FSF em mega-entrevista

(no seu órgão de campanha oficial)

Ainda não li mas fica cá já a transcrição:

[b]“O Sporting é o clube com melhor estratégia a médio e longo prazo”[/b]

Em quase duas horas, o entrevistado Filipe Soares Franco percorreu o Sporting de uma ponta à outra, situando o presente e projectando o futuro do clube. Alienado o património, o presidente leonino anuncia a capitalização da SAD para reduzir o passivo para 150 milhões de euros – o seu cavalo de batalha
Consumada na segunda-feira, após escrituração de contrato, a venda de património imobiliário não desportivo do Sporting rendeu 50 milhões de euros. Este encaixe, de acordo com a política de governação adoptada por Filipe Soares Franco, configura a primeira grande tesourada num passivo que, com os milhões a haver da MDC – pela exploração dos terrenos do antigo estádio –, diminuirá de 270 para 200 milhões de euros. A segunda – e próxima – grande medida para, em Junho deste ano, situar o endividamento em 150 milhões será concretizada com a alienação de capital da SAD. Quando a dieta estiver terminada, o clube, defende o seu presidente, nesta entrevista de fundo a O JOGO, estará estável e em condições de melhorar a capacidade de investimento para alargar horizontes no futebol profissional. Na actividade de referência, as linhas orientadoras, apesar dos (ainda) subsistentes traumas financeiros, são sublinhadas com garra por um homem que faz jus ao apelido: hoje em dia, com uma aposta estratégica ainda mais vincada na formação – que aguarda pelo equilíbrio financeiro do clube para ter um complemento a sério –, será (ou seria) impensável abrir mão de um talento que não esteja consolidado no mercado internacional. Percebe-se porquê: em Agosto de 2003, numa fase em que se começava a fixar no onze leonino, Cristiano Ronaldo saiu, para o Manchester United, por 15 milhões de euros – um balúrdio que, pela afirmação do jogador, se tornou irrisório. E o miúdo deixou saudades…

PERGUNTA | É crítica recorrente nalguns sectores do universo leonino: a actividade de referência do Sporting não é devidamente pensada e gerida. Afinal, o futebol profissional tem ou não uma identidade? Vive ou não de acordo com uma política bem definida?
RESPOSTA | O clube não só tem identidade, como tem uma estratégia própria. Dizer-se o contrário é uma tremenda asneira. Aliás, olhando para o panorama do futebol nacional, o Sporting é quem tem uma estratégia melhor definida a médio e longo prazo – e não é de hoje, é muito anterior à minha presidência. É aí que entra a aposta na formação. O clube não pode ultrapassar um “x” de despesa salarial na sua equipa de futebol profissional, e isso só se consegue tendo, no plantel, um conjunto significativo de jogadores – que pode variar entre 40 e 70 por cento – oriundos das camadas jovens. Para isso, fizemos a Academia, investimos na formação e prospecção, criámos escolas de jogadores, etc. Com esta política, temos talentos a baixo custo e, depois, podemos realizar mais-valias substantivas se, um dia, os vendermos, quando eles tiverem entre 20 e 23 anos. Esta estratégia custa-nos perto de 1,5 milhões de euros por ano.

P | É muito?
R | Só não o é no futebol, porque, em qualquer outra actividade empresarial ou pessoal, é muito, muito dinheiro. Como dirigentes, temos de ter a sensibilidade de perceber que também no futebol é muito dinheiro.

P | Uma aquisição sonante pode sair muito mais cara…
R | Mas é um investimento e, como tal, tem tempo de amortização. Quando falo de 1,5 milhões de euros de custos com a formação, falo do resultado de um ano. Multiplicado por quatro ou cinco anos, dá seis ou sete milhões e meio. Portanto, é preciso ter isto na justa medida do seu peso. E o importante é que o Sporting tem de ganhar dinheiro. Nenhuma empresa consegue investir se não tiver fluxos de caixa positivos. E é isto que, em termos empresariais, tem de ser percebido: o futebol português só dará um salto qualitativo se tiver fluxos de caixa positivos e se puder investir – e, com isso, crescer. Se perder dinheiro, obviamente não terá capacidade de investimento, não poderá ser bom, e os talentos sairão todos de Portugal. O que nós queremos, no entanto, é que eles fiquem cá, para que o espectáculo seja cada vez melhor. Só sendo melhor é que poderá ter mais assistências, e só assim valerá mais dinheiro e poderá crescer. A cultura empresarial tem de ser psicologicamente aceite pelos dirigentes do nosso futebol.

P | Há uns meses, disse que Moutinho e Nani eram jogadores absolutamente inegociáveis…
R | E são.

P | São e continuarão a ser?
R | Não. O que disse aos sportinguistas, quando me candidatei, é que o clube não venderia património desportivo durante um ano. Nenhum talento estava devidamente consolidado no mercado internacional. Assim que isso for uma realidade, haverá uma relação de binómio entre aquilo que o Sporting pode pagar e a mais-valia que pode receber, a qual joga em favor de se vender, ou não, um talento. Não só pelo clube, como também pela vida profissional do jogador. Quando o começa a formar, o Sporting tem o dever de dar a oportunidade para o jogador se realizar como profissional. Se não puder comportar a despesa de conservar um talento, e se ele tiver procura no mercado internacional para melhorar a sua vida, e se disso resultar um bom encaixe, o Sporting tem o dever de o saber libertar, mas atenção: desde que ele não signifique uma perda irreparável – numa avaliação compartilhada por administração da SAD e equipa técnica –, pois, se assim for, o Sporting terá a obrigação de o preservar, porque fez um investimento na sua formação.

P | João Moutinho é “o” talento consolidado?
R | Essa não é a minha opinião – e também não é a da equipa técnica. Há mais talentos consolidados. Quando falo na qualidade de presidente, gosto de olhar para todos e não apenas para as partes.

“Em Março daremos início à campanha dos 150 milhões”

P | Alienado que está o “pacote” de património não afecto à prática desportiva, o Sporting está em condições de rasgar um caminho diferente na sua história?
R | De certeza que sim. Facturando, num ano normal, 55 milhões de euros e tendo, de custos, 42 milhões de euros – ou seja, um resultado operacional de caixa de 13 milhões de euros –, o Sporting pode enfrentar uma dívida de 150 milhões de euros. Mas, como deve 270 milhões de euros, tem de baixar o endividamento em 120. E como se faz isto? Primeiro, manifestando a vontade de reduzir, vendendo património, o que leva a que a dívida passe de 270 para 220 – não esquecendo, porém, o défice de tesouraria que tem de ser coberto. Depois, o Sporting tem a receber, da MDC, alguns milhões de euros, uns para encaixar já, outros que até se podem, eventualmente, antecipar. Assim, o clube baixará a dívida para 200 milhões de euros. Para dever 150, terá de recapitalizar a SAD em 50 milhões de euros. E esta é a próxima etapa: demonstrar que vamos chegar a um endividamento de 200 milhões, para depois procedermos àquela operação na SAD, com novos accionistas, aumento de capital, e integrando, na empresa, um conjunto de activos que o Sporting tem – e, com isso, chegar aos 150 milhões de euros. Este montante, a cinco por cento de taxa de juro – é o que espero conseguir para o Sporting, embora a actual taxa se cifre em seis por cento –, representa 7,5 milhões de euros de juros por ano que o clube paga. Para 13 milhões de resultado, sobram seis, que servem para se amortizar o passivo ao longo de 20 ou 25 anos. Ou seja, a partir daí, o clube fica com uma vida financeira tranquila.

P | O seu objectivo passava por atingir esse patamar já em Junho deste ano?..
R | Sim, espero que assim seja. Até Março, conto demonstrar, aos parceiros financeiros do Sporting, que é possível chegar aos 150 milhões de dívida e, de Março até Junho, pretendo pôr o clube nesses mesmos 150 milhões.

P | Pelas suas contas, pretende encaixar 50 milhões com a alienação de capital da SAD, a próxima medida forte da sua estratégia para emagrecer o passivo…
R | Temos de ir por fases. Ninguém acredita em nenhuma instituição se não forem dados factores de prova. Passar de 270 para 200 milhões era um passo fundamental. Para isso era importante vender o património e concretizar os projectos de viabilidade da MDC, que é o que estamos em vias de fazer. O meu objectivo é, até Março, provar ao sistema financeiro que, na prática, devemos 200 milhões. A partir, temos de arrancar para a campanha dos 150 milhões.

“Nenhum presidente deseja vender património”

P | Com a alienação de cinco fracções do Complexo Alvalade XXI, o Sporting garantiu 50 milhões de euros. Era a sua expectativa mínima…
R | Sim… Uma coisa é uma estimativa, outra é a concretização, na qual tem interferência o factor negocial. Se não for 50, mas se for 49,9 ou 50,2, não vem mal nenhum ao mundo.

P | Alguns dos oposicionistas da sua governação alegaram que, subtraindo os custos das comissões imobiliárias, o Sporting nem 50 milhões de euros facturava…
R | O valor de caixa é 50 milhões! Estou de consciência tranquila, porque sei que, nestas circunstâncias, não era possível fazer melhor. Não conheço ninguém da oposição que me demonstre que o Sporting consegue viver com um passivo de 270, 220, 200 ou 180 milhões de euros. Ninguém! Até hoje, não houve qualquer proposta alternativa que me demonstrasse que o Sporting era viável com esse montante de endividamento. Se houvesse, e se eu acreditasse nela, não tinha dúvida em não vender o património. Nenhum presidente do Sporting gosta de vender património.

P | Foi adicionada uma quinta fracção ao pacote negociado com o consórcio SILCOGE e Deutsche Bank Real Estate…
R | Isso foi um pormenor. Como a Secretaria tinha uma relação operacional com o edifício-sede, era necessária a sua alienação, por causa de licenças e de processos administrativos que o Sporting tem com a Câmara. O valor estimado para a venda dessa parcela está directamente relacionado com a renda que o clube quer pagar por ela, porque vai ser o utilizador. Utilizar isso como contestação não tem relevância.

“A oportunidade de negócio tem de ser definida por nós”

P | Está a trabalhar para romper com o constrangimento que obrigava a SAD a realizar, todos os anos, um mínimo de 5,5 milhões de euros de mais-valias?
R | A obrigatoriedade de vender pode levar à delapidação do património desportivo. Portanto, a oportunidade de venda terá de depender dos critérios da administração e da sua equipa técnica. Importante é haver uma regra interna que, sempre que vendermos activos, nos leve a destinar determinada percentagem à amortização da dívida bancária.

P | E o dito constrangimento financeiro?..
R | Estamos a procurar ultrapassá-lo.

P | Quando?
R | Acredito que em Março, mas, por prudência, direi até Junho.

“Academia e estádio na SAD fazem sentido"

P | No domínio da gestão do património imobiliário, o próximo passo será vender o Estádio José Alvalade?
R | Nunca disse que ia vender o estádio.

P | Mas admite fazê-lo?
R | Não, o que quero é consolidar o património do Sporting na sociedade que o pode pagar. Ou seja, o clube é o total detentor da propriedade da Academia, que só é útil à SAD. Assim sendo, faria muito mais sentido ela pertencer a esta empresa – tal como o estádio – do que pertencer ao clube. Até por uma questão de fluxos financeiros, porque a SAD, sendo o utilizador, é obrigada a pagar ao clube. Isto tem também a ver com a questão fiscal, se o Sporting é passivo ou activo em termos de fiscalidade. Faria muito mais sentido tudo estar integrado num único utilizador, mas esta é uma questão sobre a qual o Conselho Directivo terá de se pronunciar.

P | Reflectem sobre isso?
R | Sim, mas não tem a ver com decisão. E ninguém vai decidir contra a alma dos sportinguistas, e também ninguém levará a mal se ela decidir em contrário. Uma coisa é uma linha de raciocínio empresarial, outra é sentirmos a alma sportinguista e percebermos se há tempo, espaço e oportunidade para fazer um conjunto de operações, mas isso não é alienar. É preciso distinguir entre vender a um terceiro ou fazê-lo para dentro de casa. No fundo, servirá para optimizar a conta do Sporting em termos fiscais, de receitas e despesas.

P | Já pensou em vender os direitos de denominação do estádio?
R | Para se ter uma equipa altamente competitiva, é preciso ter capital e concentrá-lo onde deve ser utilizado – e, para isso, é necessário ter parceiros. Se se descobrem fontes, num país pequeno como este, para optimizar as receitas, se calhar vale a pena pensar nisso. Só sou o presidente, não sou o dono do Sporting. Farei sempre o que os sportinguistas quiserem. No dia em que entrarem em choque comigo, não serei mais presidente. Se eles, um dia, entenderem que vale a pena vender os direitos de imagem do estádio, porque não enfrentar essa realidade e ver se vale a pena realizar esse negócio? Essa questão, neste momento, não é um projecto.

“Admito a importância de ter 51% do capital"

P | Já existem negociações tendo em vista a angariação de parceiros para a dissolução do capital da SAD?
R | Há conversas, uma certa prospecção de mercado para perceber se os nossos objectivos são materializáveis – e estamos convencidos de que sim.

P | Os nomes estão em segredo?
R | Só se pode revelar a verdade quando as coisas estão concretizadas. Das incertezas não se fala, porque é mau para o Sporting e para o parceiro.

P | Que percentagem de capital deverá o Sporting conservar?
R | Para controlar uma sociedade, é preciso ter 51 por cento, esse é o princípio básico da maioria. Numa sociedade cotada em bolsa, o importante é assegurar a maioria nas assembleias gerais. A prática empresarial demonstra que não é necessário ter 51 por cento do capital para controlar 51 por cento das assembleias, porque há muitos accionistas que, confiando no sócio maioritário, não participam nelas. Ou seja, o Sporting não tem necessariamente de ter 51 por cento da SAD para a dominar, mas admito que, por uma questão psicológica, seja importante ter 51 por cento. É uma espécie de segurança psicológica, nada mais. Apenas aceitaríamos ter uma maioria qualificada se fosse essa a vontade dos sócios.

“Futebol profissional não pode gastar mais de 20 milhões”

P | No plantel de futebol profissional, será mantido o tecto salarial de 75 mil euros/mês?
R | O problema é que o clube não pode – não deve – gastar mais de 20 milhões de euros por ano com o futebol profissional. Só se pode ultrapassar essa verba se tivermos garantido receitas que permitam colmatar a diferença. O tecto salarial é mais difícil de estabelecer, porque um jogador de grande rendibilidade vale muito dinheiro. É preciso não sermos absolutistas ou sectários em relação a isso. Uma coisa é ter equidade e justiça no tecto salarial, outra é saber marcar a diferença.

“Em 2007/08, queremos ter sempre casa cheia”

P | Venderam praticamente 35 mil bilhetes de época, superando o anterior máximo. Depois deste sucesso, já definiram objectivos para o próximo ano desportivo?
R | Não, apenas definimos um patamar estratégico.

P | Que é?..
R | Ter a lotação do estádio vendida! Queremos ter sempre a casa cheia. Estamos perto disso. Lutamos por esse objectivo e pretendemos ser os primeiros a ter isso garantido. Os sportinguistas têm de acreditar que este aspecto é fundamental para a vida do clube. Julgo que, em Portugal, vamos ser os primeiros “bons ingleses da vida”, no bom sentido da expressão. Os sócios e adeptos têm de viver o nosso futebol com alma, apoiando a equipa.

P | O crescimento do número de sócios pagantes pode, decerto, ajudar. Que estratégia existe a este nível?
R | Durante este ano, teremos novidades. Estamos a estudar a melhor forma de aumentar a nossa massa associativa.

P | Pode levantar a ponta do véu?
R | Temos de dar mais garantias e serviços aos sócios. É preciso que os adeptos – estejam eles na Covilhã, na Guarda, em Bragança, no Porto ou em Braga – compreendam que vale a pena ser sportinguista. Para isso, é preciso descobrir vantagens para lhes dar, para eles sentirem que devem ser sócios do Sporting e não meramente adeptos. Não existe uma poção mágica – o importante é trabalhar para lhes vender um produto atraente.

“Vamos rever contrato de Moutinho”

P | Pela competência dos seus desempenhos e pelo peso que já tem na equipa, João Moutinho é um jogador mal pago?
R | Não. No tempo em que fez contrato, o Sporting achou justo o que lhe ia pagar, e ele teve juízo igual sobre o que ia receber. O espírito de quem faz um contrato é de o cumprir. Sempre. Quando ambas ou uma das partes entenderem voltar a falar para renovar o contrato, as coisas podem mudar.

P | E o Sporting entendeu que chegou a hora?
R | Queremos renovar contrato com o João Moutinho, sim. Isso implica que estejamos abertos a rever as condições contratuais do jogador. E o quadro só mudou por duas circunstâncias: porque o João Moutinho teve talento e profissionalismo para o aceitar, e porque o Sporting teve capacidade para lhe dar uma oportunidade.

“Nova política de mercado com o clube estável”

P | O Sporting é só formador? Ou também é vendedor e comprador?
R | Temos consciência de que, para sermos competitivos, não chega apostar só na formação. Portanto, temos de procurar, no mercado internacional, alguns valores de referência, que complementem o aproveitamento de talentos. Enquanto o Sporting não tiver resultados operacionais positivos, isto é, enquanto não tiver grande capacidade de investimento, tem de se concentrar nos mercados emergentes, onde os jogadores são produtos acessíveis. No dia em que for empresa com resultados positivos, poderá encarar o mercado de outra maneira, sem nunca deixar de apostar na formação.

P | Isso será quando?
R | Mais dois anos, ou três, no máximo.

P | Por altura do final do seu mandato…
R | Exactamente. E o que eu espero é, nessa altura, ter o Sporting perfeitamente equilibrado e auto-sustentado, de maneira a que o meu sucessor – seja eu ou não… – tenha uma vida descansada e possa encarar o futuro como eu não pude encará-lo, ou seja, com um projecto de desenvolvimento.

“É perigoso ser o maior sem ser o melhor”

P | “O Benfica é, efectivamente, maior do que o Sporting” – esta afirmação foi proferida por si, noutra entrevista. São estas coisas que fazem de si um presidente… politicamente incorrecto?
R | Ser-se maior não quer dizer que se seja melhor. Vou-lhe dar um exemplo da minha vida pessoal e profissional: a OPCA, empresa a que presido, não é a maior em Portugal, mas tem feito aquisições, investimentos, e tem-se desenvolvido para ser a melhor. O meu grande orgulho, no Sporting, é saber que o clube é, ou pode ser, o melhor, pois assim está no caminho certo para ser o maior. Neste momento, pode não ser o melhor em resultados, mas é o melhor em organização, em método, processos, princípios e valores – e tem também a melhor massa associativa. No dia em que ganharmos o “campeonato da organização”, poderemos, então, passar para o departamento da dimensão, mas a inversa não é verdadeira. E é muito perigoso ser o maior sem ser o melhor.

“Dossiê Rui Jorge nunca esteve em análise”

P | Luís Martins deixou a equipa de juniores com a época em curso. Foi uma saída atribulada?
R | Não, ele quis sair, e nós consentimos.

P | Mas pareceu ter ficado incomodado com a situação…
R | Apreciava o trabalho dele e não gostei de o ver partir. Foi uma aposta desta administração da SAD, e custou-me vê-lo ir-se embora, mas não podíamos cortar-lhe as pernas e impedi-lo de abraçar outro projecto.

P | Na altura, correu que o Portimonense poderia ser apenas uma ponte para Luís Martins chegar à formação do FC Porto…
R | Pelos contactos francos que tive com os dirigentes do Portimonense, julgo que eles perceberam o que me ia na alma e acho que as questões institucionais ficaram todas resolvidas.

P | Rui Jorge esteve para reentrar no Sporting pela porta da formação?
R | Nunca esse dossiê foi posto em cima da minha secretária. E não acredito que tenha chegado sequer ao meu braço-direito para a área do futebol, o dr. Ribeiro Telles, porque, se assim tivesse sido, ele ter-me-ia dito. Esse assunto nunca existiu. Aliás, o Rui Jorge acabou por confessar que tinha um projecto no Belenenses.

“Nenhuma modalidade resiste com 150 pessoas a ver jogos”

P | Para quando a construção do prometido pavilhão?
R | Para o final do meu mandato. Quando estiver sustentável, o Sporting poderá lançar-se em novos projectos. E Deus queira que Portugal seja capaz de ter uma política desportiva interna que permita auto-sustentar as modalidades para as quais queremos um pavilhão. Ou seja, espero que haja mercado para basquetebol, atletismo, andebol, futsal e voleibol profissional. Isto é muita fruta para um mercado de dez milhões de pessoas, mas em nenhuma modalidade – futebol incluído – haverá sustentabilidade se forem apenas 150 pessoas ver os jogos. Não há hipótese, o negócio morre.

P | Está a ser discutida uma possível parceria com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) para patrocinar as modalidades do Sporting e ajudar à construção do pavilhão?
R | Pode-se dizer que há diálogo com a CGD para que esta apadrinhe o projecto desportivo do Sporting não relacionado com o futebol profissional.

P | Poderá ser o “sponsor” do atletismo?
R | Gostaria que fosse, mas não quer dizer que venha a ser.

P | Também há conversações com os CTT?
R | Há conversas com uma série de entidades, porque o Sporting é uma instituição viva e dinâmica, procurando, todos os dias, mais parceiros para as suas actividades, de maneira a que possamos ter, a curto prazo, uma estabilidade económica que nos permita dizer, ao mundo empresarial, que somos uma entidade financeiramente sólida.

“Saibam aceitar racionalidade do negócio”

Pugnando pela preservação dos valores vincados no Sporting pelos seus fundadores, Filipe Soares Franco passa os olhos pelas modalidades, diz que o amor à camisola “não se pode perder”, mas também sublinha a importância da vertente racional do negócio: “Tem de haver sócios que o sejam porque gostam de praticar modalidades e pagam para o fazer. Nas modalidades profissionais – futebol, futsal, andebol e atletismo –, temos de ser selectivos, tendo a preocupação de as equilibrar através das suas receitas. Não é possível manter uma modalidade autonomamente gerida se ela não se equilibrar. Se isso acontecer, significa uma de duas coisas: ou somos maus gestores, ou o negócio não tem conteúdo. Se não tem conteúdo, é porque não tem mercado, não tem receita. O que peço aos sportinguistas é que saibam aceitar a racionalidade do negócio.”

“Canal de televisão não é prioridade”

P | O jornal do clube caminha para a auto-sustentação?
R | O que sempre disse é que, se não se tornasse auto-sustentável, não tinha razão de existir. O jornal passou por uma grande reformulação e pode ser – tal como o sítio – um excelente meio de comunicação com os sócios. Temos é de fazer dele um jornal apelativo, com conteúdos interessantes, para que os associados tenham vontade de ser assinantes da publicação. Hoje em dia, caminha seriamente para a sua auto-sustentação, se é que não é, já, auto-sustentável. Temos feito um trabalho extraordinário nesse sentido, melhorando imagem e conteúdos, introduzindo mais opinião de sportinguistas.

P | O projecto de um canal de televisão foi uma ideia que nasceu e logo morreu?
R | Direi antes que não é uma prioridade. Dentro do Sporting, temos de nos saber focalizar naquilo que é importante.

“Um bom concerto paga um novo relvado”

P | Um relvado por ano: é um “reforço” diferente para a equipa de futebol profissional?
R | Só em Portugal é que se vê a troca de relvado como uma operação extraordinária…

P | Porque não era comum, a arquitectura dos estádios era outra…
R | Sim, é verdade… mas, em termos de estádios, temos do melhor que há na Europa. Hoje em dia, há outro tipo de problemas, que têm de ser enfrentados. Se o estádio do Sporting é um espaço polivalente, podendo receber outros eventos, vamos saber aproveitar e potenciar essas receitas, para que, quando o recinto tiver de ser totalmente dedicado ao futebol, tenha as melhores condições possíveis, de maneira a que a equipa tenha um relvado de excelência – para poder praticar um futebol de excelência. É o que pretendemos.

P | Quer dizer que o Sporting se vira para a organização de espectáculos…
R | Se pudermos, se pudermos…

P | Um bom concerto paga um relvado novo?
R | Paga, com certeza. E três concertos num mês – entre Maio e Junho – dão lucro ao Sporting.

P | Este relvado custou quanto? Cem mil euros?
R | À volta disso. O Sporting tem a obrigação de saber ganhar cem mil euros com cada evento que criar no seu estádio.

“Temos relação normal com fundo de jogadores”

P | A relação com o fundo de jogadores First Portuguese Football Players Fund parece ter perdido importância e significado. Que tipo de interacção existe hoje em dia?
R | Temos uma relação normal. Em Portugal, um fundo de futebol profissional tinha de ter uma vitalidade que, infelizmente, não veio a ter. O fundo pode, eventualmente, ter sido demasiado exigente para si próprio relativamente ao leque de oportunidades, mas ainda realizou algumas grandes mais-valias nalguns jogadores, embora, em contrapartida, tenha tido prejuízo noutros. Porém, não me parece que o balanço seja negativo.

P | Para o Sporting ou para o fundo?
R | Para os dois. Ainda hoje o fundo deve saber analisar, com equidade e justiça, as mais-valias e os investimentos que fez dentro do Sporting e tirar uma conclusão sobre isso. Parece-me que a média de rendibilidade é muito superior à do mercado de capitais.

“Parceria com o Inter em estudo"

P | O Internacional de Porto Alegre propôs, ao Sporting, a realização de uma parceria. É uma boa oportunidade?
R | É uma. A coisa mais difícil de se fazer é uma parceria, porque tem de se ter uma cultura bem enraizada e definida. O estado do futebol português, em geral, não permite que encaremos as parcerias, ainda, de uma forma sustentada. Dou-lhe o exemplo do protocolo com o Manchester United, do qual não resultaram grandes benefícios, nem para nós, nem para eles.

P | Esse protocolo ainda resiste?
R | Tem vida formal, nada mais. Só tendo uma organização estável se consegue tirar partido de parcerias. Se não houver retorno imediato, será uma falsa questão.

P | Ou seja, o projecto com o Internacional está condenado?..
R | Não, o que digo é que tem de dar resultados a curto prazo. Se não der, pode estar condenado.

P | Então, o Sporting avançará?
R | Temos condições para pensar nisso. A decisão ainda não está tomada.

“Habituei-me à concorrência mas não gosto de guerras”

P | É um presidente que vive num clima de paz institucional com os seus homólogos do Benfica e do FC Porto. Este quadro invulgar resulta do quê? Reflecte um estilo de liderança?

R | Tem a ver, fundamentalmente, com os meus princípios e valores. Gosto de concorrência, habituei-me a isso, mas não estou acostumado a viver em guerras. Não há razão nenhuma para que o Sporting não tenha relações institucionais e cordiais com todos os seus adversários.

P | Relações institucionais e relações pessoais entre presidentes: há uma grande diferença entre elas…
R | Muita. Não tenho relações pessoais com nenhum presidente dos clubes da primeira Liga. E não as vou ter! Não tenho razões para, aos 53 anos, criar relações pessoais. Não quero isso do futebol. O Sporting não precisa disso e, enquanto eu for presidente, não o vai ter.

“De nada adiantou cortar duas equipas”

P | Que lhe parece o actual panorama competitivo da principal prova nacional?
R | De nada adiantou cortar duas equipas. Se calhar, até retirou competitividade ao Campeonato. O quadro desportivo em Portugal tem de ser analisado e revisto. Neste contexto, a Taça da Liga pode acrescentar qualquer coisa, acredito nisso. Não condeno a inovação, acho que se deve tentar, com objectivos anuais, e chegar ao fim de três anos e analisar se a Taça da Liga vale a pena. Como também se deve ver se é melhor ter um Campeonato com 18, 16, 14, 12 ou dez equipas – ou o que for.

P | Resultaria melhor um Campeonato com dez boas equipas e disputado a quatro voltas?
R | Não sei. Confesso que não tenho ideia formada a esse respeito. O que sei é que Portugal não tem um quadro desportivo de sucesso., e deveríamos analisar e pensar como se pode reverter esta situação. Se, para chegar ao sucesso, for necessário cortar, então que se corte, mas não tenho uma certeza sobre essa matéria. Gostava de poder debater o tema, de forma aberta e sincera, com outros dirigentes, no sentido de se descobrir o quadro ideal. Para isso é que serve a Liga. Não vale a pena ter empresas ou clubes falidos… Em Portugal, tem-se dito que é preciso consolidar o negócio da construção através de aglutinação de empresas – ter menos, mas melhores. No nosso Campeonato de futebol, a necessidade é exactamente a mesma: ter menos equipas, mas criar melhores condições.

“É indispensável uma boa revolução”

P | Parece favorável ao emagrecimento…
R | Não digo que não, mas ninguém gosta de morrer, de fechar uma porta, ou de ter menor representatividade. Só se pode contrariar este estado de coisas fazendo uma revolução, no bom sentido. Ou seja, seria indispensável romper com hábitos e uma certa cultura instalada. As rupturas, claro, trazem conflitos. E um dos problemas recorrentes é não se saber viver em conflitos. Toda a gente prefere viver em paz, mas… isso não existe. Um grande amigo meu, hoje presidente da PT [Henrique Granadeiro], diz que a paz absoluta só existe no cemitério – e é verdade. As organizações são entidades vivas e, como tal, têm confrontos e conflitos. Desde que salutares, podem dar boas conclusões. Na vida, um conflito não tem necessariamente de dar origem a uma quezília ou guerra. Há confrontos que produzem bons resultados, levando a que as pessoas se rendam às boas conclusões. O futebol português está a precisar disso: de ter um confronto consigo próprio, no sentido de procurar ilações positivas. Como presidente do Sporting, estou disposto a ter esse debate e a assumir um papel nos confrontos, desde que quem esteja do outro lado não pense em tirar conclusões negativas, mas sim em extrair as ideias indispensáveis, para fazer com que o futebol português melhore e progrida.

P | A ideia de se criar uma Taça da Liga foi lançada por si…
R | Sim, sempre na tentativa, persistente, de querer melhorar o quadro competitivo em Portugal.

FPF, Liga e arbitragem profissional…

Impacto futuro da nova Lei de Bases na organização e no papel da Federação Portuguesa de Futebol; direitos e, sobretudo, deveres da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, em cuja Direcção o Sporting é representado por Rogério de Brito; e discussão em torno da arbitragem e do modelo ideal para a profissionalização do sector – assuntos elencados para esta entrevista, mas sobre os quais, por serem vastos e densos, Filipe Soares Franco sugeriu discorrer em data a combinar. “É melhor reservarmos uma entrevista sobre esses três temas. Tenho muita coisa para dizer sobre tudo isso”, garantiu o presidente do Sporting. Aceite a proposta, agora é só uma questão de se marcar dia, hora e local…

“Livro de Carolina Salgado não me suscita curiosidade”

P | Agora que a procuradora-geral adjunta Maria José Morgado entrou em cena, acredita que o embrulhado processo “Apito Dourado” se resolverá?
R | O Sporting não está no “Apito Dourado”, até hoje – e estou convicto de que nunca estará, porque tenho enorme confiança nos antigos dirigentes do clube (nisso, tiveram comportamento irrepreensível, por causa dos seus princípios e valores) –, e sinto-me mal a comentar este processo, porque acho que não o devo fazer. Quanto mais silêncio houver, maior será a liberdade que damos à Justiça para que ela funcione na sua plenitude. A única coisa que queremos é que se resolva o processo e que, depois, se concretizem as decisões que o mesmo ditar. Não estando no “Apito Dourado”, e fazendo comentários sobre ele, até parece que nos pomos em bicos de pés para dizer que estamos fora – e eu detesto isso. Além disso, a vida ensinou-me que ninguém deve ser considerado culpado enquanto não for acusado. Qualquer pessoa pode ser dada como arguido, que não é sinónimo de culpado. Tenho imenso respeito pelos arguidos, mas pouco pelos culpados.

P | É caricato que o processo tenha “ressuscitado” por causa do livro assinado pela ex-companheira de Pinto da Costa, Carolina Salgado?
R | Não li o livro.

P | Tem curiosidade de o ler?
R | Nenhuma, nenhuma. Nada acrescenta em relação àquilo que me apetece saber da vida.

“Nunca mentimos, ao contrário de outros”

P | O “caso João Pinto/José Veiga” belisca ou macula a transparência que o Sporting tanto tem enfatizado na sua gestão?
R | O clube tem a consciência tranquila, pois cumpriu totalmente, e de boa-fé, as suas obrigações. Ao longo do processo, o Sporting nunca mentiu ou se contradisse, contrariamente a outros. Isso, para mim, é uma questão de enorme orgulho. Não temos nada a esconder e contribuiremos com a nossa total verdade e transparência. Aliás, o Sporting solicitou, através do seu advogado Rui Patrício, ser assistente no processo – e assim continuará.

“Figo até pode voltar para ser dirigente”

P | Luís Figo vai jogar para a Arábia. Vê-lo vestir outra vez a camisola do Sporting é uma ilusão que se desfaz?
R | É um grande sportinguista, gosta do Sporting e, se um dia houver condições para ele voltar a um clube que o respeita e acarinha, será muito bem-vindo. Porque não vir a ser dirigente, no futuro? Não sei o que fará na sua vida profissional depois de arrumar as chuteiras, mas o Sporting é um projecto que lhe pode estar aberto, ou não, conforme os interesses dele e aquilo que o clube tiver para lhe dar.

P | Em Milão, Figo comemorou efusivamente o golo do Inter na vitória sobre o Sporting. Ele foi apenas profissional?
R | O mais possível. Não me chocou nada. Mostrou espírito de corpo pelo objectivo que o Inter tinha de atingir.

“Sá Pinto não aceitou ser nosso quadro”

Sá Pinto esteve para ser integrado nos quadros da SAD, mas tal não se concretizou. O que aconteceu? Filipe Soares Franco explica tudo: “Ele não quis! Fez outra opção de vida, e eu respeito-o.” E o presidente ficou surpreendido? Esse é um juízo que ele não faz: “O Sá Pinto é que sabe o que quer da vida. Falámos pessoalmente, mas ele não quis. Não há problema. O Sporting será sempre o clube do coração do Sá Pinto, e o Sporting sempre saberá respeitar o que ele representou.”

“Provedor dos sócios está para breve”

Quando o que é que o Sporting terá o seu provedor dos sócios? A medida faz parte do pacote de promessas eleitorais de Filipe Soares Franco, que não hesita na resposta: “Está a caminho, vai ser feito.” E o provedor será Ernesto Ferreira da Silva, confirma: “Seguramente. Tudo tem o seu tempo, e a nossa preocupação é ir cumprindo as metas a que nos propusemos. A primeira foi a redução do passivo, e essa está feita. Houve muitos esforços concentrados nesse objectivo. A partir daqui, outros projectos e dossiês prioritários se abrem. O do provedor será um deles, com certeza.”

“Aborto é um problema de enorme delicadeza”

P | Uma pergunta dirigida ao cidadão Filipe Soares Franco: é a favor ou contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez?
R | É um problema de enorme delicadeza, sobretudo para uma pessoa como eu, convictamente católica e praticante. O que está em discussão não é se as pessoas podem ou não abortar. É preciso ler a pergunta como deve ser: o que se referenda é se o aborto pode ou não ser despenalizado. Como cidadão e como pessoa, tenho imensa dificuldade em condenar, como crime, o aborto feito em determinadas circunstâncias – e a lei é clara sobre isso. Depois, a questão é se isto equivale a “x” ou “y” semanas, e isso, para mim, é muito mais dúbio, pois tem a ver com a concepção de vida, se a decisão pertence à mãe ou ao filho. É uma resposta que ainda hoje não tenho segura, perante a pergunta. A decisão é completamente pessoal, e, mesmo depois do referendo, nunca revelarei o sentido do meu voto. Como presidente do Sporting, não estou disposto a dar a minha cara pelo sim ou pelo não. Como também não estou disponível para ser elemento activo numa campanha de eleições partidárias, porque o Sporting não tem religião, nem partido.

"Como presidente do Sporting, não estou disposto a dar a minha cara pelo sim ou pelo não. Como também não estou disponível para ser elemento activo numa campanha de eleições partidárias, porque o Sporting não tem religião, nem partido. "

O gajo pode ter muitos defeitos (e têm) mas gostei desta frase…aqui vê-se a diferença entre um gajo do Sporting e o Povo de M**** (Exemplo: Vilarinho e Orelhas qd apoiaram o PSD)

Alguma alma caridosa que me isole a parte onde ele diz que o Sporting - Clube? SAD para o futebol? - é para dar 13 milhões de lucro por ano. Estou curioso para saber os pressupostos, e se isso é feito num cenário de vender jogadores periodicamente (como se sabe, consideradas receitas operacionais).

[size=18px]Facturando, num ano normal, 55 milhões de euros e tendo, de custos, 42 milhões de euros[/size] – ou seja, um resultado operacional de caixa de 13 milhões de euros –, o Sporting pode enfrentar uma dívida de 150 milhões de euros. Mas, como deve 270 milhões de euros, tem de baixar o endividamento em 120. E como se faz isto? Primeiro, manifestando a vontade de reduzir, vendendo património, o que leva a que a dívida passe de 270 para 220 – não esquecendo, porém, o défice de tesouraria que tem de ser coberto. Depois, o Sporting tem a receber, da MDC, alguns milhões de euros, uns para encaixar já, outros que até se podem, eventualmente, antecipar. Assim, o clube baixará a dívida para 200 milhões de euros. Para dever 150, terá de recapitalizar a SAD em 50 milhões de euros. E esta é a próxima etapa: demonstrar que vamos chegar a um endividamento de 200 milhões, para depois procedermos àquela operação na SAD, com novos accionistas, aumento de capital, e integrando, na empresa, um conjunto de activos que o Sporting tem – e, com isso, chegar aos 150 milhões de euros. Este montante, a cinco por cento de taxa de juro – é o que espero conseguir para o Sporting, embora a actual taxa se cifre em seis por cento –, representa 7,5 milhões de euros de juros por ano que o clube paga. Para 13 milhões de resultado, sobram seis, que servem para se amortizar o passivo ao longo de 20 ou 25 anos. Ou seja, a partir daí, o clube fica com uma vida financeira tranquila.

Obrigado, Pedro! :wink:

Umas questõezitas, se me permitem:

Enquanto não se chega aos tais 13 milhões de resultados operacionais (como é de esperar, não é explicitado se incluem venda de jogadores ou não - assumo que sim) - o que é que se faz aos défices de tesouraria que forem surgindo até lá? Pede-se ajuda ao Bin Laden?

novos accionistas, aumento de capital, e integrando, na empresa, um conjunto de activos que o Sporting tem – e, com isso, chegar aos 150 milhões de euros

Como é que passar activos de empresas do grupo para outras ajuda a reduzir o Passivo consolidado?! Que raio de engenharia financeira é esta?!

Sobre o aumento de capital, desde que foi discutido na campanha eleitoral sempre disse ser uma utopia como forma de angariar receitas, pois vai ficar às moscas (pior das hipóteses), o capital vai ficar concentrado nalguns dirigentes actuais (cenário de apocalipse) que vão ficar tão agarrados quanto ficou o Vilarinho no último aumento de capital do Glórias ou, caso o clube admita perder o controlo, este ir parar às mãos de algum maluco (que é capaz de ser melhor que a situação actual). Mas gostava que alguém me recordasse se tiver hipóteses sobre as posições das listas candidatas. Eu tenho idéia nítida que o SAM falava em aumento de capital e que isso era contestado pelos candidatos da lista e apaniguados do Tangas. Alguém me confirma?

Eu tenho idéia nítida que o SAM falava em aumento de capital e que isso era contestado pelos candidatos da lista e apaniguados do Tangas. Alguém me confirma?
Ainda no sentido de promover uma nova saúde financeira do clube, o candidato defendeu um aumento do capital social da SAD de 42 para 75 milhões de euros.

SAM no PortalFutebol

Até agora não encontrei nada sobre essa contestação, e também não tenho tempo para isso :frowning:

Até agora não encontrei nada sobre essa contestação, e também não tenho tempo para isso :(

Mas já me ajudaste alguma coisa. Acho que no máximo FSF falou da alienação parcial do capital da SAD. No que respeita ao aumento do capital, se não afirmou que era uma má idéia, julgo que terá sido no máximo omisso. Obrigado! :wink:

A estratégia parece-me clara e de acordo com que FSF disse na campanha. Como em tudo na vida há prós e contras, penso que no contexto actual é uma das melhores estratégias possiveis. Temo que a diferença “entre a bola entrar” e “bater no poste” possa ser um factor ainda determinante no sucesso de qualquer estratégia num clube de futebol de Portugal.

A estratégia parece-me clara e de acordo com que FSF disse na campanha.

Um ponto importante dessa estratégia parece-me ser o aumento de capital. Sabes-me dizer o que é que o FSF disse (se é que se pronunciou) sobre o aumento de capital durante a campanha?

Ele alem defender o aumento de capital, recordo-me de o ouvir defender a redução da participação do Sporting no capital da SAD.

Ele alem defender o aumento de capital, recordo-me de o ouvir defender a redução da participação do Sporting no capital da SAD.

“Links” ou “scans” da altura das eleições, por favor.

Sobre o aumento de capital, ele era declaradamente preconizado por SAM. Os apaniguados de Pipinho diziam que era tudo vago, que não dizia quem seriam os investidores (agora são eles que não dizem, mas enfim…), e o próprio FSF dizia propor “precisamente o contrário”, a redução da participação do Sporting na SAD (ver aqui).

Quanto à afirmação de que “O que disse aos sportinguistas, quando me candidatei, é que o clube não venderia património desportivo durante um ano”, acho que todos nos recordamos do que ele efectivamente disse, mas a internet é lixada e os links sobre a necessidade de passar um período sem vendas para consolidar uma equipa de nível europeu hão-de aparecer logo que tenha tempo para isso.

Sobre o aumento de capital [...] o próprio FSF dizia propor "precisamente o contrário", a redução da participação do Sporting na SAD

Todavia, umas linhas à frente:

“admito aumentar o capital”

Ou seja, se fosse feito pelo SAM era mau, mas o Tangas apareceria (aparecerá) certamente com uma óptima solução. Ficamos a aguardar! :arrow:

A estratégia parece-me clara e de acordo com que FSF disse na campanha.

Um ponto importante dessa estratégia parece-me ser o aumento de capital. Sabes-me dizer o que é que o FSF disse (se é que se pronunciou) sobre o aumento de capital durante a campanha?

Não tenho links neste momento, mas sempre fiquei com a ideia de que uma das ideias do FSF para diminuir o passivo, era baixar a participação do Sporting na SAD. Há várias maneiras de fazer isso, quer seja por aumento de capital, quer seja por alienação duma quota parte do Sporting ou um mix de ambas. Sinceramente não me lembro se ele apontou um caminho para esse redução da participação no Sporting, mas não me choca se durante um mandato, uma administração mudar o plano para atingir um objectivo proposto no inicio do seu mandato. O objectivo neste caso é reduzir o passivo, de modo a que o clube possa pagar os juros inerentes a essas dividas, sem desequilibrar as contas correntes.
As condições económicas do nosso país e do mundo mudam com relativa facilidade e as administrações das empresas têm que mudar muitas vezes os planos para atingirem os seus objectivos. Isso para mim é normal e não faz dos administradores mentirosos ou enganadores.

Fiquei na mesma… :shock:

Moura, o Semanário via FLL já esclareceu.

Obviamente que qualquer um é livre de acreditar que um aumento de capital liderado pelo SAM seria catastrófico e um liderado pelo Tangas Soares Franco será um maná.

Espero que reveles a mesma condescendência relativa a mudanças de rumo dos dirigentes do Sporting também relativamente aos Governos deste país - seja de que quadrante ideológico forem.

Moura, o Semanário via FLL já esclareceu.

Obviamente que qualquer um é livre de acreditar que um aumento de capital liderado pelo SAM seria catastrófico e um liderado pelo Tangas Soares Franco será um maná.

Espero que reveles a mesma condescendência relativa a mudanças de rumo dos dirigentes do Sporting também relativamente aos Governos deste país - seja de que quadrante ideológico forem.

Desde que não deturpem objectivos pelos quais se fizeram eleger …

Exemplos no caso do FSF em que eu diria que ele deturpou os objectivos.

Aumentar o passivo, para reforçar a equipa de futebol.

Vender uma das jovens promessas em 2006-2007.

Financiar em 500 000€ as modadlides semi-profissionais (andebol, futsa, atletismo).

Vender o estádio e/ou a academia.

No caso do governo, é óbvio que o acabar com algumas SCUT, não tem condescendência da minha parte (eu acho que é a atitude mais correcta, mas na campanha eleitoral foi dito o contrário). Já por exemplo se em vez por hipótese de construirem o aeroporto na OTA, optarem pelo melhoramento do aeroporto da Portela nas áreas de segurança e no aumento de capacidade, será uma mudança de estratégia, mas o objectivo não será deturpado, pois o objectivo (no meu entender) é melhorar a rede de transportes no país e não a construção do aeroporto em si.

Obrigado pelo link FLL.

Sobre um possível aumento de capital, o dirigente leonino sublinha: "Proponho precisamente o contrário, de o Sporting reduzir a sua posição na SAD. Porquê? Se aumentarmos o capital da SAD o dinheiro vai para a SAD, mas se vender uma participação nessa sociedade o dinheiro vai para o Sporting ou uma sociedade controlada. O dinheiro tem de ser canalizado para onde faz falta. Mas admito aumentar o capital"

Coleccionador de Pinóquios ao Semanário

:o

Já por exemplo se em vez por hipótese de construirem o aeroporto na OTA, optarem pelo melhoramento do aeroporto da Portela nas áreas de segurança e no aumento de capacidade, será uma mudança de estratégia, mas o objectivo não será deturpado, pois o objectivo (no meu entender) é melhorar a rede de transportes no país e não a construção do aeroporto em si.

A Portela está condenada devido a erros nos últimos 40 anos. Mas a Ota não é a melhor opção.

(desculpem o Off-Topic mas não resisti :slight_smile: ).

Ele explica como fará crescer receitas que em todos os exercicios e com vendas de jogadores incluidas, nunca passou dos 40 milhões?

Onde se irá buscar 15 milhões? É explicado?