Mais difícil é encontrar livros baratos em português.
Daniel, o que achaste desse do Umberto Eco? Eu do Rodrigues dos Santos e não achei nada de especial (Fúria Divina): personagens pouco credíveis e pouco trabalhadas, estilo irritante no constante uso de estrangeirismos sem o mínimo de sentido. Dei por mim a gostar mais das partes históricas do livro do que do enredo propriamente dito.
Li dois livros dele, como aqui já disse. “Livro” e “Nenhum Olhar”. Registos completamente diferentes, o primeiro muito interessante, o segundo… bem, fortíssimo.
O próximo deve ser o Cemitério dos Pianos, depois o Livro de Contos e de seguida o último que acabou de lançar (Abraço).
O Morreste-me parece-me algo de demasiado pessoal para poder penetrar, não sei explicar bem. Mas das crónicas que li sobre o livro… foi a ideia com que fiquei.
olha que agora existe uma colecção de livros de bolso em português que contém autores muito interessantes: Kafka, Coetze, Vargas Llosa, Le Carré, Saramago, etc. Os preços vão dos 5€ aos 9€, enquanto que a maioria anda nos 7.90€. Já adquiri uns quantos, principalmente as obras escritas por autores que foram galardoados com o Prémio Nobel. Stieg Larsson está presente nessa colecção, falta apenas publicar o terceiro livro, que eu creio sair por altura do Natal. Acho eu, não tenho a certeza, nem li em lado algum que ia acontecer. Recomendo os livros do SL, principalmente o segundo. E os supostos herdeiros dele, seja da Islândia, da Noruega, ou seja, sempre “lá de cima”, já li uns quantos e, para mim, são trafulhices e truques de marketing. Embora me falte ler, tenho-o aqui já preparado para ser lido a qualquer altura, Jo Nesbo.
Este mercado, de livros de bolso, deve ser exponenciado por duas razões: primeiro, vem aí o ano-mor da crise e o poder de compra será reduzido; segundo, porque é uma forma, sendo o preço barato e o formato do livro fácil de carregar, de aumentar as vendas e imbuir na população o gosto pela leitura. Não percebo como é que se continua, em Portugal é gritante, a insistir em livros que parecem malas de viagem, por assim dizer. Por exemplo, o livro Liberdade, de Jonathan Frazen, é pequeno na versão paperback, facílimo de transportar e de folhear, enquanto que a edição portuguesa é um calhamaço completamente pouco ortodoxo de se ler, principalmente quando um gajo está à espera do Metro, etc. Para uns esta pode ser uma questão menor, mas eu atribuo-lhe bastante importância.
O Umberto Eco tem o dom, não fosse ele um linguista cuja reputação é já conhecida e bastante apreciada, justamente, de simplificar ideias que na escrita de outros autores sairiam complexas e talvez sem qualquer sentido e em total violação da gramática.
Mas não gostei muito do livro, sendo uma das razões o facto de ter figuras reais enquanto personagens, mas isto depende sempre do leitor. Apesar de ser de fácil leitura, parece complicado uma pessoa conseguir sentir a história em si. Parece por momentos desconexa. Não é um livro que possa ser lido sem total ausência de distracções, como acontece com Saramago ou António Lobo Antunes. Arrisco até afirmar que Umberto Eco é, na minha opinião, o autor que melhor escreve. É verdade que tem palavras complicadas, mas consegue tornar o complexo em fácil de uma forma espectacular. Dá um enorme prazer só ler UE e constatar este facto, mesmo que o enredo seja enfadonho. Que é! Em termos de narrativa, este livro é diferente de um outro de UE que eu li, O Nome da Rosa.
Não gostei, mas recomendo aos que gostam de navegar por estilos manifestamente diferentes dos que hoje proliferam: literatura básica, produzida em massa, de estruturas copiadas por todos. Para quem gosta de aprender novas formas de expressão, as primeiras 50 páginas deste livro são fenomenais. A capacidade de caracterização de Umberto Eco é muito boa, profunda, nunca repetitiva. A forma como a personagem principal, o narrador, descreve os jesuítas, logo nas primeiras páginas do livro, é uma coisa do outro mundo. Homenagem ao mordaz!
Existe um autor português que tem também a capacidade de escrever de forma simples o que outros só conseguiriam de forma complexa: Gonçalo M. Tavares.
Gostei. Gosto de Saramago. Não sou grande adepto da forma ortográfica que utiliza, requer paciência e concentração, mas gosto. Sobre o livro em si, achei-o bacano. Gostei da forma como Saramago trabalhou os diferentes e antagónicos estados de emoção de portugueses e espanhóis em relação à separação, que eu considero estarem realisticamente representados, assim como à maneira como reagem outras entidades, como os restantes países europeus. Algo me surpreendeu: os EUA sabem bem na fotografia, pelo menos bem melhor do que a Europa. Pensava que a inclinação ideológica do Saramago o impelisse a obscurecer o país, que no livro é sempre tratado por Estados Unidos da América do Norte.
Eu já aqui deixei uma crítica ao livro Fúria Divina. Além de a forma de o autor escrever ser mediana, existem erros óbvios nas personagens e no enredo, aspectos que lá fora empurrariam o manuscrito para o monte dos rejeitados. Para se apreciar JRS e o continuar a ler é preciso desconhecer o que se escreve fora da fronteira de Portugal. Um gajo não pode sentir falta de um carro que ande a 200 km/h se não souber que este existe, não é?
Lendo eu em 3 dias o “Último Segredo”, a estrutura dos livros deste autor é sempre a mesma: personagem auxiliar é sempre fisicamente bela e Tomás inicia qualquer interacção com um piropo, mesmo que ao lado do corpo esbelto da elogiada, como acontece neste livro, esteja um cadáver :lol:; Tomás Noronha é sempre requisitado por terceiros e demonstra sempre reticência em os servir, tendo sempre de ser convencido; os diálogos, não há melhor forma de o colocar, são uma honra ao banal, e aquela fase, que é esperada pelo leitor, de a personagem perguntar sempre algo ao Tomás para que este lhe comece a debitar uma qualquer história fatiga; etc.
Houve uma ocasião em que tentei comprar um pack de três livros sobre a Alemanha Nazi na Amazon, e de facto o preço, porque se incluía naquelas promoções que a Amazon oferece sobre livros similares, era mais barato, mais ou menos uma redução de 30%, mas depois tornava-se mais dispendioso porque pagava portes e porque tinha de esperar bastante mais tempo.
Além daquele livro em segunda mão que comprei apenas para experimentar, comprei um outro que só estava disponível da Amazon US. Como me era urgente o livro, paguei para que o livro me fosse enviado por correio expresso, tendo chegado cá 5 dias depois. O livro em si custava 10€, mas acabei por pagar, tudo incluído, 40 e tal euros.
O BookDepository, que foi recentemente adquirida pela Amazon, tem apenas de melhorar um aspecto que a Amazon é perfeita a oferecer (e que eu inclusive utilizo para pesquisar livros): sugestões. São banais, repetem-se e muitas vezes nem sequer se aproximam do tema que procuramos. E podiam também implementar uma política de fidelização, porque um gajo fica um pouco chateado quando gasta milhares de euros lá e apenas recebe 10% de desconto de 3 em 3 meses, talvez até mais.
Mas deixo-vos um aviso: mesmo faltando um pouco menos que um mês para o Natal, é complicado pedir hoje ou amanhã e receber o livro a tempo de o oferecer. Não digo que seja um cenário impossível, mas improvável.
Eu ando numa fase de ler literatura considerada de qualidade, os chamados clássicos do século XX. Foi publicado em Portugal há pouco tempo o livro À Espera no Centeio, de J.D Salinger, obra marcante do século XX, considerada por muitos como “o” romance americano. Para quem aprecia a chamada literatura de qualidade e traduzido, já sabem.
danielw, esqueceste-te de referir que os personagens de José Rodrigues dos Santos estão constantemente a ‘morder o lábio’… :lol: :lol: :lol:
Li tudo do JRS até agora mas cada vez mais me começo a fartar daquilo… Aquilo não é repetitivo, aquilo é um copy-paste com algumas (poucas) alterações…
Livros muito baratos em Portugal e em tradução portuguesa podem ser arranjados nas edições Europa-America (quem não se lembra do famoso logo EA):
É verdade que talvez não tenham os romances mais recentes da moda, mas eu quando estive aí no Verão arranjei no Continente 2 livros do Le Carré por 6€, que custariam na FNAC pelo menos 20€. E como não preciso de fancy-covers nem de andar com matacões os Livros Europa-América servem perfeitamente.
Essa colecção da EA de livros de bolso é bastante extensa e têm de tudo um pouco, de Le Carré a Kafka. Geralmente custam à volta de 6€ cada mas às vezes arranjam-se promoções.
Sem ser a EA só mesmo o grupo Leya com a colecção Bis de que falou o @danielw, os preços também andam à volta do mesmo.
De resto é uma vergonha ter livros a 15/20€ que pesam toneladas e parecem a bíblia, depois admiram-se quando aparecem aqueles vídeos a demonstrar a cultura geral da população ou dos estudantes universitários…
Em relação à Amazon UK, pela minha experiência é o sitio onde tenho encontrado os livros mais baratos, e como a partir das 25 libras não se pagam portes, costumo aproveitar para mandar vir 5 ou 6 de cada vez. Estou a ver é que tenho de começar a procurar traduções inglesas de autores portugueses, porque ao preço dos livros cá ou deixo de ler os nossos autores ou passo a ler a nossa literatura em english…
Ui, excelente livro. :great: (aliás, excelente é pouco para a obra-prima que representa)
Foi um livro que tive algumas dificuldades em ler, porque não tem o chamado “gancho narrativo” habitual, como nos thrillers, romances, policiais ou histórias de sci-fi. Mas depois de o terminar é como se se entranhasse aos poucos e estivesse sempre presente connosco para o resto das nossas vidas.
Primeira vez que leio Hemingway. Gostei, mesmo achando que o tema mais vezes abordado nos vários contos não me agrada muito: touradas. Estilo de escrita que define o autor: frases curtas e a utilização compulsiva do “e”. Todas as histórias têm aspectos ideológicos, louvando o socialismo e criticando o fascismo (“o patriotismo é o ópio dos povos fascistas”, uma das várias frases do narrador).
Obra conceituada, mas não a achei nada do outro mundo. Aprende-se alguns aspectos sobre a vida de uma dona de uma livraria, por exemplo, de longe o mais positivo no livro.
Catch 22, Joseph Heller
Livro bastante interessante, sobre a II Guerra Mundial, que retrata a ocupação da força aérea americana na Sicília. Achei curiosa a narrativa algo “partida” que a principio se estranha um pouco, mas que com o desenrolar dos eventos permite uma maior aproximação às personagens. Altamente recomendado.
Os comediantes, Graham Greene
Para mim o maior valor dos livros de Greene (este é apenas o 2º que leio) prende-se com a descrição dos diversos lugares que descreve, bem como os costumes, regimes politicos, etc desses mesmos lugares. Coisa que ele faz muito bem neste livro, onde retrata o Haiti durante o regime de Papa Doc.
Coração das Trevas, Joseph Conrad
Livro que esteve na base do argumento do Apocalypse Now do Coppolla, apesar de a história original de passar na Africa Colonial do Séc.XIX. Achei mais interessante devia a já conhecer, e gostar bastante, do filme.
O Anjo mais estúpido, Christopher Moore
Invulgar conto de natal, esperava que me fizesse rir mais do que me fez. Mas também li sem grandes expectativas.
Actualmente estou a ler o Abraço do J.L. Peixoto. É uma compilação de crónicas e textos, a maior parte dos quais de cariz pessoal. Apesar de ele ter criado um fio narrativo por onde vai pegando nos textos, continua a não ser um romance. Por isso, aconselho o pessoal que por aqui dizia que estava a começar a ler a obra dele, a ler primeiro os romances e depois então passar a este.
Comecei ontem a ler ‘O ultimo segredo’ do José Rodrigues dos Santos. Até agora estou a gostar.
Também vou lendo a Biblia do Sporting. Livro interessante para conhecer melhor a história do nosso Clube. Recomendo a todos os Sportinguistas, especialmente os de menor idade, como é o meu caso.
Ofereceram-me o ‘As regras de Moscovo’ do Daniel Silva. Como este não é o primeiro livro da série, posso começar a ler este, ou fico meio perdido se não começar pelo primeiro?
Optimo livro, especialmente para pessoas como eu que tem curiosidade em conhecer melhor o co-fundador da apple. Tem algumas revelações interessantes. Recomendo