Futebol Portugues, que futuro?

devido ao mau momento da equipa de futebol, tem havido grande discussao em torno da gestao do nosso clube…

contudo acho que deve ser feita uma discussao paralela que tem a ver com o futebol portugues…

encontrei ha tempos uma tabela esclarecedora de como vamos sobrevivendo em termos futebolisticos… deixei essa tabela noutro topico mas parece que ninguem lhe ligou muito… no entanto deixo-a aqui outra vez:

LIGAS PAISES COMPRAS VENDAS SALDO MOVIMENTADO

  1. Premier League Inglaterra 882.800.000 € 441.700.000 € -441.100.000 € 1.324.500.000 €
  2. Primera Liga Espanha 574.200.000 € 284.640.000 € -289.560.000 € 858.840.000 €
  3. Ligue 1 França 244.400.000 € 339.300.000 € 94.900.000 € 583.700.000 €
  4. Serie A Itália 357.000.000 € 218.600.000 € -138.400.000 € 575.600.000 €
  5. 1.Bundesliga Alemanha 251.500.000 € 148.700.000 € -102.800.000 € 400.200.000 €
  6. Championship League Inglaterra 2ª 120.300.000 € 205.400.000 € 85.100.000 € 325.700.000 €
  7. Eredivisie Holanda 103.300.000 € 164.200.000 € 60.900.000 € 267.500.000 €
  8. Bwin Liga Portugal 62.100.000 € 176.100.000 € 114.000.000 € 238.200.000 €
  9. Russia Premier Liga Rússia 86.500.000 € 69.800.000 € -16.700.000 € 156.300.000 €
  10. Wischa Liga Ucrânia 85.900.000 € 58.200.000 € -27.700.000 € 144.100.000 €

conclusao: o campeonato portugues é o que mais depende da exportacao de jogadores (em termos percentuais é esmagador)… ou seja, andamos a viver acima das nossas possibilidades…

o nosso futebol nao gera receitas…

depois alongo este tema (tinha um texto todo bonito mas das duas ultimas vezes o computador foi abaixo e agora estou sem paciencia para estar a escrever tudo outra vez… depois vou deixando aqui as ideias… aliás deixo aqui os pontos que depois pretendo abordar…)

o que me levou a escrever iniciar este topico foi um anuncio do benfica com os gato fedorento para levar pessoas ao estadio… vi esse anuncio e dei por mim a pensar:“isto é ridiculo… o futebol devia ser um veiculo de publicidade, devia ser suficientemente atraente que levasse a que se apostasse nele como meio de publicidade… a realidade é que é o proprio futebol que precisa de publicidade…”

bem os pontos que vou abordar mais á frente são coisas como: a insustentabilidade do fc porto (está num patamar acima mas as receitas correntes nao lhe permitem la estar e por isso é obrigado a vender alguns dos melhores jogadores todas as epocas…), o facto de os maiores simbolos do Sporting serem jovens como o moutinho ou o veloso (nao ha referencias porque somos obrigados a vender jogadores para manter um nivel minimo de competitividade), o futuro da formacao, o facto de podermos caminhar para o nivel da belgica em termos de clubes se o porto tiver uns azares (assim tipo jardel ou niculae.)…

como gerar receitas?.. a minha ideia passa pela criacao de uma liga iberica ja muito criticada aqui… gostava de saber as vossas ideias acerca do assunto (nao da liga iberica mas de uma possivel solucao para a criacao de maiores receitas)

e nao venham para aqui com tretas como a competencia e outras coisas do genero que isso nao é nada… ou nao ha pessoas competentes na belgica?..

Não passa por uma liga Ibérica (porque aí íamos parar à II divisão da mesma, não duvides), mas sim em fechar a Liga profissional e organizar tipo NBA.

Tetos salariais iguais para todos, minimo de jogadores formados no clube na equipa principal, garantias bancárias ANTES da época começar em como o orçamento vai ser cumprido, rompimento do acordo de televisão existente no momento e em vez de serem os clubes a negociar sozinhos, ser a própria Liga e depois no fim da época distribuir esse dinheiro de acordo com as classificações.
Profissionalização total dos árbitros, com suspensões pesadas em caso de erro grosseiro.
Criação de uma (ou várias) Ligas inter universitárias e liceais, para daqui a uma ou duas épocas começar a haver “Draft” como os norte americanos têm, sendo que os clubes pior classificados tinham prioridade na escolha dos melhores (isto porque nem todos os clubes têm formação, ou academias).

E para já é só… Mesmo assim, num país como este, algo tão simples demoraria uns 20 anos a implementar :inde:

Ainda em relação ao que dizes, o futebol português não corre o risco de se tornar igual ao Belga, porque ao invés destes, em Portugal aposta-se e bem na formação, os Belgas nunca desenvolveram trabalho de fundo nessa área e agora é o que se vê, exemplo contrário é a Suiça, que chegou a bater no fundo, mas pelo menos a nivel de selecções já começa a mostrar alguma evolução, se vão conseguir tornar a sua Liga competitiva QB ou não, só o tempo o dirá…

nao concordo muito com o modelo nba… nao sei bem ao que te referes mas calculo que seja algo 4 divisoes regionais, uma primeira fase onde jogam todos contra todos e uma segunda fase de play offs… se for isto nao concordo muito pois acho que desvirtua aquilo que é um campeonato, ou seja, uma prova de regularidade e em que ganha (normalmente) o melhor ao longo de toda a epoca e nao aquele que num determinado momento da epoca esteja melhor…

na nba é mais equilibrado pois os play-offs nao sao feitos em 2 maos mas sim á melhor de 5 jogos e a final á melhor de 7… em termos futebolisticos é insustentavel pois nao haveria calendario (nem publico… os pavilhoes da nba levam 10 000 ou 20 000 pessoas enquanto os estadios levam 50 000) para tantos jogos… no basketball as equipas podem jogar dia sim dia nao ou de 3 em 3 dias mas esse é um ritmo nao compativel para o futebol pois é um desporto mais desgastante (tal como no rugby nao é compativel com jogos de 4 em 4 dias ao longo de toda uma epoca) e por outro lado obriga a muito maior treino tactico e tecnico… no basketball da nba existe um treino muito intenso a nivel fisico no inicio da epoca mas a partir daí praticamente só jogam…

tambem nao concordo com as ligas universitarias e com o draft… la esta… a realidade europeia é diferente e sao os clubes que formam os jogadores e nao os estou a ver abandonar aquela que para muitos é a unica forma de ter uma equipa minimamente competitiva…

no entanto, é uma ideia… e acho que fazem falta mais ideias para sair deste marasmo… na minha opiniao tem que passar obrigatoriamente por alargar as fronteiras… o futebol portugues de alto nivel vive e esgota-se nos 3 grandes… sao eles que têm a esmagadora maioria dos adeptos e os unicos com mercado e uma competicao nao pode viver de 3 clubes…

vou voltar ao exemplo de espanha… quando la estive (e ja estive em duas zonas completamente diferentes - sevilha e san sebastian) pude ver algo que exemplifica aquilo que é uma verdadeira competicao de futebol enquanto campeonato regular…

em coisas simples, como em supermercados haver ambientadores para automoveis com simbolos de clubes ou nos cereais haverem brindes clubisticos mas nao apenas do barcelona ou do real madrid ou dos clubes da regiao mas sim de pelo menos uns 10 clubes (valencia, atletico de madrid, atletico de bilbao (nao apenas no pais basco mas tambem na andaluzia), villareal, corunha, zaragoza, sevilla, betis para alem do barcelona e do real madrid…)

onde é que em Portugal se encontra merchandising de um vitoria de setubal, de um guimaraes ou de uma academica?..

em inglaterra é a mesma coisa… ja estive em londres e em qualquer loja de desporto se encontra camisolas ou cachecois de praticamente de todas as equipas da primeira liga…

outra situacao simples… a publicidade… quantos jogadores do nosso campeonato aparecem em anuncios de televisao?.. aparece o petit no meio de uns pilotos e mais nada (acho eu…)… é mais uma prova da pobreza que é o nosso futebol… e nao é por falta de dinheiro porque para o figo ou para o cristiano ronaldo há dinheiro… é por falta de interesse…

visto este topico nao estar a ter a participacao que eu pensava que iria ter vou deixar aqui mais umas ideias…

primeiro, a hegemonia do fc porto… acho que é consensual a opiniao de que o porto tem neste momento o melhor plantel do campeonato nacional… contudo esse plantel nao é viavel… o porto esta a viver acima das suas possibilidades… no ano passado o porto esteve em falencia tecnica e para compensar os custos teve que vender jogadores… o mesmo vai acontecer esta epoca… o porto nao vai conseguir manter os seus melhores jogadores todos, é obrigado a vender um ou dois para poder manter os restantes…

enquanto for conseguindo arranjar bons jogadores (esta epoca ja nao foi muito positiva pois dos jogadores contratados nenhum se conseguiu impor…) la se vai mantendo acima dos rivais e fazendo participacoes agradaveis na champions… o problema é se tem uma epoca com alguns azares (tipo jardel e niculae no Sporting…)… aí todo o mecanismo que sustenta a supremacia do fc porto cai, tal como caiu em 99 e so foi recuperada pelo milagre mourinho…

aliado a esta supremacia estao os outros 2 grandes que vao fazendo um grande esforço para se manterem competitivos a nivel interno… Sporting e benfica vao-se pondo em bicos dos pés para chegarem mais perto do porto e tentarem aproveitar algum deslize… em condicoes normais nao chegam la…

depois vem a conversa do passivo… com menos passivo podem-se aguentar os jovens jogadores durante mais tempo…

É MENTIRA!!!

os jogadores jovens vao continuar a sair… querem um exemplo?.. vejam o ajax… nao tem um passivo monstruoso e fartam-se de vender jogadores… porquê?.. porque o campeonato holandes nao gera receitas nem é suficientemente atractivo para os melhores jogadores… ou acham que os adeptos do ajax tambem nao choram por ibrahimovic, snejder ou van der vaart tal como nós choramos por quaresma, nani ou cristiano ronaldo?..

desde a implementacao da lei bosman que o ajax tem vindo a desaparecer do panorama futebolistico europeu… tal como o futebol holandes… com excepcao do psv que la se vai aguentando e de um ou outro ano com o alkmar, assim tipo boavista do jaime pacheco, o futebol holandes perdeu a força que tinha…

a constante venda de jogadores acaba com aquilo que devia ser um clube de futebol… mais que um estadio, que um simbolo, que este ou aquele jogador ou treinador, um clube de futebol deve ter uma alma, ter um espirito proprio, uma identificacao com os adeptos… basta olhar para o Sporting actual e vemos que nao temos isso… temos um ou outro momento positivo mas nao ha identificacao…
e como é que isso se faz?.. manter os jovens jogadores durante nuito tempo, ter referencias no plantel, criar uma ligacao adeptos - jogadores…
mas olhamos para o actual plantel e vemos que a principal referencia é um miudo de 21 anos que de vez em quando é mal tratado pelos adeptos e com alguns a dizer que devia ser vendido…

jogadores como o moutinho, o miguel veloso, o adrien, o pereirinha, o rui patricio ou o carriço nunca deviam sair do Sporting… neste momento é impossivel…

solucao para contrariar isto ha?.. é importante pensar nisto?..

se calhar nao…

é mais importante malhar em tudo e em todos… discutir se o paulo bento é burro e mauzao ou nao, se o stoj tem razao ou, que o fsf so dedica uma hora ao clube, ou o que fazer ao ronny…

voces la sabem.

Não concordo nada com o modelo NBA - e não é por não achar grande piada ao basquetbol. Acho particularmente desajustado à realidade portuguesa o modelo draft - se há coisa que não me parece que se faça mal em Portugal é a formação de jovens jogadores. If it ain’t broke, don’t fix it.

Por outro lado, ao contrário dos EUA, o desporto escolar nunca teve grande força em Portugal. Em vez disso, foram sempre os clubes e as competições interclubes o bastião da promoção do desporto jovem nas comunidades e o centro da sua organização. Não vejo vantagem nenhuma em deitar isso fora. Aliás, a tendência actual é mesmo para expandir os acordos entre escolas e clubes locais para promover a prática desportiva dos estudantes - isto é dissolver o desporto escolar no desporto associativo - e não o contrário.

Também fechar a liga me parece um tiro no pé. Recepções aos grandes à parte, as grandes enchentes em estádios em portugal são nas lutas pelas promoções e despromoções. Abdicar disto não faz sentido nenhum. Uma liga fechada só ia criar mais desinteresse nos clubes além dos três grandes - uns porque deixavam de ter qualquer coisa porque lutar, outros porque ficavam sem hipóteses de chegar ao topo.

Nota que por discordar totalmente da solução, não quer dizer que não partilhe de boa parte do diagnóstico. Para mim, há dois problemas fundamentais no futebol português:

  • Debelidade financeira
  • Fraca competitividade

A debilidade financeira tem causas óbvias. A explosão das transmissões televisivas destruiu os rituais de ida aos estádios e fez com que as receitas de bilheteira caissem a pique. Mais ainda, num dos movimentos mais irracionais da história da economia, os clubes responderam à fuga de público não com a redução do preço dos bilhetes - tentando assim captar novos públicos ou segurar os desertores - mas aumentando-os - procurando compensar a perda de receita cobrando mais aos resistentes. Por azar, exactamente, ao mesmo tempo, deu-se o caso a lei Bosman fez saltar os salários. Esta mistura é um cocktail letal para os clubes mais fracos e já custou a “vida” de clubes históricos como o Farense ou o Salgueiros.

Quanto à fraca competitividade, a lei Bosman também tem culpas no cartório. A nível europeu, permitiu a concentração de talento num número muito reduzido de clubes. A nível nacional, levou mais tempo, mas hoje sente-se agora de forma aguda, com os jogadores “jeitosos-mas-não-suficientes-para-um-grande” que eram o suporte das equipas de média dimensão a preferirem ir jogar para campeonatos obscuros como a Roménia, a Bulgária ou o Chipre. Nós tememos que o Sevilha nos leve o Liedson; um adepto do Guimarães ou do Belenenses tem que o seu craque seja levado pelo Cluj ou pelo APOEL Nicósia - mas o problema é o mesmo.

Soluções?

Há coisas que estão fora do nosso alcance. A overdose televisiva de futebol veio para ficar e a lei Bosman - na versão actual ou agravada pelo caso Webster - também. Os rituais de ida à bola - que ainda subsistem em relíquias como a final da Taça de Portugal - não serão facilmente reconstruídas. O velho equilíbrio entre salários e receitas baseadas na bilheteira não voltará tão cedo. Por outro lado, tectos salariais - mesmo que sejam legais - só funcionarão se forem aplicados em toda a Europa. Senão, só agravarão o problema da fuga de jogadores “jeitosos” para campeonatos obscuros. Também as garantias bancárias já se revelaram no passado como um instrumento pouco eficaz: ninguém teve a coragem de despromover o Benfica quando os lamps falharam essa entrega algures no final da década de 90, por exemplo. E não é um caso de “só neste país!”: em Espanha, também essa regra foi mudada quando em 95 ou 96 nem o Celta nem o Sevilha a conseguiram cumprir.

Mas há outras coisas que se podem fazer e que podem promover tanto a saúde financeira dos clubes como o equilibro competitivo.

  • Viragem da estrutura de receitas para os prémios de presença e para o prize-money. Os clubes continuariam a ter receitas próprias de bilheteira, cativos, merchandising, doações, etc. Mas igualmente ou mais importantes que as receitas seriam as receitas geradas centralmente pela Liga: TV e Patrocinadores. A Liga conseguiu garantir 1 milhão de euros para o vencedor da Taça da Liga; isto quer dizer que, em apenas 7 jogos, o Vitória de Setúbal cobriu metade do seu orçamento para a época. Isto é um exemplo a seguir. Claro que não temos condições para angariar os rios de dinheiro ingleses ou espanhóis; mas acho que, com uma negociação arguta, a Liga tem condições para garantir um limiar de subsistência mínimo para todos clubes da Primeira Divisão (e tb da Segunda). Por sua vez, o prize-money será menos importante no campeonato - já que, para os clubes de topo, a recompensa de ir às competições europeias. Mas é fundamental nas Taças - e aqui uma chamada de atenção para a Taça de Portugal, que precisa urgentemente de um esquema de prize-money. A FPF tem nela uma mina e votou-a ao abandono.

  • Criação de um modelo competitivo mais apelativo. Novamente há esperança: a Taça da Liga foi um belo pontapé na modorra e a reorganização da II Divisão B em três fases (regular, título/despromoção e promoção à Honra) parece-me uma experiência interessante. É preciso mais jogos que decidam alguma coisa - seja para o título, seja para a Europa, seja para a despromoção, seja para a Taça de Honra da Associação de Futebol de Beja. Sempre disse e mantenho que quem vê no declínio das assistências um problema de qualidade jogo praticado está muito enganado; o que faz as pessoas irem aos jogos é a emoção. Com a emoção vêm as receitas de patrocinadores, TV, bilheteira, etc. Ora a emoção vive bem sem qualidade - mas precisa desesperadamente que haja qualquer coisa em jogo. Os jogos para cumprir calendário deveriam ser o inimigo número 1 da Liga quando pensasse na alteração do modelo competitivo.

  • Estabelecimento de um limite baixo de jogadores com os quais os clube podem manter ou assinar contrato em cada época desportiva (algures à volta dos 25 + sub-23 formados no clube). Esta medida parece-me bem mais eficaz que os tectos salariaias para (a) evitar a concentração de jogadores e promover um maior equilíbrio; (b) aliviar um pouco a pressão de inflação dos salários; e © contrariar a tendência para as compras de pânico e negociatas com empresários, já que seria necessário muito mais cuidado na prospecção de jogadores e as decisões de contratação teriam de ser muito mais ponderadas. Se comprou um Tiuí ou um Purovic, azar: queimou uma vaga e tem de se aguentar à bronca até ao fim da época.

O que e’ que os espanhois ganhavam com isso? Eles nao precisam da gente por isso nunca vai dar. A unica hipotese era haver uma liga com varios paises como Holanda, Belgica e Escocia, aumentavamos o numero de espectadores na TV (e e’ isso que conta) e ai ja’ podiamos ter um futebol mais atractivo. Os paises nordicos nao servem porque param no inverno por isso se juntar-se mais algum pais tinha que ser a Grecia ou Turquia (nao os 2). :beer:

Tópico muito interessante embora abarque uma enormidade de situações pelo que é difícil participar sem escrever um longo missal que poucos vão ler, mas mesmo assim vou tentar tocar nos pontos mais importantes.

A integração das equipas portuguesas numa liga ibérica é um caso que não se coloca em primeiro lugar porque os espanhóis nunca estariam interessados nisso e depois porque aos portugueses não traria grandes vantagens, antes pelo contrário.

Acho que no futuro será inevitável o aparecimento duma Liga Europeia onde não vai ser fácil aos clubes portugueses entrarem, e simultaneamente poderão aparecer outras Ligas abarcando países da segunda linha ou do leste, mas não sei até que ponto poderão ser suficientemente interessantes.

A reformulação do futebol português para mim é um factor fundamental. Esta redução para 16 foi uma palhaçada que já se sabia não dava nada. Penso que um sistema com 12 Clubes a duas fases que permitiria a duplicação dos clássicos e aumentaria significativamente a competitividade da nossa Liga seria a melhor solução. Simultaneamente urge acabar com a 2ª e a 3ª Divisão tal como existem e reduzir aquilo a campeonatos regionais. Sou sócio dum clube que anda nestas divisões há 30 anos sustentado pelo Governo Regional e hoje está afogado com um passivo de 4,5 milhões de Euros. Este futebol que faz de contas que é profissional não é financeiramente viável e só serve para iludir alguns jovens jogadores e alimentar os do costume.

Outra coisa que ainda não se falou mas que para mim é fundamental é dar uma volta nas regras do futebol que são praticamente iguais há 100 anos.

Parece-me evidente que o futebol necessita urgentemente de alterações que lhe dêem outra credibilidade que no entanto terão de ir muito mais para além de simples retoques, sendo que a introdução dos meios audiovisuais como auxilio para os árbitros são fundamentais, de tal forma que nesta altura seria muito simples acabar com as questões à volta de lances tão polémicos como sejam os foras de jogo ou as bolas que estão dentro ou fora, para tal bastaria haver um árbitro fora do campo que só daria indicação ao árbitro principal para interromper o jogo quando tivesse a certeza que tinha havido um fora de jogo ou que uma bola tinha ultrapassado as quatro linhas que delimitam o terreno do jogo. Assim poder-se-ia suprimir os actuais fiscais de linha e introduzir um segundo árbitro de campo de forma a acompanhar mais de perto um jogo que precisa de ter menos paragens, situação que pode ser resolvida em parte com a introdução tempo útil de jogo em que o cronometro pararia sempre que tivessem lugar substituições, entradas das equipas médicas em campo ou outras interrupções forçadas.

Outra coisa que eu nunca compreendi são as paragens do jogo para a formação de barreiras na marcação de livres, não há nada na lei que preveja esta situação que não faz qualquer sentido, na minha opinião quando um árbitro marca uma falta os jogadores da equipa que beneficia dela devem estar imediatamente autorizados a cobra-la enquanto os jogadores da equipa adversaria devem imediatamente colocar-se à distância regulamentar. Quanto muito poderiam ter alguns segundos de tolerância de forma a permitir que o árbitro marcasse a distância com o giz electrónico que já se utilizou no Brasil, sem prejuízo do direito da equipa que tinha a posse de bola tê-la posto em jogo antes.

Uma coisa que eu nunca compreendi foi a relutância de alguns em relação ao chamado “Golo de Ouro” que me parece não só a solução mais justa e adequada aos desempates como até uma ideia com raízes da essência do jogo no seu estado mais puro. Qual de vocês é que quando jogava à bola na escola ou mesmo na rua para aqueles desse tempo, é que disputaram jogos que acabavam com o “quem marcar ganha”. Um jogo tem 90 minutos, se fica empatado e o objectivo é desempatar acho da mais elementar justiça que termine mal aconteça um golo, não fazendo qualquer sentido que haja um prolongamento de 30 minutos onde se desempata para depois se poder voltar a empatar e recorrer aos injustos penaltis.

Outra medida interessante na minha opinião principalmente num campeonato como o nosso onde os treinadores são muito elogiados pelas suas capacidades tácticas, mas que na pratica só sabem a organizar muito bem as suas equipas na defesa e apostar no contra-ataque, o que torna o nosso futebol chato, ora isso acabaria se o empate sem golos equivalesse a zero ponto, o que até seria justo pois hoje as equipas entram em campo com um ponto sem que nada tenham feito por ele e muitas delas a única coisa que sabem fazer é defende-lo.

Bom já me estiquei muito, por isso fico por aqui

Gostei muito do teu post to-mane.

Como näo pretendo estar a discutir todas as ideias que lancaste, fico-me pela do quote - acho que esta alteracäo seria excelente:

  • Derrota - 0 pontos
  • Empate Sem Golos - 0 pontos
  • Empate Com Golos - 1 ponto
  • Vitória - 3 pontos

Acabavam-se os esquemas puramente defensivos dos autocarros bem organizados (táctica à la Jesus) e aí sim teríamos espectáculos a sério.

O nosso futebol nunca foi o melhor, nem o pior, e assim vai continuar!

Derrota 0 pontos
Empate sem golos 1 ponto
Empate com golos 2 pontos
Vitória 4 pontos

Dar zero pontos a um empate sem golos seria injusto em boa parte dos casos. Embora fosse justíssimo para as equipas que só defendem, então e os respectivos adversários (que por ordem de ideias, só atacaram), seria justo levarem também com zero pontos ?

Mas é que dando 0 pontos por empate sem golos, näo existem à partida equipas que só defendam, percebes? Empatado a zero é idêntico a perdido, portanto, só há um caminho que é atacar para marcar.

Assistimos muitas vezes a jogos em que um dos clubes é obrigado a marcar golo(s) e, no entanto, passam o jogo todo a defender até que chegam aos 80-85 minutos e aí tentam desesperadamente atacar um pouco mais.

Exemplo:

Sporting-Bolton

Exemplo:

Sporting-Setúbal (final da Taça da Liga, ambas as equipas jogaram para o 0-0, sabendo que isso poderia custar a vitória na competição)

Nao era mais simples fazer a Japonesa e acabar com os empates? Fim do jogo empatado, penalties e ta feito.

Mas jogos de eliminatórias é diferente… estou a falar em jogos de Campeonato.

A ideia de zero pontos por empate sem golos é excelente, porque muda o próprio conceito do jogo… quando este se inicia, as equipas TÊM de fazer pela vida, TÊM de ganhar os pontos. O que se passa actualmente é que uma equipa tem já um ponto só pela comparência no jogo e pode conseguir mantê-lo, sem que para isso tenha de cumprir o objectivo número 1 de um jogo de futebol, que é marcar golos para vencer o jogo.

O sistema que defendes de 1 ponto por empate sem golos e 2 pontos por empate com golos daria origem a enormes fraudes, porque as equipas podiam jogar 85 minutos e, vendo que aquilo näo ia desatar, deixavam cada uma sofrer um golo só para poderem ter mais uns pontinhos.

Isso também era possível, mas parece-me que é demasiado radical para a tradicäo centenária do futebol.

Os dois pontos principais, quanto a mim, passam por descobrir uma forma de ludibriar a Lei Bosman e conseguir-se voltar a impôr um limite de estrangeiros… só desta forma clubes históricos mas que por azar têm um mercado muito mais pequeno (como no caso português e holandês, por exemplo) poderão voltar a competir com os colossos europeus.

O que me parece é que esta situação não é do interesse de quem a pode alterar, a força destes poucos clubes começa a ser grande demais mesmo para ser controlada pela UEFA, sendo que ela própria também está muito confortável com o actual statu quo.

A mudança das regras era para ontem, não se admite que o desporto mais famoso, mais praticado e que move a quantidade de dinheiro que move hoje em dia ainda continue com as mesmas regras de há 100 anos atrás, enquanto praticamente tudo à sua volta foi radicalmente alterado.
Ao não mudarem as regras e pensando que estão a preservar a essência original do jogo, estão a fazer exactamente o contrário e a afastá-lo cada vez mais do que de facto deveria ser… as regras que regiam um grupo de marmanjos que se juntava ao fim de semana, jogava só pelo amor à camisola que vestiam e pouco mais não podem ser as mesmas que regem jogadores profissionais e competições que movimentam quantias astronómicas.

Entre elas, as que vejo mais urgentes seriam:

  • Duração do jogo controlada por cronómetro, com paragem da contagem do tempo em caso de interrupção. Esta de tão óbvia que é até chateia que ainda não esteja implementada. E não me venham dizer que o problema do ‘fazer tempo’ é só no campeonato português porque todos sabemos que não é assim, vê-se o mesmo no inglês, no espanhol, na LC, etc, etc, etc.
    Acabavam-se as ronhas, as lesões simuladas, os GR a demorarem eternidades nos pontapés de baliza, os jogadores que sabem que vão ser substituidos a deslocarem-se para o extremo oposto do campo e depois a sairem a passo, etc, etc, etc.
    Meia hora ou 25 minutos para cada parte e uma mesa com o quarto árbitro e um delegado de cada clube, à imagem de muitos outros desportos, sendo que a contagem do tempo de jogo ficaria à responsabilidade desta mesa.

  • 0 golos, zero pontos. A essência do jogo são os golos e como tal se não há golos não há pontos.

  • Cartão de expulsão temporária. Para aquelas faltas que ficam entre o vermelho e o amarelo, ou que ficam mesmo à beira de justificar o segundo amarelo, um cartão de expulsão durante 10 minutos que só pode ser aplicado uma vez, sendo que se o jogador tornar a reincidir levará cartão vermelho.

  • Limite de faltas para expulsão efectiva. Deveria haver um limite máximo de faltas que um jogador só poderia fazer durante um jogo, sendo que se fosse atingido esse limite seria expulso fossem as faltas pequenas ou grandes.

Depois, há outras alterações que eu penso que beneficiariam o espectáculo, mas que não são fundamentais e que de alguma forma até modificariam demasiado o próprio jogo, apesar de o tornarem mais espectacular, a meu ver:

  • Foras marcados com o pé.
  • Limite geral de faltas por cada meio tempo, que quando ultrapassado seria castigado com um livre sem barreira na linha da meia lua.
  • Linha de antijogo no meio campo, ao estilo do hóquei.
  • Fim da lei do fora de jogo, se lá está um jogador na mama então que fique lá um defesa com ele.

Acho que muita coisa deveria e poderia ser feita, duvido é que isso seja do interesse de quem manda…

Não tinha pensado nesse ponto, mas tens razão. Poderia levar a fraudes desse género.

Se bem que uma das equipas tinha que “facilitar” primeiro e depois não teria a garantia que a outra equipa facilitaria a seguir… ;D

Por isso até bem vistas as coisas, essa fraude seria difícil de acontecer.

Mas concordo que empate a zero golos deveria dar zero pontos, mesmo tendo em conta a injustiça para as equipas que apenas por mero azar não conseguiram marcar nos 90 minutos.

a mim parece-me que o primeiro passo a seguir seria acabar com os jogos empatados, tal como já foi referido, mas não da forma como o referiram.
a solução para este caso seria uma classificação ordenada não por numero de pontos mas em percentagem de vitorias como se faz no basquetebol por exemplo. a implementação da regra do golo de ouro também me parece muito válida uma vez que ou as equipas marcam no tempo regulamentar ou sujeita-se a tempo extra, tendo também ai que fazer pela vida para marcar um golo.
este parece-me um primeiro passo e o mais importante para atrair mais gente ao estádio. isto porque obrigaria as equipas a jogar para marcar e por isso os índices de espectacularidade aumentariam e este factor é o mais importante para atrair publico. o setubal esta época tem sempre boas casa porque a sua equipa pratica um futebol agradável e esta a ganhar, logo mais gente no estádio.

Nunca tinha pensado nisso.

Empate sem golos 0 pontos, é uma excelente ideia. Acabava com equipas totalmente defensivas, acabava com tacticas que desgraçam o futebol. Qualquer equipa que entre em campo sabe que não pode jogar para o 0-0, sabe que é o mesmo que uma derrota. Para se fazer pontos tem de se marcar golos, tem toda a lógica, faz todo o sentido ser assim. Jogar com uma equipa que quer marcar golos é totalmente diferente, é bom para o espectáculo ou seja é bom para todos nós que gostamos de futebol.

Muito boa ideia!!! :great:

Totalmente em desacordo com essa regra, já viram quem era os mais prejudicados? Boavista 6 empates a zero, benfica 5 e Braga 4.

Como um certo “sportinguista” disse num passado recente: “Queremos um Benfica forte para ter um Sporting ainda mais forte”. Já viram onde é que a gente estava se o benfica tivesse menos 6 pontos? Provavelmente estaríamos a lutar pela manutenção! :inde: