Que saídas para a crise do Sporting?

É hoje claro para todos que o Sporting vive a maior crise da sua história centenária e não é exagero dizer que é a própria sobrevivência do clube como um “grande” do desporto nacional que está em causa. A equipa de futebol vai provavelmente celebrar os 11 anos desde a conquista do último título de campeã nacional com a pior classificação de sempre da história do clube e a primeira ausência das competições europeias desde a década de 70 é uma probabilidade real. Entre as principais modalidades “amadoras”, o panorama não é muito mais animador. O andebol vive um jejum ainda maior do que o futebol. O hóquei está a ter um choque de realidade na I Divisão e luta para não descer. O basquete disputa a II Divisão e nada indica que, mesmo que consiga a promoção, não sofra destino idêntico ao hóquei. Só no futsal se consegue vislumbrar algo da grandeza passada do clube.

Tudo isto não podia acontecer em pior altura. A depressão económica que se vive em consequência do colapso financeiro de 2008 e das políticas de austeridade que se lhe seguiram reflecte-se tanto nos juros da dívida do clube como na quebra de receitas de quotizações, bilheteira e patrocínios. Com os jogadores desvalorizados por uma época desastrosa e com os seus passes, na sua maioria, já vendidos a fundos de investimento, as possibilidades de encaixes significativos por via de transferências é cada vez mais reduzida. E os direitos televisivos estão já vendidos até 2019. Não se vê assim como é que o clube pode, a curto prazo, aumentar as suas receitas de forma significativa – bem pelo contrário.

Chegámos, pois, a um ponto em que tudo – tudo mesmo! - deve ser colocado em causa. Por isso, queria discutir quatro estratégias possíveis para o futuro próximo do futebol do clube. Todas têm algum mérito, mas todas me parecem horrivelmente arriscadas. Mas pode ser que da sua discussão surja uma quinta mais interessante. Cá vão:

1 - A última carga gloriosa. Apostar num treinador de mérito reconhecido e na contratação de jogadores de qualidade, conseguir um título e pagar a aposta com a valorização dos jogadores e as receitas da Liga dos Campeões. O risco desta opção é por todos conhecido. Sem já falar na debilidade interna do nosso clube, os nossos rivais levam uma grande vantagem em termos de solidez das suas equipas. O tempo jogaria contra nós. Uma equipa não se constrói de um momento e as primeiras derrotas colocariam tudo em causa. Ficar em 3º ou 4º significaria que estaríamos de volta à casa de partida – só que com mais uns tantos milhões de dívida em cima e a contemplar os cenários 2,3 e 4.

2 – O pacto com o Diabo. Trata-se da venda da maioria da SAD a um ou mais investidores externos ao clube. Esta opção permitiria um encaixe financeiro significativo e têm-se apresentado exemplos de clubes mais pequenos – Estoril, Belenenses – onde isso até correspondeu a um aumento de competitividade do clube. Além disso, se houver um homem providencial e descomprometido com o passado que queira pegar no clube, tornavam-se irrelevantes as falhadas elites dirigentes do clube. Só que os riscos de logro são enormes. O campeonato português é um campeonato semi-periférico e longe da atenção mediática de Espanha ou Inglaterra, pelo que dificilmente alguém apostará no Sporting pelo prestígio (como sucedeu no Manchester City, no Chelsea ou até no Málaga). É assim muito provável que o Sporting se transforme num entreposto de jogadores nas mãos de um empresário (ou consórcio de empresários) de jogadores, num veículo de dívida de terceiros e/ou vítima de esquemas para aproporiação do que resta do património do clube. Tudo formas de um investidor fazer muito dinheiro muito mais fáceis e baratas do que conquistar títulos.

3 – O hara-kiri e a fénix. Dissolução da SAD e recomeço a partir dos distritais, com o clube a assumir o futebol sénior. A ideia é que, com a SAD, extingue-se 90% da dívida e o clube volta a ser economicamente sustentável. Sendo um clube de implantação nacional e com a reformulação em curso das competições seniores – com extinção da 3ª Divisão Nacional a partir da próxima época – seria possível apontar para um regresso à I Liga em apenas 5 anos. Com a dívida em níveis sustentáveis e um entusiasmo entretanto reconstruído, estaríamos então em vantagem sobre os nossos rivais. O problema, para além do trauma de jogar nas divisões secundárias, está no processo legal. Mesmo que se consiga evitar que as dívidas transitem da SAD para o clube, como se pagariam as inevitáveis rescisões em massa com jogadores e técnicos? Como é que se sustentariam os custos de manutenção do estádio e da academia perante a diminuição drástica de patrocínios? E, enquanto se andava pelas divisões secundárias, que apelo teria o Sporting para os mais talentosos jogadores dos escalões jovens?

4- Um passo atrás, dois passos em frente. Reduzir fortemente o orçamento agora para o expandir no momento em que a crise passar e a dívida do clube regressar a níveis sustentáveis. Isto implicaria apresentar, durante algumas épocas, equipas baseadas num misto de formação, jogadores recrutados no mercado nacional e em segundas e terceiras linhas do mercado sul americano e africano - e renunciar transitoriamente à luta pelo título. Os problemas começam logo no necessário conhecimento do mercado nacional - onde o Sporting não existe há muito tempo - e internacional. Mas o grande risco é mesmo o da belenensização. Se não houver um período curto e bem definido para o regresso à luta pelo título ou se a depressão económica se prolongar (como tudo indica), esta fase de transição pode eternizar-se – e o historial de conformismo das elites dirigentes do Sporting não sossega ninguém a este respeito. Longe da ribalta e reduzido à luta pela Europa, será cada vez mais difícil fazer a renovação de gerações - e a base de apoio do clube entrará num declínio irreversível.

Só a 4 (potencialmente num misto com a 3) para mim faz sentido. Pelo menos na maneira que entendo o clube!

Edit: sem tempo para confirmar, tenho ideia que o novo regime das SAD’s recentemente aprovado altera fortemente algumas das premissas, presentes na 3, nomeadamente no que diz respeito à posse do estádio relacionado com a divida (anteriormente reverteria para o clube, neste momento servirá para a divida)

Opção 3…
Já aconteceu a outras grandes equipas de outros países e o que se verifica é que pela força e grandeza do clube, ele rapidamente consegue chegar aos lugares por onde sempre costumou andar.

Já há muito deixei aqui um longo texto defendendo aquilo que a opção 4 indica, mais ou menos de formas similares.

Todas as opções apresentadas apresentam graves riscos.

A opção 3 é a que mais agrada, mas é a que menos agradará tanto a sócios como simpatizantes. É bastante perigosa e se não for com as pessoas certas, corre o risco de fechar portas, o clube.

A opção 4 é igualmente perigosa porque temos altos encargos, principalmente com a banca (juros) e não estou a ver como a pagaremos, se abdicarmos de lutar pelo título e andarmos na luta pela liga Europa, sem garantias de a conseguir. Logo haverá uma baixa significativa das verbas da publicidade, diminuição dos direitos televisivos e mais uma vez, os adeptos. Sem ombrear com os grandes de Portugal, como será para encher o estádio? Difícil.

Em qualquer das opções, terá que haver coragem, sinceridade e frontalidade. Há que colocar todas as cartas na mesa, para os sócios decidirem, depois é seguir o caminho escolhido.

Este post é um soco no estomago, mas considerarem a opção 3 é que me deixou mais chocado :o!!!

Opção 4, com uma opinião diferente: não acredito que a aposta na redução do orçamento, na formação e no mercado nacional nos impeça de lutar por títulos.

Como o psilva referiu, as alterações na lei limita e muito o ponto 3.
Voto no ponto 4.5:
1- direcção competente e lgitimada.

2 - estrutura para o futebol reduzida. Presidente, director desportivo, director da formação e academia, treinador principal. Apenas 4 elementos.

3 - definir efectivamente quem merece aposta financeira e quem nao merece. Com isto quero dizer que o Sporting deve ter 3 a 4 jogadores de categoria e. depois uma mescla de juventude mais jogadores do campeonato nacional.

4- criação de equipas técnicas competentes: scouting e formação serão as nossas áreas. Formação é mais queoóbvio e scouting porque a academia não é uma galinha dos ovos de ouro.

Nao sou contra fundos, bem pelo contrário, nao pode é ser num esquema em que 10 ou 15 jogadores têm parte do seu passe lá.

A opção 1 foi o que GL e Cia. tentaram fazer com os resultados que todos sabemos. No momento do País e do Sporting parece-me impossivel seguir esta opção.
A opção 2 acaba por seguir a politica da primeira, chega um investidor que compra o clube e depois o gere de acordo com a sua vontade.
Nem quero colocar o hipotese 3.
A opção 4 parece-me claramente ser o caminho a seguir como fizeram por exemplo os alemães do Dortmund e do Leverkusen.

  • Uma redução drástica dos custos operacionais (inclui reduzir a estrutura directiva);
  • Venda dos jogadores com menor produtividade (relação custo/desempenho) como Elias ou Jeffren;
  • Plantel principal mais curto, recorrendo sempre que necessário á equipa B;
  • Aposta na formação;
  • Gestão competente ao nivel do Scouting e da contratação de jogadores, apostando sempre que possivel em jogadores que joguem em Portugal ou em jogadores portugueses;
  • Aumento das receitas de TV, marketing e publicidade;
  • Aumento das receitas de quotização e de bilheteira através de uma politica de aproximação do clube aos sócios, com a diminuição do preço dos bilhetes e com mais vantagens para os sócios.

O equlibrio das contas é fundamental, se a esta opção juntarmos algum sucesso desportivo (no minimo a participação na Champions) a possibilidade de investimento externo ao nivel da aquisição de jogadores, publicidade e naming do estádio e uma estrutura directiva competente podemos a breve prazo cometer a proeza que os clubes alemães que referi cometeram.

Se me permites, analisando o teu post
1 - A última carga gloriosa. duvido pois para isso era preciso uma injecção de dinheiro a curo prazo e ninguém quer fazer um investimento de risco, e os treinadores bons são caros
2 – O pacto com o Diabo. Claro que o campeonato português é semi-periférico mas o que o Sporting pode vender um possíve grande investigador não é isso mas sim isto
a) UM campeonato em que há 3 candidatos oa título, logo as hipóteses de ser campeão são maiores e o retorno de visibilidade maior pois a equipa irá para champions
b) Um forte apoio social a nível de adeptos não só em Portugal
c) a capacidade de uma academia de futebol geradora de grandes talentos mundiais num curo espaço de tempo dos quais são exemplos máximo Luís Figo e Cristiano Ronaldo.
3 – O hara-kiri e a fénix. é uma opção radical e tem que ser muito bem pensada…mas não vejo de certa forma viabilidade por implicar demasiado tempo
4- Um passo atrás, dois passos em frente. talvez a hipótese mais forte, misturando a “prata da casa” com alguma pouca prata de possamos adquirir a custo baixo. Relembro que o eixo da equipa campeã em 1999/2000 era Schemeichel, André Cruz, Duscher e Acosta… ou seja mistura de jovens com veteranos experientes em fase final de carreira.

Pessoalmente, agrada-me que optemos pela solução 4. Mas tenho algumas dúvidas quanto à sua implementação, porque o Sporting não tem grande capacidade no scouting e contratação de reais mais-valias, para adicionar ao talento natural que produz intra-muros. Esta opção apenas tem viabilidade se ao nível do futebol sénior houver quem saiba dar continuidade ao trabalho das camadas jovens, quem consiga integrar os miúdos numa estratégia de longo-prazo e quem consiga perceber, em cada momento, o que é mais favorável à evolução de cada jogador.
Um exemplo: a equipa mais dominadora dos últimos 20 anos do NHL (hóquei no gelo) são os Detroit Red Wings. Os miúdos saem dos juniors com 17 anos, passam pelo draft com 18 anos e muitas vezes só chegam à equipa principal com 24/25 anos. isto dá um hiato de 7 anos de trabalho com cada jogador, onde o jogador não pode ser simplesmente esquecido num Beitar, APOEL ou Videoton desta vida. Há trabalho real de acompanhamento a fazer, evolução a monitorizar, perceber em que momento ele vai estar pronto para jogar com os profissionais.
Os Red Wings demoram uma eternidade com cada jogador, mas quando ele chega á equipa A, o jogador vai competir como se sempre tivesse feito parte do plantel e já não regressa aos minors. esta comparação serve para perceber o que andamos a fazer com Rubio, Betinho, Esgaio, Dier…

Pensar que dar o passo atrás resolve alguma coisa é um erro, porque dar um passo atrás é fácil. Não sei se temos capacidade para depois recuperar. Pensei que a posição de manager permitiria assegurar este processo que defendo, mas hoje já não estou certo disso, pois, afinal, parece não ter sido uma decisão estratégica, mas mais uma habilidade na preparação da próxima época.

Havendo gente competente, it’s doable. Mas não sei se temos gente para executar esse plano.

[i]PS: há muito, muito tempo, depois de mais uma copiosa derrota para a UEFA na Áustria, a minha mãe perguntava-me porque é que eu não mudava de clube, farta que estava de me ver sempre a sofrer com esta porra deste clube. Lembro-de de dizer à minha mãe, em lágrimas compulsivas, que nem que o Sporting descesse às distritais eu alguma vez deixaria de ser do Sporting.

Nunca pensei que a hipótese alguma vez se materializasse, mas ela está aí. E viva. E já não seríamos os primeiros.[/i]

Aposto na 4, na base do que o Borussia fez. Nao sendo possivel seria a 3 por muito que custe

Excelente texto.

Opção 4, sem qualquer tipo de dúvida, não concordando em absoluto com o teor da mesma e sim com o sentido.

É possível, com uma dúzia de jogadores do actual plantel, mais uma meia dúzia entre emprestados e jogadores da B e 2 ou 3 tiros certeiros no mercado externo e com uma estrutura forte e liderança na verdadeira acepção da palavra, uma brutal redução de custos e ter uma equipa a lutar para a Champions, no curto prazo.

Desde que as coisas sejam comunicadas de forma clara aos adeptos e o discurso e as convicções sejam de ambição e de uma verdadeira visão de médio e longo prazo, não vejo riscos em entrarmos numa qualquer espiral de resignação e comodismo. Esta situação actual é que não pode continuar, em que o clube é gerido por medíocres e tem desempenhos amadores, a todos os níveis. Este Sporting afasta os adeptos, envergonha-os, faz expurgá-lo das suas vidas. Urge acabar com isto.

4 Soluções propostas, 4 perspectivas diferentes com os seus prós e contras mas todas validas. Desde que se criem as condições qualquer hipotese é valida.

A última carga Gloriosa - Andamos nisto de “cargas gloriosas” há bastantes anos e com os resultados conhecidos. Só seria viavel esta estrategia se o clube estivesse minimamente estruturado, organizado e liderado por pessoas serias, competentes, rigorosas e ambiciosas. Ora neste momento temos tudo… menos isso. Com uma nova direcção seria e com trabalho mostrado, este pode ser um caminho a traçar, mas actualmente não. Só iria afundar mais o buraco.

O Pacto com o Diabo - Uma optima solução para “sanear” balanços… Mas também uma das mais perigosas e atendendo á conjuntura Portuguesa e do Sporting, pouco interesse financeiro haveria para um investidor em investir num clube como o Sporting. A não ser que surja um Multi Milionario Sportinguista (Um Morratti Sportinguista) que alavanque o clube para a frente sem olhar a questões €conomicas, mas por questões afectivas e emocionais. Se eu for um dia Multi Milionario, comprometo-me desde já a comprar a mioria do capital da SAD e investir fortemente no Sporting :).

O hara-kiri e a fénix - Uma opção Extrema a tomar. Só em ultimo recurso e se todas as portas estiverem fechadas. Mas se continuarmos com esta “evolução” financeira e patrimonial, o nosso Hara-Kiri não estará longe.

Um passo atrás, dois passos em frente - A mais viavel. Crie-se um projecto a Medio Longo Prazo para o Clube com uma equipa “Made in Alcochete”. Este modelo desportivo, trabalhem este modelo, implementem-no e durante 10 anos não peçam titulos nem resultados. Copie-se o modelo “Barcelona” e adaptemo-lo á nossa escala e dêmos paz e tranquilidade á equipa. Os frutos aparecerão. A Mina de Ouro do Sporting situada em Alcochete, tem de ser rentabilizada e aproveitada. Com um trabalho solido e serio, não há Portos ou Benficas que resistam por mais Milhões que invistam.

Claramente vou com a hipotese 4. Se temos uma mina de Ouro, explorem-na!

Petrovich, a minha venia para este grande Texto :clap:

@GTony,

vou pegar nesta parte do texto por ser interessante aprofundar este tema. Cada vez que falamos em apostar na formação, invocamos (todos) o modelo do Barcelona.

Ora, existe um grande fosso entre nós e o Barcelona, sendo a componente económica um dos grandes entraves a essa comparação. Se o Barcelona já tem uma capacidade formativa que, na minha opinião, podemos invejar, depois tem ainda a capacidade financeira de reter talento com que nós só podemos sonhar.
Quando é que o Barça teve que vender um Messi? Um Xavi? Um Iniesta? Jogadores de relevo, saídos da cantera do Barça e que ganharam notoriedade noutros clubes, contam-se pelos dedos da mão: Fábregas (roubado por Wenger enquanto ainda gatinhava), Jordi Alba (já resgatado pela casa mãe) e Arteta. Não me recordo de nenhum outro, e isto serve para mostrar que só sai do Barça quem o Barça está disposto a deixar sair.

Será difícil aplicar as mesmas premissas ao Sporting, porque poderemos manter os nossos Adrien, Andrés Martins e Santos, mas teremos que largar mão dos Ronaldos e Nanis desta vida. E isso será obstáculo à recuperação da almejada competitividade, porque o corte financeiro não significa apenas largar grandes salários actuais, implica também incapacidade de acompanhar eventuais ambições futuras dos jogadores com maior ambição.

O que talvez nos leve para um modelo engraçado, na linha do que o João Pereira disse ontem à SIC: não somos capazes de reconhecer o talento que produzimos e recompensá-lo financeiramente, mas somos capazes de ir buscar jogadores lá fora, de qualidade questionável, por valores idênticos aos que negamos aos nossos jogadores. Nesse modelo, os jogadores, sendo da casa, vão sendo aumentados em função do rendimento mostrado ao longo dos anos, não havendo uma constante entrada e saída de “internacionais” pagos principescamente e que reduzem os demais a meros aguadeiros do balneário, em função do vencimento que auferem. E depois quem tem que jogar são os aguadeiros…

É preciso olhar para dentro e procurar pelas mais valias do clube. À primeira vista, a mais valia é por demais evidente: a formação, que é a única coisa em que somos realmente bons e onde somos realmente melhores que a concorrência.

Dai, Opção 4: importa, numa primeira instância, reduzir custos. Ficava muito feliz se visse sair uns 10 jogadores, neste defeso. Estando numa só competição, não se justifica ter um plantel tão longo. Ainda por cima há a equipa B.

Depois, apostar com seriedade nos miúdos e procurar mais valias dentro e fora de portas. “Rinaudos” por um milhão de euros, “Schaars” por 750 mil ou “Carrillos” por um milhão são bem-vindos. São jogadores que acrescentam alguma coisa, logo acabam por ficar mais baratos que os “Pranjics” e “Gelsons” deste mundo que são jogadores com altos salários e que nada acrescentam. É preciso ser cirúrgico no mercado e deixar espaço para que a miudagem que está no entreposto da equipa B possa ir somando minutos. Confiar neles.

A opção 1 neste momento não é viável, em primeiro lugar porque não há dinheiro para isso e depois porque a última carga é bem recente e falhou em toda a linha.

A opção 2 estará em cima da mesa nas próximas eleições onde será um dos principais motivos de discussão. O Sporting é um Clube atractivo por causa da excelência da sua formação, mas ninguém vai investir a serio se não for para mandar e ganhar dinheiro, leia-se vender os melhores jogadores da Academia.

A opção 3 por enquanto é impensável

A opção 4 já deveria ter sido implementada há 10 anos atrás e agora é quase a única solução que nos resta é pena que tenhamos chegado a este ponto para perceberem isto, agora está tudo muito mais complicado.

Mas os problemas do Sporting não são apenas as crises financeira e desportiva, para além destas há uma gigantesca crise de identidade, com grupos de interesses instalados, muita gente pronta para se servir do Clube em vez de servi-lo.

Os nossos piores inimigos são sportinguistas e não me refiro apenas aos que neste momento estão lá dentro já só a defender a posição de quem emprestou o dinheiro, mas também aos abutres que já andam à volta dos despojos, prontos para aproveitarem o descontentamento generalizado.

São os perigosos cristóvãos que facilmente conseguem instrumentalizar grupos como este fórum que já tem algum poder no universo sportinguista, ou as claques que também são terreno fértil para estas teias de interesses.

O Sporting está órfão de um líder e de uma estratégia própria que possa unificar e pacificar um clube que vive em guerra há muito tempo e esse é um problema tão grave e difícil de resolver como o do passivo ou o dos resultados desportivos

@Juziel,

Quando falo em implementar o modelo “Barcelona”, claro que existem algumas condicionantes economicas, claro que a partir dos 24/25 anos (ou até antes) seria impossivel financeiramente segura-los em Alvalade… Mas tentar aguenta-los ao Maximo até á chegada dos Tubarões.

Mas reconheça-se uma coisa… O Modelo do Barcelona levado ao “Extremo” em Alvalade… Faria com que tivessemos uma equipa de nivel mundial.

Imagina por Exemplo esta equipa em 2012 no Sporting, se o modelo Barcelona tivesse sido levado ao extremo esta decada e tivessemos mantido nos quadros as principais vedetas:

RPatricio
Cedric
Daniel Carriço
Semedo
Insua
João Moutinho
Miguel Veloso
Hugo Viana
Nani
CR7
Ricky Van Wolfswinkel

O que o Sporting faria com esta equipa?

RPatricio [400 mil €/mês]
Cedric [200 mil €/mês]
Daniel Carriço [100 mil €/mês]
Semedo [???]
Insua [200 mil €/mês]
João Moutinho [300 mil €/mês]
Miguel Veloso [250 mil €/mês]
Hugo Viana [250 mil €/mês]
Nani [400 mil €/mês]
CR7 [600/700 mil €/mês]
Ricky Van Wolfswinkel [400 mil €/mês]

Isto é o que eu estimo que esses jogadores, no pico das suas capacidades, estariam dispostos a ganhar para ficar no Sporting sem se sentirem a perder demasiado dinheiro.

Ou seja, exposição mediática à parte, por estarem no campeonato português e não no inglês ou espanhol, e atendendo ao que eu imagino que seja/possa vir a ser o real valor deles e o vencimento em função da posição ocupada em campo (Cedric prejudicado por ser lateral, Ricky beneficiado por ser PL e marcar, nessa equipa, bastantes golos).

Só os salários destes jogadores, resto do plantel e estrutura à parte, implicam custos na ordem dos 40 M de euros.

É que aqui é que reside o busílis da questão: que nós formamos bem já toda a gente sabe. Que a nossa salvação reside na formação parece ser também unânime. Mas até onde estamos dispostos a ir para proteger os nossos investimentos?

Será que estamos dispostos a acompanhar as naturais expectativas de um Rui Patrício? Parece lógico que um dos melhores GR do mundo tenha um vencimento (imagino eu) na ordem dos 150 mil euros/mês?

:inde:

Parece-me que o Segredo seria protegê-los e guardá-los até ao limite das nossas capacidades, da nossa sustentabilidade e daquilo que eles poderiam gerar. :wink:

Até chegar a este modelo oleado e afinado, temos um longo caminho pela frente. Mas não tenho duvidas que este não é um caminho, mas sim o caminho a seguir.

Sim, não questiono o caminho, simplesmente estou a levantar algumas questões que vão surgir e em que podemos ir pensando antecipadamente na sua resposta.
Apostar na formação não é só promover miúdos à equipa A e vendê-los aos Manchesters desta vida.

Mais difícil que isso é acabar o produto, materializar o seu potencial e transformá-los em jogadores de capacidade mundial dentro das nossas portas. Isso sim, seria dar uma continuidade adequada a todo o trabalho que é feito nas camadas jovens.