Política Nacional - Parte II

Se fores falar com uns quantos retornados que conheço, que mal chegavam a áfrica e já tinham uma dúzia de pretos com grilhetas para trabalhar nas terras a baixo custo ou até de graça, ai acredito bem que sintam saudades do pré-abril…

Quanto a esse infame concurso, tiveste salazar em 1º e alvaro cunhal em 2º. Vale o que vale… Pra mim nem um nem outro mereciam um lugar no top 100, quanto mais no pódio. Esse concurso já estava enviezado à partida.

O meu avo que era um empresario de relativo sucesso perdeu tudo aquando do 25 de Abril, pois as colonias deixaram de pagar e haviam compromissos com fornecedores.
Vivia como queria, andava em festas no casino do estoril, vivia na avenida da liberdade em Lisboa, bons carros, quintas no campo grande/areeiro…
Porem nao 'e por isso que me iria opor 'a revolucao, o que seria muito egoista.
Podes viver bem, mas fora de Lisboa e Porto, Portugal parecia Marrocos.
Pode se gerar riqueza, mas viver sem sem liberdade e sempre com receio de ir parar 'a pide por denuncia de alguem que nao foi com a tua cara, nao 'e viver.

Mas a transicao para a independencia das ex-colonias deveria de ter sido feita de forma a salvaguardar o investimento dos portugueses.
Mas 'e como se ve por ai, os ricos que paguem…

Sobre o Ultramar, tenho duas histórias incríveis de sobrevivência contadas na primeira pessoa.

Uma é de um avô de um amigo meu que ficou esquecido na Índia. Foi feito prisioneiro e deixaram-no lá 3 anos esquecido, tendo sido posteriormente solto por ingleses. Andou por uma série de países até conseguir chegar a Portugal.

A outra é de um tio- avô que era fuzileiro e foi declarado como morto depois da sua unidade ter sido denunciada por um Alegre “qualquer”. Da sua unidade, sobreviveu ele e um amigo de infância que estava gravemente ferido, que ele carregou às costas centenas de quilómetros até conseguir ajuda.

O nome dele está num memorial que existe no Porto de homenagem aos fuzileiros falecidos em combate. Passado 3 meses de ter sido declarado morto em combate, ligou para casa. A reacção da minha bisavó foi como devém estar a calcular…

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Aqui na minha terra houve várias famílias vieram de Angola depenados… um deles foi um primo direito do meu avô que tinha lá uma fazenda grande e geria aquela malta toda a trabalhar… os filhos nasceram lá, embora tenha casado cá ainda. Sempre teve a fama aqui na terra de ser um " mata pretos" lá em Angola. Ele nunca negou isso, alegando que era para impor respeito e salvaguardar a família…
A quando da descolonização, cometeu o mesmo erro que milhares… em vez de depositar o $ no banco e envia lo pra cá, trouxeram no em malas e afins… ao cá chegar, aquele dinheiro valia zero… Teve de recomeçar do zero novamente…

Lembro me do meu pai e dos meus avós contarem que antigamente até para falar dentro de casa era preciso cuidado, pois não sabias quem estava na rua a passar… " cuidado que as paredes têm ouvidos…"’

Aqui, como em todo o lado havia bufos e PIDES. Certa vez uma viatura com dois agentes foi enviada para virem matar o pai do Almeida Santos, mas por sorte eles tiveram acidente (há quem diga que o acidente foi outro… alguém lhes fez uma espera) e despistaram se e morreram…

Os saudosistas são sobretudo aqueles que possuíam bens, que tinham negócios, que perderam quase tudo e foram obrigados a vender as suas terras por preços quase simbólicos. Portugal fez mal a transição das colónias Africanas como também fez mal a transição dos senhorios e de quem vivia da terra. Foi um saque à propriedade privada sem precedentes, sei de caos que foram mesmo obrigados a ceder de borla os terrenos e em outros casos as bem-feitorias. Era possível ter feito tudo com mais ordem. Ainda por cima começavam a surgir os bairros sociais, a educação começava a estar mais disponível para todos, com Marcelo Caetano o País começava já a evoluir de outra forma.

Pois claro que é brincadeira. Porque se otelos e restante escumalha tivesse agarrado o poder teria sido 10x pior que o estado novo.

E eu não me encaixo nos saudosistas. 1º porque nasci 20 anos depois do 25/04, 2º não tinha ninguem salazarista na minha familia próxima.
Estou simplesmente a fazer uma análise desapaixonada que os factos me permitem.

Não sei o que o facto de ser “neo-liberal” interfere. Pelo contrário. É por gostar de liberdade que não posso amar o 25 de abril. Não compro a narrativa abrileira.

Isto só não correu pior porque ao contrario de outras revoluções houve sempre reação aos desmandos comunistas ( principalmente no norte do tejo + ilhas) e o nosso thermidor veio cedo.

Claro que isto se deve ao norte ter muitos pequenos proprietarios etc em comparação ao alentejo feudal.

E, obviamente, é por gostar de liberdade que sou um feroz opositor de practicamente todas as politicas do estado novo. Mas isso não me vejo na obrigação de frisar tanto por ser consensual.

Estava a evoluir como todos os países também o estavam. Foi a primeira vez que se aguentou 2 décadas sem nenhuma guerra internacional ou nacional.

A miséria era geral na Europa, apesar de só associarmos à nossa realidade.

Tudo isso…, sem esquecer que houve tortura e assassinato político durante algum tempo depois de abril, e estou a falar daqui no país atual (Ralis, polícia militar…), não da guerra brutal nunca antes vista nos territórios do ex-Ultramar, fuzilamentos e por aí fora… da Guiné a Timor…

Não vivi no pré-25 de Abril, mas a minha familia tanto de um lado, como do outro (e que até é bastante numerosa) não conta a história de pânico e terror relatada. Aliás, grande parte dos velhotes que conheço e com quem comento não falam de um ambiente de terror, sabiam que não era aconselhável andar no café a falar de politica mas de resto faziam uma vida bastante normal. Isto até do meu falecido avô paterno que era um comunista apaixonado. Ou seja, também não é como se estivessemos a falar de um regime tipo o nazismo na Alemanha…

Pessoalmente, cada vez mais sou contra a democracia como ela existe atualmente no nosso País. O povo é demasiado subsidio-dependente e burro para ter autonomia para escolher politicos. Sou a favor de uma ditadura tecnocrática, em que para cada área de governação eram elegidos entre os pares aqueles que seriam os melhor qualificados para determinada área, com um mandato não extensivel e de duração minima de 5 anos. A escolha democrática estaria limitada a representantes regionais semelhantes aos atuais municipios e, com o amadurecimento do sistema, votar sobre escolhas politicas (como por exemplo, ter um SNS com um estado prestador unico ou não).

Essa era a verdadeira reflexão que se devia fazer no 25 de Abril. Em mais de 40 anos de “Democracia”, o que se conquistou foi a eleição de sucessivos governos incompetentes, corruptos (sempre em simultaneo) e uma prosperação do compadrio e da falta de exigência transversal a toda a politica. Se é que podemos chamar democracia a um sistema que está vedado ao comum mortal e que ascender a uma posição de poder parte do principio que se tem que ficar com muitos favores em divida ao invés de se ter competencia numa determinada área.

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Relativamente ao pré-25 de Abril a percepção que tenho da minha família não é essa.

O pessoa do meu lado paterno também diz que não existia um clima de terror. Mas não existia um clima de terror porque estamos a falar de pessoas que não eram politicamente activas e que estavam adaptadas às circunstâncias. Ou seja, era tudo aquilo que o regime gostava que as pessoas fossem: calados e cumpridores.

A minha família materna já não é assim. Desde logo porque a minha avó era politicamente activa e era anti-regime. Para além de ser politicamente activa e anti-regime [sabia ler e escrever, o que era raro], trabalhava directamente para pessoas do regime [na casa destes]. O que a tornava uma personalidade interessante para o anti-regime. Contrariamente à minha família paterna, a minha avó materna olhava constantemente por cima do ombro e, sim, o clima era de terror. Apanharam vários sustos e, sim, tinham vários esconderijos e tinham as coisas prontas para arrancar a qualquer momento e deixar tudo para trás.

A minha avó também refere que com a saída do Salazar e a chegada ao poder do Marcello Caetano a coisa se tornou completamente diferente. Aliás, a minha avó ainda hoje simpatiza muito com o Marcello Caetano e descreve o 25 de Abril como um acto “precipitado” e “entusiasta”.

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Isso tem muitos 500s aí por dentro. A malta que levou no lombo nem foi a com mais dinheiro. Esses foram avisados com antecedência do que se ia passar, porque aliás alguns até estavam por dentro. Podes dizer que quem sofreu foi o equivalente à classe média-alta ou alta-baixa ou que raio seja.

Exacto, sobretudo esses.

Uma espécie de democracia orgânica verdadeira… ? Antes do 25, o Estado Novo era oficialmente uma democracia orgânica só que isso era mentira pois as eleições não eram livres.

E foi assim que a alameda esteve esta tarde, onde se decorreu a manifestação da CGTP. Desde que defendam as coisas “certas” o governo deixa, o comum dos mortais se quiser ir ao concelho vizinho ou celebrar um funeral com mais de 10 pessoas tem que se aguentar.

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Ena, tudo de máscara, I’m impressed. Isso nunca iria funcionar aqui.

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Pois, na Suécia a coisa não anda muito famosa. Em Portugal ainda demorou mas o pessoal lá percebeu que isto não era brincadeira nenhuma

O meu título do jornal new york times de amanhã:

Trump dumps in Marcelo’s head.

Só uso máscara nos transportes públicos e em recintos fechados. Não vou andar a sustentar farmácias que vendem uma máscara entre 1,33 € e 2,5€, quando o seu preço é de 0,12€