Patrocínio da CGD ao Sporting

Ora aqui está um tópico que a bem dizer devia estar em dois fórums, Outras Modalidades e Futebol de Formação. Posto-o no fórum do futebol para ter mais visibilidade temporariamente, deixando ao critério dos moderadores movê-lo para outro fórum.

Reprodução integral da notícia d’“O Jogo” online:

CGD apoia formação e modalidades leoninas

O Sporting chegou ontem a acordo com a instituição bancária Caixa Geral de Depósitos (CGD) para que esta patrocine, mediante um contrato válido para os próximos três anos (renovável por mais dois anos), o futebol de formação, e ainda as modalidades andebol, futsal e atletismo.

O entendimento alcançado ontem estava a ser negociado há algum tempo, fruto do empenho do presidente Filipe Soares Franco, em prol da defesa da sustentabilidade das respectivas modalidades beneficiadas, como o próprio revelou em Janeiro passado, numa entrevista a O JOGO. O acordo será formalizado em cerimónia protocolar, numa data ainda a definir.

O departamento de comunicação do clube leonino revelou que “Filipe Soares Franco teve um papel preponderante em todo o processo”, reforçando a dedicação do líder do clube a esta causa, necessária para a sobrevivência de modalidades que sentem dificuldades, e das quais os leões não querem prescindir, em nome do eclectismo do clube.

Refira-se que a CGD também investiu, recentemente, no Benfica, adquirindo os direitos de denominação do centro de estágio do Seixal.

Os meus comentários:

  1. Não nos vai permitir abrir amanhã um pavilhão, mas dá esperança na continuação das poucas modalidades extra-futebol que restam a nível de competição sénior, e eventualmente no reforço da sua competitividade. É por isso sem dúvida uma acção de elogiar por parte desta direcção.

  2. Vai haver por este fórum uma grande dissonância cognitiva em relação à avaliação que foi feita do patrocínio da CGD ao centro de estágio galináceo e a este patrocínio. O que era aí criticável quanto a mim era essencialmente o processo, com foco nas suspeitas sobre a acção do ex-dirigente lamp e actual administrador Armando Vara. Mas relativamente à decisão (que não foi tomada só por uma pessoa), assiste à CGD o direito de decidir como aplicar o dinheiro destinado às suas acções promocionais, decisão essa que terá em conta os benefícios que esperará obter. Se o aplicar a pagar ao Scolari, ao Glórias, ao Sporting ou ao João Baião, quem deve avaliar da bondade das suas opções são os seus accionistas.

Ah, e para quem entretanto fechou as suas contas na CGD, pode sempre voltar lá e perguntar se não fazem condições especiais para ex-clientes! :twisted:

Acho que esta noticia serve como demonstração que existem muitas criticas feitas sem se saber o que está a acontecer …
Sobre este acordo, não faço ainda comentários (embora me pareça positivo à primeira vista) sem saber mais detalhes.

Uma conclusão se pode tirar, o clubismo das pessoas pouco ou nada afecta os aspectos empresariais. Exemplos:

João Lagos (Lagos Sports) com o ciclismo do Benfica

Luis Nazaré (CTT) com o atletismo do Sporting

Armando Vara (CGD) com este “acordo”

Acreditem que a para a maiora das pessoas (independente do clube do seu gosto), há coisas mais importantes que o seu próprio clube.

Acreditem que a para a maiora das pessoas (independente do clube do seu gosto), há coisas mais importantes que o seu próprio clube.

Eu certamente incluo-me nessa maioria. Admitiria perfeitamente trabalhar para o Glórias, se me pagassem bem (ou bastante mais que o Sporting oferecesse, se fosse uma opção) e pudesse prejudicar o clube sem dar muito nas vistas! :twisted:

O que existe é apenas um principio de acordo para tres anos entre a Caixa Geral de Depósitos e o SCP para apoiar todo o futebol de formação, fustal e andebol e com possibilidade de extensão ao atletismo.

O que existe é apenas um principio de acordo para tres anos entre a Caixa Geral de Depósitos e o SCP para apoiar todo o futebol de formação, fustal e andebol e com possibilidade de extensão ao atletismo.

Que os termos do acordo ainda não estão explicitados e reduzidos a escrito é óbvio da notícia. Assim como me parece óbvio que se a notícia apareceu desta forma pelo menos neste jornal, é porque vai ser assinado um acordo a breve trecho. Pelo que me parece também óbvio que se pode começar já a discutir os princípios (de ambas as partes) por detrás do acordo, que não os detalhes do acordo em si. Ou há alguma coisa que não seja linear neste raciocínio?

Acho que esta noticia serve como demonstração que [b]existem muitas criticas feitas sem se saber o que está a acontecer [/b]... Sobre este acordo, não faço ainda comentários (embora me pareça positivo à primeira vista) sem saber mais detalhes.

Não caro Moura, quem está a tirar conclusões precipitadas são vocês. Isto já era falado há muito. O patrocínio ao centro de estágio do Seixal causou alguma discussão e mau estar, tanto interna como externamente, sendo que logo após o seu estabelecimento (e o mau “hype” gerado) a Caixa começou a pensar de que forma podia extender o apoio a outros clubes, esbatendo a ideia gerada.

É tão simples como isso e não apaga de forma alguma a VERGONHA que foi aquele patrocínio, os seus moldes e quem o promoveu à … VARAda.

É tão simples como isso e não apaga de forma alguma a VERGONHA que foi aquele patrocínio, os seus moldes e quem o promoveu à ... VARAda.

Viva a linearidade! :slight_smile: Ou seja, o apoio ao Glórias foi uma vergonha por causa unicamente do processo que a ele levou (não é nada disso que aparece nos tópicos lançados na altura). O apoio dos CTT (liderados por um benfiquista) ao atletismo do Sporting não é minimamente criticável porque o processo foi transparente. E o apoio da CGD ao Sporting é perfeitamente legítimo por surgir como compensação de uma “vergonha”. E se o apoio ao Sporting tivesse surgido primeiro e agora surgisse um apoio ao Benfica, algum deles seria “vergonhoso”?

De facto, sendo o mundo tão simples, não sei porque é que dedicamos tanto tempo a reflectir sobre ele…

Acho que esta noticia serve como demonstração que [b]existem muitas criticas feitas sem se saber o que está a acontecer [/b]... Sobre este acordo, não faço ainda comentários (embora me pareça positivo à primeira vista) sem saber mais detalhes.

Não caro Moura, quem está a tirar conclusões precipitadas são vocês. Isto já era falado há muito. O patrocínio ao centro de estágio do Seixal causou alguma discussão e mau estar, tanto interna como externamente, sendo que logo após o seu estabelecimento (e o mau “hype” gerado) a Caixa começou a pensar de que forma podia extender o apoio a outros clubes, esbatendo a ideia gerada.

É tão simples como isso e não apaga de forma alguma a VERGONHA que foi aquele patrocínio, os seus moldes e quem o promoveu à … VARAda.

Não me parece que este acordo seja consequência do acordo entre a CGD e o Benfica, mas como não gosto de falar daquilo que não sei …

vou esperar para ver quanto vai ser investido nas modalidades… a ver se as fazem renascer, pois quer no Andebol, quer no Futsal, a coisa esta muitissimo complicada

Se vier a verificar-se, ainda que dependente dos moldes do acordo e de que forma isso contribuirá para não só manter vivas as modalidades, mas tb manter as mesmas competitivas QB, não vejo porque sonegar elogios a quem o tenha conseguido, ainda que seja Pipito, que diga-se não faz mais que a sua obrigação eqto presidente do clube.

Mas, faz-se um acordo durante tres anos segundo parece e quando acabar esta “teta”? Procura-se outra?

Mas, faz-se um acordo durante tres anos segundo parece e quando acabar esta "teta"? Procura-se outra?

Qual é o problema em relação a isso? Desde há uns bons 20 anos que não são angariados patrocínios a nível das modalidades amadoras nos mais diversos clubes, alguns renegociados em base anual?

O que é preciso é ter condições de oferecer às empresas (incluindo ou sobretudo as privadas) expectativas de retorno do investimento. E isso, como é visível no caso do patrocínio da Açoreana ao Multidesportivo, seria facilitado caso as modalidades de pavilhão tivessem uma “casa” fixa que fosse visitada pelos sócios e simpatizantes regularmente e onde houvesse possibilidade de ter com carácter de permanência publicidade estática.

Dependendo do conteudo do acordo, é sempre um boa noticia, sobretudo se permitir um desafogo financeiro às modalidades amadoras.

Mas repito, depende muito do tipo de acordo. É que se for algo assim ao estilo do acordo com o MU, então podem limpar as mãos à parede.

Naturalmente que, sem entrar na onda natural do O Jogo, ao bom estilo soviético de bajulação ao “grande líder”, devem ser endereçados os parabéns a todos os que trabalharam para alcançar este acordo, e esperar que na altura certa ele seja renovado, com a CGD ou outra instituição, em condições ainda melhores.

E se porventura, no decurso destas negociações, existiu abertura da CGD para eventualmente se posicionar como uma parceira mais na altura da venda de capital de SAD, então ainda melhor, porque o que interessará nessa operação é vender ao maior numero possivel de parceiros, e não a apenas um grupo que possa vir a controlar a empresa.

E se porventura, no decurso destas negociações, existiu abertura da CGD para eventualmente se posicionar como uma parceira mais na altura da venda de capital de SAD, então ainda melhor, porque o que interessará nessa operação é vender ao maior numero possivel de parceiros, e não a apenas um grupo que possa vir a controlar a empresa.

Estás a ver a CGD como potencial compradora de acções da Sporting SAD, ou de qualquer outra SAD para o futebol?! :shock:

É tão simples como isso e não apaga de forma alguma a VERGONHA que foi aquele patrocínio, os seus moldes e quem o promoveu à ... VARAda.

Viva a linearidade! :slight_smile: Ou seja, o apoio ao Glórias foi uma vergonha por causa unicamente do processo que a ele levou (não é nada disso que aparece nos tópicos lançados na altura). O apoio dos CTT (liderados por um benfiquista) ao atletismo do Sporting não é minimamente criticável porque o processo foi transparente. E o apoio da CGD ao Sporting é perfeitamente legítimo por surgir como compensação de uma “vergonha”. E se o apoio ao Sporting tivesse surgido primeiro e agora surgisse um apoio ao Benfica, algum deles seria “vergonhoso”?

De facto, sendo o mundo tão simples, não sei porque é que dedicamos tanto tempo a reflectir sobre ele…

lá estás tu em dia não.
Quem é que disse que os apoios ao Sporting são mais ou menos vergonhosos? Apenas não conheço os detalhes.

Para já é obviamente uma vergonha este apoio existir EM FUNÇÃO do turvo apoio anterior ao benfica, e não no decurso de um plano de marketing com pés e cabeça, com princípio, meio e fim, com um objectivo claro e transparente na associação ao desporto. Se esse plano existisse teria sido anunciado mesmo antes da primeira iniciativa, o apoio ao pântano do seixal, e não o foi.

Tudo isto é exemplificativo do país que temos, e o facto de beneficiar o Sporting não torna menos censurável o compadrio, o facilitismo e o “cunhismo” de tudo isto, assim como não é por na práctica beneficiar causas nobres (formação de putos, seja de que clube for) que passa a ser bem feito.

Espero agora ter sido mais claro.

Moura: passadas duas semanas do acordo estabelecido, e quando circulavam os mails do “vamos fechar contas na CGD”, um amigo meu jornalista, e cuja família tem vários jornalistas com muito boas fontes, disse-me imediatamente que a CGD já estava a pensar em formas de apagar a má imagem da tachada encomendada por Vara “distribuindo apoios” por mais clubes.
Vamos ver se daqui a uns tempos não surge nada também com o Porto.
Eu estou a falar do que sei, ou seja, do que me disseram logo, há vários meses, vindo de dentro.

lá estás tu em dia não.

O costume, vindo da tua parte… :roll:

Quem é que disse que os apoios ao Sporting são mais ou menos vergonhosos? Apenas não conheço os detalhes.
Tudo isto é exemplificativo do país que temos, e o facto de beneficiar o Sporting não torna menos censurável o compadrio, o facilitismo e o "cunhismo" de tudo isto

Ficam estas duas citações para referência futura. :arrow:

E se porventura, no decurso destas negociações, existiu abertura da CGD para eventualmente se posicionar como uma parceira mais na altura da venda de capital de SAD, então ainda melhor, porque o que interessará nessa operação é vender ao maior numero possivel de parceiros, e não a apenas um grupo que possa vir a controlar a empresa.

Estás a ver a CGD como potencial compradora de acções da Sporting SAD, ou de qualquer outra SAD para o futebol?! :shock:

Numa óptica de negocio, porque não?

Sabendo que pode ser parceira de instituições com largas centenas de milhares de adeptos e largas dezenas de milhares de sócios, porque não?

Não pagou a GALP 5 milhoes de euros ao empatas da F1 por 2 anos?

E do ponto de vista do Sporting, da forma como eu vejo esta questão, seria muito mais positivo diluir a percentagem à venda por várias empresas com estatuto, que vender a tranche toda a um grupo que ninguém saberá quem representa.

Numa óptica de negocio, porque não?

Por duas razões:

  1. A principal, porque o futebol em Portugal é um negócio ruinoso, mesmo a nível dos grandes, e as perspectivas de isso se vir a alterar são poucas.

  2. Não olhando para a óptica do lucro (essa base é necessária para justificação perante aos accionistas), não vejo que grandes vantagens possa a CGD retirar de ser accionista significativo em lugar de patrocinador. Sobretudo se não conseguir influenciar a gestão ou, conseguindo-o, não evitar os maus resultados, ficando associada à má gestão de outra instituição.

Mas, faz-se um acordo durante tres anos segundo parece e quando acabar esta "teta"? Procura-se outra?

Qual é o problema em relação a isso? Desde há uns bons 20 anos que não são angariados patrocínios a nível das modalidades amadoras nos mais diversos clubes, alguns renegociados em base anual?

O que é preciso é ter condições de oferecer às empresas (incluindo ou sobretudo as privadas) expectativas de retorno do investimento. E isso, como é visível no caso do patrocínio da Açoreana ao Multidesportivo, seria facilitado caso as modalidades de pavilhão tivessem uma “casa” fixa que fosse visitada pelos sócios e simpatizantes regularmente e onde houvesse possibilidade de ter com carácter de permanência publicidade estática.

Concordo inteiramente com o que disse o Angel Lion. Aliás, se toda a colectividade desportiva tentasse optimizar a forma de “gastar” estas verbas a elas confiadas por parte dos patrocinadores (o que passará, directa ou indirectamente, pelo sucesso desportivo das mesmas…) não faltariam “tetas” no final do acordo…

It’s a win/win situation… :wink:

cumps,
ADNR

Numa óptica de negocio, porque não?

Por duas razões:

  1. A principal, porque o futebol em Portugal é um negócio ruinoso, mesmo a nível dos grandes, e as perspectivas de isso se vir a alterar são poucas.

  2. Não olhando para a óptica do lucro (essa base é necessária para justificação perante aos accionistas), não vejo que grandes vantagens possa a CGD retirar de ser accionista significativo em lugar de patrocinador. Sobretudo se não conseguir influenciar a gestão ou, conseguindo-o, não evitar os maus resultados, ficando associada à má gestão de outra instituição.

Estás a colocar em causa todo e qualquer processo de entrada de capital na SAD, numa óptica puramente comercial.

No entanto assumes uma participação significativa, quando esse não era o cenário que propus.

Resumindo, concordo contigo em relação à potencialidade do futebol em Portugal como gerador de receitas que justifiquem investimentos de monta.

Gostaria de conhecer outras opiniões daqui do fórum, mas tá visto que poucos querem avançar com elas, tendo em conta como acabou a discussão no tópico próprio.

Acho em todo o caso que, para uma empresa como a CGD, valeria mais a pena colocar-se como parceira do Sporting, numa posição naturalmente reduzida, que própriamente como patrocionadora.

Estás a colocar em causa todo e qualquer processo de entrada de capital na SAD, numa óptica puramente comercial.

Não, não estou. Estando fora do “core business” e de outras áreas de actuação prioritária da Caixa, esta participação faria sentido essencialmente se fosse geradora de receitas. Mas mesmo aí talvez fizesse mais sentido inclui-la num fundo.

No entanto assumes uma participação significativa, quando esse não era o cenário que propus.

Quando me referi a participação significativa referi-me a não ter só meia dúzia de acções. 1 ou 2% já seria uma participação significativa, ainda que não permitisse ter qualquer “voz” em termos de gestão (a “voz” ou ausência dela é tratada na frase seguinte).