Artigo de Salazar Carreira, na revista «Stadium», 9 Fev 1944

Artigo de Salazar Carreira, na revista «Stadium», 9 Fev 1944


Acerca da inauguração do primeiro estádio José Alvalade, 1947

Um dos maiores simbolos da história do Sporting.

Parabéns por este tópico [member=14782]SANGUEDELEAO.
Gosto mesmo de ver estas relíquias, perceber e conhecer melhor as pessoas que fizeram esta caminhada de mais de 100 anos com o clube.
SL
Obrigado, leão. SL
Julieta Alvalade e as irmãs Gavazzo numa das muitas reuniões desportivas realizadas na mansão do Visconde de Alvalade, em 1906.
De relembrar que as irmãs Alvalade coseram à mão, a primeira bandeira do clube.

Curiosa imagem de uma divertida corrida em que participam, entre outras, Maria Carvalhais, Hortência Alvalade e Julieta Alvalade.

Também as 3 irmãs Gavazzo, participavam activamente na vida desportiva do Campo Grande Football Club, sobretudo do Ténis, em 1906.

Todo este tópico é brutal. Parabéns!
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SPORTING CP CAMPEÃO DE PORTUGAL PELA 1ª VEZ EM 1923.
As cantigas do benfiquista
Texto publicado no «Boletim Sporting» contando a epopeia de Faro, onde os Leões alcançariam o seu primeiro campeonato Nacional.
Com cantigas de Ribeiro dos Reis na festa.(Uma das maiores figuras do benfica, que esteve presente em representação da União Portuguesa de Futebol)
"A piada era bem metida pois quem chega a finalista pode esperar tudo.
Regressámos ao hotel. Fiz contas, e viemos para a Estação, onde à despedida, tanta na nova como na velha, fomos de novo ovacionados pela rapaziada de Coimbra. No Comboio jantámos. Muita Alegria bem justificada e Ribeiro dos Reis veiu também a cantar o Pistautira. Entre outros improvisou os seguintes:
[i][b]Não há um goal sem redes
Nem há campo sem bandeira
Não há uma linha de forwards
Sem que tenha Torres Pereira
Não há um team sem keeper
E sem linha de bons halves.
Não há um team campeão
Sem ter um Jaime Gonçalves
Não há mar sem sua água
Mergulador sem escafandro.
Não há para jogar a medio
Como certo José Leandro
É alto como cipreste
Magro como uma Gazella
A jogar será um mestre
Chamado Henrique Portella.[/b][/i]
Stromp levanta-se e agradece a lealdade dos adversários da final, fazendo resaltar a camaradagem que tem existido entre vencedores e vencidos, antes, durante e depois do jogo. E, no seu habitual estilo berra com acompanhamento geral pela Academia.
O côro ataca a «Manelik» com entusiasmo. Termina o vivório.
A «Malta negra» afina pelo diapasão e Ribeiro do Reis feito maestro, esquecido que prometera embarcar naquella mesma noite, rompe com o pistaurita.
Eu só gosto de sardinha
Quando tem molho que pingue
Não há victória mais justa
que esta do Sporting
Ribeiro dos Reis que entrára há pouco responde:
Diga-me lá sr. Doutor
Diga lá de coração
Se é melhor perder os actos
Ou ser vice-campeão
E Júlio de Araujo, que não gosta de ficar calado atira também uma das suas, dirigindo-se a Franciso Stromp:
Se perdesse o desafio
Era um homem encravado
Mas acaba campeão
E capitão engatado
Ribeiro dos Reis que não quer ficar a perder continua:
P’ra areliar os tripeiros
Não bebam verde Gatão
Que a malta cá de Lisboa
Só bebe de carrascão
Um dos academicos que por acaso tinha na frente uma garrafa de verde Gatão, passou-a rápido para debaixo da mesa, não fosse o diabo tece-las."
Jorge Vieira sobre Francisco Stromp, em 1966:
«Este homem, este homem excepcional, acentuo, tinha uma sensibilidade de uma criança, tornava-se vulgar quando se nos dirigia antes dos jogos apelando para o nosso Sportinguismo e para o nosso acrisolado amor ao clube. Muitas vezes, ao finalizar as suas considerações, as lágrimas corriam-lhe pela face e nós, arrastados pelo que viamos, também acabávamos por chorar. Quando, findos os jogos, nos dirigíamos ao Chico -todos sem excepção lhe agradecíamos. Fora ele quem nos arrastara para o triunfo, mercê do seu salutar exemplo, da sua vontade firme e da sua alma de lutador denodado, de antes quebrar que torcer »

Ribeiro dos Reis, comovido, sobre Francisco Stromp:

«Quando fiz a minha entrada na vida desportiva, o Benfica e o Sporting viviam em ambiente de acesa rivalidade. Estavam ambos na sua meninice, quase rondando a casa dos 10 anos, mas lutava-se já nos dois clubes, com persistência, com dedicação, sem desânimos,para cimentar as bases que deviam alicerçar os dois mais grandiosos edifícios do desporto nacional. Iniciado esse ambiente de acesa rivalidade - que não excluía, porém, entre os bem intencionados, o respeito e a admiração pelos vizinhos- habituei-me a ver sempre nos rapazes da camisola verde e branca, os adversários que era preciso superar para enriquecer as tradições do Benfica e para dar maior projecção á sua actividade.
Tive a sorte de fazer a minha educação desportiva ao contacto de dois modelos- Cosme Damião e Francisco Stromp - que justamente podiam encarnar a alma de dois clubes rivais, e ser apontados como padrões de virtudes a copiar. No seu exemplo me inspirei sempre, procurando imitar dentro do rectângulo de jogo o seu denodado inspirito de luta, a sua fé inquebrantável e o seu elevado desportivismo, e tentado servir cá fora a colectividade com o mesmo espírito de sacrificio e a mesma dedicação de que eles davam sobejas provas.
Fui adversário irredutível, mas amigo sincero de Francisco Stromp, esse «leão» de raça. Servimos ambos na mesma unidade-o Batalhão de Artilharia de Guarnição, na Ameixoeira- quando ainda jovens alferes, «capitaneávamos» as equipas do Sporting e do Benfica. Aprendemos, nessa altura, a conhecer-nos melhor, e ambos procurávamos apontar às duas massas associativas o bom caminho a seguir para se valorizarem ao máximo as duas colectividades. O Sporting e o Benfica deviam olhar-se como adversários, mas não como inimigos. Os seus jogadores deviam timbrar em ser sempre leais, correctos e generosos na luta sem tréguas que entre si travassem. E as grandes massas de associados, ou simples simpatizantes, deviam aceitas as derrotas sem azedume e as victórias sem jactância, prestando sempre homenagem ao adversário acidentalmente inferior e evitando diminuir com desculpas tolas o resultado que não foi favorável»
Vista aérea do campo do Sporting, obtida através de um balão de ar quente.
Vêem-se o campo de futebol, com tribuna e lugar para peões, os dois courts de Ténis com bancadas, e o pavilhão social.

Jorge Viera (Sporting) e Augusto Silva (Belenenses) baloiçam Beatriz Costa.
Fotografia publicitária do filme de Chianca de Garcia «O trevo de quatro folhas»

Uma das famosas festas organizadas pelo SCP, na sua sede no Palácio Foz, em 1940.
Podemos ver, entre outros, Salazar Carreira, esposa e filhos; Peyroteo e esposa.

Foto tirada na mansão do Visconde de Alvalade, depois de um jogo de cricket com os Ingleses do Braço de Prata.
Equipa que alinhou pelo Sporting: José Alvalade, Francisco e António Stromp, Henrique Leite, Emilio da Silva Carvalho, Eduardo Quintella de Mendonça, e Charles Etur.

Excelente tópico. ![]()
ARTIGO DE SALAZAR CARREIRA AQUANDO DA MORTE DE FRANCISCO STROMP, NO BOLETIM SPORTING:
ALMA DE «LEÃO»
«Francisco Stromp, sócio nº3 do Sporting Clube de Portugal, que ajudára a crear e que serviu enquanto a vida lhe permitiu que o fizesse, desapareceu do nosso convivio.
O mal impiedoso que o minava desde há anos e que todos nós, os seus amigos, consideravamos com justificado receio, terminou-lhe a existência n’um acto de tragédia que punge tanto mais quanto em Stromp todos se haviam acostumado a reconhecer um forte e um batalhador.
N’esta página, em que pretendemos apenas definir a figura prestimosa de Francisco Stromp como Sportinguista, podemos elevá-lo à equivalência do simbolo, tanto n’ele se encontravam reunidas as qualidades que idializamos n’um perfeito Leão.
Integra na sua alma se mantinha em todas as contigências a dedicação pela colectividade, intangível nas mais criticas emergências a fé nos seus destinos: forte, fisica e moralmente, valente e leal, como um leão, generoso do seu esforço, sem conhecer desanimos, dentrto do peito palpitava-lhe sempre um escudo verde com leão rompante.
Acostumáramo-nos a considerá-lo com a personificação do Sporting:o Xico, para nós, era a alma do Club, vigorosa e cavalheiresca, indomita e serena, amada e respeitada. Alma sã em corpo são, traduzia-se lhe na rude franqueza com que exteriorizava suas opiniões, a força do caracter e a rectidão da consciencia.
Coração generoso, sempre pronto a auxiliar até ao sacrificio o amigo ou o camarada em transe dificil na vida, até nas últimas horas pensou n’aqueles cujo amparo assuimra.
Na longa estrada da vida, semeada de abrolhos, arida e dificil, semeou o bem e altivamente manteve a sua conduta de honestidade e retidão que fica, apoz ele, como um rasto de luz impoluta a relembrar seu vulto desaparecido.
Quantos o conheceram, não poderão esquecê-lo. Junto ao seu ataúde vi lágrimas sentidas em olhos de adversários; porque a sua intransigência sportinguista pode haver-lhe proporcionado antagonistas mas a lealdade da sua conduta e o idealismo das suas paixões fizeram, d’estes, amigos ou admiradores.
Francisco Stromp, será sempre recordado como uma das maiores figuras do desporto portuguez: por nós, sportinguistas, será apontado como o modelo das virtudes clubistas.
E’ senhor de toda a nossa saudade, uma saudade que o não deixará morrer, sentido que esta palavra encerra de fim, de desaparecimento.
Fracisco Stromp está longe, mas existe, não desapareceu porque d’ele o essencial, a parte eterna do que foi, vive.
O que sepultámos na terra, foi o casulo, como diz em paginas de infinita saudade o grande escritor Coelho Neto: a borboleta voa livre, na luz e, de quando em quando, saudosa, baixa do ceu à terra e pousa de leve nos nossos corações»
Fodasse, ja naqueles dias jogavam com mais um!
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Uma fotografia que comprova a precedência histórica, no SCP, dos calções brancos sobre os negros… Logo, jogar com calções brancos não é o mesmo que jogar com verdes, pois não é inovador (ressalvo que, pessoalmente, até gostei dos verdes).