Entrevista do Abel ao Sportugal - 28-06-2007

http://www.sportugal.pt/noticia.php?noticiaID=25292

“Era muito difícil sermos campeões”

A poucos dias de se apresentar em Alcochete, o defesa leonino, como é seu timbre, diz o que pensa sobre os mais variados temas, sem nunca fugir às perguntas, por muito complicadas que elas sejam. Ao contrário do que defende Paulo Bento, Abel insiste em dizer que o título foi perdido na Luz, mas acaba por admitir que o FC Porto foi um justo vencedor da Liga 2006/2007.

As recentes afirmações de Fernando Santos, a saída de Nani para o Manchester United e a constante discussão sobre o número de clubes da Liga foram ainda alvo de conversa entre Abel e o Sportugal.

Qual é o balanço que faz da época transacta?
Não foi uma época excelente, mas acabou por ser positiva, pois entrámos pela segunda vez consecutiva na Liga dos Campeões – algo inédito na história do clube –, e acabámos por vencer um troféu.

Quais as expectativas para a próxima época?
Os objectivos do Sporting traduzem-se sempre em lutar por títulos. Neste caso, vai haver mais uma competição, a Taça da Liga, e não tenho dúvidas, juntamente à Liga dos Campeões, que queremos triunfar nas três competições ‘obrigatórias’ (Taça de Portugal, Liga e Taça da Liga).

Como é que foi perder o campeonato para o FC Porto, numa luta até aos últimos minutos?

Depois de termos estado muito longe do FC Porto, logicamente que vimos ali uma ponta de esperança, mas não mais do que isso. Sabíamos que era extremamente difícil sermos campeões. O FC Porto jogava em casa com o Desp. Aves na última jornada, não dependíamos de nós, mas cumprimos a nossa obrigação. Tentámos fazer tudo, ganhar os jogos até final, mas o FC Porto aguentou a pressão e foi um justo vencedor. Acabámos por contribuir para um emocionante fim de campeonato, onde também poderíamos ter sido campeões.

Qual foi, para si, o momento crucial que ditou a derrota do Sporting na Liga?
Em contextos diferentes, durante a época, houve dois empates com adversários que desceram de divisão. Isso foi determinante. Na parte final do campeonato, o jogo com o Benfica foi decisivo porque, se temos vencido esse jogo, o desfecho seria outro. Era um jogo-chave em função do momento, a três jornadas do fim, era extremamente importante vencer na Luz.

Em termos pessoais, fez um grande final de temporada, mas passou muito tempo no banco, quando não existia mais nenhum lateral-direito de raiz no plantel. Consegue explicar o porquê de ter ficado de fora tanto tempo?
A única justificação que encontro tem a ver com a opção do treinador. Depois, há sempre a irregularidade do jogador ou o poder estar em baixo de forma, mas comigo não se passou isso. Simplesmente, houve uma razão porque não joguei e foi única e exclusivamente por opção do treinador. A partir do momento em que me pôs a jogar, penso que dei a resposta que devia e que dei sempre. Não encontro uma justificação, a não ser essa, de não ter sido opção regular, porque só jogava de mês a mês. Logicamente que, para ganhar ritmo de jogo e confiança, só conheço uma forma, que é jogar. Não fui opção, mas sentia que tinha valor e qualidade para jogar na equipa do Sporting.

Não é de esperar que o Sporting contrate mais um lateral-direito. É sinal de que Paulo Bento confia em si?
Não me compete a mim julgar se é preciso reforçar o lado direito da defesa. O que me interessa é treinar bem, estar bem, porque só me preocupando e estando concentrado naquilo que tenho de fazer é que consigo dar o máximo. Se perder tempo a pensar se vêm mais um ou dois laterais, vou perder a concentração no meu trabalho e o meu rendimento não será o mesmo. É normal que haja dois jogadores para cada lugar, sempre foi assim, e olhando à versatilidade do plantel, há jogadores que podem ocupar essa posição.

Com a renovação de Paulo Bento, o Sporting quer dar um exemplo de continuidade e de aposta no mesmo treinador durante muitos anos. Acha isso positivo?
Quando as coisas não funcionam bem, é lógico que é mais fácil trocar um, do que 13 ou 14. Quando há competência – e neste caso há –, acho que a aposta na continuidade é o maior factor de estabilidade e organização e que aumenta as probabilidades de êxito. Se um plantel mantiver a estrutura-base e o treinador, que vai passando a filosofia aos jogadores, ainda para mais o Paulo Bento – que conhece a realidade da casa, foi jogador, reúne o consenso da massa associativa, independentemente das coisas correrem bem ou mal. Tem-se visto, neste curto espaço de tempo, que o Paulo Bento é treinador e conseguiu, de certa forma, fazer história no Sporting.

Nos últimos anos, tem-se assistido a uma debandada dos ‘capitães’ do Sporting, como por exemplo Pedro Barbosa, Sá Pinto, Beto ou Custódio. Acha que falta uma voz de comando no balneário?
Eu tenho uma opinião muito radical em relação a isso. Para mim, a referência tem de ser sempre a instituição, o Sporting, que tem um lema. Seja A, B ou C que enverga a braçadeira, terá de ser respeitado como os outros. Não vejo que, por ser ‘capitão’, possa ter mais ou menos privilégios. Não acho que, por exemplo, o caso do Vítor Baía possa ser a união num grupo com vinte e tal jogadores. Terá de haver carácter de cada um, o líder será sempre o treinador e, acima de tudo, a instituição. É um facto que as referências – embora para mim a referência seja o clube – têm saído do Sporting, mas são simples coincidências. Tenho uma amizade enorme pelo Custódio, mas há alturas na vida que temos de seguir outro caminho, foi isso que ele fez, mas as pessoas passam e o clube fica. Na minha opinião, o ‘capitão’ é apenas o porta-voz do grupo e, por si só, não decide nada. Às vezes adquire-se um estatuto, quase de mito, e diz-se que o ‘capitão’ é que manda; então, se fosse assim, tirava-se o treinador e o ‘capitão’ resolvia a situação. Eu não vejo as coisas assim.

Conhece os reforços confirmados para o Sporting?
Tenho lido a imprensa, mas foi a primeira vez que ouvi esses nomes. Sei que jogaram na selecção, ainda bem, mas se estão referenciados temos de acreditar que os responsáveis que estão à frente do clube vão olhar pelos interesses do mesmo. Espero que a palavra “reforço” possa encaixar em cada um deles.

O que é que ambiciona da sua carreira, no futuro?
Ainda há algumas coisas para preencher a minha carreira. Quero ter uma aventura no estrangeiro, sempre disse isso, e tenho a certeza que a vou ter. Um sonho meu é representar a nossa selecção e vou lutar por isso enquanto tiver forças. E também conquistar um campeonato português, porque não? O primeiro título que consegui como profissional de futebol aconteceu este ano.

http://www.sportugal.pt/noticia.php?categoriaID=0&noticiaID=25291

“Sou contra a redução das equipas”

Raramente os jogadores são ouvidos sobre os problemas estruturantes do futebol português. Uma questão delicada, como o número de participantes no escalão maior, não podia ser passada em claro nesta conversa com Abel.

O que pensa da redução do campeonato para 16 equipas?
Se os estádios estão vazios, e ainda proporcionamos menos espectáculos de futebol, não me parece que a solução passe por reduzir o número de equipas. Tem de haver uma estratégia de marketing dos clubes, pois temos de ter a consciência que muitas vezes se praticam preços exorbitantes para a média salarial de um trabalhador português. Não vejo que a redução de equipas vá melhorar seja o que for em termos de competição na Liga. Vemos os grandes campeonatos, que jogam domingo-quarta-domingo, e, se me perguntar, prefiro jogar assim a época toda. É por isso que um plantel é composto por 25 jogadores e não por 11, há jogadores mais que suficientes para se disputar um campeonato com jogos domingo-quarta-domingo. Por incrível que pareça, vemos os plantéis e vemos uma discrepância enorme; há 13 ou 14 jogadores que fazem 20 ou 25 jogos numa sequência de 30, enquanto os outros 14 fizeram quatro ou cinco, e em função dos castigos e das lesões. Estou completamente a favor do maior número de equipas possível e acho muito bem a entrada da Taça da Liga. Além de que, muitas vezes, o campeonato pára em função da selecção, mas não devia ser assim. Certamente que há jogadores que podem substituir os que vão para a selecção.

http://www.sportugal.pt/noticia.php?categoriaID=0&noticiaID=25290

“Ele não podia dizer outra coisa”

O defesa entende as palavras à Mourinho do treinador do rival da Segunda Circular, mas deixa no ar o desafio de falarem no final da temporada.

Fernando Santos prometeu recentemente que o Benfica iria ser campeão na próxima temporada. Que comentário faz a esta afirmação?
Acho bem que ele prometa isso, porque um treinador de um clube com a dimensão do Benfica não pode dizer outra coisa, não tinha outra saída em função da pergunta que lhe fizeram. Está no direito de dizer que tem a certeza disso, vamos ver no final se isso acontece. Tenho muitas dúvidas em relação a isso e coloco muitos pontos de interrogação no que ele disse. Mas, sem dúvida que é um dos candidatos, não vou dizer que é completamente descabido aquilo que ele disse, porque não é. Independentemente do discurso dos treinadores, os três grandes são candidatos crónicos. Mas conheço a equipa do Sporting e sei o valor que temos. No final fazem-se as contas e veremos quem será o campeão.

http://www.sportugal.pt/noticia.php?categoriaID=0&noticiaID=25289

“Acredito que Nani vai triunfar”

Companheiro dos talentos que vêm despontando no Alfobre de Alcochete, Abel acredita na afirmação de Nani na Premier League, mas coloca dose maciça de responsabilidade em cima do extremo.

Este foi o ano da afirmação de alguns jovens do Sporting, como Nani e Miguel Veloso. Como é que os jogadores mais experientes do plantel lidam com a atenção mediática à volta dos ‘miúdos’?
São jogadores que, desde muito cedo, estão habituados a competir entre os melhores, porque a sua Academia tem a capacidade de ir buscar os melhores jogadores nacionais. São obrigados a competir entre eles por um lugar e por títulos, e o Sporting tem conseguido arrecadar, nestes últimos anos, uma série de campeonatos nacionais. Logicamente que há uma mentalidade vitoriosa e, juntar a qualidade que existe com a vontade de aprender, é muito mais fácil conseguirem chegar a um plantel de seniores. É bom que se diga que o Sporting tem uma filosofia de apostar nos jovens, é do conhecimento público que esta direcção aposta na sua Academia. Dando oportunidade a estes miúdos, com a ajuda do treinador, com paciência e calma, a partir daí tudo se torna mais fácil. Alguns aguentam a pressão, outros não. No caso do Nani, conseguiu ter uma prestação positiva nestas duas épocas que fez no Sporting. Deu um salto para um clube com uma dimensão diferente, agora falta a sua afirmação em termos internacionais, para ver se realmente a aposta nele foi positiva ou não. Sem dúvida que as qualidades dele são inegáveis; o campeonato é diferente, a exigência é diferente também, estará num clube onde a competitividade entre os jogadores é elevada. Há um factor determinante: tem um treinador que gosta muito de apostar nos jovens, de ensiná-los, de explicar o que é jogar no Manchester. Vai depender muito do Nani, mas acredito que ele vai triunfar, embora tenhamos exemplos de jovens com a idade dele que foram para fora e que regressaram passado um ano. Estou convencido e desejo que ele consiga triunfar!

http://www.sportugal.pt/noticia.php?categoriaID=0&noticiaID=25288

“Estamos preparados para a Champions”

Sem pestanejar, Abel reconhece que faltou experiência à equipa de Alvalade na última edição da Liga milionária. Para 2007/2008 não faz promessas, enquanto isso espera pelo sorteio.

As últimas participações do Sporting na Liga dos Campeões não foram muito positivas. O que falta à equipa para que isso não se repita?
O que aconteceu o ano passado deu-nos experiência, mas não foi uma participação positiva em termos de resultados. É verdade que a maioria dos jogadores do Sporting não tinha experiência nesta competição e, este ano, logicamente que entramos mais preparados. Vamos tentar fazer aquilo que o Sporting nunca conseguiu na sua história, que é passar à segunda fase. Sem dúvida que será muito importante para os jogadores alcançarem esse objectivo.

Até onde acha que o Sporting pode chegar nesta prova?
Sabemos que vamos competir com super potências e temos de ter a consciência que o Sporting não tem a mesma dimensão que outros clubes europeus, mas logicamente que tem massa humana para fazer frente. Mas é extremamente difícil ombrear de igual para igual com essas equipas. Se o sorteio for favorável, tudo é possível. Estar a dizer onde podemos chegar é fazer futurologia, depende de muitos factores, mas claro que vai depender muito dos adversários que nos calharem.

Acho que o titulo deveria ser “Abel dá um chuto no chá” :twisted:

Enfim, comprovando a minha teoria de que o Abel sempre se empenhou nos treinos como comprova a sua extrema vontade de jogar, tudo aquilo que especulavam sobre ele era mentira

Uma boa entrevista, sem papas na lingua.

hmmmm … essas conclusões todas a partir de uma entrevista? Pensei que esse tipo de conclusões se tirava de debates … e mesmo assim :smiley:

:rotfl: Concordo, ele practicamente n critica o Paulo Bento antes pelo contrario…

Mas alguem disse que ele criticava o Paulo Bento?

O que eu disse foi que todas aquelas suposições ridiculas baseadas num treino aberto ao publico de que o Abel não se empenhava nos treinos e por isso mesmo o Paulo Bento não lhe colocava a jogar, vai por água a baixo face ás declarações do próprio Abel.

Para mim a saida do Abel da titularidade deveu-se a questões extra, as mesmas que colocaram o Veloso no banco durante um periodo de tempo, as mesmas que colocaram o Yannick a 10, etc…

Chamem-lhe chá, chamem-lhe teimosia, chamem-lhe burrice…