Eu não gosto de vitórias morais, e já lá vai o tempo em que era aceitável neste clube usar as vitórias morais para branquear outro tipo de problemas. E ainda bem, porque hoje temos um nível de exigência que nos faz, actualmente olhar olhos nos olhos para um Arsenal da vida e dizer de boca cheia que a eliminatória ainda está viva mesmo depois de perder em casa.
Mas a verdade é que não posso deixar de enaltecer a equipa e o treinador. Não havia muito mais que pudessemos exigir a este grupo e equipa técnica que preparou eximiamente este jogo, e cuja atitude em campo foi a todos os títulos exemplar. Muitos jogadores a dar tudo, a um nível elevado (Diomandé, Fresneda, Maxi, Morita, Trincão, Geny, Suarez) e acabámos prejudicados por algo que já se sabia que poderia acontecer a este nível e nesta fase da competição que era o facto de estarmos a competir contra equipas cujos planteis estão a anos luz do nosso em termos de soluções e qualidade. Se é verdade que aos dias de hoje contamos nas nossas fileiras já com muita gente habituada a estas andanças - esta nossa campanha na UCL permitiu também fazer crescer os jogadores neste tipo de ambiente e contexto - e com alguns jogadores cuja qualidade e classe rivalizam facilmente com jogadores das outras 7 equipas em competição (Diomande, Maxi, Suarez, Trincão, Morita, Fresneda são jogadores que teriam lugar no plantel de qualquer equipa deste top-8, não digo titulares, mas no plantel), é mais verdade ainda que a profundidade do plantel do Sporting em quantidade, qualidade e valorização está a anos luz dos outros 7 em competição. Ter um Martinelli e um Havertz no banco, e um Raya na baliza, foi o que fez a diferença e essa diferença é precisamente a que explica que uma equipa portuguesa como o Sporting seja sempre um outsider nesta fase da competição.
Por tudo isto, é dificil pedir mais a este grupo. Sobretudo se tivermos ainda em consideração o problema estrutural que temos com as lesões e gestão fisica dos jogadores bem como os dois ultimos mercados muito aquém das ambições desta equipa.
Se há coisa que este jogo demonstrou, em linha aliás com outros jogos que fizemos já este ano quer no campeonato quer na UCL é que esta equipa é capaz de muita coisa, mas que está claramente limitada pela falta de ambição da direcção. Eu acho mesmo que aquilo que esta época nos separa de uma época gloriosa com um tri-campeonato e uma (pelo menos) meia final da UCL (além da Taça da Liga e Taça de Portugal) é precisamente a falta de ambição que a estrutura vem demonstrando ao longo dos ultimos anos, e em especial estes ultimos dois anos. Esta equipa com uma politica de contratações mais certeira no verão e em Janeiro e provavelmente estava hoje de cadeirinha no 1º lugar do campeonato a caminho do tri e ontem se calhar teria dado um passo importante para uma inédita meia final da UCL com uma vitória sobre um Arsenal que no jogo jogado não nos foi superior.
Isto leva-me a uma conclusão importante, sobretudo uma reflexão para o futuro: este grupo de jogadores assim como equipa técnica nestes ultimos dois anos, demonstraram que merecem que acreditem mais neles (em especial o no técnico) e que façam um esforço maior por dotar a equipa de um bocadinho mais para dar o salto competitivo que se exige. Esta equipa vem de uma perda traumática do timoneiro em novembro de 24 (Amorim) passando por 6 semanas de ida ao Inferno com um aprendiz de feiticeiro (JP), onde perde o primeiro lugar, é humilhado em casa por este Arsenal. Aparece RB e agarra a equipa pelos ■■■■■■■, vence o panelas e tem uma segunda volta de imenso sacrificio e muito querer, com sucessivas lesões, com jogos onde andámos a jogar com miudos da B para tapar buracos, com os “opinadores” do burgo a duvidar e a achincalhar o treinador. No final revalidamos o titulo e vencemos a taça. No verão perdemos o nosso abono de familia sueco, sendo que essa foi a unica posição devidamente colmatada. Começamos a época com insucessos (perda da Supertaça e derrota em casa contra o porco) e ainda assim a equipa reage, dá a volta por cima, faz uma UCL absolutamente espetacular, mostra bom futebol, mostra ser uma máquina de fazer golos. Aqui e ali, nos pormenores fomos castigados, mas temos sempre conseguido erger-nos e voltar à luta. A coisa não se afigura fácil, mas aquela remontada épica contra o Bodo demonstrou mais uma vez a fibra de que é feito este grupo, que merece tudo de nós e sobretudo da direção que tem a obrigação de ser mais ambiciosa e competente a dar armas ao treinador.
Não há muitos momentos na História recente do Sporting, ou pelo menos desde que vejo futebol há 30 e tal anos, que possa dizer com vontade e genuinamente que tenho um orgulho enorme neste grupo, mesmo após uma derrota injusta e ingrata.