[member=121]Paracelsus o que pensas sobre a educação “gender-neutral” no sistema educativo sueco?
Lembro-me de ver um documentário, já não sei sobre os jovens homens suecos ou dinamarqueses, no qual se abordava exactamente a perda da identidade masculina.
A Cartilha Maternal João de Deus é assexuada ou (gender neutral)? Aprendi a ler com ela bem antes de ir para a escola primária, como uma rapariga o pode perfeitamente fazer, certamente muitas também aprenderam a ler por ela. Não me parece que isso retire a identidade sexual de um ou outro. E o livro tem mais de um século, foi publicada em 1876… é só um exemplo de algo verdadeiramente educativo… e neutro, apesar de dizer Maternal no título que está sobre a capa.
A educação não tem sexo, a não ser que seja… sexual. Claro que há nuances educacionais. Só que hoje tem que ser tudo sobre sexo, até um livro para (pessoas que são) crianças.
Pois, foram essas imagens que eu vi pela primeira vez nas redes sociais. E o que eu comentei, logo de início quando confrontado com essas imagens no Facebook duma amiga, é que essas imagens por si mesmo valem pouco, pois eu não sei se a comparação é justa (por exemplo, a das meninas podia ser uma das primeiras páginas, e dos meninos uma das últimas). E fiquei logo com alguma comichão que as pessoas aceitassem essa comparação sem a questionar.
Mas agora que li que o CIG analisou o livro inteiro e que de facto há mais exercícios difíceis para os meninos do que para as meninas, a coisa muda de figura.
Há depois, claro, a questão da diferenciação das actividades atribuídas, a questão do esquema de cores, o “rapazes” vs “meninas”, etc. Naturalmente, partilho a opinião que isto são ideias retrógradas. O que não me sinto muito confortável é com a ideia do Governo recomendar a retirada deste ou daquele livro - até pelo historial ligado a “banir-se” livros. Não me considero um absolutista da liberdade de expressão, mas ultimamente tenho sido confrontado com vários episódios relacionados com esta, e que me deixam um bocado indecisos. Este é um daqueles casos, em que concordo com a análise do CIG (" o reforço da segregação de género, o reforço dos estereótipos de género e a diferenciação por sexo do grau de dificuldade das actividades"), mas sou mais a favor duma decisão como a que foi sugerida (se bem me lembro) pelo João Miguel Tavares, de em vez de recomendar a retirada dos livros, sugerir aos consumidores alternativas mais apropriadas para 2017.
Sobre esta questão da diferenciação dos sexos em idades jovens, há um factóide interessante e que pessoalmente acho importante que os pais tenham em conta, quando educarem os seus filhos: Até aos anos 80, mulheres a estudar informática era algo de normal. A partir daí houve uma clara mudança, e as mulheres deixaram de considerar informática como uma opção.
O que é se passou nos anos 80? Os computadores começaram a entrar nas casas das pessoas, e com isso vieram os primeiros videojogos (pong, etc.). E estes videojogos eram publicitados quase exclusivamente como brinquedos para… meninos. Conclusão, as meninas dos anos 80 (e seguintes) cresceram a aprender que computadores era coisa de meninos, e informática tornou-se mais e mais um universo de homens…
[member=121]Paracelsus, a dificuldade dos exercícios é a mesma, o que diferencia é a ordem com que aparecem em cada um dos manuais. Logo, o exemplo que dás, mais à frente aparece invertido. Se quiseres pegar pelas cores utilizadas, pela nomenclatura, por aí podes eventualmente ter razão, no grau de dificuldade, nem por isso.
O sistema educativo sueco não é “gender-neutral”. Não naquele sentido da terceira casa de banho para género indefinido, do pronome pessoal indefinido e outras tretas afins. Existe uma outra escola por cá que é apologista disso e tudo certo (também há por cá uma região chamada Järna onde toda a gente é anti-vacinas e têm clínicas exclusivamente de homeopatia e medicinas alternativas e o diabo a quatro… os chamados antroposóficos… e tudo bem também), mas no resto são tal e qual como nas portuguesas. As diferencas culturais fazem isso sim com que as criancas sejam vistas e defendidas como indivíduos de total integridade com direito a crescerem e poderem fazer escolhas em relacão a si mesmas da forma mais livre possível sem que os preconceitos dos adultos lhes balizem o caminho. Epá, ainda no outro dia tive um amigo vizinho de 5 anos a ir lá a casa brincar com a minha de 4 e ele trazia as unhas pintadas de roxo e andava todo contente lá a falar com a minha filha… depois esta quis também pintar de azul e lá estiveram então entretidos um bocado com isso e a seguir foram os dois fazer juntos uma pista de comboio que tenho pra lá.
[member=24692]HULK VERDE, os livros foram analisados pelo Ricardo Araújo Pereira e a questão que o [member=121]Paracelsus descreve, que os media deram ênfase, foi bem explicada lá. É uma questão de veres o vídeo e confirmares.
O PÚBLICO comparou os dois livros, que foram publicados no Verão de 2016. O que é destinado a eles, chama-se Bloco de Actividades para Rapazes. O que se destina a elas intitula-se Bloco de Actividades para Meninas. No conjunto das 62 actividades propostas, [b]existem seis cuja resolução é mais difícil no livro dos rapazes e três que apresentam um grau de dificuldade superior no das meninas[/b].
Mas a maior parte das actividades reproduzem uma série de velhos estereótipos. Apenas alguns exemplos: eles brincam com dinossauros, com carrinhos e vão ao futebol, enquanto elas brincam com novelos de lã, ajudam as mães e vão ao ballet; eles pintam piratas, elas desenham princesas. O universo caseiro do lar surge muito mais associado ao género feminino do que ao masculino.
Desculpa? O RAP é uma autoridade no que respeita a análises deste género? O CIG então inventou ou distorceu a sua, na sua área de domínio? Eu raramente vejo televisão ou leio relatórios burocráticos, mas o RAP > CIG
Vamos lá ver, eu sou contra a censura de livros, mas por exemplo o de Gonçalo Amaral Dias, sobre um tema polémico e sério, A Verdade da Mentira, foi censurado por ordem judicial. Há vários motivos para censurar um livro: primeiro, o próprio conteúdo ou grafismo (nem sempre é o que vem dentro, por vezes é a imagem ou a capa), depois o que infringe ou desrespeita, e depois quem o quer censurar ou eliminar, e depois a causa (justa ou não, mais ou menos), e os meios…
Estes “livrinhos” são aberrantes, não trazem grande mal ao mundo a não ser serem estupidamente preconceituosos e polémicos… não são dignos de uma editora que tem no lobby dos manuais escolares e educação a sua fatia maior de facturação… quem sai penalizada é a Porto Editora. O Estado só lhes fez mais um favor, parecendo que não, antes que houvesse maior dano à sua imagem, e por associação ao próprio Estado. Quantos manuais obrigatórios tem o Estado acordados com essa editora? Fazes ideia de quanto lucra com esses acordos com o Estado, a relação económica que tem e as vantagens? Obviamente, tem também responsabilidades acrescidas. O Estado há-de cobrir os custos da retirada desses livros, facilmente acordam mais um manual qualquer e os miúdos e miúdas, em vez de 11 kg às costas, levarão 12 ou 13, se não for este ano lectivo, será nos próximos…
Foi uma pessoa que se deu ao trabalho de comparar os livros e deu para aferir que o grau de dificuldade é semelhante. Sim, relatórios vindo de uma entidade do Estado são sempre muito fiáveis.
Por ter a mesmíssima opinião, é que nem quero estar a discutir a problemática. Além de que sou contra o facto de se querer impingir por via legislativa a igualdade de género, quando é uma questão educacional, cultural, de mentalidade, que se deve aprender na escola, que deve interiorizar pela parte, pelos livros, pela cultura propriamente dito. É algo que deve ser feito de forma gradual, estar aqui a impor, a exigir e a obrigar, normalmente acaba por dar erro. Sou contra a politiquice que se tornou a questão da igualdade de género e acho tremendamente histérica a discussão que se faz da temática.
O que consideras por gender-neutral? Lembra-te que as efusividades que se fazem porque lá fora se faz isto ou aquilo costumam ser coisas especiais e não a regra.
Eu sabia que tinha lido qualquer coisa sobre isto. Considero este assunto interessante porque há uns meses tive por cá um colega dinamarquês e tivemos uma longa conversa sobre a forma como as crianças são educadas nos diferentes países. Ele apontou o exemplo sueco e esta questão do “gender-neutral” como um exemplo de como a sociedade moderna, na ânsia de resolver um problema, neste caso a igualdade de géneros, está a criar outros: problemas de identidade, etc.
Mas reconheço que o assunto é complexo e merecia ser dissecado de outra forma e não na “Política Nacional”. Mas de uma forma geral, fiquei elucidado sobre a tua visão sobre esta questão.
Façam um livro de atividades em amarelo (ou em branco - não há mais neutro que o branco) super neutro, sem princesas, barcos de piratas, carros, fadas, etc e depois nenhum miúdo lhe toca. Sendo um livro de atividades é normal que os temas sejam aqueles que apelem mais tanto a meninos como a meninas. É também normal que não consigam agradar a todos os gostos. Haverá rapazes que não ligam a barcos, haverá meninas que não ligam a princesas, há quem não goste do azul (aqui acho que todos preferimos o verde mesmo na infância) e há quem não goste do rosa (conheço n mulheres e meninas que gostam mais do vermelho e não gostam do rosa).
Confundir o tentar tornar o livro apelativo para o público alvo com uma tentativa de propagar segregações ou estereótipos é um salto lógico exagerado. Discutir porque um diz rapazes e outro meninas ou porque um é azul e o outro é rosa é ridículo, proibir com base nisso e no choro da esquerda cucktard nas redes sociais é absurdo.
Homens e mulheres aprendem de forma diferente, quanto muito o ensino devia-se adaptar o mais possível às especificidades de cada criança (sendo o sexo uma delas) e não ir por um caminho neutro onde nem uns nem outros conseguem tirar o máximo proveito.
Entre 83 e 90 houve uma queda de 37% (aprox) para os 30 %. Mas se vires entre 2003ish e 2007ish tens uma queda dos 27% para os 17% (aprox), ou seja, mais percentagem em muito menos espaço temporal. Obviamente que a razão da queda dos 00s não foi o pacman ou o pong.
Mais ainda, estas duas quedas são consistentes em ambos os sexos. Mais interessante é que estes picos e quedas são coerentes com 2 tech crashes. O video game crash de 83-85 e o dot com crash nos early 2000s.
Não há mal nenhum em meter princesas ou piratas num livro, mas convenhamos que não é tão correcto assim categorizar um dos livros para rapazes e outro para meninas. E vê lá que coincidência das coincidências é mesmo as princesas que vão parar ao das meninas. Por que não ao contrário? É esta a pergunta a que a tua argumentação não consegue dar resposta.
As pessoas vêem uma reportagem em que algumas escolas fazem determinada coisa e toma lá o “exemplo sueco” (o caso desse dinamarquês).
Lógico que o exagero para o outro lado é uma parvoice pegada também, mas isso são ideias peregrinas que passam com o tempo, já não ouço falar disso há pelo menos mais de um ano e não existe qualquer tentativa nas escolas públicas de um modo geral em implementar a ausência de referências/especificidades ligadas ao sexo (neutralidade parece-me francamente eufemistico para este caso).
Pensa que é como nos States… imagina que os Mormon inventam uma treta qualquer ou publicitam uma tradição qualquer, só reportagens sobre o assunto nos outros países e pronto… “o exemplo americano”. ???
Interessante :great:
Não estava a par desse contra-argumento, e de facto a evidência torna-se menor quando são colocados os números de ambos os sexos lado a lado. Eu não sou economista (só um amador interessado :P) mas o argumento económico dele parece fazer sentido. No entanto, ele não parece ter uma interpretação (ou eu não a consegui discernir) para o porquê dos números entre sexos se afastarem ao longo dos anos. E aí o argumento cultural parece-me encaixar bem - e que faz sentido com a minha experiência pessoal. Claro que posso estar a sofrer de confirmation bias.
Nos comentários nesse post vês lá algumas dissertações sobre isso. Nomeadamente a maior tendência dos homens assumirem mais o risco relativamente às mulheres. (o que a olhometro me parece uma análise mais ou menos correta). O que em última análise será sempre uma questão cultural.
A questão cultural estará sempre presente. O problema nem é esse, não há nada de errado em mulheres preferirem x profissões e homens y, quer queiram quer não ambos os sexos têm tendencialmente mais apetência para umas tarefas que outras. O mal está quando, ao se tentar fazer de todas as diferenças uma campanha de segregação/descriminação contra as mulheres, convenientemente nos esquecemos dos exemplos que não interessam (falo no geral, não de ti em particular). Por que não se vêm este tipo de análises para emprego na construção civil ou forças armadas!? Por que não vemos movimentos feministas a exigir mais mulheres nestas áreas? São áreas onde o rácio homens/mulheres deve ser ainda maior. E sim, já estou a divergir do assunto principal mas acaba por se interligar com a questão dos livros.