Para já, é impossível acabar com as centrais de base (essencialmente carvão e gás, em Portugal). Isto porque o vento flutua, a água flutua e o sol também e é necessário garantir que a produção é sempre igual ao consumo + perdas.
Em Portugal já tivemos uns poucos dias (muito poucos) em que a produção foi toda à base de renováveis mas isto foi em alturas de bastante chuva e temporais, onde estavam reunidas as condições para que tal acontecesse.
Para solucionar este problema, é necessário um método fiável para o armazenamento de energia. Se nas albufeiras isso é mais ou menos possível com o armazenamento de água e também com a bombagem, nas eólicas ainda não o é. Numa albufeira é possível guardar a energia (água) para produzir mais tarde, com o vento, seria necessário armazenar a energia já produzida em baterias e, neste momento, a tecnologia ainda não existe para projetos em grande escala. Já para não falar na poluição que as baterias acarretam.
Eu apesar de ter formação na área e de ter estudado bastante as renováveis, admito que ainda está um pouco longe de se acabar totalmente com as centrais fósseis em Portugal. Sou da opinião que se deve instalar e investir o máximo possível nas renováveis e vou ser um pouco polémico e dizer que para mim a solução ideal seria o nuclear + renovável.
Ah, já para não falar que nós aqui na Península Ibérica vivemos numa “ilha energética”. Basicamente só conseguimos vender/comprar energia a Espanha, devido aos Pirenéus e ao mar todo à nossa volta (as trocas com França são quase inexistentes). No entanto, creio que os projetos de construir um cabo submarino HVDC a Marrocos e outro de San Sebastian a França já avançaram e encontram-se em construção.