O sonho de Sócrates que se tornou realidade

[b]Em Novembro de 2001, o então ministro do ambiente, José Sócrates, sonhou com uma lei inexistente. E o chegar ao seu gabinete escreveu uma carta a um jornalista do PÚBLICO. Queria avisá-lo de que a «invocação pública» de uma escuta telefónica feita pela Judiciária a uma conversa em que ele intervinha «constitui a prática de um crime». [u]A advertência, feita com o intuito de travar a publicação de uma notícia referente a essa escuta, não tinha qualquer fundamento legal[/u]. Na semana passada, porém, o sonho de José Sócrates tornou-se realidade.[/b]

Revelar o teor de uma escuta telefónica constante de um processo judicial que não se encontrava em segredo de justiça não era crime em 2001. Nem ninguém sonhava que o viesse a ser, a não ser Sócrates e, eventualmente, alguns dos que o acompanhavam na presente cruzada contra a liberdade de informação. Mas a declaração de «jornalismo de sarjeta» já tinha sido feita nas páginas do PÚBLICO.

Numa carta publicada neste jornal em 1 de Março de 2001, Sócrates perorava sobre ética e deontologia dos jornalistas e anunciava o que aí vinha: «Parece que é tempo de começar a combater as éticas de plástico que outros agora sustentam [referindo-se a alguns jornalistas], por mais politicamente incorrecto que isso possa ser

Meses depois, quando o PÚBLICO o confrontou com a escuta telefónica em que dava instrucções a um empresário seu amigo sobre o que devia fazer para interferir no resultado de um concurso público, Sócrates desejou tanto que os seus sonhos fossem realidade que não se coibiu de qualificar como crime aquilo que nunca o fora. A conversa tinha sido gravada anos antes, quando ele era deputado, e resumia-se a uma recomendação para que o empresário contactasse, e posteriormente recompensasse, um seu colaborador do aparelho socialista da Covilhã. A este, que era assessor do presidente da câmara local e a quem Sócrates telefonaria entretanto, caberia fazer o possível para resolver o problema do concurso.

A imagem que sobressaía dessa conversa, gravada porque o empresário em causa estava a ser alvo de uma investigação judicial, era a de um deputado que se prestava a usar a sua influência para favorecer um amigo (por acaso financiador do PS) no quadro de um concurso público. E esta era, independentemente do seu interesse público e da legalidade indiscutível da divulgação da conversa, a última coisa que José Sócrates quereria que dele dissessem.

Naturalmente o PÚBLICO não se deixou intimidar com a invocação de uma falsa proibição legal. Nem tão pouco com a solene comunicação com que o ministro do Ambiente terminava a sua carta: «Informo-o que recorrerei a todos os meios judiciais ao meu alcance para defesa da minha honorabilidade e da reserva da minha vida privada».

Publicada a notícia em Janeiro de 2002, Sócrates escreveu ao director do PUBLICO afirmando que o texto não passava de «especulações delirantes e insinuações falsas e injuriosas». E acabava declarando: «Porque o Sr. Cerejo [o jornalista] muito bem sabe que cometeu vários crimes com a publicação destes textos, prestará contas em tribunal».

Na verdade, os anos passaram-se e as ameaças, antes e depois da revelação da conversa, não deram origem a nenhum processo judicial da iniciativa de José Sócrates.

O agora primeiro-ministro bem sabia que a história do «crime» era, e tão só, um sonho seu.

Quem se queixou em tribunal foi Carlos Martins, o assessor que ele recomendou ao empresário e que era então ( e ainda é) presidente de uma junta de freguesia da Covilhã. Alegou que o seu nome tinha sido manchado pelo jornal, mas, meses depois, desistiu do processo. Presentemente está colocado no gabinete do primeiro-ministro e é um dos seus três adjuntos para os assuntos regionais.

A partir da semana passada, José Sócrates já não precisa de ameaçar jornais e jornalistas com tribunais e com leis que não existem. Veio tarde, para o caso da Covilhã, mas veio a tempo para muitos outros casos e para muita gente que pretende esconder, com o seu direito individual à privacidade, o direito de todos os portugueses à verdade sobre quem os governa.

José Sócrates está a ganhar a sua guerra contra as liberdades. As sucessivas leis que tem vindo a fazer publicar e matéria de comunicação social estão a transformar-se numa mordaça. A criminalização da divulgação de escutas telefónicas que não estão em segredo de justiça, aprovada com os votos favoráveis do PSD, é apenas mais um passo na concretização do sonho do primeiro-ministro.

Para perceber a corja que nos tem governado.

In: Público 08/09/2007 (via http://ablasfemia.blogspot.com/2007/09/vale-pena-ler.html)

Isto é nojento… ^-^ ^-^

A mim ele nunca me enganou , acho curioso é os silêncios de algumas figuras históricas do Ps sobre estes tiques autoritários e de censura do PM , como o Mário Soares e outros , se fosse o Santana Lopes a fazer isto o que não diriam.

Quanto ao resto , realmente é nojento.

Não vou falar… não vou mesmo :twisted:

É verdade, mas para quê branquear o comportamento do PSD que assinou esse diploma? E não venhas com a vitimização do menino-guerreiro. Já chega de dizer que um incapaz e incompetente foi injustiçado… :arrow:

Fico pasmado como um assunto de tamanha gravidade e importância, que mostra o carácter de uma canalha que nos tem governado ao longo de 3 décadas, mereça uma quase total indiferença por parte das pessoas que aqui andam.

Cantando e rindo…

O cumprir de uma Lei que obrigava o SCP a agir correctamente, ou um milharal, despertaram grandes atenções. Mas quando é um assunto geral, que nos toca a todos, deixa andar… Depois queixam-se… :o

assinou porque quando estiver no poder quer ter as mesmas beneces, nao ha’ nada que saber, alias em PT o poder esta centralizado em PS e PSD e como tal as leis tendem smp a favorecer ambos os partidos e os seus militantes, ate’ na corrupçao

Dass! Estamos todos com medo de levarmos um processo em cima só de pensar mal do homem.

Eles andam ai

Li por alto e à pressa e não tinha reparado que o Psd tambem tinha votado , o que é lamentável , mas não me espanta este comportamento tipo corporativista dos dois maiores partidos liderado pelo Ps para impedir a publicação de escutas telefónicas , afinal quem tem cu tem medo , e a populaça não pode saber o que eles andam a aprontar , ficam com a imagem estragada , coitadinhos.

Tambem havia uma proposta de lei escandalosa que o cavaco vetou que queria obrigar os jornalistas a divulgarem as suas fontes , o objectivo é o mesmo , eles querem fazer a merda toda , e não querem que se saiba.

Quanto ao Santana Lopes só disse o que é verdade , se isto fosse com ele já tinha caído o Carmo e a Trindade , e se queres saber a minha opinião sobre ele não é a melhor , acho que não tem o mínimo perfil para governante.

As pessoas que vêm a este fórum essencialmente vêm discutir o Sporting e desporto … se quiserem discutir politica existem outros fóruns.

Menos de 24 horas e já estás a mandar vir com os membros, fazes mesmo com que se perca a vontade de responder. Mais interessante é que tu próprio colocas a noticia mas não a comentas, e depois fazes criticas aos restantes membros por não a comentarem …

Quanto à noticia!
É vergonhoso, e merece mais desenvolvimento por parte dos Media. É para isto que eles servem, e se são os atingidos têm de mostrar a sua força, em vez de andarem todos a fazer a cobertura da Maddie!
Infelizmente para este País, a imprensa cada vez mais é escândalos, novelas, e desporto. este tipo de assuntos que devem ser debatidos, que devem, ser colocados a nu … ficam-se por “artigos de opinião”.

Eu pergunto-me onde andou esta noticia, esta investigação, esta escuta que só agora 6 anos depois vem a lume por causa de uma lei! Afinal qual o interesse desta noticia … mostrar que o Socrates é como todos os outros politicos e tb se mexe lá dentro em beneficio próprio, ou é apenas uma forma de fazer frente a uma lei que Socrates quer e a imprensa não quer.

Eu sou contra a mistura de assuntos, e custa-me ver este tipo de noticias, de informação feita assim! Se existem escutas, se existe informação relevante para o publico, informação que mostra o estado da clasdse politica, porque é que não é colocada cá fora na altura ?

Porque é que se guardam noticias no armário, e se faz “politica” com noticias ? Quem será pior ?
Quem esconde um segredo para se auto-beneficiar na altura certa, ou aquele que comete uma infracção para se auto-beneficiar ?

Eu por mim, meto os dois no mesmo saco! Mas isto sou eu, e sei que alguns preferem este tipo de jornalismo a este tipo de politiquice ( o problema é que este tipo de jornalismo é politiquice! )

Um pouco de off-topic, só para descomprimir…

Nova publicidade da LEGO:

É velha, mas pode ser que haja quem não conheça! :smiley:

um dos grandes problemas da sociedade portuguesa é falta de alternativas à bipolarização politica do Estado Portugês e as consequências que infligem na mesma.

Não existe um único concurso Publico para o quer que seja , construção de um aeroporto ou uma nomeação para um cargo, que não esteja envolta na esfera de um lobbie de ambos partidos.

Vejo com grande preocupação, esta tentativa de amordaçar os meios de comunicação, em Itália foram mais longe na governação Berlussconi e proibiram as escutas a membros do Governo e Parlamento.

Após o 25 de Abril, sempre foi e sempre será assim, venham uns ou outros que é igual… é tentar ‘mamar’ enquanto se está no poleiro e também dar de ‘mamar’ para não se esquecerem deles quando forem outros a ocupar o poleiro.

Agora lembrarem-se agora de falar de uma coisa que se passou há uma data de anos é que também é estranho… ou nem por isso, porque os lobbys não se movimentam apenas nas construções de aeroportos ou nomeações de cargos. ???

Este primeiro-ministro é o primeiro produto 100% made in aparelhos partidários que alcança o topo da função governativa. Um homem sem méritos académicos ou profissionais, que tem ganho o pão de cada dia em sucessivos cargos de nomeação partidária. Alguém cujo estilo de vida, em matéria partidária, se baseia todo ele no telefonema, na cunha, na facilidade, na troca de favores, na jogada de bastidores, na chantagem e na ameaça, os ingredientes necessários a uma subida meteórica na nomenclatura de um partido político, sempre de braço dado com o ênfase da forma e o absoluto zero do conteúdo.

Este é apenas mais um dos episódios do longo rol de leviandades, ligeirezas, hipocrisias e tentações censórias da figura.

Desde o homem de Estado que se faz tratar pelos nomes próprios (imaginemos os primeiros-ministros “José Manuel” ou “Pedro Miguel”), ao “engenheiro” que aceita ser nomeado em Diário da República pelo seu tratamento “informal”, passando por uma licenciatura concluída à base de faxes de amizade e redacções de duas páginas feitas em casa, e pelas intervenções iradas junto das redacções de jornais (pelos vistos também ameaçando com procedimento por crimes inexistentes), eis o retrato de quem nos governa.

Ninguém se indigna? Este é o país que assobiou para o ar nos casos “Emaudio” e “Fax de Macau”, protagonizados pelo seu político mais carismático dos últimos 50 anos. Havia de se incomodar com as pulsões controladoras de um medíocre como Sócrates, ou com a canalhice de um Arnaut, que enxota responsabilidades para cima de quem está incapacitado por um AVC?

É que nem eu diria melhor.
Quanto à “corja” que nos governa, já são tantos casos, mas tantos, e parece que está tudo bem, que é assim que eles devem proceder. E basta ver os barómetros (que apesar de serem uma percentagem bastante pequena da população) de popularidade e eles continuam em alta, também devido á falta de vigor da oposição.

Julgo ter colocado o post no local certo… Afinal, antes de sermos sportinguistas, somos cidadãos deste país. Parece que não leste tudo o que escrevi, pelo menos onde comparava a participação em outros tópicos nesta zona.

Nem tudo dá em pipocas… O meu comentário à notícia parecia-me bem explícito. E quem aqui já leu as minhas intervenções na área da Política também já saberá qual a minha posição.

Quanto ao teu comentário, muito oportuno e pertinente. A questão não é apenas a relevância, mas também tudo que é apresentado em Tribunal, que é um acto público. Se uma escuta serviu para condenar, ou ilibar, alguém, tenho todo o direito de saber o qual o seu conteúdo. O secretismo é sinónimo de banditismo e corrupção…

Portucale, os submarinos, Jacinto Leite Capelo Rego, Somague, compra da Portugália…

Sócrates é uma amostra perfeita da mediocridade intelectual e moral que sobreveio ao horrível século vinte português e nos distingue desde a instituição da república. Não é por acaso que o actual sistema político partidário é perfeitamente idêntico àquele descrito e criticado pelos panfletários género Guerra Junqueiro e Tó-Zé Almeida, também esses uns simpáticos manguelas da escola faz como eu digo, pois não te é dado fazer como eu faço, nomeadamente mentir, caluniar, fomentar intentonas e regicídios, cagar de alto na vontade popular, lavar e ver lavada a mão à padralhada e à oligarquia, suscitar dezasseis anos de convulsões políticas, trair o país inteiro entrando numa guerra que causou dezenas de milhares de mortos em troco de nada e estender o tapete da história para o advento da ditadura, a emigração, o início do desrespeito que todos os outros nos votam e todas os desvios pós revolucionários, etc.
Foi este lindo caldo que suscitou este branco total de massa crítica, a manutenção do poder económico detido pela igreja, este carneirismo enclavinhado nos espíritos, esta iliteracia e este híbrido de madraço e oportunista que caracteriza 95% dos detentores do poder executivo desde a reinstituição do sistema parlamentar. Do judicial, então, é melhor não falarmos. Poderia valer-nos o velho direito à rebelião dos oprimidos, ao qual vieram juntar-se infinitas possibilidades de desobediência civil, potenciadas pela sociedade da informação e pelos avanços tecnológicos (porque se esperam mudanças sufragadas sentem-se e abram um livro bem grande…). O cenário mais plausível é termos de gramar com este merdas com atavismos de presidente da junta até ao fim de um segundo mandato em Belém, em data a descobrir. Agora que penso nisso, vou entregar-me a uma substância qualquer.

A Zona está correctissima, este meu comentário estava inserido numa observação mais completa! Dividir não é correcto e dá uma orientação diferente ao que escrevi. Isto estava relacionado com a fraca adesão de publico e não com a área onde se enquadrava!

Não percebi … que nem tudo dá pipoca já sei, pensei é que tu não sabias, uma vez que forçaste a pipoca, e não a deixaste aparecer normalmente!
Quem não respondeu, pode responder-te da mesma forma … o seu comentário seria conhecido de outras intervenções politicas … é sem dúvida uma boa justificação para colocar uma notica e não tecer nenhum comentário, e depois exigir comentários aos outros.

Sem dúvida. Nada tenho a acrescentar!