Sporting tão grande como os maiores da Europa - 50 anos Taça das Taças

A SportingTv devia passar o jogo da finalíssima para todos que queiram poderem assisitir.

Infelizmente nunca vi o jogo!

UMA MÃO CHEIA DE GOLOS AO MANCHESTER UNITED
Por Jornal Sporting
18 Mar, 2016
FUTEBOL
Vitória dos ‘leões’ por 5-0 sobre os ingleses na caminhada para a Taça das Taças de 1964

Parece que vemos o velhinho Alvalade a reerguer-se quando nos lembramos da noite de 18 de Março de 1964. A euforia que habitava as bancadas onde não cabia mais nenhum Sportinguista, a conhecida esperança que sempre nos marcou o ADN a levitar na atmosfera nocturna e, dentro das quatro linhas, 11 estrelas inglesas, como George Best e Bobby Charlton, que tinham aplicado um duro resultado na primeira mão (4-1), contra 11 bravos ‘leões’ que ganhavam cerca de dois contos de reis por mês e lutavam pelo Sporting até ao fim.

Para ultrapassar os quartos-de-final da Taça das Taças, frente ao Manchester United, não importava o facto de a bola ser mais dura ou de as botas não se acomodarem aos pés. O peso da camisola do leão rampante foi o único factor que marcou Carvalho, Pedro Gomes, Hilário, Fernando Mendes, Alexandre Baptista, José Carlos, Figueiredo, Osvaldo Silva, Mascarenhas, Geo e João Morais.

Aos 12 minutos, o velhinho Alvalade já havia explodido de alegria por duas vezes: Osvaldo Silva converteu uma grande penalidade aos 2’ e bisou aos 12’, depois de uma bonita jogada individual. A segunda metade começou com Geo a empatar a eliminatória e a deixar o público em delírio, logo aos 47’, para cinco minutos mais tarde assistir João Morais, que rematou para o 4-0 e projectou o sonho ‘verde e branco’. Osvaldo viria a construir o ‘hat-trick’ com um livre directo brilhante. Aquela noite mágica viria a ser o golpe dos génios que acabariam por levantar o troféu em Antuérpia, depois de derrotarem o MTK.

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https://www.youtube.com/watch?v=M4-UFzja_aY

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Venceram a Taça das Taças, fazem parte de grupo de risco e pedem novo título

O JOGO foi saber como Carvalho e Pedro Gomes, heróis da Taça das Taças e ambos inseridos num dos grupos de risco face à covid-19, estão a viver os seus dias. Determinados, deixam incentivos e prometem… vitória!

A prudência dos tempos aumenta-nos a responsabilidade para com quem mais precisa, neste caso os grupos de risco à covid-19. No futebol, há história, heróis de outrora que continuam a ter voz, mas sobretudo esperança: são os casos de Carvalho e Pedro Gomes, caras do triunfo do Sporting na Taça das Taças em 1964 - único troféu europeu de futebol na história leonina -, que, aos 82 e 78 anos, respetivamente, garantem ainda ter estaleca para conquistar novo título, agora ultrapassando, com resguardo e cuidados redobrados, e a promessa de voltarem a sair de casa, sãos, e regressar ao outro lar, Alvalade, onde ficarão os corações.

“Estou como todos os portugueses, a viver um momento grave, mas temos de alinhar, corresponder à chamada das entidades competentes, porque ainda não somos dos países cuja situação é mais grave. O nosso povo acorreu bem e estamos a ajudar a conter a propagação”, atira Carvalho, guarda-redes que agarrou tudo na decisão de Antuérpia, na Bélgica, que concretiza: “Faço 83 anos a 18 de abril e por isso tenho ficado por casa. Saio apenas para fazer pequenas compras, até porque vivo apenas com a minha mulher, que precisa de auxílio. Os filhos moram longe… Mas vamos lutando, temos de avançar!”.

Pedro Gomes, antigo lateral-direito, não foge desta quadra. “Tenho cumprido as indicações do Governo e dos médicos, que é ficar em casa. Praticamente não saio, vou só a um pequeno supermercado, perto, às compras, e faço um passeio curto, à noite. Temos de manter as distâncias, lavar sempre as mãos, desinfetá-las, com álcool ou um produto anticético. Temos de ter muita coragem, porque nós, os que fomos campeões, queremos voltar a sê-lo!”, assegurou, concluindo com um disparo que espera certeiro na cabeça do povo que ainda o aplaude: “Isto acaba por ser um eco que uns ouvem e outros não. A vida não é uma brincadeira. Quem diz que está farto disto, não está. As pessoas querem viver. O que me incomoda é apenas não estar com os meus netos, os meus filhos, com a minha irmã e os meus sobrinhos. Mas mais mês, menos mês, vai tudo passar. É muito importante, até para poder voltar a ver jogos em Alvalade, a minha verdadeira casa.”

Carvalho deixa esta bola entrar… “Vamos passar um momento muito complicado: os mais desfavorecidos vão ter dificuldades, os trabalhos vão ser afetados… Vamos esperar que tudo corra bem! Às vezes estou à janela, aqui em Odivelas, e não vejo ninguém na rua - as pessoas têm correspondido bem. Quanto ao Sporting, vai continuar a ser grande como até aqui. Será difícil, mas vamos em frente!”, concluiu.

A “task force” criada pela Direção foi gesto de pura “humanidade”

Carvalho e Pedro Gomes também estão no mesmo comprimento de onda no que à postura do Sporting para com o covid-19 diz respeito: Frederico Varandas, líder máximo dos verdes e brancos, disponibilizou estádio e pavilhão para a eventuais hospitais de campanha, assim como o seu corpo clínico para ajuda neste combate à pandemia e está ao serviço do exército. “O altruísmo está a vir ao de cima - e muito bem. A vida está primeiro de qualquer outra atividade. Isto é muito mais importante do que qualquer outra modalidade desportiva. Este altruísmo da Direção, do presidente, é de louvar”, atirou a O JOGO o ex-lateral, tal como o antigo guardião: “É um gesto de humanidade. Se têm essa possibilidade, acho muito bem. O presidente, no lugar dele por direito, está a ter uma atitude bonita.”

O Jogo

O cantinho europeu onde o Leão rugiu há 56 anos

1964 é o ano da única conquista europeia leonina além-fronteiras. Sob o comando do luso-espanhol Anselmo Fernández, que entrou no decorrer da época substituindo o brasileiro Gentil Cardoso, o leão ergueu bem alto o seu nome no contexto futebolístico europeu, depois do seu eterno rival Benfica o ter feito poucos anos antes, em 1961 e 1962, na Taça dos Campeões Europeus. A conquista leonina, essa, deu-se na já extinta Taça das Taças, competição da UEFA exclusiva, como a designação sugere, aos vencedores das respetivas taças nacionais. Eram tempos áureos do futebol português na Europa do desporto-rei…

Com a conquista, em 1963, no mítico Jamor, da sexta Taça de Portugal do seu palmarés, diante do Vitória Sport Clube, numa goleada por quatro golos sem resposta, os leões garantiram, assim, o direito à participação na Taça das Taças no ano seguinte, percurso que iniciou de forma muito complicada. Na primeira ronda, diante da representante italiana Atalanta, foi necessário um terceiro jogo de desempate. À derrota por 2-0 em Bergamo, respondeu o conjunto leonino com um triunfo por três bolas a uma em Alvalade. Não estando ainda na altura em vigor a regra do golo fora, foi, então, necessário o jogo do tudo ou nada, em campo neutro, em Barcelona, na vizinha Espanha.

Na Catalunha, registou-se um teimoso empate a uma bola no final dos 90 minutos. No tempo extra, porém, Lúcio Soares e Mascarenhas viraram a contenda a favor dos verde e brancos, que seguiram, assim, para a segunda ronda a eliminar. Segunda ronda que acabou por definir-se como um autêntico passeio para a equipa portuguesa. Contundentes 16-1 aos cipriotas do APOEL, no que é, até hoje, a maior goleada de sempre da história das competições europeias, seguido de um triunfo por 0-2 no Chipre, por mera formalidade.

Nos quartos-de-final, o sempre todo-poderoso Manchester United, orientado pelo lendário Sir Matt Busby. Como na primeira ronda a eliminar, os leões fizeram das extremas dificuldades forças e, a uma comprometedora derrota por 4-1 em Inglaterra, com hat-trick de Denis Law e ainda um do mítico Bobby Charlton, respondeu o Sporting Clube de Portugal com uma goleada tremenda aos Red Devils na capital portuguesa. Foi, nada mais, nada menos, do que uma mão cheia, com golos de Morais, do brasileiro Géo Carvalho e do seu compatriota Osvaldo, que imitou a façanha protagonizada por Law na primeira mão. A real lei, essa, foi mesmo em tons de verde. Além da tremenda reviravolta a tamanho ilustre, nunca, até hoje, o Manchester United sofreu derrota por tamanhos números na Europa, tendo o clube leonino cravado de história, uma vez mais com golos, um recorde que até hoje perdura.

Já só com quatro clubes em competição, foi a vez de os lisboetas colocarem uma vez mais à prova o tamanho dos seus sonhos. A um duplo empate com os franceses do Olympique Lyonnais, seguiu-se, tal como com a Atalanta, a «negra», também na vizinha Espanha, desta vez na capital, no Estádio Metropolitano de Madrid, tendo Osvaldo Silva, a meio do segundo tempo, num lance de recarga ainda na pequena área, colocado o Sporting na desejada final, a disputar uma semana depois!

Na capital belga Bruxelas, o Sporting e os húngaros do MTK Budapeste, que tinham em Károly Sándor a sua figura de proa, proporcionaram espetáculo arrebatador com seis golos, três para cada lado, e… adiaram tudo para uma finalíssima a disputar somente dois dias depois, no mesmo país, mas na cidade de Antuérpia.

Antuérpia ficou, então, marcada para sempre na história do leão. Num jogo mais fechado, a defensiva leonina conseguiu neutralizar Sándor, que esteve envolvido em todos os golos apontados pelos húngaros em Bruxelas, e um corte do lado direito da defensiva húngara, ainda no primeiro tempo, originou um canto para a equipa portuguesa. E aí, bem no cantinho, fez-se história. Morais encarregou-se da marcação e surpreendeu o guardião magiar com um belo arco para o meio da sua baliza. Um canto direto que valeu a… eternidade! Não houve mais golos até final, não obstante a forte pressão exercida pelos húngaros, tendo o troféu mesmo viajado para o reino do leão. O Sporting Clube de Portugal rugia, como nunca, na Europa, numa campanha épica, difícil e com muito golo. Foram 36(!) nos 12 jogos disputados, culminado pelo mais belo e artístico vindo de um canto também para o cantinho mais ocidental da Europa, com muito esforço, dedicação, devoção e… glória!

Texto escrito por André Rodrigues (A Economia do Golo)

A Tasca do Cherba

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Deu agora na RTP memória o filme “caminho da glória”, que retrata toda a história da conquista das Taça da Taças vencida pelo Sporting Clube de Portugal.

18-18:50

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Sporting é leão frente a equipas inglesas: Osvaldo deu cabo do Man. United em 1964

Médio marcou três golos na goleada por 5-0 frente aos red devils de George Best, Bobby Charlton e Dennis Law

O resultado da 1ª volta parecia condenar o Sporting. Depois de despachar a Atalanta e o APOEL, este último por uns impensáveis 18-1 no agregado, os leões defrontaram nos quartos-de-final da Taça das Taças o poderoso Man. United de George Best, Bobby Charlton e Dennis Law, orientado por Sir Matt Busby.

Em Old Trafford, o Sporting treinado por Gentil Cardoso é goleado por 4-1, com muitas queixas da arbitragem. Longe estava o clube de imaginar que estava a poucos dias de escrever umas das páginas mais brilhantes da sua história.

De regresso a Lisboa, o empate caseiro a zeros frente ao Olhanense foi a gota de água para os sócios, que se juntam ao pé da porta 10-A para pedir a saída do treinador. Anselmo Fernández assume a equipa e consegue arrancar um empate (2-2) frente ao Benfica de Eusébio no jogo seguinte.

Osvaldo em entrevista a Record em 2001

Seguia-se o Man. United. Mesmo sem grandes ilusões de seguir em frente, mais de 29 mil adeptos marcaram presença no Estádio José Alvalade. Dennis Law ficou muito perto de marcar logo a abrir, mas a noite era do Sporting, que vingou o orgulho ferido, após a goleada sofrida no Teatro dos Sonhos.

Aos dois minutos, o brasileiro Osvaldo Silva faz o primeiro de penálti. Aos 12, o médio bisou e colocou o marcador em 2-0, resultado com que se chegou ao intervalo. Tal como na 1ª parte, o Sporting entrou com tudo e Géo empatou a eliminatória aos 47 minutos. Pouco depois, Morais e novamente Osvaldo fecharam o resultado numa noite memorável dos leões, que haviam de conquistar a Taça das Taças.

Relatos da altura referem que os jogadores do Sporting, todos juntos, perderam 27,7 quilos nesse encontro! Um jogo histórico de Osvaldo, um dos primeiros jogadores brasileiros a auferir o estatuto de estrela em Portugal. Faleceu em 2002.

Um jovem Ronaldo no funeral de Osvaldo, em 2002

Histórico brilhante

É certo que o Sporting tem uma difícil missão frente ao Man. City, mas também é verdade que os leões costumam dar-se bem frente a equipas inglesas. Em oito eliminatórias nas provas europeias, o Sporting passou oito, sendo que não é eliminado por um conjunto da Premier League há 52 anos.

A última vez tal aconteceu foi em 1969/70, época em que a formação de Alvalade ‘tombou’ perante o Arsenal na segunda ronda da Taça das Cidades com Feiras, antecessora da Taça UEFA.

Outro registo histórico deu-se em 1981. Nesse ano, o Sporting foi a Inglaterra bater o Southampton de Kevin Keegan por 4-2, a primeira vitória de uma equipa lusa no terreno de um emblema inglês.

Sob o comando técnico do inglês Malcolm Allison, o Sporting surpreendeu, com uma exibição brilhante de António Oliveira, determinante em três golos. No final do desafio, Lawrie McMenemy, técnico dos britânicos, nem hesitou: “É muito difícil encontrar um jogador da categoria de Oliveira. Em Inglaterra não existe um com a sua classe.”

59 anos depois

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Os únicos até hoje a representar bem o que é o Sporting

Enormes!

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Os 5 Violinos estão se a revirar nas suas campas…