Grandes entrevistas Universo Sporting - Gilberto Borges (hoquei SCP)

GRANDES ENTREVISTAS UNIVERSO SPORTING - GILBERTO BORGES
GRANDES ENTREVISTAS
UNIVERSO SPORTING:

ALGUMAS PALAVRAS PARA OS USERS DO SITE CENTENARIO SPORTING E PORTAL SPORTING XXI:

  1. Como surgiu a sua ligação ao hóquei?

O meu contacto com o hóquei surgiu no início da década de 70, quando era aluno da Escola Salesiana do Estoril. À data, a Salesiana era a escola por excelência do hóquei em patins (liderada pelo querido amigo Pe Miguel, ele também um grande Sportinguista) e tive como colegas de escola jogadores como Chana, João Sobrinho, Manuel e Fernando Pereira, Carlos Cruz, António Tomás (Picas), Piruças, Jorge Costa, José Virgílio e outro mais novo, o Leste. Era comum a Escola encher o pavilhão no apoio a esta geração.

Por outro lado, em 1972/73, o Campeonato Nacional realizou-se na Salesiana e foi disputado pelas Equipas do Continente e das ex-Províncias Ultramarinas Angola e Moçambique. Aí vi o Desportivo de Lourenço Marques de Fernando Adrião e Cª ia vencer o Titulo Nacional. Este Sr. que acompanhei de perto e ao vivo, passou então a ser em definitivo o meu ídolo no HP. Já ouvira falar dele depois de acompanhar, pela radio e tv a preto e branco, o célebre Campeonato do Mundo de 1968, em que derrotámos a Espanha na Final por 2-1, no Palácio de Cristal, no Porto. Nessa data alinhávamos com o seguinte 5 base: Victor Domingos, Júlio Rendeiro, Fernando Adrião, Livramento e Jorge Vicente. Os restantes grandes “reforços” como diria J M Pedroto eram: Salema, João de Brito, Américo Solipa, Leonel e Casimiro. Lembro-me de não haver a linha anti-jogo e a pequena esfera foi guardada quase 5 minutos entre Livramento e Adrião por forma a garantir a vitória de 2-1.

Mais tarde, quando ingressei no Instituto Superior Técnico, e como Sportinguista aficcionado, acompanhei todas as Modalidades do SCP e mais de perto o HP na célebre nave de Alvalade. Aí passaram muitos dos meus antigos colegas Salesianos, já atrás mencionados, ressaltando João Sobrinho e Chana.

O culminar da paixão pela Modalidade ocorre no ano de 1977 em que o SCP, com o seu Dream Team, conquista a Taça dos Campeões Europeus, sendo o 5 base: António Ramalhete, Júlio Rendeiro, João Sobrinho, António Livramento e Chana. No mesmo ano, Portugal, com este mesmo 5 base, conquista o Campeonato Europeu.

Durante as décadas de 70, 80 e início de 90 o SCP dominou o panorama da Formação do HP Nacional, como bem o provam os vários títulos conquistados nos diferentes escalões. Destaco a célebre equipa dos ainda hoje patinadores: Bruno Adrião, António Ramalho, Luis Pina, Ricardo Gomes (actual treinador do SCP). Foram Campeões Nacionais desde Infantis A (86/87) até Juniores (90/91). Conseguiram ainda Títulos Europeus nos escalões de Juvenis e Juniores.

  1. Como surgiu o projecto da APSCP?

Com a decisão da Direcção do SCP em acabar com os Seniores, em 19/05/2005, um grupo de Sportinguistas, entre eles eu, resolveram deitar mãos à obra e “agarrar” a Formação” do SCP, até à data “ligada” à estrutura Sénior, de forma insipiente e pouco clara.

Eu havia-me disponibilizado a trabalhar nas Camadas Jovens desde Finais de 2003, uma vez que representava o Patrocinador Ferpinta na equipa Senior. Todavia o funcionamento da “Formação” nunca foi muito bem definido. Isto é, nunca tive qualquer intervenção directa nas decisões para os escalões inferiores, uma vez que as verbas que eram angariadas para a Formação iam directamente para quem geria o Sector Senior. A gestão que a secção de Formação fazia era apenas desportiva. Os Treinadores estiveram a época de 2003/4 sem receberem qualquer subsídio, ao contrário do que lhes havia sido prometido. Mas sempre deram o seu melhor pelo SCP. É a partir da época de 2004/5 que a secção, após arranjar a solução “Casa do Gaiato”, se autonomiza e começa a cumprir, dentro dos limites possiveis com algumas das condições com os Treinadores.

Voltando a 19/05/2005, esse Grupo de Sportinguistas, Pais e Amantes da Modalidade estiveram em permanente contacto com a Direcção do SCP e conseguimos salvar a Formação, apresentando um Projecto claro, sólido e autosustentado.

Em 16/06/2005 obtivemos do SCP a Autorização para a Utilização do Nome e do Símbolo do SCP nas diferentes actividades da Associação de Patinagem do SCP que entretanto havíamos proposto, como entidade autónoma e gestora da actividade da Formação do HP do SCP.

Em 13/07/2005, a Direcção do SCP autoriza a APSCP a inscrever as suas Equipas de Formação, a saber: Infantis C, B, A, Iniciados e Juvenis.

Em 18/10/2005, faz-se a Escrituração da APSCP e pela 1º vez a Secção Autónoma do HP Formação do SCP tem a situação legalizada perante o Clube e as diferentes Entidades Oficiais. Isto é, priviligiámos a transparência de processos.

Entretanto, apesar de toda a turbulência gerada pela situação nos Seniores e o arranque da época em casas emprestadas (Pavilhões da Parede e do Campo de Ourique), em 26-27/06/2005, sagrámo-nos Campeões Nacionais de Infantis A, no Entroncamento, 18 anos depois de igual Título, também conquistado contra o FCP. Tivemos o privilégio e talvez a premonição de ter connosco alguns dos Campeões de 86/87 ( Bruno Adrião, Luis Pina, António Ramalho), que desceram às cabines a felicitar os novos Campeões.

Em 10/07/2005, a equipa de Iniciados dá ao Centenário o 3º Título, ao vencer a final da APL contra o rival SLB, numa final four empolgante que culminou com a vitória na negra, na “Toca do Leão”, no Tojal, por 6-3, dp de virarmos o resultado de 0-3.

Em Final de Agosto 2005, já sobre a batuta do Coordenador Técnico, Sr. António Rocha, antigo Internacional Português, com créditos firmados no HP Nacional e Internacional, iniciámos a nova época de 2005/6, com a inovação de termos, pela 1º vez, depois de o SCP ter acabado com o HP, em 94/95, uma equipa de Juvenis, à qual chamámos “Locomotiva do Projecto”. Propusemo-nos entrar, nessa época, em Competição apresentando 5 equipas de Formação. Nunca tal acontecera depois de 94/95.

  1. Qual é esse Projecto?

O Projecto da Formação do HP do SCP foi definido, pormenorizadamente, pela nossa Coordenação Técnica e Direcção ( Eu próprio, os meus colegas de Direcção Paulo Rodrigues e António Rocha, que acumula com o cargo de Coordenador Técnico e ainda o Alfredo Calvão) , assentando em pressupostos muito claros e objectivos:

  • Devolver a mística desta Modalidade aos Sportinguistas.
  • Fazer dos nossos Atletas, um exemplo cívico e Homens de carácter para a vida e Desportistas diferentes dos demais.
  • Cultivar a prática desportiva, de forma limpa e sã, sem nunca perder de vista que o símbolo que envergamos nos “obriga” a lutar para vencer em todas as frentes.
  • Projectar a evolução da Formação até 2010/11, época em que, no limiar, os nossos actuais escalões estarão preparados para gerar os 1ºs Seniores e iniciar a Competição a partir da III Divisão Nacional. A partir desta época, haverá um municiamento de baixo para cima dos Jovens mais talentosos que acederão ao escalão Senior.
  • Criar um espírito de Família, alicerçado nos Pais, Amigos do HP do SCP e no altruismo dos nossos Patrocinadores, por forma a criarmos a capitalização e massa crítica que nos permitam evoluir na Modalidade, criando as estruturas básicas e condizentes com o Nome que representamos.

Prevemos, no nosso Projecto, que o SCP nos reconheça como Secção Integrante do Universo Sporting. Afinal, começámos com a Formação, base para o Sucesso, a exemplo de outras Modalidades dentro do Clube ( Vidé Academia de Alcochete).

Do SCP queremos esse reconhecimento e a continuação do apoio logístico, em equipamentos e ser premiados como as demais Modalidades em eventos que o Universo Sporting leve a efeito. Até ao momento, temo-lo conseguido: as nossas Equipas Campeãs foram homenageadas em Alvalade, já fomos convidados para as Celebrações do Centenário e para várias outras iniciativas, incluindo convites para os nossos Jovens poderem acompanhar os Jogos do Futebol Profissional. Continuamos a ser acarinhados no nosso já habitual arranque das épocas em Alcochete, talismã para todos os nossos Jovens e Acompanhantes.

  1. Qual a ligação à Casa do Gaiato? Até quando é o acordo da utilização do Pavilhão em Sto Antão do Tojal?

Desde que assumi a responsabilidade pela Formação, ainda na anterior “gestão” do hóquei Senior que me ocupei na procura de várias alternativas ao pavilhão de Sacavém, o qual deixámos, em 31/07/2003, por incompatibilidade entre a Direcção do Sacavenense e o anterior responsável pelo hóquei do SCP.

Corri bastante na busca de uma solução alternativa. Contactos com as Câmaras de VF Xira, Loures, Juntas de Freguesia da área metropolitana Oriental de Lisboa, sem sucesso. Dos inúmeros pavilhões novos, todos eles estavam preparados para futsal e apenas um – Póvoa de Sta Iria – cumpria com os requisitos para a prática do HP. Todavia, o nome Sporting soou a “dinheiro” e os responsáveis pelo pavilhão não chegaram a acordo connosco. Prevíamos levar o HP para a Freguesia da Póvoa, com a população mais jovem do País com contrapartidas para o Clube Local, que não possuía esta Modalidade. Ao contrário do que se passa noutros nichos deste País, onde as Colectividades são apoiadas pelas autarquias na ocupação das infra-estruturas desportivas, na área que explorei durante 4 meses não consegui abertura a não ser por troca de “dinheiro condizente com o chamariz do nome Sporting”.

Surge então a necessidade de ocupar os nossos Jovens em Instalações que tivemos que arranjar e recorremos a Clubes a quem agradecemos o apoio que nos deram: Parede Football Clube, na pessoa do seu Presidente Sr. Fernando Gomes e Campo de Ourique, na pessoa do Seu Presidente, Sr. Capela. Entre Setembro e meados de Dezembro da época de 2004/5, andámos com a casa às costas entre a Parede e Campo de Ourique. E aqui uma palavra de grande gratidão para os Pais, Treinadores e Seccionistas que tudo fzeram para ultrapassar as dificuldades inerentes a esta situação.

Em 03/10/2004, conseguimos reunião com a Direcção da Casa do Gaiato, Sr. Pe. Manuel Cristóvão. Apresentámos as nossas dificuldades e objectivos bem como possibilidade de podermos cooperar com a Obra da Rua, do Padre Américo. Esta Instituição possuía um pavilhão, com construção de cerca de 30 anos, completamente degradado e parcialmente destelhado.

Vimos as Instalações, ficámos de estudar as contra-partidas mútuas e reunirmo-nos uma semana depois para aclararmos a situação e podermos tomar uma decisão.

Em 11/10/2004, protocolámos o acordo para 10 anos, sendo que nós faríamos a recuperação do pavilhão de modo a torná-lo apto para a prática de HP e de outras modalidades para usufruto desportivo dos Gaiatos. O “Senado dos Gaiatos” reuniu e decidiram com a Direcção da Casa que o HP SCP seria benvindo não só pela mais valia das Instalações como também pelo valor acrescentado que tal poderia trazer aos Gaiatos dando-lhes a alternativa de mais uma Modalidade que pudessem vir a praticar, quer no SCP quer de forma independente, com ajuda técnica do HP do SCP. Também calculámos o risco que foi o de entrar numa Casa com Crianças e Jovens de risco, abandonados e que passariam a conviver diariamente com outros Jovens de outro patamar de vida na Sociedade: jovens com algumas posses e sobretudo com famílias próprias.

Em 17/10/2004, iniciámos as Obras de Recuperação do Pavilhão e em seis semanas úteis ( tivemos 2 semanas de chuvas intensas que não permitiram trabalhos ) conseguimos ter o recinto com uma cobertura Moderna, Modelar, Isotérmica, um piso, tabelas e pintura de paredes concluidos.

Em 19/12/2004, fizemos a nossa 1ª Festa de Natal na Casa do Gaiato e inaugurámos o pavilhão com um sarau de hóquei entre todas as equipas e a participação de alguns Pais ex-patinadores. O convívio extendeu-se também aos Gaiatos e teve a participação do seu Director Pe Manuel Cristóvão que nos deu as boas vindas e nos desejou os maiores êxitos desportivos e de boa convivência com os Gaiatos.

De referir que neste momento já temos GAIATOS a competir, oficialmente, pelo SCP e resultam de formação realizada por nós. Outros Gaiatos prosseguem na Iniciação e esperamos na próxima época enquadrar mais alguns deles nas nossas equipas.

  1. O que é a Casa do Gaiato de Lisboa?

Trata-se de uma Instituição de Solidariedade Social, Obra da Rua criada pelo Pe. Américo, Dos Rapazes, Pelos Rapazes e Para os Rapazes.

Até Junho de 2006 esteve agregada à Obra do Pe. Américo. Desde essa data, a tutela é feita pelo Patriarcado de Lisboa. Alberga, neste momento cerca de 100 jovens, sendo o mais jovem de 20 meses e os mais velhos entre os 18 e os 20 anos. São jovens e crianças marcadas pelas condições adversas da vida e que neste refúgio encontram o conforto de uma Instituição que vive de donativos, não tendo qualquer comparticipação da Segurança Social.

  1. Como analisa o crescimento correcto e sustentado do hóquei no Sporting? Tem sido conseguido?

No nosso projecto delineamos o que julgamos ser o desenvolvimento e crescimento correctos do hóquei no SCP: Formação de base que permita poder vir a sustentar as futuras equipas de baixo para cima até Seniores. Até ao momento, temo-lo conseguido com resultados que nos dão razão aos pressupostos pré-definidos.

Pensamos que não há qualquer hipótese de sobreviver com equipas de Juniores e Seniores sem Formação sustentada de base.

  1. Dê-nos a sua visão sobre o que tem acontecido no hóquei do Sporting. Desde a equipa de ouro que nos deu tantos títulos nacionais e 5 títulos europeus, até ao primeiro encerramento da Secção (A). O ressurgimento (B) e a caminhada até à primeira divisão ©, com consequente encerramento, até este novo projecto (D).

A) Ainda hoje não compreendo como a Direcção de então (1994/95), presidida pelo Dr. Pedro Santana Lopes, em referendo muito contestado, decidiu optar pela extinção do hóquei em patins. O SCP tinha à data uma história ímpar a nivel Nacional e Europeu e ainda das melhores escolas de formação do País. Recordo, por exemplo os inúmeros jogadores, em actividade e que à época frequentavam a formação do SCP. Acabaram por dar títulos a outras equipas rivais. Nessa época e sem as acessibilidades que hoje temos, a nave de Alvalade enchia-se de jovens provenientes dos mais distintos pontos da Grande Lisboa, Margem Sul, do Oeste e do Ribatejo. Era a paixão que se vivia pela Modalidade e pelo querer seguir as pisadas de tantos ídolos criados pelas nossas equipas maravilha dos 5 títulos Europeus.

Recordo-me das grandes enchentes da nave, segunda catedral do hóquei a seguir ao agora Pavilhão Carlos Lopes.

Também não compreendi a extinção do basquetebol e do voleibol, outras duas modalidades emblemáticas no Clube. O clube viveu o melhor período de títulos e de ecletismo na Presidência do Sr. João Rocha. Os Sportinguistas viviam o Clube com PAIXÃO e com VAIDADE de sermos diferentes e melhores que os demais.

O ecletismo de que falo levava a termos pavilhões cheios e sessões contínuas de modalidades diversas em Alvalade. Os sócios sentiam mais o Clube que hoje em dia, praticamente resumido a Futebol e a duas outras modalidades de alto rendimento: Futsal e Andebol. A extinção da Modalidade, levou, em minha opinião, a um enfraquecimento da massa associativa do SCP que não se revê apenas no Futebol. Onde há Grandes terá que haver ecletismo uma vez que SCP, SLB e FCP ocupam 90% das preferências dos Portugueses. Nas Modalidades de massas, os três Grandes têm que estar presentes, sem qualquer tibieza ou dúvida.

Obviamente que as condicionantes económicas e financeiras das Modalidades em Portugal também se alteraram por uma corrida desabrida de alguns Clubes que inflaccionaram a prática Desportiva ao levarem-na para a profissionalização desmedida.

B) O ressurgimento em finais da Década de 90 pela mão do Eng Aguiar de Matos trouxe de novo a esperança e também acompanhei esta fase, como espectador.

O que me parece ter falhado neste ressurgimento foi o facto de não haver Formação no SCP. O nome Sporting é falado e respeitado desde as camadas mais Jovens até Seniores. É comum o Sporting deslocar-se, presentemente, em camadas jovens ao Alentejo e ter por exemplo o Pavilhão de Sines com 1000 pessoas a acompanharem apaixonadamente o nosso jogo. Agora extrapolemos para toda uma estrutura clubistica que esteja devidamente parametrizada entre base e o escalão de máximo rendimento.

Não me quero pronunciar pelo que se passou na transição entre a gestão do Eng. Aguiar de Matos, grande amigo e grande Sportinguista e o período que se seguiu.

C) Há que reconhecer algum mérito na subida do SCP à Divisão Maior em 2003/4, após um apoio recebido da Empresa Somague. Há que reconhecer também que se iniciaram os primeiros passos de uma Formação de base, a qual acabou por ser esquecida quando a equipa Senior começou a abrir caminhos na sua mais que previsivel subida de Divisão.

Provavelmente, a subida de Divisão não deveria ter gerado plafonds demasiado altos e fasquias financeiras como as que se projectaram. Estou ciente que seria preferivel o SCP ter mantido a estrutura da Subida e cimentado mais um ano a Formação. Pelo contrário, entrou-se no inflaccionamento da estrutura com consequentes danos na fatia orçamentada pelo Patrocinador Principal. E lembro que no ano da Subida (2003/4) o SCP já havia angariado outros patrocinadores importantes quer para os Seniores quer para a Formação. Em 2004/5, as verbas subiram consideravelmente face a outra visibilidade e a Formação nem por isso beneficiou. Pelo contrário, teve que iniciar a época em casas distintas, equipas separadas, o que em termos pedagógico-desportivos em nada ajudou num projecto global e ambicioso que desejávamos.

D) Este novo projecto liderado por mim, pelo Paulo Rodrigues e pelo António Rocha, meus colegas de Direcção e ainda com o sempre importante apoio do Presidente do Conselho Geral, Alfredo Calvão, pretende começar com bases sólidas que permitam de forma autosustentada aguentar a Formação por meios gerados por si mesma. Pretende ainda capitalizar para o futuro. Em dois anos de gestão, conseguimos com a capitalização realizada fazer face a novos investimentos nas novas Instalações – construção de bancada de topo, rearranjo de lay out dos balneários, construção de secção para a Direcção e criação de sala de estudo para os nossos patinadores. Um dos princípios que defendemos é que nenhum dos nossos hoquistas deve pensar que é do hóquei em patins que vai viver. Sugerimos aplicação nos estudos e escolha de uma carreira profissional que lhes permita no futuro adulto a não dependência do hóquei em patins. Até este momento, estes princípios têm sido assimilados.

Gostamos das vitórias em ringue, mas temos um grande prazer e imensa alegria terminar os anos lectivos e poder dizer que o nosso sucesso escolar numa população de cerca de 60-70 crianças é superior a 97%. Em termos desportivos, em mais de 200 jogos obtivemos, na pretérita época cerca de 70% de vitórias.

Em ano de CENTENÁRIO demos ao SCP 8 lugares de pódio nas competições Nacionais e Regionais em que competimos, sendo que 3 deles foram 1ºs lugares: Campeonato Distrital de Juvenis com subida directa ao Nacional Maior; 1º lugar no Distrital de Iniciados e Vencedor da Taça APL em Infantis A. Pelo 2º ano consecutivo a equipa de Infantis A esteve na Final Four do Campeonato Nacional tendo obtido a 3º posição após ter sido batida na meia final pelo FCP, a quem venceramos na época transacta.

Conquistámos ainda alguns Torneios Nacionais e Internacionais, realizados de Norte a Sul do País e soubemos sempre honrar a Camisola do SCP.

Em termos Individuais, destaque para o melhor marcador Nacional em Infantis A, Pedro Delgado e a convocatória de alguns dos nossos atletas para a Selecção Distrital de Lisboa e Selecção Nacional, nos escalões de Iniciados e Juvenis, respectivamente.

  1. O novo Estádio não ter pavilhão não é um sinal negativo, para as modalidades do Sporting que necessitam dele? Qual a sua visão sobre este assunto, analisando o passado e os votos para o futuro?

Obviamente que um pavilhão multifuncional seria um factor aglutinador da massa associativa do SCP e óptimo para as Modalidades. Já referi a velha nave de Alvalade, segunda casa de todos os Sportinguistas. Conciliava-se os horários das competições das diferentes Modalidades com o futebol e assitiamos a um vai e vem de sócios a acompanhar as nossas equipas. Eu fi-lo, amiudadas vezes. Por outro lado, o convívio entre atletas de Modalidades distintas era saudável e criaram-se grandes amizades. Reportemo-nos à geração do Presidente João Rocha. Viamos jogadores de basquetebol ou de andebol a acompanhar o hóquei e vice versa.

Sobre o futuro e uma vez que o nosso actual Presidente tem no seu programa o estudo e execução do Pavilhão, esperamos todos que a promessa se cumpra e que a sua localização seja o mais próxima possivel do Estádio actual. O FCP tem as suas equipas de Hóquei, Andebol, Basquetebol a jogar em pavilhões Municipais, bem como as respectivas Formações, mas tanto quanto julgo saber estão em curso as obras para a criação de um megapavilhão junto ao Dragão. O outro nosso rival da 2ª Circular está muito bem apetrechado no que respeita a pavilhões, na Luz.

  1. Que condicionamentos sente com a não existência de um pavilhão?

A minha resposta está implicita nos comentários anteriores. Todavia, acrescentaria que a existência de pavilhão do SCP conseguia fazer com que a massa associativa se revisse no seu ecletismo clubístico.

  1. Tem ou não o apoio do SCP para este projecto? Se tem qual é esse apoio?

A AP SCP tem o apoio do SCP, dado por escrito, após termos apresentado concreta e objectivamente o nosso projecto. Lembro que o projecto está autosustentado com meios que a Associação angaria junto de amigos e patrocinadores, para além da contibuição dos Pais, a qual representa em termos orçamentais cerca de 25% dos custos.

Financeiramente, o SCP não nos dá qualquer apoio. Usamos o nome e o símbolo, temos apoio logístico/transporte e alguns equipamentos para os nossos atletas. O que já repetimos à nova Direcção das Modalidades do SCP foi o seguinte: estamos a servir e a honrar o nome do SCP, a contribuir para o seu ecletismo mas gostaríamos de ser integrados no Universo das Modalidades Oficiais do Clube. Esperamos ainda que o SCP nos continue a apoiar logisticamente e nos equipamentos. Os nossos atletas são todos sócios do SCP e creio que é caso inédito tendo em conta o número de modalidades do SCP.

  1. Porque é que o Hóquei não se equipa com Puma? De onde vêm os vossos equipamentos?

Os nossos equipamentos ainda são Reebok e estamos a fazer a gestão dos equipamentos antigos que herdámos dos Seniores e alguns que recebemos quando ainda eles existiam e eram canalizados para os 3 escalões que tinhamos à data.

Para a época em curso estavam protocolados com a anterior Direcção das Modalidades os equipamentos Puma e a Associação apresentou, em tempo oportuno e quando solicitada, as suas necessidades.

Em final de Julho de 2006, quando perguntei pela entrega dos mesmos, foi-me informado que o Hóquei não tinha sido contemplado com equipamentos PUMA. Obviamente que nos pusemos em campo e “tocámos a várias campainhas” uma vez que estávamos a 3-4 semanas do início da presente época.

Não vale a pena expôr aqui a agonia e ansiedade que passei durante algumas semanas, até que alguém dentro do SCP resolveu a situação junto do Futebol Senior e Juvenil e nos “desenrascaram” algum equipamento sobrante e já usado por eles, na época transacta. Como devem imaginar, fiquei triste, porque toda a miudagem ambicionava “vestir” à Liedson, à Moutinho, à Custódio, à Ricardo…Mas tivemos que explicar o inexplicável a jovens com idades entre os 7 e os 16 anos.

Ainda tentámos e tivemos propostas de duas Marcas mas dado que outros escalões de Formação do SCP noutras modalidades estavam também com o mesmo problema, mantivemos a solidariedade e acreditamos que o problema possa ser sanado para 2007/8, como nos foi prometido pelos novos responsáveis pelas Modalidades. Neste aspecto os Responsáveis do SCP não respeitaram em igual medida o ecletismo do Clube.

  1. Existe uma cooperação entre a secção de hóquei e a Torcida Verde? Como se iniciou esta cooperação? Diga-nos alguns momentos importantes evidenciando a importância da mesma, para esta secção.

Existe cooperação que resultou de uma aproximação que já vinha do tempo dos Seniores. A extinção dos Seniores levou a Torcida Verde a aproximar-se de nós e a apoiar-nos no projecto que então delineávamos para a Formação. Esta Claque sempre esteve muito próxima do Hóquei, sobretudo quando ele ressurgiu as duas últimas vezes e talvez por isso a ligação a nós, que muito apreciamos. Mas o hóquei é de todos e para todos os Sportinguistas. O Hóquei pertence a Todos aqueles que nos quiserem apoiar e a ajudar a que entremos na FAMÍLIA das Modalidades Oficiais do SCP.

Lembro por ex. as várias deslocações que fazemos pelo País inteiro e onde encontramos Núcleos do SCP que nos apoiam, bem como jovens das diferentes Claques do SCP. Não só da Torver.

Destaco alguns momentos importantes do apoio da Torver:

  • A disponibilidade para nos ajudar nas obras do Gaiato
  • O apoio importante e ruidoso nas final four de Iniciados em 7 Julho 2005 onde vencemos na negra o SLB por 6-3 e virámos o resultado de 0-3.
  • O apoio vibrante na final four de Infantis A em Alverca a 27/06/2006 onde nos sagrámos campeões da APL.
  • O apoio no jogo decisivo de Juvenis em Torres Vedras em Novembro 06 onde era preciso derrotarmos a Física para termos a final four à mão. Conseguimo-lo a 24 seg do final com uma claque espectacular e vibrante. Os nossos jovens sentiram que o público merecia que lhe dedicassem esta vitória.
  • O convite que fizeram ao hóquei quando do seu 22º aniversário, para homenagem à Modalidade, com uma festa realizada no Campo de Golf da Bela Vista e que serviu também para surpreender todos os nossos atletas com o cartão de sócio do SCP. - Como retribuição e porque foi decidido em reunião de Direcção, atribuimos à TORVER a possibilidade de aposição do seu símbolo nas mangas das camisolas oficiais de jogo das nossas equipas.
  • A presença na Festa de Natal de 2005 em que foram convidados a “benzer” a prenda que acabáramos de receber: uma carrinha para o hóquei oferecida por um dos nossos patrocinadores, a Asparso.
  • A presença na Festa de Natal de 2006 com a sua habitual boa disposição aproveitando para oferecerem à Casa do Gaiato uma mesa de Ténis de Mesa.
  1. Essa cooperação declarada, onde o uso do emblema da Torcida, nas camisolas dos atletas, é o expoente máximo, não pode afastar elementos de outras claques, nomeadamente a Juventude Leonina, o Directivo XXI e alguns adeptos do Sporting que não veem as claques com bons olhos?

Penso que é uma questão de menor importância.

A Associação está aberta a todas as Claques e cremos que os Sportinguistas querem é ver o hóquei aparecer e dar-lhes as alegrias das vitórias.

Sejam benvindos, os que vêm por bem e que nos apoiem!

  1. Ouvimos dizer na vossa Festa de Natal que para o ano vai surgir uma equipa de Juniores. É verdade?

É verdade e tal tem a ver com o que está definido no nosso Projecto. A maioria da actual equipa de Juvenis sobe de escalão e serão eles a semente da equipa de Juniores, patamar que nos criará mais responsabilidades e dará também outro alento e vontade de crescer aos escalões mais Jovens.

Esta época tivemos uma equipa de Juniores que “foi oferecida” ao nosso Coordenador Técnico, sem quaisquer encargos para o SCP. A Direcção, com o importante contributo do Coordenador Técnico António Rocha, entendeu que aceitar essa proposta seria desvirtuar o Projecto Original e defraudar um pouco a expectativa da chamada locomotiva do projecto. Apostamos em pessoas que já são Homens. Esta é a prata da casa que conhecemos e que queremos trabalhar. Obviamente que teremos que recorrer, na próxima época, a alguns – poucos – reforços, mas o Coordenador Técnico está atento e alguns deles já foram nossos atletas.

  1. Para quando uma equipa Senior? Muitos não acreditam nesta possibilidade pois parece que o hóquei não é prioridade do Sporting. Essa equipa de Seniores vai ser uma realidade mesmo se não houver nenhuma verba atribuida pelo Sporting?

A equipa de Seniores será uma realidade no contexto do projecto. Teoricamente faltarão 2-3 anos. Neste espaço de tempo as Instituições podem mudar de opinião e pessoalmente sou positivista e acredito que ainda um dia vamos integrar o Universo Sporting. Obviamente que outras responsabilidades se levantam, mas cabe à Direcção da Associação criar as condições para tornar este sonho uma realidade. Teremos que trabalhar bem a “sponsorização”. O nome Sporting é chamativo.

Como já referi, ainda não pedimos dinheiro ao Sporting e não estamos a pensar fazê-lo, uma vez que faz parte do nosso protocolo a independência económica e financeira do nosso Projecto. Uma coisa eu pediria: O PAVILHÃO para pelo menos podermos mostrar aos nossos associados e simpatizantes a Modalidade que eles tanto admiram e que tantas alegrias e vitórias granjeou para o nosso Clube.

  1. Quais as figuras, do passado e do presente, que mais o marcaram no Universo Sportinguista?

Trata-se de uma questão difícil para mim, mas há sempre Nomes que ficam e a História também se faz de alguns que mais se evidenciaram pelo seu Sportinguismo e Feitos. Do passado destaco entre outros Jesus Correia, Manuel Faria, tio da minha mulher - vencedor da São Silvestre há precisamente 50 anos. Ainda Joaquim Agostinho, Toni Bessone Bastos, Carlos Lopes, Vitor Damas, Manuel Fernandes, Pedro Barbosa, Oceano, Rui Jordão, António Livramento e o grande Sportinguista Fernando Adrião. Estes os meus ídolos no meu SCP eclético.

Do presente, como praticantes e Sportinguistas, destaco os meus amigos João Benedito, Bruno Adrião, António Ramalho, Luis Pina. Mudando de página queria também destacar no Futebol os nossos Luis Figo, Cristiano Ronaldo e ainda os jovens atletas da Formação de Futebol do SCP, isto é, todos os valores lançados após a era Boloni, política também prosseguida por Paulo Bento.

  1. Qual o 5 ideal, de sempre, do hóquei leonino?

António Ramalhete, Júlio Rendeiro, João Sobrinho, Chana e Livramento

Dado Fernando Adrião ser o meu ídolo e porque nunca jogou no SCP, ele seria sempre parte integrante da minha equipa, ficando como reforço o meu amigo e colega João Sobrinho.

  1. Qual a pergunta que ficou por fazer?

Quem me atura esta Paixão e me permite tanto tempo ocupado com o Hóquei?

EU RESPONDO:

Graças a muita “pachorra” da minha mulher e dos meus dois filhos. Aproveito-me de um “fraco” que a minha mulher tem: é que ela também gosta do hóquei em patins e sofreu muito com a extinção da equipa na I Divisão, onde tinhamos alguns amigos. E posso dizer que ela consegue ser tão ou mais vibrante que as mães dos nossos jovens atletas ao apoiar “os seus meninos” durante os jogos.

Apoia-me de peito e alma neste projecto que abracei e no qual está tão empenhada quanto eu. Espero continuar a lutar pelo hóquei no nosso SCP, até ela me continuar a apoiar. Estou certo que o fará.

  1. Dirija algumas palavras aos users do Portal Sporting XXI e do Site Centenário Sporting.

Parabéns pelo bom trabalho que desenvolvem a favor de um SCP eclético e mais Universal.

Obrigado pelo apoio que nos têm dado no hóquei em patins realçando os feitos semanais dos nossos rapazes.

Divulguem e façam chegar bem longe a mensagem que vos deixo: O HÓQUEI NÃO VAI ACABAR, NO SPORTING!

Um bom ano de 2007 e prometemos divulgar através de vós todos os êxitos que conseguirmos. Em primeira mão.

Gilberto Dias não pertence ao rol daqueles que preferem adiar para amanhã o que podem fazer hoje. Ou seja, já traçou, com régua e esquadro, a planificação da época vindoura, independentemente da actual ainda não ter fechado as portas.

“Não sei trabalhar de outra maneira. E tenho um horror a tudo quanto seja feito em cima do joelho. Daí, já estar completamente delineada a temporada 2005/06, tanto na componente financeira como na parte desportiva, sendo de referir, na área da competição, a estreia do Sporting no escalão de juvenis. No total, participamos nos campeonatos de jovens com cinco equipas. Uma de infantis A, uma de infantis B, uma de infantis C, uma de iniciados e uma de juvenis. Além de prosseguirmos, como é indispensável, com as juvenis. Além de prosseguirmos, como é indispensável, com as chamadas escolas”, quantifica.

Estrutura técnica

António Rocha, coordenador

A entrada do treinador António Rocha (pai do jovem e promissor hoquista Miguel Rocha), para a estrutura técnica da formação, constitui a principal novidade para a campanha de 2005/2006. O antigo e prestigiado internacional, no entanto, não estará no “banco” mas, sim, na retaguarda, desempenhando as funções de coordenador. O organigrama está assim definido:

Director – Gilberto Dias.
Coordenador – António Rocha.
Treinadores – João Baltazar (iniciados e juvenis), Pedro Pestana (infantis A), Nuno Duarte (infantis B), Ricardo Gomes (infantis C), Pedro Feliz (escolas e técnico de guarda redes).
Seccionistas - Carlos Dias, Hernâni Bastos, Hugo Mesquita, Jorge Paulino, Luís Delgado, Marco, Paulo Rodrigues, Pedro Guedes e Vítor Silva.
Mecânico - Rui Ramalho.

Oportunamente, serão conhecidos os nomes do médico e do massagista.

“Não encontrei solução”

O director da formação bem procurou, a pedido dos jogadores e do Conselho Directivo do Sporting, captar os meios capazes de exterminar tão grave doença, mas as barreiras encontradas foram muitas e, o desinteresse, ainda maior.

Conforme informámos na passada semana, o Conselho Directivo do Sporting comunicou à Federação Portuguesa de Patinagem que, a partir de 20 do corrente mês, o nome do Clube não podia ser utilizado pela equipa sénior, a qual estava envolvida na disputa do Grupo B do Nacional da I Divisão. Decisão justificada não só devido às dificuldades financeiras que assolaram a secção autónoma, mas, também, pela falta de patrocinadores que pudessem assegurar as condições para a sobrevivência da categoria número um da modalidade. Nesta edição voltamos ao assunto. Desta feita, por intermédio de Gilberto Borges, responsável pelo departamento de formação e que tentou por todos os meios - tomou a seu cargo, inclusive, desde o passado dia 11 de Abril, todas as despesas com a actividade do escalão principal – solucionar a crise.

“Antes do mais, toma-se obrigatório dizer que a gestão do hóquei sénior era feita, em regime de autonomia, pela Associação de Hóquei em Patins do Sporting, a qual projectou a presente época no sentido de assegurar a manutenção na I Divisão. O primeiro sinal da crise surge em Fevereiro, quando o plantel questionou a Associação sobre os três meses de subsídio em atraso, enquanto o nome do Sporting aparecia, de forma pejorativa, na comunicação social. Depois, a situação agravou-se em meados de Março, na sequência do despejo do Pavilhão da Escola Secundária da Parede pelo incumprimento financeiro da Associação no tocante ao alugar do recinto, voltando o Sporting a ser referenciado na imprensa em termos poucos abonatórios”, pormenoriza o dirigente, antes de centrar o discurso nos factos mais recentes.

“Porém, o pior estava para vir. E isso aconteceu a 11 de Abril, dia em que os jogadores entraram em autogestão com o presidente da Associação de Hóquei em Patins do Sporting e treinador dos seniores, pedindo, ao mesmo tempo, que os ajudasse na procura de soluções capazes de minimizar a crise há tanto tempo instalada. Entretanto, fui chamado à Direcção do Sporting a fim de prestar alguns esclarecimentos sobre o que se estava a passar, sendo-me também solicitada colaboração para tentar resolver tão gravíssimo problema. Não recusei; contactei diversas firmas, procurei assegurar apoios, mas a impossibilidade de poder garantir a presença do Sporting na I Divisão conjugada com a circunstância de ninguém desejar assumir a responsabilidade das dívidas contraídas pela Associação, tomaram a questão insustentável, levando-me a desistir da missão que me confiada. A partir daqui, foi o Conselho Directivo do Sporting a deliberar”, conclui Gilberto Borges.

Formação e hóquei em linha

Continuidade assegurada

Se o cessar da actividade do escalão sénior é irreversível, o mesmo não acontece com o sector da formação e do hóquei em linha, tanto um como o outro tendo a garantia de continuidade. Quem o diz é Gilberto Borges, o “pai” administrativo dos escalões jovens e que, atempadamente, soube resguardar das convulsões internas um pelouro de capital importância e de assinalado sucesso desportivo.

“É ponto assente que, quer a formação, quer o hóquei em linha não acabam. E a sua manutenção não acarreta quaisquer custos para o Sporting, de acordo, aliás, com o que ficou estipulado no começo da temporada. As verbas provenientes dos patrocínios e a preciosa ajuda dos familiares dos jovens atletas permitem-nos encarar o futuro sem sobressaltos de maior. Situação extensiva ao hóquei em linha, cujos praticantes custeiam as despesas inerentes à competição”, especifica, orgulhoso, o incansável dirigente".

Formação assegurada

"Queremos voltar a fazer do Sporting a melhor escola de hóquei em patins do país. "A afirmação é de Gilberto Borges, que apresentou ontem, no Estádio de Alvalade, o projecto de formação do Hóquei em Patins do clube.

E para alcançar esse objectivo, o director da Associação de Patinagem do Sporting (APS) – grupo de trabalho responsável por todo o projecto - conta com… muita boa vontade da parte dos pais dos atletas e com o altruísmo de algumas pessoas envolvidas: “A gestão da associação é autónoma, feita por sportinguistas e pais dos atletas, com a cooperação de algumas empresas do ramo alimentar, médicos e professores que vão oferecer os seus serviços à Casa do Gaiato, com a qual foi estabelecido um protocolo de colaboração para que o Sporting possa utilizar as suas instalações”, afirma o dirigente leonino.

Desportivamente, Gilberto Borges promete lutar por todos os títulos nos cinco escalões em que o clube vai competir - infantis A, B, C, iniciados e juvenis- e destaca o bom desempenho do ano passado, com a conquista da Taça Nacional de infantis A - que fugia aos leões há 18 anos - e da Taça da Associação de Patinagem de Lisboa pelos iniciados.

COMPONENTE ACADÉMICA

Por outro lado, o director da APS afirma que aquela associação privilegia a componente académica dos pequenos leões, e revela que “os cerca de 70 jovens do clube tiveram no ano passado uma taxa de aproveitamento escolar de 97%”, o que se reflecte em campo, pois “todas as equipas do clube receberam prémios de “Fair Play” na época passada.”

Escalão sénior Regressa se for projecto viável

Com o pesadelo da extinção da equipa sénior no ano passado - à qual o Sporting retirou os direitos desportivos devido às constantes notícias de salários em atraso a jogadores e falta de pagamento do aluguer do Pavilhão da Parede - ainda bem presente na memória de todos, a Associação de Patinagem do Sporting garante que realizará uma "gestão transparente, apresentando regularmente ao Sporting – que não terá quaisquer encargos monetários - a situação financeira e desportiva. "Por outro lado Gilberto Borges não põe de parte o regresso do escalão sénior ao clube de Alvalade: “Quando estes jovens que temos nos escalões de formação ultrapassarem a idade júnior, ou mesmo antes, a associação avaliará as circunstâncias e, se verificarmos que existe a possibilidade de construir um projecto semelhante a este, sem encargos para o Sporting, tentaremos arrancar com o hóquei em patins sénior, uma vez que não faz sentido ter formação se depois não se pode “escoar” os jogadores”, revela o dirigente.

HÓQUEI EM PATINS

CAMADAS JOVENS DO SPORTING SÃO UMA PRIORIDADE

Renascer das cinzas

O Sporting Clube de Portugal, sem equipa sénior para disputar o Campeonato Nacional da I divisão, devido a problemas financeiros que atravessou a época transacta, viu na formação das camadas jovens uma saída para reacender a chama. A modalidade apenas sobrevive por obra e graça de algumas pessoas que gostam de hóquei e que lutam para não deixar que a conquista de troféus passados fique apenas numa longínqua memória.

O director Gilberto Borges é um desses amantes que abraçou o projecto da formação das camadas jovens. É com orgulho e carinho que retrata cada um dos jovens que vestem a camisola verde-e-branca. O hóquei vive financeiramente de ajudas de «amigos» e, especialmente, dos «pais dos miúdos» que integram os vários escalões do Sporting. É nesses escalões que se encontra grande diversidade de estratos sociais, de culturas, ambições, passados, dedicação e amor a uma modalidade que já viu melhores dias no clube de Alvalade. Os treinos e os jogos dos jovens leoninos realizam-se num pavilhão remodelado da Casa do Gaiato, em Santo Antão do Tojal (Loures), com a qual estabeleceram um protocolo por 10 anos.

Ora aqui está uma grande entrevista… espero que apreciem tanto como eu apreciei lê-la :dance: :rotfl: :victory:

É uma entrevista impressionante e que me deixou até algo emocionado. Quando aquela besta do Santana Lopes resolveu acabar com muitas das modalidade amadoras e houve aquele referendo, a referência ao Hoquei nem estava nas hipóteses. Lembro-me que acrescentei à mão as modalidades que não estavam referidas e votei em todas. Eu sei que é voto nulo, mas foi um voto de protesto.
Agradeço muito a este senhor GILBERTO BORGES e aos outros que fazem parte deste projecto ao tentarem garantir que o Sporting continue a ser um clube ecléctico e que se não fossem os títulos das modalidades amadoras não poderíamos gabar-nos de sermos o 2º clube com mais títulos na Europa.
É verdade que o facto de não termos pavilhão ajuda a que os jogos das modalidades de pavilhão não tenham o público que antigamente tinham. Cheguei a assistir a muitos jogos das modalidades de pavilhão quando tinhamos a “nave” no estádio. Desde essa altura, infelizmente, nunca mais assisti a nenhum jogo.
O pavilhão tem de ser feito e tem de ser pertíssimo do estádio. Temos de voltar a ter outras modalidades amadoras.

Podias era colocar a data e de onde tiraste essa entrevista, apesar de estar expresso quem a fez.
Essa entrevista já tem uns largos meses.

De qualquer das formas, foi sem duvida uma boa entrevista ao homem forte do hóquei em patins, um grande Sportinguista que está sempre no estádio a apoiar o clube e tem uma paixão enorme pela modalidade e pelo clube.

tens razao… era para por e esquecime :wink: aqui está

Parabéns a este grande Sportinguista. :clap:

E pela entrevista.

E já agora a parte final acho que está repetida, ou estou a ficar mesmo velho :slight_smile: e já vejo coisas a duplicar.