O Caso BES e os seus clientes que estao sem as suas poupancas.

Resolvi abrir este topico porque sou uma pessoa sensivel , gosto de tratar as pessoas como gosto que me tratem a mim ,nao consigo ficar indeferente , e causa me uma revolta muita grande e como e obvio estou solidario com todas as pessoas que durante uma vida passaram mal, passaram fome , mas lutaram e conseguiram algumas poupancas , e agora estao em risco de ficar sem elas ,porque houve irresponsabiidade , ma gestao e sobretudo muita desonestidade , e e claro que nao consigo pactuar nem lidar com estas injusticas .

Devo de dizer que nao tenho nenhum familiar que esteja nesta situacao e eu tambem nao, mas isso nao me impede de de demonstrar toda a minha revolta por ver a passividade de quem tinha o direito de resolver este problema , que na minha opiniao seria, o banco de portugal .

Se e o banco de portugal que gere os bancos ,na minha opiniao eles serao os principais responsaveis por esta situacao , e no meu entender ja deveriam ter resolvido isto , e todos os clientes que la tinham o dinheiro ja o deveriam ter .

Depois quando se sabe que um presidente do banco de portugal ganha 300 ou 400 mil euros por ano(nao sei bem exatamente ) e evidente que ainda causa mais revolta .
Para que , nao sera ele o principal responsavel ?

Amanha na rtp no programa linha da frente iremos ouvir alguns depoimentos , entre eles um homem que passou fome quando jovem , foi para o Brazil , conseguiu por la algumas poupancas , esta sem o seu dinheiro , e agora vive a conta de obras de caridade, or isto nao e justo , isto e revoltante , isto e nojento !!

Para terminar sendo o povo portugues considerado tao solidario nao entendo como neste caso nao estao solidarios com estas pessoas, no meu entender deveriam vir para rua e demonstrar tambem a sua revolta .

Este e um dos casos em que deveria de haver sangue, as pessoas tem de ser reponsaveis , nao podem simplesmete ignorar isto , e fazer de conta que nada se passou , se fosse comigo eu nao sei o que era capaz de fazer !!
Isto e revoltante !!

Estou em crer que vai ser encontrada uma solução que agrade a todos, com a recuperação da quase totalidade do valor investido senão mesmo a totalidade.

O governo e o BdP temem a litigância que poderá advir também desta situação.

Atenção, os clientes que ficaram sem as suas poupanças foram os que investiram em papel comercial, não são todos os clientes do antigo BES que perderam as suas poupanças. É um produto específico, com regras definidas. Aqui o que aconteceu foi um quebrar da confiança que as pessoas tinham no banco, nos gestores que lhes apresentaram este produto. Certamente não lhes colocaram em cima da mesa todos os cenários possíveis.

Não sei se o Banco de Portugal é o principal culpado. O produto era legal, a forma como foi sendo apresentado às pessoas que nele investiram é que podia não ser de todo honesto e claro. Foi o que aconteceu.

Agora, isto tudo advêm da grande iliteracia financeira que existe em Portugal, até mesmo entre as pessoas que possuem estudos superiores. Há aquele ditado, quando a esmola é grande, o pobre desconfia. Infelizmente, não aconteceu com estas pessoas. Não lhes colocaram - digo isto sem ter certezas absoluta - o cenário de perderem todo o capital investido.

Não estamos a falar de uma mera conta poupança, onde se pagam juros a 3/6/12 meses estamos a falar de investimentos feitos em papel comercial, o que é um produto financeiro distinto. Bons juros, acarretam sempre riscos. Quanto maior for a taxa de juro sobre o capital, maior será o risco.

A totalidade do valor investido não será uma realidade, infelizmente para as pessoas que confiaram no antigo BES. Acredito que vão recuperar parte do capital, mas vão sempre acumular algumas perdas, a discussão está centrada nisso, o valor a reembolsar.

O Banco de Portugal tem que fazer muito mais do que faz. A começar, desde logo, por informar melhor as pessoas sobre produtos financeiros, alertar para os riscos dos investimentos financeiros, mas sobretudo começar a contribuir para combater a iliteracia financeira que é bastante alta.

Já afirmava um bom professor de Economia cá do burgo: Não há almoços grátis.

Informar melhor? A única informação que é necessária é se a aplicação financeira está ou não coberta pela garantia do estado (ressarcir até um max de 100 000€ em caso de falência do banco).

Se está coberta então é ir buscar a poupança perdida até esse valor, se não está entao as pessoas têm que ter noção que podem perder o dinheiro todo que metem nessa aplicação.

Estas poupanças foram investidas em títulos de dívidas a curto prazo, investimento que não é ressarcido pelo Fundo de Garantia de Depósitos porque na verdade não se trata de um depósito. E esta informação foi certa ocultada pelos gestores que venderam o fundo de investimento.

Por isso é que se está neste imbróglio. O Banco de Portugal diz que não têm que devolver, a CMVM diz que sim, tem que devolver. A verdade é que estes investimento não foram transferidos para o Novo Banco, ficaram no BES Mau e, ao que parece, agora não é possível transferir este fundo para o Novo Banco. Já se fez os balanços, já se fechou folhas de contas, e Bruxelas não deverá aceitar que se volte a transferir fundos para o Novo Banco.

Se já entregamos aos interessados na compra do Novo Banco todos os dados financeiros, fica difícil estar recalcular tudo e apresentar novos dados. No fundo, não estão interessados - Banco de Portugal - a ressarcir as pessoas porque o banco perderá valor, que por si só já não cobre o que o Governo teve que meter lá para o salvar.

Ocultada? Provavelmente nunca foi facultada dessa forma.

Posso dar outro exemplo, os Certificados de não-sei-quê que saíram aí há coisa de um ou dois anos emitidos pelos CTT com juros de 3 e tal %. Nessa altura estive de férias em Portugal e aproveitei para ver o prospecto… nem uma vez lá era referido estarem ou não cobertos pela garantia do estado. Logicamente que perguntei… lá tiveram de andar a fazer umas chamadas e tal e depois acabaram por me dizer que não tinha, mas que como estava indexado à dívida soberana portuguesa ia dar ao mesmo. Perguntei então o que acontecia se houvesse um perdão de parte da dívida portuguesa à moda do que sucedeu há uns tempos com os gregos, se os certificados perdiam o valor correspondente à % de dívida soberana perdoada. A essa já não me souberam responder… sabem muito. ;D

Moral da história… as pessoas têm de perguntar antes de meterem o dinheiro nas coisas. Em depósitos basicamente o que interessa (tirando as taxas e taxinhas) é saber se existe cobertura com a garantia estatal, aí sim o pessoal pode estar descansadíssimo que o banco pode ir à falência em qualquer altura que o dinheiro é reavido (até 100 000 euros, claro).

Os prospectos de investimento são cada vez de maior risco e pouco claros.

O termos de perguntar pressupõe que o contrato não é honesto e que não estão incluídos os riscos inerentes a ele. Qualquer depósito, titulo, fundo ou outro que tal, que NÃO diga retorno da totalidade do capital investido ninguém em boa consciência o assina.

Ora é este problema que está em cima da mesa aos investidores do BES, no que lhes foi dado a assinar segundo consta o capital estava garantido. O que se está a fazer agora é o mesmo como em todos outros casos mediáticos a culpa, é do electricista, dos funcionários, dos agentes da PJ, dos informáticos, de todos menos das CHEFIAS.

Existe um motivo porque os Administradores e os Gestores recebem mais, porque não só têm um papel mais elevado na empresa como ASSUMEM mais deveres e responsabilidades que os outros. Querer ser chefe e não querer ser responsável não se coaduna com o cargo assumido.

Em circunstâncias normais Ricardo Salgado e cúmplices estavam na cadeia, só que com a justiça portuguesa nunca à circunstâncias normais.

Por isso é que referi que há em Portugal muita iliteracia financeira. Depois, há a situação que o [member=8733]SportSimpatizante afirma, que é a falsa informação que os gestores prestaram aos cidadãos. Creio que é aqui que o Banco de Portugal deve actuar, tornar os prospectos informativos mais claros e que referiam as garantias que o investidor tem. Promover mais informação sobre os fundos de investimento que existem, alertar as pessoas e esclarecer. O papel de supervisor passa também pela informação e formação de melhores cidadãos.

Agora, houve certamente quem tivesse conhecimento do risco e, mesmo assim, investiu. Porque ninguém imaginaria esta situação, havia confiança no BES, o Presidente da República transmitiu essa confiança, o presidente do Banco de Portugal idem, depois aconteceu o que aconteceu.

Dando um exemplo. O Ricardo Araújo Pereira investiu 150 mil euros em papel comercial do BES - coscuvilhice do CM - e não acredito que um tipo destes, não tivesse ciente do risco que corria ao investir neste fundo de investimento. Alguém falhou-lhe disto, garantiu-lhe a solidez do fundo e deu garantias de retorno financeiro. Quem foi, não faço ideia, mas são estes laços de confiança que se perdem e dificilmente se recupera. Um sistema financeiro sem a confiança do investidor, é um sistema que acaba por falir porque não é possível sobreviver sem ter a confiança dos seus clientes, os seus investidores.

Ideologias politicas e outras querelas à parte! Excelente Post amigo Chown! :great:

Só os depósitos estão cobertos pela garantia, tudo o resto é especulativo.

Houve muita gente que, apesar de ter sido eventualmente enganada pelos gestores de conta, sabia ao que ia. Há lá investidores “profissionais” que investiram em fundos de investimento ou obrigações do BES que sabiam perfeitamente que estas aplicações podem ser perdidas se as coisas correrem mal, como correram. Como acredito que houvesse pessoas que não sabiam e acreditaram em eventual má informação.
Agora argumentar que o gestor de conta lhes disse que o capital estava garantido e que por isso investiram não tem qualquer valor de prova nem motivo legal para o ressarcimento. As pessoas deverão saber o que estão a fazer e o desconhecimento da lei, ou sem as respetivas condições contratuais passadas para o papel, ninguém pode ter garantia de ser protegido … a menos que se verifique uma situação absurda, que os gestores o venham reconhecer agora.

Sabes que neste caso nem é bem assim.

O produto , para ser homologado, tem de ter um colateral como garantia,
mas neste caso se o BDP foi enganado, como eu acho que foi, também tem de assumir
que errou, é aí que resido o embróglio.

O assunto do Pós e Contras, desta semana, foi sobre o caso BES/GES e a Comissão que analisa tudo este caso.

Bem, foi confirmado que os gestores afirmaram que o capital e juros eram garantidos. Há documentos assinados (declarações e e-mails) que provam toda esta informação. A taxa de juro que foi de 2.88% a 9 meses. Comparando ao que nos oferecem agora é alto, comparado ao que ofereciam em 2011 / 2012 é mais baixo. Por isso, não creio que tenha existido uma “ganância” por parte do cidadão em querer ganhar dinheiro fácil. A verdade é que o papel comercial do GES foi vendido como sendo um produto e afinal era outro completamente distinto. Existia uma relação de confiança de muitos anos entre clientes e gestores, relações de décadas, obviamente que confiaram em quem lhes apresentou o produto, foram completamente enganados.

O papel do Banco de Portugal em tudo isto é ridículo e demasiado promíscuo. O papel comercial foi vendido antes e após esta instituição ter tomado conhecimento que as contas apresentadas pelo BES estavam corrompidas. Não existiu qualquer informação, nem aviso, nem qualquer coisa do género, sobre este género de produto financeiro. Houve quem tentasse levantar o dinheiro em Junho de 2014, o gestor voltou afirmar que o produto era seguro.

Um banco cheio de buracos, que metia água por todo o lado, mas tanto a Administração do BES, como o Banco de Portugal, continuaram a tentar remendar os buracos, com o dinheiro dos seus clientes, tentativas que falharam redondamente. Chamar o Vítor Bento para o banco foi tapar o sol com a peneira, nem sei como é que o economista decidiu aceitar esta missão suicida, creio que lhe ocultaram dados, como fizeram com os clientes.

Continuo sem entender bem o papel da CMVM neste caso. Mas, a ter responsabilidades, obviamente que tem, é a nível da venda de acções do BES/GES, mas quanto a isto, é um produto distinto do papel comercial e da forma como este foi vendido. As acções também foram vendidas com pressupostos errados, mas são acções e isso é sempre um produto volátil.

A uma conclusão já cheguei. A continuação do Carlos Costa à frente do Banco de Portugal é passar-nos um atestado de estupidez. É gozar com a nossa cara. Em condições normais jamais poderá continuar à frente de uma instituição que é suposto supervisionar o sistema bancário e falhou a toda a linha. Não brinquem connosco!

Tenho para mim, que a culpa da venda do papel comercial, vai acabar sem culpado. Os gestores culpam a Administração, esta por sua vez (na pessoa de Ricardo Salgado) revela que não sabia, nem mandou, que a informação prestada fosse a de que o capital e juros eram garantidos, diz que foi da responsabilidade dos gestores. E vamos andar neste ping-pong até o caso cair no esquecimento e no fim acaba por prescrever. Deja vú a toda a linha.

Se os depósitos estavam cobertos pelo fundo de garantia estatal e essa informação consta nos documentos oficiais sobre a aplicação então só resta aos depositantes meter em tribunal as entidades que fizeram borrada de modo a reaverem o que lhes é agora ilegalmente negado.

A ser verdade obviamente que o Banco de Portugal sai muito mal. Não se admite que um banco regulador não saiba supervisionar correctamente as aplicações financeiras de cada banco que monitoriza de modo a corrigir ou clarificar aspectos omissos ou nebulosos nos documentos oficiais.

Foi um produto vendido com as mesmas características de depósito a prazo, mas que não o são na verdade. E é aqui que reside o problema. Para o Fundo de Garantia não é um depósito, é um investimento em dívida de uma empresa (GES). O banco vendeu como se tratasse de um depósito, os documentos comprovam-no. Logo, isto tem que ser resolvido pelo Novo Banco / Bes Mau e não pelo Fundo de Garantia. Do que entendi, em nenhum ponto é referido que o capital está protegido pelo Fundo de Garantia, apenas afirmaram que o capital e juros eram garantidos. Não foi dito quem os cobria e como os cobria. Enfim, tudo muito mal explicado e que resultou num gravíssimo abuso de confiança por parte do BES para com os seus clientes.

Como é que o Banco de Portugal, tendo acesso aos contratos assinados pelos clientes sobre um produto financeiro, não actua contra o banco? E se não tinha conhecimento em Outubro de 2013, tinha em Dezembro de 2013 e continuaram a vender papel comercial como se de um depósito a prazo se tratasse. O Carlos Costa afirmou na Comissão que não roubou ninguém, é um facto, mas ocultou informação aos cidadãos, levando-os a investir o seu capital, com base em informações erradas, informações que o Carlos Costa sabia muito bem. Isto é uma grave traição, uma enorme irresponsabilidade e é preciso apurar factos, encontrar culpados. (dream mode off).

Se não é referido que o fundo/depósito/investimento/whatever não está protegido pelo Fundo de Farabtia então não se pode argumentar que está.

Das duas uma, ou está ou não está coberto pelo Fundo de Garantia do Estado. Estar “garantido” porque sim não é nada, é uma não-informação.

Se não estiver de facto coberto pela garantia estatal então os clientes foram bem ludibriados foram, já que aplicações não cobertas costumam ter juros de 5% pra cima (precisamente porque só assim são suficientemente apelativos por não terem a tal garantia de devolução caso a coisa vá para as urtigas). 2,88% é a taxa “normal” de um depósito a prazo coberto pelo estado.

P.S.: isto resolvia-se facilmente obrigando os prospectos a incluírem uma linha: Coberto pelo Fundo de Garantia do Estado: Sim/Não.

Obviamente que foram enganados e bem enganados. Correram riscos sérios e nem tiveram uma taxa de juro a condizer com o risco. 2.88%, com capital garantido, o risco praticamente não existia. Isto no papel, na verdade, não existia garantia nenhuma e foram induzidos em erro pelos gestores do BES. Em 2012, o BES tinha um depósito a prazo a 6 meses com taxa de juro de 3.5%, com garantia de capital, dada pelo Fundo de Garantia. Isto para termos a noção do risco que as pessoas correram em adquirir papel comercial.

Nos contratos que assinamos sobre produtos financeiros está lá escrito se são cobertos, ou não, pelo Fundo de Garantia. Quem não tem qualquer conhecimento sobre isto, acredita na palavra do gestor porque há uma relação de confiança estabelecida, em muitos casos, de anos.

É verdade que o cidadão errou em não informar-se como seriam feitos os reembolsos, em caso de existir essa necessidade. Acreditaram no documento que assinaram e na pessoa que lhes apresentou o produto. Agora de quem é a culpa pelo não-reembolso? Do gestor que prestou informação errada? Da Administração que diz desconhecer essa informação? Há um documento assinado que afirma que há garantia de capital, por parte do BES. Isto vai acabar por reembolsarem os clientes e colocar uma pedra sobre este assunto. O caso BES/GES é tão grande, isto acaba por ser pouco mais que meras migalhas.

Vai servir de aviso para o futuro. Questionem sempre quem é que garante o capital e de que forma é garantido.