JOSÉ PESEIRO: "Nunca tive a protecção de agora"

Ler especialmente a parte com referências a Carlos Freitas.

http://www.abola.pt/wter/wdia.htm

O Record no Domingo disse que esta entrevista era para sair após uma derrota do Sporting :lol:

A ver se o meu pai compra aquilo…

Apesar de mais uma vez fazer figura de Calimero incapaz de assumir os próprios erros e incapacidades (deve ter sido com ele que o Ricardo aprendeu o ano passado) não duvido que Peseiro terá não só razões de queixa como também dirá a verdade no que respeita a Carlos Freitas.

A memória leva-a o vento mas alguns ainda se recordarão que bem cedo após a chegada de Peseiro, quando as coisas corriam mal á séria logo no início e Peseiro estava por um fio, surgiu desde logo curioso artigo no Record que dava conta de que o homem de Freitas teria sido sempre Scolari e não Peseiro.

Ora isto e tudo o que se veio a passar posteriormente casa com o que Peseiro afirma.

Que Peseiro é um lequinhas incapaz de assumir erros próprios ou desprovido de capacidade de liderança isso já só não admite quem não quer, agora que terá as suas razões relativamente à personagem Carlos Freitas ora… essa é outra que já só não assina quem quer ver ali uma personalidade que não existe.

mais nada Mauras :smiley: :smiley: :smiley: :smiley:

Este gajo é uma autêntica anedota… o eterno injustiçado, toda a gente tem culpa menos ele, todos são ajudados menos ele!!! PQP !!! :evil:

:idea: No mesmo dia que é entrevistado na Sportv, vem na “A Bola” :?:
Querem deitar o porta-aviões ao fundo.

Este indivíduo é baixo(e não estou a falar da estatura), é vil, asqueroso.

Se calhar está apenas a pagar na mesma moeda ao Freitas. É como diz o Mauras o gajo é um anti-líder por natureza, eu diria até, um anti-líder genético mas não existe qq dúvida sobre a personagem sombria e asquerosa que é Freitas. E Paulo Bento que se cuide porque neste momento pensa que está a salvo, mas…

Muito mais grave (do meu ponto de vista) que o “dossier” Peseiro, são as movimentações sobre o poder no Sporting que saltam das declarações e que a realidade do Sporting confina. Curioso, que quando saiu, Freitas foi “confortado” por FSF…porque será? Deixo aqui o excerto que para mim é o mais grave e o mais importante:

— Lobbies por influência de quem?
— Não tenho agora dúvidas de que o director-geral, Carlos Freitas, foi um dos responsáveis por isso. Possui amigos em alguns jornais que sistematicamente me atacaram, assim como não valorizaram o que de bom fizemos. Eu próprio cheguei mesmo a referir-lhe esta situação. É claro para toda a gente que existiu todo um processo de perturbação que visava o afastamento do presidente dr. Dias da Cunha. Quando saí do Sporting disse que gostaria que o Paulo Bento tivesse essas condições, felizmente isso é um facto, o que como se constata é favorável para o desempenho de todos, dirigentes, técnicos e jogadores.

Para depois assumir contornos verdadeiramente inacreditáveis com esta:

— Quais os benefícios que Carlos Freitas poderia tirar dessa relação?
— Não sei. Em conversas com alguns jogadores vim a constatar a forma como eram estabelecidas relações, da forma como lhe eram comunicadas avaliações e da forma como lhe eram comunicadas as decisões de ordem disciplinar, todas elas infelizmente expondo de forma negativa o treinador. Conversas realizadas com jogadores, indicando que o técnico não se manteria na época seguinte. Dou um exemplo desta época: Douala recebeu telefonemas de Carlos Freitas tentando convencê-lo a transferir-se para o Middlesbrough. Se Freitas estava fora do Sporting porque tinha de telefonar ao jogador?

E o aviso ao Paulo:

— Acha que Paulo Bento tem, desta vez, o apoio do director-geral?
— Existe uma relação de grande amizade entre Carlos Freitas e Paulo Bento e penso que era um objectivo do director-geral ter o Paulo como treinador do Sporting. Espero que quando os resultados forem menos positivos o Carlos Freitas não utilize o seu lobby para não passar toda a responsabilidade para o treinador.

Pergunto eu: Depois do verdadeiro golpe de estado leonino a que assistimos, juntando mais algumas peças do puzzle, com aquilo que vem sendo a info sobre o novo “projecto” Franco, ainda alguém consegue ter dúvidas sobre o presidente cooptado ex-substituto futuro candidato invisto na equipa e construo pavilhões?

Julgava que a questão Peseiro já estava arrumada… o que ele conta já era conhecido, acreditava quem queria, não me parece que Peseiro tenha integridade suficiente para “convencer” os que não querem aceitar a realidade vivida no Clube há mtos anos.

Curioso o timing da entrevista… :roll:

PS. Pode ser que daqui a umas semanas vejamos o mesmo em relação a Del Neri, Fernandez ou Couceiro… isso é que seria interessante!!

PPS. Ou Octávio…!!! Vcs sabem o que quero dizer. 8)

Dou um exemplo desta época: Douala recebeu telefonemas de Carlos Freitas tentando convencê-lo a transferir-se para o Middlesbrough. Se Freitas estava fora do Sporting porque tinha de telefonar ao jogador?

Esta acusação é muito grave.

Queria ter o apoio dos adeptos como? Pela bela merda que fazia?

O Carlos Freitas subiu ainda mais na minha consideração!

Julgava que a questão Peseiro já estava arrumada... o que ele conta já era conhecido, acreditava quem queria, não me parece que Peseiro tenha integridade suficiente para "convencer" os que não querem aceitar a realidade vivida no Clube há mtos anos.

Curioso o timing da entrevista… :roll:

PS. Pode ser que daqui a umas semanas vejamos o mesmo em relação a Del Neri, Fernandez ou Couceiro… isso é que seria interessante!!

PPS. Ou Octávio…!!! Vcs sabem o que quero dizer. 8)

A mim Peseiro não convence de rigorosamente nada Rui, só achei interessante esta digamos…“montagem”. É evidente que é uma entrevista de amor com amor se paga, até porque o Freitas para além dos “amigos” também tem quem lhe inveja o protagonismo, isso é obvio.

Quanto ao timing, acho que tem muito mais a ver com os bastidores daquilo que se passa no Sporting do que a tal e sobejamente conhecida “tentativa de desestabilização da equipa” . De resto também achei curiosas as referências a MRT e JEB…

Dou um exemplo desta época: Douala recebeu telefonemas de Carlos Freitas tentando convencê-lo a transferir-se para o Middlesbrough. Se Freitas estava fora do Sporting porque tinha de telefonar ao jogador?

Esta acusação é muito grave.

Concordo, é gravíssima mas não é surpreendente…

Ao ler a entrevista e ao tentar perceber alguns pormenores chego à conclusão que não disse nada de novo… nem mesmo em relação a CF.

Mas esta personagem ainda existe ?

Enfim…continua a viver do sporting…continua todo ressabiado…e agora com muitos sapos na guela porque PAULO BENTO esta a fazer um excelente trabalho com uma equipa tremendamente inferior a do ano passado.

Que coincidencia logo agora que estamos mais do que nunca na luta pelo titulo…vem uma entrevista venenosa…para ver se consegue criar desestabilizaçao.

E mais um grande contributo por este novo mourinho que nao passa de um falhado na vida.

Agora que venham os defensores dele se ainda os houver dizer que estamos sempre a bater no ceguinho…o ceguinho devia era ter vergonha…assumir os seus erros e partir para outra…que de certo deve estar cheio de propostas de colossos do futebol europeu e mundial.

Um ZE MOLE que nao assumiu os seus erros e nunca os assumira…mas que se esta a afogar na inveja de ver um treinador que veio dos juniores fazer um trabalho magnifico.

Nem para o meu ATLECTIO DO CACEM tens valor sequer para roupeiro.

E cada vez perde mais crédito que tinha. Esta personagem está a fazer com que perca por completo o respeito que lhe tinha. Devia ser o primeiro a não dar entrevistas, principalmente nesta fase da época. E depois não diz nada de novo, o mesmo ressabianço de sempre. Que se cale, e deixe a equipa que o próprio construiu/destruiu lutar por algo que com ele seria impossível - O titulo!

Eu acho estranha esta entrevista neste momento.
Nao fara isto tudo parte da enboscada que eles (orcs) desejam fazer ao Sporting?

O Sporting encontra-se num lugar que vai ser assediado por os  gorilas

Muitas coisas vao aparecer agora… Esperem pelas proximas.

Eu só vejo isto… :frowning:

Alguém pode fazer um copy/paste para aqui ?

Nunca tive a protecção de agora
JOSÉ PESEIRO tinha algo a dizer acerca da sua saída do Sporting. Custa-lhe um pouco que a avaliação que todos os sportinguistas fazem da sua passagem pelo clube seja de alguma forma influenciada pelas derrotas na Luz e na final da Taça UEFA, mas o seu principal lamento prende-se com o facto de nunca ter tido o escudo protector de que Paulo Bento hoje notoriamente beneficia. E é aí que chega à conclusão que no seu tempo houve falta de lealdade e solidariedade do director-geral, Carlos Freitas. «Fomentou-se um lobbye Carlos Freitas foi um dos responsáveis por ele — não tive nem solidariedade nem lealdade da sua parte.» E é este facto, o de o elo ter sido quebrado na sua passagem pelo Sporting, que deixa José Peseiro em intrigante expectativa: «Espero que quando os resultados forem menos positivos não se passe toda a responsabilidade para o actual treinador.»
— Em que contexto enquadra a sua saída do Sporting?
— Não houve, claramente, ambiente favorável à minha presença, nem mesmo quando o Sporting jogava bem e vencia . Em função da qualidade de jogo demonstrada na Liga e na UEFA, do caminho que percorremos e da proximidade do sucesso que tivemos, o que não seríamos como equipa se tivéssemos usufruído de um ambiente favorável? Os sportinguistas poderão reflectir sobre isso. Esta época vivemos ainda mais esse ambiente anti, dadas as manobras constantes desenvolvidas pelos lobbies, que pretendiam mudanças de liderança no Sporting.
— Lobbies por influência de quem?
— Não tenho agora dúvidas de que o director-geral, Carlos Freitas, foi um dos responsáveis por isso. Possui amigos em alguns jornais que sistematicamente me atacaram, assim como não valorizaram o que de bom fizemos. Eu próprio cheguei mesmo a referir-lhe esta situação. É claro para toda a gente que existiu todo um processo de perturbação que visava o afastamento do presidente dr. Dias da Cunha. Quando saí do Sporting disse que gostaria que o Paulo Bento tivesse essas condições, felizmente isso é um facto, o que como se constata é favorável para o desempenho de todos, dirigentes, técnicos e jogadores.
— Consegue dar exemplos dessa perturbação?
— Claro. Não tive, em 16 meses de Sporting, uma tarja ou uma manifestação de apoio vinda das bancadas de Alvalade. Felizmente, uma semana depois de ter entrado o Paulo Bento tinha uma a seu favor. Acho que este simples exemplo é sintomático. Para além de tudo mais, as decisões de maior desgaste, disciplinares e outras, tiveram de ser tomadas pelo treinador. Um simples regulamento interno praticamente nem foi implementado, creio que por receio de afronta aos jogadores.
— Por parte do director-geral?
— Inicialmente, pensei que existia falta de experiência nas novas funções, hoje não penso assim. Foi mais por uma questão de protecção de imagem pessoal, deixando assim degradar a do treinador. Neste momento tenho a certeza de que não tive toda a solidariedade nem toda a lealdade por parte do Carlos Freitas.
— Quais os benefícios que Carlos Freitas poderia tirar dessa relação?
— Não sei. Em conversas com alguns jogadores vim a constatar a forma como eram estabelecidas relações, da forma como lhe eram comunicadas avaliações e da forma como lhe eram comunicadas as decisões de ordem disciplinar, todas elas infelizmente expondo de forma negativa o treinador. Conversas realizadas com jogadores, indicando que o técnico não sem anteria na época seguinte. Dou um exemplo desta época: Douala recebeu telefonemas de Carlos Freitas tentando convencê-lo a transferir-se para o Middlesbrough. Se Freitas estava fora do Sporting porque tinha de telefonar ao jogador?
— Se diz que havia um lobby que não favorecia o treinador e o presidente, porque não saiu do Sporting no final da época passada?
— Em Junho equacionei a minha continuidade e algumas pessoas que considero aconselharam-me a demitir. Três condicionantes reforçavam essa opinião: redução do orçamento em quatro milhões de euros; a saída do director-geral e de jogadores seus amigos participantes também desse lobby, e aumento das exigências face à época realizada. Para além da administração, comunguei desta reflexão com duas pessoas, às quais durante a época recorri como conselheiros face aos problemas que surgiam e que foram dando o apoio possível: o dr. José Bettencourt e o dr. Miguel Ribeiro Teles. Perante toda a reflexão e a promessa da parte da administração de melhoria do processo, decidi continuar.
— Quem não conhecer bem Carlos Freitas pode pensar que ele é maquiavélico…
— É uma pessoa que gosta, acima de tudo, de preservar a sua imagem, sem se importar com o que possa acontecer à imagem de outros que com ele trabalham. Em alguns processos deixei-me penalizar, na defesa dos recursos humanos do Sporting, que são os seus jogadores, os seus activos, na defesa da sua capacidade competitiva e na defesa do grupo. Quando saí o problema era o presidente, o treinador e o administrador. Agora parece que os problemas vão ter outro culpado, o senhor Rui Meireles. Na defesa de uma continuidade parece que as baterias estão a ser apontadas ao senhor Rui Meireles. Esta falta de solidariedade não provoca aglutinação entre todos.
— Falou de alegadas características menos boas do director-geral. Mas ele também trouxe coisas boas para o grupo…
— Tem vasto conhecimento do mercado, reconheço com facilidade as mais-valias que foram alguns jogadores, que não todos, daí pensar que as funções que desempenhava não se identificavam comas suas melhores aptidões.
— Acha que Paulo Bento tem, desta vez, o apoio do director-geral?
— Existe uma relação de grande amizade entre Carlos Freitas e Paulo Bento e penso que era um objectivo do director-geral ter o Paulo como treinador do Sporting. Espero que quando os resultados forem menos positivos o Carlos Freitas não utilize o seu lobby para não passar toda a responsabilidade para o treinador.

Portugal tem de fomentar cultura do espectáculo
EM retiro espiritual depois da angustiante saída do Sporting, José Peseiro tem visto o fenómeno do futebol com distanciamento. Num certo prisma fazia-lhe falta uma paragem, para renovar conceitos e repensar ideias. «Acho que é altura de todos, porque todos somos responsáveis, pensarmos na promoção do espectáculo, sem esquecer que a vitória é mais importante.» Nesta envolvência, Peseiro afirma: «Não podemos penalizar sistematicamente alguém porque quer dar espectáculo e às vezes perde.» Na sequência dos métodos mais ou menos inovadores colocados em campo por Adriaanse e Koeman, a quem se refere elogiosamente, Peseiro conclui que o futebol português pode aproveitar esta boleia para elevar o nível. Algo que ele tentou, também, com boas parcelas de sucesso, quando treinou os leões. «Uma das diferenças que encontrei no campeonato espanhol é que as piores equipas vão a Santiago Bernabéu e não resumem o seu jogo ao último terço do terreno.»
— O que é que tem feito desde que saiu do Sporting?
— Como se sabe um treinador tem sempre pouco tempo de férias e eu sempre estive muito envolvido na preparação das épocas e, para além disso, conciliei a actividade de treinador com a de professor, que não colidem. Nos primeiros sete/oito anos de actividade praticamente não tive férias, e quando estive na Madeira, Madrid e Alvalade também tive pouco tempo livre. Este ano também abdiquei, felizmente ou infelizmente, de férias. Mas agora tirei algum tempo para mim, mais tempo para a família e para viajar, tenho lido algumas coisas, escrito outras e tenho reflectido sobre o que foi o meu trabalho até agora. Essa reflexão foi feita com mais calma e tranquilidade e é importante que se faça.
— Quando espera voltar ao terreno?
— Penso que estou preparado para regressar no início da próxima época.
— Depois de deixar o Sporting não recebeu convites?
— Sim, mas por causa de uma situação ou outra acabei por não aceitar e neste momento creio que o melhor é regressar na próxima época.
— Preferiria uma experiência em Portugal ou sente-se tentado a treinar no estrangeiro?
— Admito qualquer uma das possibilidades. As hipóteses que tive do estrangeiros eram mais de vertente económica do que desportiva mas creio neste momento ser mais determinante que a carreira desportiva esteja acima da económica. Por isso não saí do País. Gostei muito do futebol espanhol e gosto do futebol inglês, mas isso não invalida que possa trabalhar no futebol português.
— Não teme que se tiver outra experiência negativa em Portugal, como aconteceu na fase final do seu percurso em Alvalade, as portas fiquem fechadas?
— Não tenho esse receio, apesar de sabermos que trabalhar ao nível dos grandes tem sempre um risco maior que nos outros clubes. Quero ganhar coisas e como acredito naquilo que faço nunca perspectivei nenhuma época pensando que vou perder.
— Em Portugal admite trabalhar apenas nos grandes?
— Admito trabalhar num projecto que entenda ser um projecto que possa ter sucesso, que me envolva emocionalmente e em termos profissionais. Todos gostamos de treinar os melhores clubes ou aqueles que têm mais possibilidades de vencer, mas a distância entre os que ganhavam sempre e os outros está um pouco atenuada e penso que poderá continuar. O Inácio foi campeão nacional e está na Liga de Honra e isso, na minha opinião, não põe em causa o valor do Inácio ou de qualquer outro treinador. Os treinadores são avaliados pelo trabalho que fazem, independentemente do clube onde estão. Agora, qualquer treinador gosta de treinar o clube que tem mais e melhores recursos. Creio que há outros treinadores noutras divisões que nunca tiveram oportunidade na I Divisão que têm trabalhos tão gratificantes e de tanta qualidade como outros que estão na I Divisão. Infelizmente nunca tiveram oportunidade, como eu tive, com um projecto de maior visibilidade.
— Como tem visto este Campeonato do lado de fora?
— Penso que há semelhanças com o do ano passado, embora me pareça que no ano passado o Campeonato era mais homogéneo. O segundo sector de equipas estava mais forte. Lembro-me que equipas que neste momento estão para descer, como o Penafiel, tinham uma capacidade de jogo superior. Não sei se há uma relação directa com o facto de este ano haver mais equipas a descer de divisão, mas neste Campeonato há 6/7 equipas que estão muito distanciadas das outras. No ano passado não acontecia isso, havia menos pontos de diferença entre o primeiro e penso que o 15.º ou 16.º.
— Vislumbra um favorito?
— O FC Porto está em primeiro, mas está tudo em aberto. O Benfica, que está envolvido no Champions, pode ficar mais desgastado, tal como aconteceu com o Sporting o ano passado. Pela organização das equipas e sua qualidade é possível qualquer equipa com menos recursos ganhar pontos aos grandes. Há outras equipas, que ainda podem disputar os primeiros lugares, mas penso que os três grandes são os principais candidatos ao título, têm recursos mais determinantes.
— Adriaanse e Koeman trouxeram alguma coisa de novo?
— Acho que sim. Nós damos pouco tempo aos treinadores e nesse contexto tive medo que em algum momento o próprio envolvimento do nosso futebol perturbasse seriamente aquilo que nos poderiam dar, ou seja, uma visão de espectáculo que no ano passado também assumi que gostaria que o Sporting e o futebol português tivessem.
— É possível seguir o caminho do espectáculo sem se perder o instinto competitivo, associar as duas coisas?
— É possível e se assim for penso que todos nós ficamos mais fortes. Não apenas os jogadores e os treinadores, mas também quem está envolvido em ter um futebol que chame gente aos estádios, um futebol bem jogado, aberto e isso era no fundo o que todos nós esperávamos que os holandeses trouxessem.
— E trouxeram?
— Eles começaram muito bem, mas uma série de derrotas vieram contribuir para que se começasse a defender, porque a pressão externa e a questão do resultado foi tão grande que ambos se começaram a retrair. Koeman começou a jogar com mais defesas, começou a ficar mais trás, porque encontrou um envolvimento diferente em relação às derrotas. Com o Adrianse aconteceu o mesmo. Mas o que é verdade é que como o FC Porto joga actualmente é um jogo de risco e acho que devemos valorizar isto, caso contrário não daremos passos para ter o futebol inglês ou o espanhol que dizemos que é bom. Acho que é altura de todos, porque todos somos responsáveis na promoção do espectáculo, pensarem nisto, sem esquecer que a vitória é mais importante. Tem de haver um meio termo, porque não podemos penalizar sistematicamente alguém porque quer dar espectáculo e às vezes perde. Considero que Adriaanse, depois do que sofreu, chegou a um ponto em que pensa que não vale a pena estar a abdicar das suas ideias.
— Isso, no nosso campeonato, representa um risco enorme…
— É verdade que se consolida muito mais facilmente os processos defensivos que os ofensivos, porque no ataque a quantidade de combinações, de organização, de situações, de dinâmica, são muito mais exigentes e requerem muito mais tempo para se consolidar. É evidente que as equipas com mais presença ofensiva e que defendem o espectáculo têm de termais confiança, porque a derrota perturba, e os grandes têm mais pressão nas derrotas. Curiosamente, o melhor jogo que vi do Benfica não foi contra o Manchester United, foi contra o Gil Vicente, e perdeu 2-0 em casa. Foi um jogo em que o Benfica podia ganhar 7-0 e perdeu. Penso que não podemos ao mesmo tempo querer resultados e criticar o tipo de espectáculo que temos.
— Essa filosofia entronca nos holandeses…
— Entronca porque acho que no início de época assistimos quer no FC Porto, quer no Benfica, à procura de uma organização que a mim me impressionou favoravelmente, mas que infelizmente coincidiu com derrotas. O que até é normal, porque é mais difícil consolidar processos ofensivos. Quando se ataca muito e se mete muita gente no processo ofensiva é normal que a transição para a defesa se faça com mais dificuldade, com menos espaço e menos gente. Nós muitas vezes gostamos de espectáculo mas beneficiamos o contra-espectáculo, beneficiamos mais uma equipa que coloca em campo cinco autocarros e empata 0-0. Estive a ver o Benfica-Nacional, para a Taça de Portugal e no dia seguinte fiquei impressionado porque os jogadores do Nacional tiveram mais pontuação do que os do Benfica. Ou seja, quem quis jogar para o espectáculo teve menos pontuação de quem não quis jogar para o espectáculo.
— Mas é curioso que tem existido uma renovação dos quadros técnicos e essa cultura não se consolida…
— Acho que estamos melhor, mas penso que temos características de personalidade, económicas, sociais, culturais, que com mais dificuldade em relação a outros países esta adaptação pode acontecer e penso que é o único caminho a atingir. Para termos mais gente nos estádios temos de ter outra atitude. Uma das diferenças que encontrei no campeonato espanhol é que as piores equipas do campeonato vão a Santiago Bernabéu e não resumem o seu jogo ao último terço defensivo. E o que vejo é que qualquer treinador que faça isso no outro dia a imprensa espanhola bate-lhe, e de que maneira. Podem dizer que isso é muito fácil para quem treina os grandes, mas eu treinei o Nacional da Madeira e nunca na minha opinião utilizei sistema superdefensivos. Até porque chegamos à conclusão no final da época que as equipas ficam arrumadas em função da sua qualidade.