Faleceu Ingmar Bergman

E também o actor francês Michel Serrault, da “Gaiola das Malucas” original.

Aproveito esta ocasião para perguntar: quem é que já viu mais que um filme do autor e gostou? Eu só me lembro de ver um, dos anos 70, e ter achado uma seca do camandro. Outras opiniões?

Sobre Ingmar Bergman; Fanny & Alexander foi talvez a minha 1a experiencia com cinema “a serio” que tive, e sempre gostei(principalmente da cena de sexo) embora nâo tenha percebido muito do filme :). O perceber só veio mais tarde.

Até aos dias de hoje continuo a achar o cinema nordico- dinarmarquês e sueco principalmente- de excelente qualidade, algum na tradiçâo existencialista de Bergman mas tb outro muito mais leve,felizmente.

Bergman é talvez o maior autor do cinema europeu; bem sei que há Buñuel, Hitchcock, Von Stroheim, Riefenstahl (estou a marimbar-me para a ideologia, falo de cinema), Ophuls, Cocteau, Renoir, Truffaut, Eisenstein, Tarkovski, Fellini, Visconti, De Sica, Rossellini, etc. Ainda assim. Mas não se limitou ao grande écran: também deixou a sua marca no teatro, na televisão e na dramaturgia. Pertence, graças à herança de beleza e de bom gosto que nos deixa, ao clube restrito dos gigantes da lavra de Welles, Kubrick e Kurosawa.
Fui ao Alvaláxia ver Saraband, o seu último filme, que foi ali exibido porque os outros cinemas da cidade não tinham as características técnicas (nomeadamente a nível da reprodução do som) que ele exigiu aos distribuidores. Foi estranho sair de um filme tão distante da porcaria que um multisala se vê obrigado a passar nesta era de DVD pirata e ficar rodeado de putos condenados pela profusão de formas de entretenimento a serem imunes à sua elegância formal, à sua cultura esmagadora, à sua contenção narrativa e direcção de actores irrepreensível. AL, para começar, sugiro dois dos seus clássicos, O sétimo selo e Morangos silvestres, e acrescento outros dois filmes talvez datados mas impressionantes pela profundidade emocional, nos antípodas da pacotilha sentimental que vigora em Hollywood desde os anos de Reagan, e pelo extraordinário virtuosismo técnico, que no entanto sempre esteve ao serviço da narrativa, no seu caso: Persona e Serenata de Outono.

Também é Von?

Indo ao All Movie, se títulos em Português e em Inglês coincidirem, o único filme do autor que me lembro de ver (na TV) foi “Cenas de um Casamento” (parece o título de um “reality show” rasca da SIC! :D). O que me desperta mais curiosidade julgo que se chama “A Fonte da Virgem”. Dos que citas só “Morangos Silvestres” não cheira a seca (acho que o “Sétimo Selo” é aquele do xadrezista).

Cuidado, homem, que o “Morangos Silvestres” é tudo menos um filme fácil. É um filme muito pouco linear, deixando em aberto a interpretação sobre o que viste. Confesso que não gostei muito, preferindo da filmografia do Bergman filmes como o “Fanny e Alexandre” (que chegou a dar em formato de série na RTP) e o Saraband que tenho em DVD. Este último é muito teatral e palavroso, mas gostei, tendo excelentes interpretações. É aliás a solidez das personagens dos filmes do Bergman um dos pontos que mais me agrada na sua filmografia, ainda que não tenha ainda visto alguns dos seus filmes.

Entretanto, morre mais um dos grandes: Antonioni.

Se achas que “O Sétimo Selo” é uma seca, mais vale marimbares-te no resto. Quanto ao título, tempos houve em que o valor semântico de “cena” não remetia para o calão ou as calinadas… :wink:

Quanto a Antonioni: quanto a mim, o seu último filme decente é Zabriskie Point (se bem que objecto de um culto-freak irritante). Realizou os melhores filmes de Monica Vitti, uma das minhas musas :twisted:. Recomendo “La Notte”. Mas está para Ingmar como o J. Pereira para o Cafú.


Mod edit: excesso de maiúsculas.

Pink Floyd escreveu algumas músicas para o filme. Faz parte da banda sonora, igualmente músicas do falecido Jerry Garcia dos Grateful Dead.

Eu tenho o cd triplo! :whistle:

Mod edit: excesso de maíusculas.

Pink Floyd rules :dance:

Antonioni reinventou-se com a swinging london e a cultura soixante-huitard, passando de um certo esmero formal na esteira de Lattuada, por exemplo, para uma forma mais lassa, quando a mim a tresandar de Godard e tal como aconteceu com este, temperada com pop, acabando por incluir a música “edgy” da rapaziada daqueles tempos nos seus filmes. Eu não sou grande apreciador de Floyd (prefiro King Crimson ou Hawkwind) mas a cena à qual aludem é realmente magnífica. Sabem qual é a banda que toca em Blow Up? Uma ajuda: foi o maior berço de guitarristas ingleses de British Blues e no filme aparece o Paganini absoluto do instrumento. Mas desde Profissão Repórter (1975) que os seus filmes foram uma porcaria, quanto a mim.

(AL- Olha que as maiúsculas só serviam para distinguir o teu texto do meu. Essa convenção de netiquette é chata como uma conta a zero ;))