatos anteriores com os Sumi e todas as mensagens que transcrevera foram redigidas na língua suméria e traduzidas pelos Pan-Babilónicos um círculo de investigadores académicos próximos da Sociedade Thule, do qual faziam parte Hugo Winckler, Peter Jensen e Friedrich Delitzsch.

Algumas dessas mensagens que recebeu em 1919 consistiam em dados técnicos para a construção de uma aeronave capaz de “voar para Além”.

Em 1922, com a colaboração especializada de Winfried Otto Schumann, professor da Universidade Técnica de Munique e membro da Sociedade Thule e da Sociedade Vril, deu-se inicio à construção da aeronave num local secreto no noroeste da Alemanha. Em 1935, esta nave adquiriu a designação de H-Gerät (Aparelho Hauneburg), sendo popularmente conhecida como Haunebu.

Durante os anos 30 e 40, sob a supervisão da Sociedade Vril, outros modelos de aeronaves discoidais foram igualmente desenvolvidos e testados, como o RFZ (Rundflugzeug ou Aeronave Circular) e as aeronaves RFZ-1, RFZ-2, RFZ-3, RFZ-4 e RFZ-6.

Em dezembro de 1943, Maria Orsic esteve presente numa reunião efetuada na cidade de Kolberg, na Prússia Ocidental, no âmbito do Projeto Aldebaran, em que estava previsto o envio da aeronave Vril-7 Geist (Espírito) até Aldebaran, a 68 anos-luz de distância da Terra. Este projeto foi discutido novamente em 22 de janeiro de 1944, numa reunião com Hitler, Himmler e Schumann.

Quanto ao seu desaparecimento, ocorrido nas últimas semanas do Terceiro Reich, continua envolvido num denso e impenetrável mistério A última comunicação conhecida de Maria Orsic foi numa carta enviada aos membros da Sociedade Vril, em 11 de março de 1945, que terminava com uma frase enigmática: “Niemand bleibt hier” (“Ninguém fica aqui)”.

Desde então, tem-se especulado sobre o seu destino. Há quem diga que partiu para Aldebaran. Outras teorias sugerem várias possibilidades, incluindo um rapto extraterrestre ou um desaparecimento deliberado para evitar que os seus conhecimentos esotéricos caíssem em mãos erradas.

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“Quando, na Primavera seguinte [1942], as tropas invadiram o Cáucaso, realizou-se uma estranha cerimónia. […] alpinistas das SS treparam ao cume do Elbruz, montanha sagrada dos arianos, importante local de antigas civilizações, vértice mágico da seita dos Amigos de Lúcifer. Colocaram a bandeira com a suástica abençoada segundo o rito da Ordem Negra. A bênção da bandeira no alto do Elbruz devia marcar o início da nova era. Dali em diante, as estações obedeceriam e o fogo venceria o gelo por vários milénios. Houvera uma grave decepção no ano anterior, mas não passara de uma provação, a última, antes da verdadeira vitória espiritual. E, apesar das advertências dos meteorologistas clássicos, que anunciavam um Inverno ainda mais de recear que o precedente, apesar dos mil sinais ameaçadores, as tropas subiram em direção ao Norte e a Estalinegrado para cortar a Rússia em duas partes”.

Louis Pauwels e Jacques Bergier, O Despertar dos Mágicos, 1960

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Ainda que discordes do que penso, digo-te novamente sem música ,que estes teus posts sao absolutamente importantes.
E agradeco as leituras que permites, muito para mim era desconhecido em profundidade.

Mas cá para nós, a bruxa nazi…

SL e Obrigado

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"Hitler nasceu em Braunau-sobre-Inn, a 20 de Abril de 1889, às 17h30, no número 219 da Salzburger Vorstadt. Cidade fronteira austro-bávara, ponto de encontro de dois grandes estados alemães, foi mais tarde para o Führer uma cidade símbolo. A ela se liga uma singular tradição: é um viveiro de médiuns. É a cidade natal de Willy e Rudi Schneider, cujas experiências psíquicas fizeram sensação há perto de trinta anos. Hitler teve a mesma ama que Willy Schneider.

Em 1940, Jean de Pange escrevia: Braunau é um centro de médiuns. Um dos mais conhecidos é Madame Stokhammes que, em 1920, desposou em Viena o príncipe Joaquim da Prússia. Era de Braunau que um espiritista de Munique, o barão Schrenk-Notzing, mandava vir os seus auxiliares, e um deles era justamente primo de Hitler.

O Ocultismo ensina que depois de terem conciliado forças ocultas, por meio de um pacto, os membros do grupo não podem evocar essas forças senão por intermédio de um mago, o qual não poderá agir sem um médium. Tudo se passa como se Hitler tivesse sido o médium e Karl Haushoffer o mago".

Louis Pauwels e Jacques Bergier, O Despertar dos Mágicos, 1960

schneiderbrothers

Os famosos mediuns Willy e Rudi Schneider.

Albert_von_Schrenck-Notzing

O Barão Albert von Schrenck-Notzing, um dos mais ilustres investigadores do paranormal.

Recriação de uma sessão espiritista no filme “Dr. Mabuse”, de Fritz Lang (1922).

A German Worker _by_Klaus_Richter,_1941

Um Trabalhador Alemão, de Klaus Richter, 1941. Este poderoso retrato serviu de ilustração para a capa de um dos mais impressionantes estudos psicológicos sobre o ditador alemão: o livro O Deus Psicopata: Adolf Hitler, da autoria de Robert Waite, publicado em 1977.

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Uma pequena nota se me permites…
Isto porque referenciaste o fantástico Jacques Bergier.
Se nao estou em erro tenho esse livro, sei que o li na altura muito novo, e fazia parte de uma colecao de livros de capa negra, dedicados ao fantástico, oculto, sobrenatural, sociedades secretas,.
Há pouco tempo comprei um livro dessa colecao relacionado precisamente com esta temática que divulgas de forma cativante.

Lembro também de um jornal dos anos 70 chamado Nostra o jornal da actualidade misteriosa, tenho ainda 2 ou 3 exemplares que guardo de forma nostálgica, um deles com a famosa cara de marte em capa cheia.
E fico-me por aqui.
Obrigado uma vez mais !

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Nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, milhões de soldados escreveram poemas e cartas dedicadas às suas mães, esposas e namoradas. Mas não foi o caso do jovem cabo Adolf Hitler…

Enaltecendo a mitologia germânica, que conhecera através de Jörg Lanz von Liebenfels e de Guido von List, no contexto da subcultura neopagã, esotérica e ocultista da Viena das primeiras décadas do século XX, Hitler compôs um poema curto e de tonalidade mística:

"Por vezes, vou em noites amargas,
Ao carvalho de Wotan no bosque tranquilo,
Para tecer uma aliança com os poderes das sombras,
O luar evoca as runas para mim.

E todos que se deleitam no dia,
Encolhem diante da fórmula mágica!
Eles se desnudam, mas em vez de tecerem o fio da Vida,
Petrificam-se como estalagmites.

É assim que os falsos são separados dos verdadeiros,
Eu alcanço o ninho das palavras
E dou aos bons e justos
Com a minha fórmula, bênçãos e prosperidade."

O Adeus de Wotan a Brunilde, de Josep Mestres i Cabanes, 1944.

Ainda a propósito da sua experiência de guerra, Hitler disse que, num certo dia, quando se encontrava numa trincheira, ouviu uma voz interior dizer-lhe: “Levanta-te e sai daqui”. Saiu de imediato e um obus atingiu subitamente o local onde tinha estado, causando a morte a alguns dos seus camaradas.

Una premonición salvó a Hitler de la muerte en laPrimera Guerra Mundial
Hitler foi salvo da morte por uma premonição?

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O primeiro contacto de Hitler com o simbolismo místico da cruz suástica remonta à sua infância, quando a família se mudou, em 1897, para Lambach, uma próspera cidade austríaca.

A abadia de Lambach.

A sua nova casa ficava perto da abadia beneditina de Lambach, fundada no século XI, em cujas paredes Hitler viu pela primeira vez a hakenkreuz (cruz suástica), símbolo solar de origem pagã que exerceria uma enorme influência na sua futura carreira política.

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Quem gosta muito desses temas é o pessoal da OSCOT - Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, que tem como secretário da mesa da AG o GRANDE ZEFERINO BOAL

Aqui o Anes, co-fundador da coisa com o Dr. Rui Pereira (5*) é uma eminência em espiritualidades e religiosidades alternativas.

Eu acho que estão todos “boalizados” :nerd_face:

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Margaret Sander

Para uns, a mulher mais maléfica que alguma vez existiu.
Para outros, como Goebbels, a mais notável socialista da América do Norte.

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As garrafas ficam na mesa?
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O gajo há uns tempos ligou-me.

“vas”?; “sim”; “zeferino boal. Blá, blá, blá…”; “olha, estás baralhado”; “não és o vas?”; “sou”; “… epá!.. enganei-me no vas” :sweat_smile:

O presidente do CD é o Bacelar Gouveia…

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foto de grupo :mechanical_arm:

Quem também lá anda é o António Rebelo de Sousa, irmão do PR - foi meu professor de uma cadeira interessante - História e Análise de Modelos Económicos. Um prato, sempre bem disposto.
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HITLER AS A POLITICAL PROPHET

Naquela hora , tudo começou.

Landestheater , Linz , 1906

Foi a hora mais impressionante que já vivi com meu amigo. É tão inesquecível que até as coisas mais triviais, as roupas que Adolfo usou naquela noite, o tempo, ainda estão presentes na minha mente como se a experiência estivesse isenta da passagem do tempo.
Adolfo estava do lado de fora da minha casa, com seu sobretudo preto e o chapéu escuro puxado sobre o rosto. Era uma noite fria e desagradável de novembro. Ele acenou para mim com impaciência. Eu estava me limpando da oficina e me preparando para ir ao teatro. Rienzi estreava naquela noite. Nunca tínhamos visto esta ópera de Wagner e aguardávamos com grande entusiasmo. Para proteger os pilares do Passeio tivemos que chegar cedo. Adolfo assobiou para me apressar. Agora estávamos no teatro, ardendo de entusiasmo e vivendo sem fôlego durante a ascensão de Rienzi para ser o Tribuno do povo de Roma e sua subsequente queda. Quando finalmente acabou, já passava da meia-noite. Meu amigo, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco, silencioso e retraído, caminhou pelas ruas e saiu da cidade. Normalmente, depois de uma experiência artística que o comoveu, ele começava a falar imediatamente, criticando duramente a performance, mas depois de Rienzi ficou muito tempo calado. Isso me surpreendeu e perguntei o que ele achava disso. Ele me lançou um olhar estranho, quase hostil. “Cale-se!” ele disse bruscamente. A névoa fria e húmida pairava opressivamente sobre as ruas estreitas. Nossos passos solitários ressoaram na calçada. Adolfo pegou a estrada que levava ao Freinberg. Sem dizer uma palavra, ele avançou. Ele parecia quase sinistro e mais pálido do que nunca. A gola levantada do casaco aumentava essa impressão. Eu queria perguntar a ele: “Onde você está indo?” Mas seu rosto pálido parecia tão ameaçador que suprimi a pergunta. Como se impulsionado por uma força invisível, Adolfo subiu ao topo do Freinberg. E só agora percebi que não estávamos mais na solidão e na escuridão, pois as estrelas brilhavam intensamente acima de nós.


Modern Linz as seen from the Freinberg at night.

Adolfo ficou na minha frente; e agora ele agarrou minhas duas mãos e as segurou com força. Ele nunca havia feito tal gesto antes. Senti pelo aperto de suas mãos o quão profundamente comovido ele estava. Seus olhos estavam febris de excitação. As palavras não saíram suavemente de sua boca como costumavam acontecer, mas irromperam, roucas e estridentes. Pela sua voz pude perceber ainda mais o quanto essa experiência o abalou.

Até então eu estava convencido de que meu amigo queria ser artista, pintor ou talvez arquiteto. Agora isso não era mais o caso. Agora ele aspirava a algo mais elevado, que eu ainda não conseguia compreender totalmente. Fiquei bastante surpreso, pois pensei que a vocação do artista era para ele o objetivo mais elevado e desejável. Mas agora ele falava de um mandato que, um dia, receberia do povo, para conduzi-lo da servidão às alturas da liberdade.

Foi um jovem desconhecido que falou comigo naquela hora estranha. Ele falou de uma missão especial que um dia lhe seria confiada, e eu, seu único ouvinte, mal conseguia entender o que ele queria dizer. Muitos anos se passaram antes que eu percebesse o significado desta hora de êxtase para meu amigo. Suas palavras foram seguidas de silêncio. Descemos para a cidade. O relógio bateu três horas. Nos separamos na frente da minha casa. Adolf apertou-me a mão e fiquei surpreso ao ver que ele não foi na direção de sua casa, mas voltou-se novamente para as montanhas. “Onde você está indo agora?” Eu perguntei a ele, surpreso. Ele respondeu brevemente: “Quero ficar sozinho”.

Foi um jovem desconhecido que falou comigo naquela hora estranha. Ele falou de uma missão especial que um dia lhe seria confiada, e eu, seu único ouvinte, mal conseguia entender o que ele queria dizer. Muitos anos se passaram antes que eu percebesse o significado desta hora de êxtase para meu amigo. Suas palavras foram seguidas de silêncio. Descemos para a cidade. O relógio bateu três horas. Nos separamos na frente da minha casa. Adolfo apertou-me a mão e fiquei surpreso ao ver que ele não foi na direção de sua casa, mas voltou-se novamente para as montanhas. Nas semanas e meses seguintes, ele nunca mais mencionou esta hora no Freinberg. A princípio, pareceu-me estranho e não consegui encontrar explicação para o seu estranho comportamento, pois não conseguia acreditar que ele o tivesse esquecido completamente. Na verdade, ele nunca se esqueceu disso, como descobri trinta e três anos depois. Mas ele manteve silêncio sobre isso porque queria guardar aquela hora inteiramente para si. Isso eu pude entender e respeitei seu silêncio. Afinal, era a hora dele, não a minha. Eu havia desempenhado apenas o modesto papel de um amigo solidário. Em 1939, pouco antes do início da guerra, quando visitei Bayreuth pela primeira vez como convidado do Chanceler do Reich, pensei que agradaria ao meu anfitrião lembrando-lhe daquela hora noturna no Freinberg, então contei a Adolfo Hitler o que Lembrei-me disso, presumindo que a enorme multidão de impressões e acontecimentos que preencheram estas últimas décadas teriam empurrado para segundo plano a experiência de um jovem de dezessete anos. Mas depois de algumas palavras, senti que ele se lembrava vividamente daquela hora e guardava todos os detalhes na memória. Ele ficou visivelmente satisfeito porque meu relato confirmou suas próprias lembranças. Também estive presente quando Hitler recontou esta continuação da performance de Rienzi em Linz para Frau Wagner, em cuja casa éramos ambos convidados. Assim, minha própria memória foi duplamente confirmada. As palavras com que Hitler concluiu a sua história a Frau Wagner também são inesquecíveis para mim. Ele disse solenemente: “Naquela hora tudo começou”.

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maus-tratos infantis

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Na sua juventude, Hitler costumava passar o tempo em bibliotecas de Viena, lendo todo o tipo de livros, incluindo aqueles que tratavam de mitologia, ocultismo, misticismo medieval e pangermanismo. Era também um leitor assíduo de uma revista esotérica chamada Ostara, o nome da deusa germânica da Primavera.

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Fundada em 1905 pelo ocultista austríaco Jörg Lanz von Liebenfels, essa revista teve enorme circulação na Alemanha e na Áustria, atingindo tiragens de mais de 100.000 exemplares. Seria publicada em duas séries, de 1905 a 1917, com oitenta e nove números publicados e de 1922 a 1927, com mais doze números. O próprio Liebenfels afirma que o futuro Führer, quando vivia em Viena, o contactou pessoalmente para obter alguns exemplares que faltavam na sua coleção particular.

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O ocultista Jörg Lanz von Liebenfels, Grão-Mestre da Ordo Novi Templi (1874-1954).

Nesta publicação dedicada a temas religiosos e raciais, vários ocultistas e ideólogos völkisch escreveram artigos apelando à rebelião contra as “raças subumanas” e em particular contra os judeus, que, através do seu poder financeiro, estariam a extorquir e a escravizar o Ocidente e a nação alemã em especial.


Uma das obras de Jörg Lanz von Liebenfels: Teozoologia ou a Ciência dos Macacos de Sodoma e do Elétron Divino (1905).

A salvação seria obtida através do resgate da antiga sabedoria ariana que havia sido difundida por civilizações muito antigas, como a Hiperbórea e a Atlântida.


Os Sete Pecados Mortais, de Otto Dix, 1933.

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“Aquele que não tem sementes demoníacas dentro de si nunca dará à luz um novo mundo”. Esta frase sublinhada pertence a Magia: História, Teoria e Prática, um livro sobre ocultismo publicado em 1923 pelo escritor e publicitário alemão Ernst Schertel, um estudioso do esoterismo e da religião, que também escreveu sobre sadomasoquismo. O sublinhado é de Adolf Hitler. O ditador alemão recebeu o livro do próprio autor, que também lhe escreveu uma dedicatória.



Magia: História, Teoria e Prática, de Ernst Schertel, 1923 (reedição de 2009).

Hitler deve tê-lo lido várias vezes, pois é um dos livros que apresentava mais sublinhados ​​na sua biblioteca pessoal, na qual existia uma importante coleção dedicada às chamadas Ciências Ocultas. Possuía mais de 130 livros sobre temas religiosos e espirituais, que iam desde o Ocultismo Ocidental ao Misticismo Oriental e aos ensinamentos de Jesus Cristo. Entre estes, destacavam-se os livros relacionados com as profecias do astrólogo e vidente Nostradamus, pelos quais Hitler parecia demonstrar especial predileção, adquiridos no início da década de 1920 e que foram descobertos nos aposentos privados do seu bunker em Berlim, em maio de 1945.


Nostradamus, um dos mais carismáticos videntes de todos os tempos (1503-1566).

Existiam também livros sobre Runologia, como Eu li a Runa. Apelo à Jovem Alemanha, de Ernst Radusch; sobre Ariosofia e Simbologia Ocultista, como O Mistério da Suástica e o Berço dos Indo-Germanos, de Otto Grabowski; sobre Espiritismo, como Os Mortos Vivem, de Hinrich Ohlhaver ; sobre Orientalismo, como os assinados por Bô Yin Râ, pseudónimo de Joseph Anton Schneiderfranken; ou sobre Neopaganismo, como O Triunfo da Vontade de Imortalidade, de Mathilde Ludendorff.

No seu acervo também existiam livros oferecidos pelos médiuns, videntes e astrólogos que os escreveram. Como é o caso de Elsbeth Ebertin, a astróloga que fez um mapa astral de Hitler, “um homem de ação nascido em 20 de abril de 1889, com o Sol a 29º em Carneiro” (o Sol de Hitler na verdade estava a 00° 49’ em Touro).

Hitler possuía igualmente livros dedicados à “Cosmogonia Glacial” de Johannes Hörbiger. Este engenheiro austríaco desenvolvera a teoria da Welteislehre a partir de uma visão que teve ao observar a Lua no seu jardim e de vários sonhos. Segundo Hörbiger, o Sistema Solar teria nascido da colisão de uma estrela morta coberta de gelo com o Sol. O impacto teria gerado os planetas e os seus satélites, sendo a Via Láctea constituída por blocos de gelo. A Lua seria também formada por gelo, sendo a sexta lua que a Terra teve e que caíram numa sucessão de grandes ciclos históricos. O Dilúvio Universal e o colapso da Atlântida dever-se-iam às quedas de sucessivas luas na Terra.

Hitler, Face do Terror, de Erwin Blumenfeld, 1933.

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