Há um ano atrás à 5ª jornada o Sporting já tinha perdido 10 pontos e pior do que isso não tinha fio de jogo nem sequer apresentava sinais de nada que se assemelhasse com uma equipa de futebol, de tal forma que até eu que por norma sou contra as chicotadas não teria criticado a nossa SAD se nessa altura tivessem optado por despedir Peseiro.
No entanto a opção foi manter o treinador e a verdade é que com o tempo a equipa transformou-se para melhor e conseguiu a espaços praticar um futebol atractivo e ambicioso, que confesso me agradou muito.
É certo que pelo meio houve algumas brancas e que no fim ficámos pelo quase e não ganhámos nada, mas apesar disso Peseiro com o seu pulso mole e as suas dificuldades no banco, ficou com credito suficiente para continuar.
No início desta temporada o nosso treinador deu sinais de querer emendar o que tinha falhado na anterior, prometendo mais disciplina, mais solidez defensiva sem perder fulgor no ataque e um modelo de jogo alternativo ao que utilizou exaustivamente em 2004/05.
Chegados novamente à 5ª jornada e com um inicio de campeonato aparentemente mais difícil do que o anterior, os resultados tem sido bem melhores, mas houve uma clara regressão em termos exibicionais.
Felizmente que hoje a opção de mudança de treinador nem se coloca, no entanto parece-me que está na altura de se procurar entender o que é que mudou e principalmente como corrigir o que tem funcionado mal.
Julgo que as grandes mudanças aconteceram no meio campo onde se perdeu aquela que foi a principal arma da equipa na temporada passada, refiro-me à enorme capacidade de circular e ter a bola, e perdeu-se por dois motivos:
A alteração do desenho táctico com Douala a funcionar mais como avançado do que como elemento do meio campo e a mudança de intérpretes com a saída de Rochemback, Barbosa e Viana.
O resultado disto foi que apesar das ligeiras melhorias em termos defensivos, porque ao contrário do que se esperaria Tonel está a revelar-se como um bom substituto de Enakarhire, e na baliza temos outra segurança, enquanto Loureiro veio acrescentar algum peso e solidez ao meio campo defensivo, a verdade é a equipa agora tem menos bola, pelo que o volume ofensivo diminuiu e por outro lado ainda não se fizeram sentir os efeitos positivos de se jogar mais pelas alas, até porque Peseiro ainda mal experimentou jogar com os dois extremos que agora possui, porque isso implica que ele ou abdique de um dos seus avançados ou perca homens no meio campo, o que como se viu ontem pode ser complicado.
Uma coisa me parece evidente, se há um ano o técnico ribatejano conseguiu pôr a equipa a funcionar, potenciando ar armas que dispunha, este ano também o será capaz de fazer, mas para isso talvez seja preciso mais algum tempo para se limarem as arestas dum modelo de jogo diferente, mas que também poderá vir a funcionar bem, com menos posse de bola é certo, mas em contrapartida mais directo e mais sólido.
Só que essas mudanças não se fazem do dia para a noite. Eu ainda acredito na capacidade de trabalho do nosso bom Zé, embora saiba que ele nunca vai ser um líder forte e carismático ou um génio das tácticas, será sempre um rapaz esforçado que espero consiga algum sucesso à custa do seu trabalho, assim todos o possamos ajudar desde os dirigentes até aos adeptos e principalmente os jogadores