Nuno Sousa prepara candidatura para 2022

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Nuno Sousa

APP STAY ON SPORTING

O Sporting CP está a perder a “guerra” nesta revolução que é a digitalização. É uma “guerra” sem contemplações para quem não acompanhar o ritmo da mudança, pois inevitavelmente ficará pelo caminho.

17 Out 2020, 09:00

Na última semana não se fala de outra coisa, ele é APP para aqui e APP para ali. Não há forma de fugir, o mundo passa por duas grandes revoluções, uma é a descarbonização da economia, a outra é a digitalização.

Cada vez mais a nossa vida gira à volta do nosso telemóvel. No final dos anos 90 serviam para fazer chamadas e enviar mensagens de texto, hoje em dia servem para fazer tudo, ou quase tudo. Foi com o lançamento do iPhone, em 2007, que a Apple lançou o desafio para o mundo, cada pessoa “ter toda a sua vida no seu bolso”.

Desde então, toda uma indústria de informação, criatividade e tecnologia teve um crescimento enorme. Surgiram as APP que aos poucos começaram a tomar conta do “mundo da internet”, e logo as empresas começaram a criar as suas. Hoje há APP para todas as finalidades.

Faz sentido ter uma APP quando se quer que o nosso “cliente” esteja sempre ligado e se quer elevar o nível de interação, quando a frequência dessa interação é elevada, quando queremos que a navegação seja mais amigável pois há comportamentos que são recorrentes, e quando queremos que dentro desse ambiente se possam ter vários processos de negócio de uma forma otimizada e integrada. Ou seja, um sitio único onde o que se possa querer, está lá. Até poderá não ser tudo, mas o principal, o mais frequente tem de estar.

Quando olhamos para os números dos seguidores dos Clubes nas redes sociais, constata-se que o Sporting CP tem menos 1/3 que os seus rivais. Ou seja, está a anos dos seus rivais. Quanto à APP passa-se o mesmo, os rivais têm APP modernas, com conteúdos “frescos”, até tendo criado várias APP consoante a finalidade especifica que o Sócio e Adepto pretende, e nós no nosso Sporting como estamos?

Estamos parados no tempo e a APP inútil pelo abandono a que foi votada. No meu telemóvel tenho mais de 50 APP instaladas, uso diariamente cerca de 15, mas nenhuma é a do Sporting CP. O Sporting CP está a perder a “guerra” nesta revolução que é a digitalização. É uma “guerra” sem contemplações para quem não acompanhar o ritmo da mudança, pois inevitavelmente ficará pelo caminho.

A APP do Sporting CP devia de ser o primeiro ponto de consulta de informação do Clube e considerando o Universo Sporting CP, em que a sua abrangência é tão vasta, que poderiam existir notícias sobre performances e resultados das diversas modalidades 24 horas por dia, 7 dias por semana.

A tendência no consumo de conteúdos desportivos são os vídeos, sejam em streaming ou em clips . Na APP Meu Sporting o que se verifica é que este tipo de conteúdos são praticamente inexistentes, verificando-se o mesmo com as imagens disponibilizadas, o que torna a APP muito pouco atrativa.

O mais grave de tudo isto é que, ao não estarmos fortes nesta frente da Digitalização, estamos a deixar de fora os nascidos entre 1997 e 2009, a chamada Geração Z, que é a geração que se sente mais atraída para produtos individualizados e personalizados, e mais que as outras gerações estão dispostas a pagar por desporto, em particular a pagar por ofertas suplementares ao conteúdo já disponível.

Assim, estamos a perder a oportunidade de ligar o vínculo emocional ao contexto nativo destas pessoas, e é esta geração a melhor aproximação que temos ao que será o futuro do Sporting CP, ao nível de número de adeptos e de apoio, por isso se nada fizermos e rapidamente nesta frente, então o Sporting CP ficará irremediavelmente no passado.

A conversa do “cliente” é sempre muito suspeita. Sócios e adeptos nunca podem ser considerados meros clientes num clube de futebol. Se isso acontecer no Sporting, deixa de haver clube para passar a haver outra coisa.

Como mau exemplo temos o Valência, que foi comprado por Peter Lim. Este senhor disse qualquer coisa do género aos sócios e adeptos, quando lhe perguntaram por não haver reforços contratados:

Eu faço o que quero no clube, porque o clube é meu!

O sócio não serve para mais nada a não ser para assistir aos jogos do clube, e não pode intervir na vida do clube, de forma a mudar o rumo na sua direção.

Eles não percebem que os sócios não são clientes… São donos.

Quanto muito os adeptos podem ser considerados clientes, mas nem isso acho correto. Ser adepto do Sporting não é propriamente comparável a ir fazer compras ao continente.
Há comportamentos muito diferentes que não devem ser associados a um mero consumidor.

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