SERVIÇO PÚBLICO: Cosme Damião, Fundador SLB, admiração e colagem

Esses 11 jogadores sairam do Sport Lisboa basicamente porque o Sporting tinha melhores instalações, tinha balneários e ainda por cima com água quente.

Na altura, lembra-te que estávamos em 1907, os jogadores iam tomar banho a casa e andavam pelo meio da rua em calções, situação essa que até causava um certo escândalo na época.

O Sport Lisboa, para além disso, vivia com grandes dificuldades e atravessava uma grande crise. O Sporting, por um lado aproveitou essa situação, e por outro também é verdade que toda a gente queria jogar no Sporting, não só pelas instalações e pelas condições que tinha graças ao dinheiro do Visconde, mas também pelo ambiente que proporcionava totalmente diferente daquele a que eles estavam habituados.
Não te esqueças que o Sporting para além da parte desportiva, tinha uma componente social muito forte em que realizava frequentemente festas e bailes que eram verdadeiros acontecimentos com as melhores pessoas da sociedade.

Em contraste com isso, já eles eram, como é bom de ver, um clube de carroceiros. Por isso, eles não foram por dinheiro, até porque nessa altura não se pagava.

É verdade que mais tarde alguns sairam do Sporting e voltaram para a imundície e outros como os Catataus, nunca deixaram de ser sócios do Sport Lisboa.

Em contrapartida um dos dissidentes, chegou mesmo a ser mais tarde Presidente do Sporting em 1916.
Chamava-se Daniel Queiróz dos Santos, e um grande Presidente, diga-se.

Por dinheiro foi o Artur José Pereira, mas isso foi mais tarde e esse é que fundou o Belenenses.

O Artur José Pereira, que era considerado o melhor jogador da altura, tinha jogado no União Belenense e no Cruz Negra e foi para o Sport Lisboa que efectivamente era de Belém, o sítio onde ele tinha nascido.

Em 1908 com a tal crise de que te falei, eles decidiram unir-se com o Grupo Sport Benfica (outros carroceiros) e dar origem ao sport lisboa e benfica, a tal associação de malfeitores que ainda hoje conhecemos.

Com isso, mudaram de instalações e deixaram Belém. O Artur José Pereira, que era um pastel retinto, lá foi um bocado a contragosto. Mas como tinha um feitio levado da breca, em 1914 pegou-se com eles e arranjou uma caldeirada valente.

Como era de facto um grande jogador, o Sporting aproveitou a situação e convidou-o. Ele aceitou, foi o primeiro jogador a receber ordenado e a banheira de água quente era para ele em primeiro lugar.

Mas o tipo vivia obstinado com aquela mania de formar um clube em Belém e andava sempre a chatear o Jorge Vieira e o Francisco Stromp.

Até que um dia, em 1919, tanto chateou, que o Jorge Vieira foi outra vez falar com o Francisco Stromp e este já farto respondeu-lhe:

" Eh pá, o Artur José Pereira que vá à merd.a e vá lá fundar o clube dele."

E assim foi. Assim nasceu o Belenenses em 1919.

Quem realmente mandava no Sporting, era o Francisco Stromp e não o presidente daquela época, José Alvalade(1910-1916), em que a grande virtude que tinha, era o dinheiro do Avô.
Aliás, a primeira grande revolução que se fez no Sporting, e que o catapultou para um grande Clube, foi precisamente com o afastamento de José Alvalade, que tinha a mania que era o dono do Sporting por causa do dinheiro do avô.

A situação era de tal modo insuportável, que a certa altura o José Holtreman Roquette, mais conhecido por José Alvalade, resolveu retirar do campo de jogos do Sporting, toda a bancada de madeira, para a levar para o Stadium de Lisboa, que era o sonho olímpico que ele tinha, mas que nada tinha a ver com o Sporting. Foi a gota de água.

Foi corrido de presidente, o Sporting arranjou outro campo de jogos, e o José Holtreman Roquette (José Alvalade) em 1916 desligou-se praticamente do Sporting, embora o tenham deixado ficar como tesoureiro durante uns tempos.

Como poderás verificar, o José Holtreman Roquette (José Alvalade) praticamente, esteve no Sporting 10 anos.

E diga-se em abono da verdade, que os grandes impulsionadores da fundação do Clube foram os irmãos Gavazzo.
Francisco que deu o grito do Ipiranga e José que na altura estava em Paris, mas que orientava as coisas como se cá estivesse.
E claro, porque também é verdade, o dinheiro do Visconde de Alvalade, através do neto José Alvalade.

Mas isso é outra história…

Voltando ao tema, espero ter-te ajudado duma forma muito resumida a perceberes como começa a guerra, embora pelo meio tenha havido sempre episódios de grande conflito, motivado sempre pela enorme inveja, pelo enorme complexo de inferioridade e pelo enorme ódio que eles sempre sentiram em relação a nós.

Ódio esse, que ainda mais do que ter razões desportivas e de antagonismo dentro dos campos, tinha as suas raízes no aspecto social e político, que desde logo, não só acompanhou dirigentes e atletas como também sócios, adeptos e simpatizantes.

Podemos pois concluir que essa condição e esse sentimento faz parte da história dos dois clubes duma forma indelével e que é uma questão genética que terá de ser preservada até à eternidade.

ÓDIO ETERNO AOS LAMPIÕES.