Sinal dos tempos?

Do “Expresso” online:

Livraria histórica pode encerrar

Buchholz em perigo

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A crise afectou várias áreas e sectores da economia portuguesa e ainda hoje se faz sentir. A histórica livraria Buchholz, sita na Rua Duque de Palmela não escapou à regra, encontrando-se em situação de pré-falência.

A história deste espaço cultural de referência, em Lisboa, inicia em 1943, altura em que o livreiro alemão Karl Buchholz deixou Berlim, depois de a sua galeria de arte e livraria terem sido destruídas pelos bombardeamentos, durante a segunda guerra mundial. Foi nessa altura que decidiu fazer as malas e vir para Portugal, em vez de começar de novo no país Natal, até porque a venda de autores considerados proscritos, como Thomas Mann, era proibida.

Inicialmente, Buchholz instalou-se na Av. da Liberdade e, só em 1965, se instalou na Rua Duque de Palmela. O interior foi projectado pelo próprio livreiro ao estilo das livrarias da sua terra natal, dotado de três andares unidos por uma escada de caracol, com recantos e sofás que proporcionam um ambiente intimista ao leitor.

Durante os anos 60, a tertúlia artística lisboeta - entre eles Escada, Noronha da Costa, Eduardo Nery e Malangatana - passou pela cave da Buchholz. A selecção dos livros é vasta e inclui várias áreas: artes, ciência, humanidades, literatura portuguesa e estrangeira, livros técnicos e infantis. Na cave funciona uma secção dedicada à ciência política, frequentemente procurada por vários políticos da nossa praça. A Buchholz acolhe ainda eventos especiais, como lançamentos de livros, sessões de leitura e o «Domingo Especial», que são os saldos anuais da livraria realizados anualmente no último dia de Novembro.

Um espaço cultural de referência na cidade de Lisboa perto do encerramento, o que é sempre de lamentar. Há contudo muitas livrarias (não só grandes cadeias como a FNAC ou a Bertrand - que também passou por tempos difíceis) que prosperam actualmente. O que terá falhado?

Sinceramente não sei, vou lá todos os dias à hora de almoço e até vejo sempre muita gente a visitar, provavelmente são como eu, olham, olham, olham mas não compram nada :oops:

Parece-me que a “elitização” das obras em detrimento de outras mais comerciais tb pode ajudar à festa.

É uma grande perda cultural da cidade de Lisboa, e por acaso sei que ainda ha uma luz ao fundo do tunel pois há varios interessados na compra.

Esperar para ver.

É pena, porque eu costumo ir a essa livraria, é uma das melhores (senão a melhor) que há na cidade de Lisboa. Muitas vezes, encontro livros que não se vendem em mais lado nenhum.

É triste se realmente fechar. :?

Conheci a Buchholz nos meus tempos de estudante universitário. Indicaram-ma como a livraria ideal para se encontrar aqueles livros que não se conseguiam encontrar em mais lado nenhum. Espero sinceramente que não encerre, até porque é um espaço muito sui generis.

Tenho potenciais compradores ou investidores instalados onde trabalho, o problema é que nenhum é Tuga… :x