Quem arruinou o futebol do Sporting?

O Sporting Clube de Portugal era, nos anos de 1940 e 50, o maior clube de futebol português. Era, no fundo, aquilo que queríamos que fosse hoje.

À entrada da década de 60, tinha dez campeonatos nacionais no palmarés, os mesmos que o Benfica, e o dobro dos do Porto. Recentemente, fora convidado para representar Portugal na primeira Taça dos Campeões Europeus, mesmo não sendo campeão nacional.

Hoje, é o terceiro clube português em títulos de futebol conquistados, a grande distância do Benfica e, ao ritmo actual, dificilmente recuperará tão cedo em relação ao Porto.

Em competições internacionais, nem é bom falar. Ganhámos uma taça entretanto extinta e perdemos outra insignificante em nossa própria casa. Na Taça dos Campeões jogámos uma única vez os quartos-de-final e, desde que há fase de grupos, nunca conseguimos apurar-nos para os oitavos-de-final. E nem sequer fazia ideia, até há poucas semanas, que nunca ganharamos fora de Alvalade na competição europeia mais prestigiada.

Desde que nasci, tive que aturar (uma vez que não apoio Benfica e Porto em nenhuma competição) três finais europeias com o Benfica (felizmente, frustrantes para eles) e quatro com o Porto (ainda por cima, ganharam três e, numa delas, tive que gramar um presidente do Sporting com o cachecol do Porto). Para minha maior angústia, perdi madrugadas a ver o Porto ganhar duas taças Toyota. E uma Supertaça europeia, também. Perdeu outra, é verdade, e que bem me soube, mas mal adivinhava que nos espetariam quatro no jogo seguinte, que nos fariam “pagar a factura” com uma humilhação, como predizera o seu treinador com palavras que eu esperava ver engolidas.

A realidade já me devia ter ensinado que nunca acontece o que espero que aconteça. Como é que se explica o fatalismo em que caiu o Sporting que já foi o melhor, com melhores equipas, melhores estruturas e maior prestígio?

Quem é o responsável pela ruína do Sporting enquanto clube de futebol? Ou quais os responsáveis?

Deixo aqui a lista de presidentes do Sporting desde o final dos anos 50, rapinada da Wikipédia:

Guilherme B. Brás Medeiros (1959-61) (1965-73) Gaudêncio L. da Silva Costa (1961-1962) Comodoro Joel Azevedo da Silva Pascoal (1962-1963) Brigadeiro Horácio de Sá Viana Rebelo (1963-1964) Gen. Martiniano A. Piarra Homem de Figueiredo (1964-1965) Manuel Henrique Nazareth (1973) João dos Anjos Rocha (1973-1986) Amado de Freitas (1986-1988) Jorge Gonçalves (1988-1989) José de Sousa Cintra (1989-1995) Pedro Santana Lopes (1995-1996) José Alfredo Parreira Holtreman Roquette (1996-2000) António Augusto Serra Campos Dias da Cunha (2000-2005)

O desvio de Eusébio compromete Brás Medeiros (embora se diga que era excelente presidente, e que a decadência surgiu apenas depois dele; nada mais sei sobre os outros presidentes dos anos 60);
o desvio de Futre e um estádio a cair de podre (apesar de mais composto com uma bancada novinha em folha) também não são bons atributos para apresentar João Rocha;
as “unhas” de Jorge Gonçalves arranharam sobretudo o clube;
com o ego de Sousa Cintra, os treinadores eram encarados como adversários internos;
Santana Lopes preferia os congressos do seu partido às assembleias gerais do clube;
com Roquette, passou a conceber-se como razoável o absurdo de ganhar muito mais gastando-se muito menos;
Dias da Cunha encarava o investimento no futebol como uma despesa supérflua.

Excluí Soares Franco da lista porque talvez seja cedo para avaliá-lo. Na minha opinião, terá que decidir se quer manter a ruína ou levantar de novo a casa. Por enquanto, parece estar a restaurar a ruína. É qualquer coisa, mas, no final, continuará com uma ruína, embora melhor conservada. Eu preferia ver uma casa nova, bastante mais espaçosa, se possível, mas conservando a traça original.

[Gostava de submeter esta lista de presidentes a votação, de preferência podendo votar-se em mais do que um. No meu Mac, não consigo. Será que alguém da moderação me pode ajudar? Obrigado]

Diz o meu octogenário avó e já membro dos cinquentenários que a ruína do futebol do Sporting se iniciou após a morte do presidente que trouxe os violinos, que a partir daí foi só “meninos” e que esse foi o último grande e possivelmente o melhor presidente do Sporting pois não dormia em serviço, que com ele não teriam existido casos “Eusébio” e outras meninices nas quais até hoje o Sporting lidera a tabela angelical.

O assunto é aliciante e poderá levar-nos a uma interessante discussão, mas centrá-la nos Presidentes parece-me disparatado.

Eu julgo conhecer suficientemente a história do Sporting e do futebol português, para afirmar que fomos os melhores durante os nossos primeiros cinquenta anos de vida, porque reuníamos entre nós as pessoas mais capazes e com mais meios. O Sporting é um clube de origem aristocrática e elitista, que sempre teve as melhores condições para a prática desportiva e por consequência geralmente os melhores atletas.

No entanto na década de cinquenta houve uma mudança importante no País com o começo da guerra colonial, até aí o Salazar não se preocupava com o futebol, mas a partir dessa altura passou a ser fundamental para ele distrair e animar um povo ignorante que diariamente via partir e morrer os seus filhos.

Esse é o tempo dos três FFF (Futebol, Fátima e Fado) em que passou a ser importante que fosse o clube do povo a ganhar. A chegada do Eusébio a Lisboa em 1960 vindo do Sporting de Lourenço Marques para o nosso Sporting e desviado para o clube do lado, demonstra que nessa altura já o poder do Leão estava em queda e esse foi um momento importante no futebol português pela diferença que aquele jogador viria a fazer muitas vezes.

O 25 Abril é outro momento de viragem na sociedade portuguesa, nessa altura muita gente fugiu do País para salvar o que podia das suas fortunas, era moda ser-se comunista e ser rico significava ser fascista. O Sporting perdeu muita gente importante ao mesmo tempo que o poder económico se deslocava para o norte.

A democracia chegou ao futebol e Pinto da Costa, Pedroto e Adriano Pinto fabricaram o chamado “sistema” que visou e conseguiu controlar os bastidores do futebol e colocar o FCP no topo. O Sporting atrasou-se irremediavelmente entrou na sua fase populista e passou momentos de agonia e vergonha.

Em 1995 o clube foi devolvido às suas origens com o chamado “Projecto Roquete” que no entanto falhou em varias vertentes, principalmente a financeira. Mesmo assim hoje temos um Clube novamente respeitado que que liderou mudanças importantes no futebol português, como sejam o advento das SAD, os Estádios de ultima geração, a aposta na formação e a luta pela credibilização e transparência.

Os próximos anos serão fundamentais para e refundação do Sporting, que na minha opinião deve girar à volta da Academia de Alcochete, e aí alguns passos já foram dados, mas ainda há muita coisa para fazer, faltando também um líder aglutinador que seja capaz de unir e revitalizar um Clube que deve ser fiel ao seu passado de 100 anos, sem esquecer que já estamos no século XXI.

Há uma coisa no entanto de que nos podemos orgulhar, o nosso período áureo é conhecido como o tempo dos 5 violinos e não o tempo do Salazar ou do Pinto da Costa

Well said!

já o disse noutro tópico que para analisar a decadência desportiva, terá de haver um reunir de informação de planteis e de orçamentos disponibilizados/custo de cada jogador.

Para mim é notório que a culpa é dos responsaveis pelas contractações, tanto de jogadores como de treinadores.

A culpa é sempre dos dirigentes e da sua incompetência como tal. Passo agora frequentemente pelo Alvaláxia e reparo nas alterações que estão a ser feitas no antigo espaço do bowling: ligação por elevador ao parque de estacionamento para transformação daquele espaço num supermercado (creio saber que é da cadeia Lidl). Há que colocar o projecto Roquete perante as suas responsabilidades por aquilo que foi um tremendo falhanço comercial e financeiro com graves reflexos no endividamento do clube e nos consequentes maus resultados desportivos. Seria interessante trazer a este Forum algumas das pérolas que foram ditas e escritas no período de lançamento do novo estádio. Autênticas mentiras, um enorme embuste que levou alguns milhares dos melhores adeptos a investirem somas importantes em lugares de leão que poucas ou nenhumas vantagens lhes trazem.

não é por nada, mas há por aí tantos tópicos com este tipo de assunto… ::slight_smile:

Na minha opinião, e de uma forma muito geral, o nosso “mal” começa quando na década de 60 temos uma politica de contratações simplesmente desastrosa, em que raramente apostavamos no mercado interno, priveligiando sempre brasileiros de qualidade duvidosa, enquanto que o nosso maior rival da altura fazia o inverso. Reforçava-se apenas com jogadores nacionais. E digo isto, porque tinhamos tanta capacidade para ir buscar o Jaime Graça, o Simões, o Bento ou o Chalana, como eles.
E o mesmo aconteceu nos anos 80 e 90 com o F.C.P., daí pensar que esse foi essencialmente o nosso mal.
E se aliarmos a isto o facto de termos sido sempre anjinhos no que às arbitragens diz respeito, ficando sempre com os restos da luta SLB - FCP, temos a razão do porquê de termos um historial tão modesto num campeonato jogado a três.

Caros amigos,

Leio atentamente os comentários das pessoas que participam neste fórum e cada vez mais concluo que existe mais paixão e interesse em conhecer a realidade do nosso clube aqui de que nos gabinetes dos pseudo gestores do nosso clube.
Penso que é interessante este exercício aqui proposto, mas numa óptica de aprendermos com os erros do passado. Algumas gestões de alguns presidentes deixaram muito a desejar, não sei mesmo se terão sido danosas para o clube, no entanto o que quero sublinhar é a falta de visão estratégica que imperou no clube de 1980-2000. Durante 2 décadas vimos os novos rivais afastarem-se de nós de uma forma significativa. As razões para isso? Deixo para mais doutos sabedores do que eu.
Cumprimentos leoninos,

Gostaria de saber o porquê do criador deste tópico considerar a Taça UEFA uma competição insignificante… com certeza prefere ganhar Taças da Liga!

É para rir, não? :rotfl:

Os 15 anos entre 1985 e 2000 foram muito maus para o Sporting! Associo a actual situação à dramática perda de poder do Sporting comparativamente com os 2 rivais, sobretudo o FC Porto, cuja importância e influência subiu exponencialmente.

O futebol português não é verdadeiro! O histórico dos últimos 20 anos não traduz a realidade, com clubes a ganharem títulos com ajudas extra-futebol. Antes disso, com certeza também existiriam, mas não posso falar de algo que não vivi.

Com sorte, o Apito Dourado abrirá os olhos a muita gente, sobretudo àqueles que ainda acham que o clube das galinhas é o apogeu do sistema apesar do currículo miserável dos últimos 10-15 anos…

Aquilo que estou a propor não é apenas que se discuta quem são os responsáveis por aquilo a que chamei a “ruína” do futebol do Sporting. Podia ter-lhe chamado “crise” ou coisa do género que alimentasse um horizonte de esperança, mas preferi “ruína”, porque a crise se tornou crónica, com alguns intervalos de sucesso.

Nos últimos cinquenta anos, o Sporting ganhou oito campeonatos nacionais e uma taça europeia. Desde 1953, que o Sporting não ganha dois campeonatos seguidos.

Ou seja, em mais de quarenta anos do último meio-século, os sportinguistas ficaram sem títulos ou tiveram que contentar-se com uma taça de Portugal (em tempos mais recentes, um segundo lugar no campeonato, quando dá acesso à Liga dos Campeões, já serve de consolo e, às vezes, para pequenas celebrações).

No fundo, estou a propor outro exercício, para além das discussões contingenciais sobre se o Carlos Freitas contrata bem ou mal, se o Paulo Bento é ou não o treinador certo, e outras possíveis. Estou a propor que se olhe para um problema mais profundo que é um problema de relação com a história do próprio clube.

Pessoalmente, o meu desejo é que o Sporting tenha um projecto de hegemonia do futebol português. Não tem, obviamente. E penso que não o terá enquanto os dirigentes do Sporting não tomarem consciência de que lhes pertence a eles a oportunidade (senão o dever) de mudar radicalmente o passado do Sporting. Para isso, é preciso que reconheçam intimamente que o passado do clube (o último meio-século, o mais importante do futebol a nível mundial) não é brilhante e constrange os sportinguistas em discussões com adeptos dos rivais. O projecto de hegemonia do Pinto da Costa resulta precisamente dessa consciência: o Porto era formalmente, por tradição, um “grande”, mas não era tão “grande” quanto os rivais.

Sou bastante descuidado em relação aos tópicos abertos no fórum, não pesquiso nele e estou cá há muito pouco tempo. Se houver outros tópicos no fórum em que a discussão seja posta nestes termos, então que se apague. De outra forma, discuta-se (como faz o to-mane) ou ignore-se.

Parece-me óbvio que desde que os principais países europeus metem três, quatro e cinco equipas na Liga dos Campeões que a Taça UEFA perdeu prestígio, desvalorizou-se, e é de certo modo menosprezada por quem segue o futebol. Não é por acaso que na UEFA se discutem formas de a revalorizar. Ganhar ou participar na final de uma taça UEFA hoje é muito diferente de o ter feito nos anos 80, por exemplo. Repara que até o Boavista, a equipa das camisolas esquisitas, chegou a uma meia-final recentemente, no ano em que o Porto a ganhou. E ainda que o Porto, praticamente com o mesmo plantel, venceu as duas competições em anos consecutivos, e os seus jogadores só se tornaram verdadeiramente cobiçados depois da vitória na Champions.

Não disse que não a queria ter ganho. Ou que não era importante tê-la ganho. Queria só sublinhar que é demagógico os nossos dirigentes apontarem a final da UEFA como um sintoma da recuperação de prestígio internacional, como a prova de termos uma equipa de nível europeu e capaz de quaisquer proezas internacionais.

De qualquer maneira, acho que te fixaste no mais irrelevante – ou melhor, no mais “insignificante” – do tópico.

Já que te dou motivos de riso, deixo-te ainda uma anedota que fica como alegoria para a gestão desportiva do Sporting nas últimas décadas:

Para economizar, um cigano criava um burro sem lhe dar comida. Certo dia, um amigo perguntou-lhe pelo burro e o cigano respondeu: ora, morreu, logo quando já se tinha desacostumado de comer!

Temos que nos contentar com o que temos e com o que nos é possivel ter e como sabemos o Sporting ganhar a taça UEFA está muito acima dos nossos objectivos. Sendo esta taça pouco prestigiada ou não na Europa (são opiniões, eu considero a Taça UEFA uma competição prestigiante), acho que se o Sporting a tivesse ganho ela não seria assim tão “insignificante”.

Divergimos precisamente nesta questão: eu não acho que nos devamos contentar com o que temos. É pouco, muito pouco.

Por outro lado, a vitória do Porto, a final disputada pelo Sporting, o facto de também o Boavista ter estado nas meias-finais, e a lista de vencedores e finalistas desde 1999, sugerem precisamente que a Taça UEFA NÃO DEVERIA estar nada acima dos nossos objectivos.

Há vinte anos, seria um feito extraordinário, porque, muitas vezes, era disputada pelas melhores equipas europeias. Hoje, não. Há vinte anos, ganhar a UEFA representava normalmente estar-se entre as equipas mais fortes da Europa. Hoje, não. É só isso.

Quando escrevi que é “insignificante” não contava com interpretações tão literalistas. A Taça UEFA não tem o significado que tinha, quando era, enfim, mais “significante”. E não sejamos ingénuos: dissémos, pensámos e escrevemos palavras bem mais desqualificantes para a competição quando quisemos desvalorizar a vitória do Porto na UEFA. E fizemos bem.

Agora, se temos ganho a UEFA, garanto-te que, como sugeres, faria dela a competição mais prestigiante e mais inacessível do mundo em conversas com amigos benfiquistas. É verdade. Mas aqui estamos entre sportinguistas e pode desabafar-se aquilo que pensamos realmente. :wink:

Claro que sim, cada um pode ter a sua opinião… Mas por acaso quando li que a Taça UEFA era insignificante não fiquei totalmente esclarecido. Mas obrigado por teres “explicado” melhor.

PS: Claro que quando o Porto a ganhou era a taça dos parvos, a pior taça que se podia ganhar na Europa; se fosse o Sporting :wall: era a melhor taça do Mundo!

Resumindo, é assim. Dos 18 campeonatos da primeira divisão que o Sporting conquistou, 5 foram ganhos nos anos 40 (mais 4 Taças de Portugal), 5 nos anos 50 (1 Taça de Portugal), 3 nos anos 60 (1 Taça das Taças e 1 Taça de Portugal), 2 nos anos 70 (4 Taças de Portugal), 1 nos anos 80 em 1981/82 (1 Taça de Portugal e 2 Supertaças), 1 nos anos 90 em 1999/2000 (1 Taça de Portugal e 2 Supertaças), e outro na presente década (mais 2 Taças de Portugal e 2 Supertaças). Diagnóstico: o Sporting perdeu força por problemas endógenos, mas também porque os rivais passaram a ser mais competitivos. Primeiro o Benfica por causa do Eusébio (mas não só…) e depois o Porto por causa do Pinto da Costa (o dirigente desportivo com maior palmarés de sempre em Portugal).

Para se recuperar o poder de antanho, ou pelo menos começar a ganhar mais campeonatos em cada década, equilibrando a conquista de títulos (é embaraçoso um clube desta dimensão andar a vencer um campeonato por década há 25 anos :-[), é preciso quem queira partir pedra, porque vai encontrar um clube dividido, com os sócios cada vez mais cansados de promessas e fartos de perder, e um ambiente externo ainda pior, com uma comunicação social hostil e o poder no futebol na mão dos rivais. Por isso há muita gente que não está para se chatear porque isto já estava mau, dizem que a culpa não é deles, e por isso continuam a falar no tempo do Jorge Gonçalves e do Sousa Cintra, como se isso desculpasse a falta de brio e empenho de quem dirige o clube há doze anos. E assim continua tudo na mesma, como a lesma. É difícil ser presidente do Sporting por todas as razões e mais alguma. Mas também quem lá tem estado não tem demonstrado a combatividade e vontade de fazer obra que o Sporting precisa para recuperar o estatuto que já teve. De certeza que essa gente não é tão desprendida no governo das suas empresas como o tem sido no Sporting.

Só quando o clube tiver responsáveis que o encarem como uma obra a desenvolver, teremos dirigentes com o estofo necessário para aguentar o embate das críticas internas, que surgirão sempre e são naturais, bem como as manobras de desestabilização externas. Quando se quer muito uma coisa na vida, luta-se por ela. O Pinto da Costa fez isso no Porto. Por portas travessas como toda a gente sabe, mas fez. Mas o que temos é um “líder” que diz dedicar apenas uma hora diária a um dos maiores clubes da Europa e que não pretende continuar a ser presidente (meio caminho andado para ser um “lame duck” dentro do clube), e um vice-presidente que quando lhe perguntam se quer ser presidente, ainda por cima havendo meio mundo a “suspirar” por ele (vá-se lá saber porquê… ::)) e quando ser “presidenciável” devia ser para ele uma honra, diz que essa ideia é absurda, como se o Sporting fosse algum fardo de palha. Isto não é NADA!

Francamente e porque só tenho 16 anos, este tópico esta-me a elucidar acerca do passado do Sporting…(desde 1960 a 2000) francamente não é este o passado que esperava vir a descobrir um dia… hoje só somos grandes porque um dia o fomos! Esta é a verdade, crua e nua!

O Sporting de dominar o futebol nos anos 50 perdeu esse domínio nos anos 60 vários factores contribuírem para isso. As gaylinhas passaram a ser o clube oficial do regime.

Com o 25 de Abril, os Andrades começaram paulatinamente a subir primeiro passaram o Sporting no inicio dos anos 80 e depois conquistaram a supremacia na passagem dos 80 para os 90. Roma e Pavia não se fizeram num dia.
O Sporting foi perdendo influência deixou de lutar para o titulo esteve anos a fio a ficar em 3º/4º lugar. O Sporting era nessa altura o 3º clube. O nosso século veio dar o fim de jejum e o regresso do Sporting à luta por títulos. Somos hoje a 2º equipa portuguesa em termos de resultados do presente século. É verdade que a vantagem sobre as gaylinhas é mínima.

Para ser campeão precisa-se de uma comunicação social não hostil, alguma influência nos lugares de decisão (Liga), uma equipa de futebol razoável/boa, um treinador competente, uma equipa dirigente forte e coesa e adeptos críticos mas construtivos e acima de tudo com entusiasmo. Não é preciso todos estes factores mas a maioria deles é essencial.

O Sporting não se resume ao futebol. O subestimamos as nossas conquistas e sobre estimarmos a conquistas alheias é apenas um modo de nos inferiorizarmos. E isso :naughty:

Começo por dizer que este clube tem de ter alguma coisa de especial, só assim se explica que continue a ser uma força viva na sociedade portuguesa.

Desde a decada de 70 do seculo passado o Sporting ganhou 5 campeonatos, o numero dito assim, por si só já arrepia, por isso teria sido fácil o clube ter acabado por perder influência na nossa sociedade deixando o futebol português bipolarizado entre o norte ( FCP ) e sul ( SLB ). Confesso que tenho dificuldades em perceber o que faz (e fez) uma criança ser do Sporting, principalmente quando estávamos a viver o período 85-2000. Por norma os miudos gostam de quem ganha e nós não tinhamos nada para lhes oferecer.
Há quem diga que foram alguns jogadores emblemáticos formados no nosso clube e não só que foram mantendo a chama acessa. É normal os miudos que gostam de futebol identificarem-se com jogadores e querem imitá-los, Figo no passado e mais recentemete, Ronaldo, Moutinho ou Veloso, passando por alguns estrageiros como Balakov e Liedson foram importantes ajudas.

Saber quem arruinou o Sporting, é uma pergunta que nunca terá resposta, basicamente porque a culpa não é só de uma pessoa. O que arruinou o Sporting, foram um conjunto de práticas e factores internos e externos que ao longo dos anos foram desgastando o nosso clube, ao ponto de termos vivido períodos de verdadeira agonia e vergonha.

Como já muitos o aqui referiram nos anos 60 dá-se um acontecimento que foi decisivo no declinio do futebol do Sporting, o desvio de Eusebio. Este jogador transformou naquela decada o SLB num clube dominador em Portugal e deu-lhe dimensão europeia. Com o alto patrocinio do regime de então, pelos motivos já explicados no excelente post do To-Mané, os vermelhos foram apadrinhados por Salazar e seus abenegados, nascendo a celebre frase " quem não é do benfica, não é um bom chefe de familia " o que demonstra a pobreza do portugal de então. Com o fim da ditadura, dá-se outro acontecimento importante que viria a mudar a centralidade do poder no futebol de Lisboa para o Porto: o aparecimento de Pinto da Costa.

Enquanto o Benfica procurava fazer valer a forte base social que o apoia, fruto dos tempos aureos das decadas de 60 e 70, para se manter no topo e Pinto da Costa começava a preparar a teia que iria ajudar o Porto a ser o clube mais dominante nos ultimos 25 anos, no Sporting além de darmos brindes aos adversários, eramos pouco respeitados pelo estado. Exemplos à vários, desde a lamentável perda de Futre para o Porto, por pura inépcia e falta de visão, passando à expropriação por parte da CML dos terrenos onde estava o pavilhão do Sporting para a construção da interface do metro de campo grande, passando pela exclusão do Jose de Alvalade dos estádios para o mundial de sub-21 até a inanarrável novela da pala que ía cair mas nunca caiu…

Curiosamente ou não, o Sporting teve na sua mão dois homens que à sua maneira deram titulos europeus ao FCP, o primeiro foi Futre, a alma da equipa que venceu a Taça dos Campeões Europeus em 86/87 e mais tarde Mourinho… ainda hoje acredito que muitos sportinguistas pensam no que poderia ter sucedido ao nosso clube se o contrato que ele tinha assinado com Luís Duque tivesse sido cumprido. Muitos são os culpados nesse processo, começando pelos adeptos que insultaram Duque na sala de imprensa de Alavalde, quando este ia anunciar a substituição de Inácio por Mourinho, até Dias da Cunha na época vice-presidente de José Roquette e que publicamente criticou a decisão que estava tomada.

Ao longo de muitos anos vivemos o periodo dos presidentes mecenas, a ilusão dizia que quanto mais rico melhor porque por paixão e clubismo os presidentes iam tirar do seu bolso para colocar nos clubes…

Sousa Cintra foi um presidente que geriu o clube dessa forma mas ,verdade seja dita, quando ele chegou tinha herdado um clube que acabava de acordar de um pesadelo chamado Jorge Gonçalves. Cintra foi um presidente à moda antiga: castiço, verdadeiramente apaixonado pelo clube, mas com um problema, muitas vezes deixou a emoção vencer a razão. O despedimento de Robson ainda hoje é recordado como um erro crasso, o inglês foi outro que saiu de Alvalade para ser campeão nas Antas… Robson tinha sido um achado, hoje é praticamente impossivel pensar que um clube Português terá capacidade de contratar um selecionador acabado de ser semi-finalista num CM ao serviço de uma como a cotação da Inglesa, mas naquele tempo era possivel. Pela mão de Cintra chegaram Balakov, Yordanov, Naybet, Valckx, Paulo Sousa, Sá Pinto entre outros… Foi tambem no tempo de Cintra que vivemos uns do maiores pesadelos dos ultimos anos, os 3-6 de Alvalade, que foi para muitos de nós, um dos momentos mais tristes e dificies de viver. Ainda hoje recordo aquela noite de chuva e tenho presente o rosto de muitos sportinguitas a sair lavados em lágrimas e vergados a uma vergonha imensa do estádio.

O Sporting foi tambem um clube que sempre viveu uma enorme instabilidade interna, de lutas de poder de golpes palacianos, que foram minando o trabalho de quem liderava o clube. Foi tambem um clube sempre muito exposto nos media, onde tudo se sabia e dizia. Recordo-me de no tempo de Carlos Queiroz, ter sido implementado a politica das cores, que consistia em marcar por zonas ( verde, amarela e vermelha ) o interior do estádio na area da antiga ( e verdadeira ) porta 10A até aos balneários, para impedir que qualquer pessoa podesse como era partica até então, ter acesso à balneário do Sporting. Esta politica levou o jornal Record na epoca liderado por João Marcelino ( sportinguista assumido e hoje director do DN ) a liderar um boicote a uma conferencia de imprensa dada por Carlos Queiroz, quando os 2 jornalistas do jornal foram impedidos de estar presentes. Em solidariedade todos os jornalistas abandonaram a sala e deixaram o treinador a falar sozinho. Ironico ou não e que demonstra bem a fragilidade do Sporting de então, o FCP que era useiro e vezeiro nos blackouts e tinha por pratica afastar do seu estádio os jornalista que se atreviam a escrever algo que desgradasse ao timoneiro, nunca viu os jornalistas no seu todo a tomar semelhante atitude.

Chegamos ao projecto Roquette, que apresenta coisas boas (alguns titulos desportivos, Academia e Estadio) e outras más (passivo, falhanço no plano imobiliario, distanciamento do clube perante os sócios ).

Com Roquette, o Sporting procurou ser um clube inovador em algumas materias, para tentar encurtar a distancia para os outros grandes. Foi o nosso clube que mais força fez, junto do Governo de Cavaco para a criação das SAD, foi o nosso clube que primeiro se aventurou na bolsa e avançou para a construção de um novo estádio ( muito antes de termos ganho a organização do Euro 2004 ) e da Academia. No entanto a sensação que fica é de que nós fomos á frente, mas ao contrário do que diz o ditado, ir à frente não nos deu grande vantagem.

O futebol do Sporting é um reflexo do clube no seu todo. Só um milagre permitiria ao futebol, viver isolado, qual ilha, perante todos os problemas que inundaram o clube nos ultimos 30 anos, ganhando titulos e prestigio enquanto tudo o resto vivia em permante estado de conflito e convulsão. Sendo o futebol uma montra, todo o bicho careta que está no Sporting, gosta de meter a colher, terá sido isso que arruinou o nosso futebol. A vaidade e a imcompetencia normalmente andam de maos dados e infelizmente no nosso clube o que não tem faltado são, directores, gestores, treinadores e jogadores vaidosos e incompetentes.

Os pouco que se vão salvando nós encarregamos-nos de os mandar embora e para nossa vergonha, normalmente vão ajudar os nossos rivais a ganhar os titulos que nos escapam.

Quando entrou o Roquette isto parecia que ia definitivamente entrar nos carris, mas depois ficou comprovado que o projecto era bastante megalomano, acho que lhe devia ter sido exigido que tivesse ficado para o completar, alguém me sabe dizer se é verdade aquela história de o porco ter tido para cima de 100 M para ajuda na construção do estádio e o Sporting apenas 20 e pouco ? outra coisa a academia foi integralmente paga pelo Sporting ? o “naming” junto da puma ou de qualquer outra empresa, porque não foi arranjado mais cedo ? uma formação que já tinha mais que provas dadas não era atractiva ?

culpados ? pessoas mais velhas dizem-me que isto começou mesmo a descanbar por altura do Rocha.