Plantel do Sporting 2005/2006 - A Ficção (ou não)

Numa ordem aleatória, segue mais uma análise ao desempenho dos jogadores do Sporting esta época. O carácter mais lúdico e a dimensão do texto fez-me não usar o tópico já aberto sobre o tema.

Tiago - Companheiro de cartas do Nelson, não teve esta época, felizmente, possibilidades de mostrar o seu valor. Entrava em crises de choro quando ouvia a mulher gritar, de frente do televisor: “anda, Titi, que já começou o jogo”. O momento mais alto da época foi um Royal Flush conseguido em Outubro; o momento mais baixo foi a activação das power box pela TV Cabo.

Tello - Se Custódio é especialista em rodar para a direita, Tello é excelente a rodar para a esquerda. Nos treinos tem sempre de haver especial atenção para que não entrem em rota de colisão em alguma disputa de bola. A permanência sucessiva de Tello no plantel, época após época, é um fenómeno difícil de explicar. A verdade é que o chileno giratório vai-se mantendo por lá discretamente, conseguindo ser por vezes útil (ou até decisivo) em alguns jogos. Existe quem defenda a teoria de que Tello tem um jeito especial para contar anedotas, animando os sucessivos planteis e equipas técnicas, o que lhe vai garantindo a permanência nas diferentes equipas.

Hugo - “Quantos hugos são precisos para…”, é como começam muitas das anedotas contadas pelo Tello, mas a verdade é que Hugo não precisa de Tello para fazer rir - mais os adeptos adversários, é certo. Hugo parecia destinado a passar a época junto aos outros bonecos para treinar os livres. Parecia estar ali o seu futuro, dando mais realidade às barreiras de treinos, saindo-se às bolas e gritando quando levava com a bola. A meio da época, foi com alegria que recebeu a notícia de que iria ser inscrito no restante plantel. É com muita emoção que a comunidade de bonecos de barreiras (CBB) o vê alinhar pelo Sporting; é com muito medo que os adeptos do Sporting encaram sua entrada em campo.

Koke - Koke, que em aborígene quer dizer “trapalhão”, é um daqueles jogadores que passa pelo Sporting sem que ninguém se venha a lembrar dele a não ser para se rir um pouco. Ainda terá sido útil em alguns momentos da época, mas cedo foi possuído pelo espírito do avançado trapalhão que existe em Alvalade desde há muito tempo. Consta que foi Ouatara quem o trouxe consigo de África. Ano após ano, diferentes jogadores têm sido possuídos pelo dito (o espírito, que o Ouatara já saiu de lá há muito tempo): Krpan, Missé-Missé, Spehar, Nalitzis, Kutuzov, Silva…

Nelson - “Aprende, Ricardo!”, terá gritado Nelson quando voou em direcção à bola que veio a entrar na baliza do Sporting e a ditar o fim da curta campanha europeia do clube. Nelson é o quase bom guarda-redes. Aproveitou a crise existencial de Ricardo para, em determinada fase da época, conquistar a baliza. Tudo corria bem, com muita gente a acreditar que era afinal ele o legítimo dono da baliza do Sporting, mas Nelson teimou em provar que não era bem assim. Que a sua aparente “boa onda” o ajude a encarar com optimismo a saída do Sporting.

Liedson - O maratonista do plantel. Fosse Liedson um jogador carismático e muitos dos problemas do Sporting estariam resolvidos. O problema é que a entrega do Liedson nos jogos nem sempre é bem vista pelos colegas. “Mas onde é que ele vai?”, “tem lá calma, temos tempo!”, “mais divagá, Li!” , são algumas das frases que Liedson vai ouvindo durante os jogos. Foi, mais uma vez, um dos melhores da época.

Polga - A prova de que no futebol o que hoje é verdade amanhã é mentira. Polga, que no final da época passada era dos jogadores mais insultados da equipa, tornou-se um dos mais elogiados desta temporada. Há quem defenda que o jogador com pior capacidade de remate da história do Sporting foi alvo de exorcismo, mas tal nunca foi provado.

Douala - Especialista em acelerações e mudanças de velocidade, Douala assemelha-se a um carro telecomandado nas mãos de um hipertenso. Acelera, muda de direcção, pára e recua sem se saber muito bem porquê. Quando jovem, o camaronês chegou a treinar para velocista, mas as constantes desclassificações por falsas partidas fizeram-no voltar para o futebol. Não é, no entanto, um jogador que reúna consenso junto dos adeptos leoninos. Para uns dava um extremo de qualidade, para outros é um sofrimento extremo.

Custódio - Custódio é um caso singular de jogador que passa do “aquele rapaz vai longe!” para o “vai para longe rapaz!” num abrir e fechar de olhos. É como se Custódio tivesse passado num ápice de promissor jogador para jogador em final de carreira. O próprio terá encarnado esse papel na perfeição, ouvindo-se por diversas vezes, durante o jogo, chamar a atenção de Moutinho em tom paternal, pedindo-lhe para não ir para muito longe. Nas horas vagas, este admirador de Rui Bento, elabora um livro onde explica a sua teoria sobre como os ensinamentos do râguebi podem ser aplicados ao futebol, nomeadamente nos passes feitos para trás.

Ricardo - Após consultar uma vidente, dois bruxos e o padre que, alegadamente, exorcizou o Polga, Ricardo procurou finalmente um psicólogo com vista a detectar a origem da suas sucessivas falhas. Foi numa sessão de hipnose que Ricardo descobriu finalmente a origem do seu mal: “não atravesses, Ricky, não atravesses!”, gritava Ricardo em pranto. Foi a mãe que desvendou o mistério: Ricky - um hamster míope que tinha a particularidade de poder ser passeado pela trela - era o melhor amigo de Ricardo quando este era criança. Este simpático bicho teve o pior dos fins: apanhou-se sem trela, aproveitando uma distracção do dono, e decidiu atravessar a estrada a correr, convencido que do outro lado estava uma horta cheia de couves - o seu petisco preferido. Não teve tempo de chegar ao canavial, tendo sido colhido por um camião. Esta imagem perseguiu Ricardo para sempre, nunca se recompondo. Mas o que tem esta história a ver com o rendimento de Ricardo? Pois acontece que as semelhanças físicas entre Ricky e Peseiro são por demais evidentes. O subconsciente de Ricardo entrava em pânico quando via Peseiro levantar-se do banco durante os jogos, tendo a chegada de Paulo Bento resolvido esse problema.

Tonel e Abel - Depois de sucessivos falhanços nas contratações do mercado interno, o departamento de prospecção do Sporting optou por tentar uma nova fórmula: jogadores que terminassem o nome em “el”. Não podia ter dado melhor resultado. Tonel e Abel foram dos melhores da época, agarrando qualquer um deles o lugar com inteira justiça. Antes de se ter chegado à fórmula mencionada, havia uma facção que, fundamentando essa decisão com o exemplo Moutinho, defendia que havia que contratar jogadores pequeninos com cara de miúdo. O resultado foi…

Romagnoli - Pequenino, com cara de miúdo e cabelo à Príncipe Valente, Romagnoli ainda nada fez para justificar a sua vinda. Apresenta-se sim, como o sucessor de uma vasta tradição de médios sul americanos que nada vieram trazer de novo ao Sporting. A sua fraca adaptação poderá estar relacionada com as dificuldades criadas por Tello, dado este ter-se sentido ameaçado no seu estatuto de jogador sul americano pequenino que muito promete mas pouco ou nada faz. Os ciúmes de Tello levaram-no a dificultar ao máximo a integração de Romagnoli: apresentou-lhe a Cova da Moura como um bom local para sair à noite, garantiu-lhe que os banhos no Tejo tinham efeitos curativos e confidenciou-lhe que cairia nas graças do Sá Pinto se manifestasse uma admiração por Artur Jorge.

João Alves - De tempos a tempos o Sporting ultrapassa os rivais na contratação de um jogador que, sem se saber muito bem porquê, ganhou o estatuto de aquisição promissora. Com a mesma regularidade, ouve-se alguém exclamar no departamento de futebol do Sporting: “mas quem é que queria mesmo este gajo?”. Foi assim com Luís Filipe, foi assim com Mário Sérgio, é assim com João Alves. Se há os jogadores omnipresentes, há também os jogadores ausentes. João Alves é um deles. Está em campo, mas é como se não estivesse, não sendo raras as vezes que se vêem adeptos a contar os jogadores em campo e a interrogarem-se: “mas quem é que foi expulso?”.

Miguel Garcia - O típico jogador suplente: postura correcta no banco, boa capacidade vocal para incentivar os colegas titulares, forte apetência para insultar os fiscais-de-linha sem ser apanhado. Dentro de campo não terá notas tão positivas, ainda que não seja dos jogadores que mais comprometem. A sua imagem de marca é a sequência: entrada violenta - levantar de braços em sinal de inocência - amarelo.

João Moutinho - Com aquela cara de miúdo bem comportado, Moutinho é o filho que muitas mães gostariam de ter. Não são raras as vezes que adversários com entradas mais duras sobre Moutinho ouvem depois das respectivas mães reclamações do género: “tinhas de lhe bater assim, seu troglodita?”. Soares Franco trata-o, carinhosamente, por “Milhõezinhos”. Foi dos mais regulares.

Deivid - A forma pomposa como foi anunciada a sua vinda parece ter-lhe pesado nos ombros; a picanha pesou-lhe no resto do corpo. O “Conceituado” nunca conseguiu durante a época corresponder às expectativas. Naquele seu estilo vagaroso e algo alheado do jogo, é capaz de irritar um monge tibetano. O facto de actuar ao lado de Liedson também não ajuda, dando a ideia de que Deivid actua numa rotação diferente. Seja como for, apesar de alguns golos importantes, desenvolveu muito pouco para justificar a sua vinda.

Carlos Martins - O hipocondríaco do plantel. Carlos Martins tem um talento indiscutível, mas tem uma fragilidade psicológica que o impede de colocar em prática o que melhor sabe fazer (para além de arrotar o abecedário): sente-se lesionado ou doente sem razões aparentes. Esta condição já colocou como protagonista de algumas situações caricatas como a desinfestação semanal do balneário ou o facto de treinar na Academia com uma máscara por causa dos pólenes. Convenceu ainda Deivid a provar alguns dos alimentos que suspeita não estarem em condições, tarefa que o brasileiro cumpre com todo o gosto. Com o acumular de pedidos e exigências, Carlos Martins complicou a sua posição na equipa. Paulo Bento deixou de o convocar quando Martins exigiu que os colegas passassem a assoar-se em vez de cuspir para o chão por causa dos micróbios.

Nani - Discípulo de Pedro Barbosa, Nani desenvolveu com este a técnica de fintar em câmara lenta. A forma como comemora os golos é que não poderá estar mais afastada da filosofia barbosiana de “tudo com muita calma”. Nani foi realmente uma das revelações da época, tendo sido o protagonista de alguns dos melhores momentos da equipa. Aguarda-se agora que possa vir a ganhar algum peso de forma a ganhar mais coragem na luta com os adversários. Consta que Barbosa já tem preparada para ele uma dieta especial à base de croissants: “tens de os mastigar com muita calma, miúdo”.

Luís Loureiro - “Anda ver, anda ver!” - são as palavras que a mulher de Loureiro mais teme ouvir. Luís Loureiro não se cansa de ver vezes e vezes sem conta o golo que marcou ao rival do Colombo: “Tau! Todo lá dentro!”. Foi efectivamente o momento mais alto da carreira deste jogador que nunca pensou vir a tornar-se possível concretizar este seu sonho de representar o Sporting. Para muitos adeptos será um pesadelo, apenas atenuado pelo tal golo de belo efeito.

Sá Pinto - Sá Pinto é, justamente, considerado um símbolo do Sporting. Pelo menos do Sporting actual: tem “sangue azul” (um dos “pais” do Sporting era Visconde); está perto de ser um grande jogador, mas não o chega a ser (o tal “quase” típico do Sporting); não aguenta a pressão nos momentos decisivos (também típico do Sporting); ameaça retirar-se mas volta atrás (como o presidente actual do Sporting). A sua experiência terá sido útil durante a época, mas é preciso mais do que isso para competir ao mais alto nível.

Caneira - Com uma dívida moral para com os adeptos sportinguistas, Caneira esforçou-se por colmatá-la com uma regularidade digna de registo. Numa demonstração de boa reintegração no clube, foi expulso num jogo decisivo.

Tá divertido sim senhor… :slight_smile:

Tão mauzinho :lol: :lol: :lol:

:smiley: :smiley: :smiley:

Parei no Douala, com lágrimas nos olhos :lol: :lol: :lol: :lol:

Mais logo leio o resto.

Também já estou a chorar a rir, é melhor guardar o resto para logo se não ainda me despedem. :lol:

:lol: :lol: :lol:

=D>

:smiley: :smiley: :smiley:

Muito bom!

A.A.

:lol: :lol: :lol: :lol: :lol:

Simplesmente fabuloso. É de chorar a rir. Muito bom! :lol: :lol: :lol:

Estás inspirado :lol: :lol: =D> =D>

o que eu me ri a ler isto !!!

:lol: :lol: :lol:

Eh! Eh! Grande maluco… :lol:

[b]Tonel e Abel[/b] - Depois de sucessivos falhanços nas contratações do mercado interno, o departamento de prospecção do Sporting optou por tentar uma nova fórmula: jogadores que terminassem o nome em "el". Não podia ter dado melhor resultado. Tonel e Abel foram dos melhores da época, agarrando qualquer um deles o lugar com inteira justiça. Antes de se ter chegado à fórmula mencionada, havia uma facção que, fundamentando essa decisão com o exemplo Moutinho, defendia que havia que contratar jogadores pequeninos com cara de miúdo. O resultado foi...

Contratem já o Geromel que é sucesso garantido… :mrgreen:

O Manoel é que dá cabo da teoria… :lol:

Muitos parabéns pelo bom humor e pelo óptimo sentido crítico.
Gostei particularmente da imagem do Douala telecomandado por um hipertenso… :smiley:

Tá muito engraçado. Só acho um bocado injustos os textos do Hugo e do Tello (jogadores que apoio porque acho importantes no nosso plantel). Mas mesmo nesses casos tá com muita piada.

Lindo. :lol:

o melhor post desta época - pelo menos em termos humorísticos. :lol: hilariante mesmo.