Looper

Fui ao cinema. Já não o fazia há muito tempo. Não o facto de ir ao cinema, claro, mas o marcar uma actividade sabendo que o Sporting jogava nesse horário. E a verdade é que nem foi de propósito. Estava com vontade de ir ver o filme e resolvi perguntar, entre amigos - “que tal irmos logo à noite?”. E só algum tempo depois me lembrei que o Sporting jogava para a Taça.

Lembro-me perfeitamente da manhã depois das eleições. De madrugada, durante o sono, acordei e espreitei um jornal online que anunciava um vencedor. Quando acordei, o vencedor era outro. Dei um salto. Esfreguei os olhos, tentando ler novamente - certamente teria lido mal, de olhos ainda ensonados. Brafustei em casa, disse que devia haver engano, que não podíamos ser assim tão tolos. Disse que me afastava. Mais ainda quando soube os contornos do acontecido. Disse que não me revia nesta forma de actuar, nesta forma de ser tão dúbia naquilo que são os valores de verdade, de honra e de justiça.
Mas cedi. Ah, paixão tola, quanto cega és! Aos poucos, achei que podia ser diferente. Na verdade, não tinha a certeza se a alternativa seria melhor - o desconhecido tem sempre este problema do inconcreto - e talvez estivesse enganado e as coisas fossem melhores do que eu supunha.

Naquela manhã antevi este processo. Naquela manhã senti que o caminho continuaria descendente. Que não haveria um objectivo claro de onde se queria chegar e não se fazia ideia de como chegar lá. E que, quando assim é, as hipóteses de sucesso ficam francamente reduzidas.

Talvez tenha sido por isso que fui ao cinema. Talvez soubesse já que hoje seríamos eliminados da taça. Não me acho derrotista ou pessimista. Apenas racional. Faz o mesmo sentido desaproveitar uma semana de pausa de competição para resolver o mais importante assunto da equipa de futebol do que ser eliminado por uma equipa como o Moreirense.

Podemos continuar a desculparmos-nos com os árbitros, com a crise imobiliária ou com a Troika. Ou podemos finalmente perceber que o caminho não é este. Até lá, vemo-nos no cinema.

PS: o Looper é dos melhores filmes de ficção cientifica dos últimos anos. E, sem querer estragar o filme a quem não o viu, não deixei de achar irónico que a solução para a trama criada seja exactamente a mesma que seria necessária no Sporting. Falta é o altruísmo e a coragem necessárias para isso no caso dos actores da nossa história. É pena.

Também já vi o filme e recomenda-se :great: Pode ser que daqui a 30 anos, se envie alguém ao passado para alterar o desfecho das últimas eleições :mrgreen:

Se é para isso, mete isso para bem antes das últimas eleições sff.

sem querer estragar o filme a quem ainda nao o viu, conseguiste um bocado, e ainda trouxeste o tema para a baila para nas respostas ao teu post estragarem ainda mais.

spoilers :cartao:

Bom texto.

Quando apareceu na TV alguém a falar em arbitragem na conferência de imprensa, desliguei para não ouvir.

Ganhou a melhor equipa e acabou. O resto é uma cantiga que já não pega. Dirigentes e afins sem espinha, parem de fazer com que nós Sportinguistas sejamos gozados durante a semana.

Até quase tenho saudades de José Eduardo Bettencourt. Ao menos teve a dignidade de se demitir, mesmo tendo consigo um capital de 90% de votos.

O sportinguismo do Ilegítimo Presidente eleito com a maior falcatrua da história do que resta do Sporting, está bem patente no facto de que só sai quando estiver pronto o sucessor/colaborador ou até mesmo um sicofanta da dinastia.

Percebo-te, mas não acho que essa seja a solução.

Até porque, se bem entendermos as coisas, o destino escolhido pelo personagem principal é o que virtualmente já aconteceu ao Sporting e ao sportinguismo, há anos atrás.

Irónica é a forma que, tal como no filme, o Sporting persegue o sporting, os Sportinguistas perseguem os sportinguistas, num ciclo vicioso, hoje de uma crise escabrosa, mas de qual destino trágico que não consegue evitar.

Não. O que o Sporting precisava é a opção que restava ao herói no final. Ter o esclarecimento necessário de não pensar demasiado nas consequências e, correndo ao alcance dos necessários 150 metros, disparar a sua arma à ameaça, matando-a.

Bom filme. Embora, e até tendo em conta as notícias sobre o Couceiro, “Groundhog Day” me pareça uma comparação mais apropriada. Sendo certo que aí o Bill Murray acabava eventualmente por aprender com os seus erros. Não estou tão optimista quanto aos nossos dirigentes.