Liderança em risco
O Benfica tem motivos para carpir erros próprios mas também pode apontar o dedo ao “benfiquista” (???) Pedro Proença. Com a derrota de ontem, os encarnados podem ficar reféns de Sporting e FC Porto
RICARDO LEMOS
O Benfica colocou-se ontem nas mãos de Sporting e FC Porto na (acesa) luta pelo título, perdendo em Penafiel num jogo em que era obrigado a ganhar. “Faltam 270 minutos para o título” - lia-se em inúmeras camisolas distribuídas pela Casa do Benfica de Felgueiras, mas, agora “faltam” 180 minutos - para os encarnados, obviamente, dado que “leões” e “dragões” ainda não jogaram - ao Benfica para provar que merece, de facto, ser a melhor equipa da SuperLiga.
O jogo de ontem teve apenas um sentido - em direcção à baliza de Nuno Santos -, mas houve um momento (lícito, pelo menos) marcante, com N’ Doye a aproveitar uma desatenção da defesa encarnada - André Luís, especialmente - para marcar um golo que pode fazer história na prova - a avaliar pelos festejos dos adeptos do Penafiel, depois do golo e no final do encontro, os penafidelenses foram ontem… campeões. É verdade que apenas o Benfica quis ganhar o encontro, mas o certo é que foi o ex-atleta do Estoril a decidir um encontro que coloca um enorme ponto de interrogação e acende ao máximo uma fogueira que vai “queimar” Benfica, Sporting ou FC Porto.
A história do encontro de ontem foi, de facto, atípica. Com o Benfica a tentar, desde logo, o golo que colocasse a discussão do título no dérbi da próxima semana, o Penafiel respondeu com uma atitude tímida, expectante e, aparentemente, medrosa, deixando nas mãos (ou melhor, nos pés) dos jogadores encarnados a responsabilidade de provarem que são a melhor equipa.
Após uma primeira parte em que apenas o emblema da Luz quis marcar, foi evidente que a condição física foi um obstáculo que os encarnados nunca mais conseguiram contrariar ao longo de um segundo tempo em que rapidamente se viram em desvantagem (61’). Giovanni Trapattoni - que não pôde contar com Manuel Fernandes - apostou tudo com a entrada de Mantorras - para o lugar do ineficiente Karadas - ao intervalo, colocando, pouco depois, Delibasic ao lado do camisola nove. Uma aposta arriscada, que colocou o Benfica em sentido directo para a baliza de Nuno Santos, mas o ritmo de todo o segundo tempo foi marcado pelo ritmo de não um mas dois autocarros defensivos do Penafiel, que tudo fez para que o guarda-redes não tivesse qualquer calafrio. E a verdade é que o conseguiram, com excepção a uma incursão individual de Carlitos, que culminou com um remate torto com o pé esquerdo.
Pedro Proença merece uma referência especial neste espaço porque conseguiu desmistificar a sua alegada preferência clubística, apitando sempre em prejuízo do Benfica. Razão, afinal, tinha José Couceiro quando disse que alguma coisa podia não correr bem no Penafiel-Benfica… É que não correu mesmo, com os encarnados a terem razão de queixa em dois lances cruciais, com motivos para penálti, existindo ainda mais dois lances extremamente duvidosos também disputados na área do Penafiel…
Doye, N’Doye?