Como sabes, estou largamente de acordo com a tua ideia sobre os ativos valorizáveis, tanto conceptualmente como na forma como o clube tem gerido a coisa - acho que abusaram um bocado particularmente no verão passado. O que posso dizer, embora isto valha o que vale porque o que interessa é como agem depois, é que lá dentro partilham dessa percepção e veem isso como algo a ajustar/resolver.
O ponto extra que eu adicionava é que, para além da tua política de transferências, a formação/jogadores a subir da pipeline da B mesmo que comprados tarde são outra fonte muito importante para fornecer essa pipeline de ativos valorizáveis. O Benfica, por exemplo, estaria numa situação quase precária - a meu ver bem pior que a nossa - mas com os 2 laterais do Euro U17 que já apareceram na A e com sorte até o Anísio já têm mais oportunidades para esbater o problema. Se fosse eu a mandar, a estratégia do clube mantinha a base fundamental atual, mas cortava ligeiramente o orçamento na A, adotava plantéis mais curtos e aumentava o investimento tanto na B como na formação para suprir gerações menos fortes - e vamos tendo algumas, infelizmente. Bem como para tentar recuperar algum domínio vindo da base.
O Bafdili por exemplo é uma aquisição - até foi a custo 0, mas mesmo que não fosse - 5 estrelas que fizemos no ano passado. É um jogador que é visto por algum pessoal que acompanha a formação na Bélgica como o melhor jogador do país no ano dele, e alguém que chegou e rapidamente demonstrou um potencial muito grande nos já vários contextos em que esteve inserido. Se continuar a confirmar estes sinais, rapidamente se pode transformar noutro ativo com potencial de valorização explosivo, e no caso deste todo o lucro seria mais-valia. Fosse eu a estar lá, e tentava atacar casos destes de forma muito mais agressiva e constante, tanto lá fora como cá dentro. A equipa B do Vitória ao que parece tem vários valores muito interessantes por exemplo, ia lá tentar sacar gente antes que subam à A e o preço suba 5x. Isto implica algum risco de curto-prazo, porque podes não estar a maximizar a 100% a tua qualidade atual do plantel e isso implica maior risco de falhar a CL, mas se for bem feito atinges uma pipeline de vendas tal que, no médio prazo, podes ter as duas estratégias ao mesmo tempo porque esses fundos te permitem investir mais na A depois.
Como ponto final, acho que do mercado de Verão para a frente fizemos um trabalho bastante bom nas renovações de contrato. Tinhamos vários casos algo bicudos para resolver, e assumindo que a renovação do Trincão se confirma mesmo ficaram todos acautelados com a antecedência devida. Mesmo que em alguns casos seja renovação para venda (e não me chocava que o Trincão fosse um deles), é bom processo da nossa parte.