Empreendedorismo

No dia do falecimento de um homem que em muito ajudou Portugal, criando várias empresas e inúmeros empregos para os portugueses, gostaria de em certa forma lhe prestar uma homenagem e ao mesmo tempo saber se esta área do empreendedorismo vos cativa.

Esse homem era Salvador Caetano, o responsável pela entrada da Toyota no mercado português, homem que era idolatrado pelos seus empregados, que considerava como a sua segunda família, aqui vos deixo algumas notícias que saíram hoje relacionadas com o seu falecimento:

http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1163799.html
http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1163787.html
http://economia.publico.pt/Noticia/morreu-salvador-caetano-o-rosto-da-toyota-em-portugal_1500405
http://economia.publico.pt/Noticia/o-antes-e-o-depois-da-toyota-na-vida-do-empresario-que-gostava-de-ter-sido-actor_1500412
http://economia.publico.pt/Noticia/toyota-uma-marca-que-e-sinonimo-de-promessa-cumprida-em-portugal_1500416

De certa forma quero cativar os mais novos a entrar nesta área e ao mesmo tempo ouvir o que os mais velhos têm para dizer, experiências que tenham para contar, pois acredito que a partilha das experiências ajudará outros a não cometerem os mesmo erros e adoptarem as soluções que vingaram.

Penso que o empreendedorismo pode ser uma saída viável para a alhada económica em que Portugal está, o problema é que os sucessivos governos menosprezam o empreendedorismo, infelizmente, pois há muitos jovens empresários que têm ideias muito boas, mas essas ideias são substituídas pelas ideias bolorentas das grandes empresas.

Acho incrivel o topico da morte de um homem como Salvador Caetano, estar com 2 post´s após o inicial, e o topico do angelico já vai com 8 paginas :inde:

[mod]Mais respeito pela figura em questão agradece-se.[/mod]

É o nosso país :inde:

De qualquer das maneiras, aproveito este tópico (julgo não haver nenhum) para prestar a minha homenagem a este homem que tanto deu ao nosso país.

RIP Salvador

Quanto ao empreendedorismo, é algo de complicado em Portugal. Nem todos gostam de arriscar quando temos por hábito um trabalho para a vida e ambição não é algo que abunde em Portugal.

A questão é mesmo essa Mudo, o povo Português é dos povos com maior aversão ao risco. Mas já os antepassados diziam o tal provérbio: “Quem não arrisca, não petisca!” e por isso é que vemos muitas pessoas estagnadas nos seus empregos de que não gostam, quando tinham capacidade para fazerem algo que gostam e ao mesmo tempo tirar melhores dividendos.

Manuel Forjaz, um excelente exemplo de empreendorismo:

[Ignite #6] Manuel Forjaz - “O sentido da Vida”

Sou um grande seguidor deste Professor universitário.

Isto é off-topic, mas eu já tive uma aula com ele e não concordo nada contigo. Aliás, enviei-lhe inclusive um e-mail ao qual não obtive resposta, onde criticava a apresentação dele e o objectivo.

Gostei de o ouvir e até lhe dou razão em muitos pontos, aliás pretendo seguir muitos dos seguimentos, mas não concordo quando diz que a felicidade está associada a liberdade. Em pessoas como eu isso faz sentido, mas conheço muita gente que é feliz vivendo na sua rotina, entrando às 9h, saindo à meia-noite, onde nem chega a estar com os filhos, sendo criados pelas empregadas, mas tem um BMW na garagem da sua vivenda.

Cada um é escravo da maneira que quer, mesmo que não se aperceba alguma vez disso…

Em Portugal é muito complicado ser empreendedor e são poucos os que chegam longe como o Salvador Caetano… a nossa sociedade não tolera competição aberta como no caso dos nórdicos por exemplo.

Eu prefiro ver as coisas doutro prisma, do positivo, que cada um deve procurar aquilo que o realiza, aquilo que o faz feliz, não é uma escravatura, mas sim uma procura do lugar ideal.

Isso do “muito complicado” depende do que uma pessoa está disposta a sacrificar, se não tiver qualquer interesse pelo ramo é claro que é complicadíssimo fazer alguma coisa da vida, mas exemplos de sucesso em Portugal não são assim tão poucos como se crê.

Angélico Vieira não resistiu ao brutal acidente de viação que sofreu e acabou de falecer. A geração “Morangos com Açúcar” já tem o seu mártir.

Para o caso não interessa nada que o carro circulasse na via pública sem seguro, ou que a maioria dos ocupantes não tivesse colocado o cinto de segurança.
Também parece não interessar a ninguém saber a que velocidade ia a viatura ou se condutor apresentava excesso de álcool ou drogas no sangue. Ninguém falou disso. A comunicação social em peso preferiu a exploração do efeito emocional e ficou por aí.

Mais ou menos na mesma altura morreu o empresário Salvador Caetano. É verdade que o senhor tinha 85 anos e estava doente, mas a histeria mediática à volta do desaparecimento do jovem artista Angélico Vieira, por contraste com a discrição da notícia da morte do empresário nos órgãos de informação dá-nos um excelente retrato da ordem de valores da sociedade actual.

Por aqui se vê que um jovem cantor e actor é muito mais importante do que um homem que subiu na vida a pulso, construiu um império industrial, contribuiu para a produção da riqueza nacional e deu emprego a milhares de pessoas.

Por aqui se vê que para muita gente é mais importante uma novela de duvidosa qualidade, com adolescentes, do que construir fábricas, criar empregos no país e dar pão a inúmeras famílias.

Apesar de tudo entendo muito bem a reacção dos adolescentes neste caso. A culpa desta inversão de valores nem sequer é deles. É da geração anterior, dos pais, que os educaram assim. Para a diversão e não para o trabalho.

Não percebo bem o que é que a mensagem anterior acrescenta ao tópico.

Que é que “empreendedorismo” e " professor universitário" têm de comum? Parece-me muito pouco.
A mensagem dele é a mesma que partilho, embora ache que a apresentação esteve muito confusa, os acetatos palavrosos ao mesmo tempo que ele também é palavroso “dividem” a atenção. Além de que deu exemplos contraditórios, então liberdade, e ter tempo, é desisitir de um emprego e passar a ter outro que ocupa ainda mais tempo? :lol:

Mas a mensagem é mesmo essa: estabelecer objectivos realizáveis e lutar por esses objectivos; quando se atingirem, estabelecer novos objectivos realizáveis. E SABER QUANDO PARAR de estabelecer objectivos puramente financeiros e dar mais prioridade à saúde, lazer, família.

Não concordo nada, mas mesmo nada com isso. É verdade que não é fácil, que não há muitos meios nem mercado para ser empreendedor, mas por outro lado tens uma coisa muito boa que é a enorme incompetência e pouco profissionalismo de 2/3 dos teus concorrentes. Basta seres regrado, lúcido, e profissional e garanto-te que em Portugal tens sucesso.

Tomara que o problema fosse só da incompetência da tua concorrência…

Estás a esquecer-te de um player muito importante em Portugal: Estado. :wink:

Não é teu concorrente directo, mas é um empatas do apre gaitinha vou-te contar.

O Estado complica onde não é necessário e dá o péssimo exemplo no que toca a pagamentos. De resto não vejo que seja assim tão prejudicial. Tomara eu que existisse menos Estado. Mas o que temos não é dos piores. Não é mesmo.

Engraçado, noutro dia pensei em abrir este mesmo tópico e eis que dou de caras com ele! Bem, vou partilhar a minha experiência acerca de empreendedorismo. Conheci esta vertente à cerca de 2 anos, por conversas com amigos. Uns videos aqui, outros ali, trocas de experiências e acabei por começar a ver uns eventos da IGNITE. Basicamente, é um evento onde há trocas de histórias, vivências, experiências. Aconselho a todos os interessados neste ramo a marcar presença nos eventos. Normalmente paga-se 5euros com beer break :beer:.
Quanto ao empreendedorismo em si, penso ter espiríto empreendedor. Gostava de abrir a minha empresa, com as minhas ideias. Penso que só assim o país se desenvolve, apesar de não haver grandes verbas para investir nas junior empresas… Enfim, mesmo assim prefiro arriscar, Portugal e os portugueses têm alguma aversão ao risco.

Duro, mas justo. Era assim o homem que trouxe a Toyota e fazia parte de uma geração para quem o despedimento de um único funcionário não era uma medida de gestão mas uma mancha na pele.

O mundo aberto e multifacetado de Salvador Fernandes Caetano - nascido em 2 de Abril de 1926 em Vilar de Andorinho, Gaia - começou a fechar-se sobre si como se tivesse acabado de ficar vazio em 30 de Março deste ano, quando o amigo de sempre, parceiro de negócios e companheiro de trapaças bem dispostas, Laurindo Costa, desapareceu para sempre. A biografia definitiva do homem que em 1968 trouxe para Portugal a marca nipónica Toyota “para ficar e ficou mesmo” - como diz o ‘slogan’ inventado por outro amigo que também já anda por outras bandas, Artur Agostinho - dirá que o desaparecimento do antigo sócio maioritário do grupo Soares da Costa fechava um ciclo; mas, para o círculo mais próximo do empresário que morreu no passado dia 27, Salvador Caetano nunca mais recuperou: não era um ciclo que se fechava, era um mundo que desaparecia. “Nunca mais foi o mesmo”, disse ao Outlook fonte próxima da família.

Com Salvador Caetano desaparece uma casta de empresários que moldou parte importante da economia portuguesa desde o período imediatamente posterior à II Guerra Mundial, e que partilha uma série de denominadores comuns que são, de algum modo, a história da indústria nacional do século XX. São homens que se fizeram na tarimba do óleo de linhaça das pesadas máquinas industriais, em detrimento dos bancos das universidades; que carregaram como puderam o peso de um condicionamento industrial (anterior a 1974) que os mantinha numa fronteira para lá da qual estavam os banqueiros e uma mão cheia de empresários enredados com o regime de António Salazar e mais tarde com o de Marcelo Caetano; que mantiveram o pulso nos anos de fogo do PREC sem viajarem para paraísos tropicais; que manifestaram sempre um enorme pudor em ostentar a riqueza que amealharam e um mal-estar em frente a microfones, máquinas de filmar e holofotes; e assumiam um despedimento (um único que fosse) não como medida de gestão, mas como uma mancha dolorosa na sua própria pele.

Juventude adiada

A história adulta de Salvador Caetano começou aos dez anos, em 1936 - num país que encerrava as fronteiras com medo do que se passava do lado de lá, entre republicanos a chegar ao poder em Madrid e oposicionistas que punham a Luftwaffe a voar nos céus de Espanha num ensaio para dali a três anos - foi trabalhar para a construção civil e logo depois para a pintura de automóveis. Com os primeiros ordenados, comprou uma bicicleta.

Fartou-se depressa dos patrões e das argamassas, mas não dos automóveis: aos 20 anos fundava uma pequena oficina, juntamente com o irmão Alfredo e com o amigo Joaquim Domingos Martins, com um capital de 30 contos (150 euros). Não correu bem. Salvador perdeu os sócios, mas não a vontade de fazer por si aquilo que achava que estava certo e, a partir de 1952, outra vez sozinho, percebeu que havia mais mundo; e que se ele não chegava cá era preciso ir lá fora buscá-lo. Foi um precursor dessa estratégia que, umas décadas volvidas, ascenderia à condição de verdade insofismável: a capacidade de um empresário se entender com os seus congéneres no exterior seria a medida do seu sucesso a prazo.

Foi nessa certeza que Salvador Caetano introduziu em Portugal as técnicas de construção mista de carroçarias: madeira e perfis de aço. Três anos depois, em 1955, optava pelas metálicas, porque percebeu que era essa, nas feiras e certames que visitava, a opção internacional. Mas não chegava copiar: era preciso estar à frente na inovação. Debaixo desta certeza, fechava um acordo com a britânica Metro Cammel Weman, segundo o qual a empresa portuguesa partilhava as sabedorias que se iam descobrindo além-fronteiras. Foi o primeiro de vários acordos semelhantes, com diversos grupos internacionais.
O ano era o de 1961, o mesmo em que conseguiu um dos seus contratos mais promissores: a venda de 12 autocarros de dois andares aos Serviços de Transportes Colectivos do Porto.

O senhor Toyota

Pouco tempo depois, em 1964, Salvador Caetano voltava a perceber outra coisa antes de muitos outros: a diversificação poderia não apenas promover o aumento dos proveitos do grupo, mas também reduzir riscos perante um eventual emagrecimento do mercado das carroçarias para pesados. Com nove amigos - sempre os amigos - fundou a Transmotor, para representar e vender em Portugal veículos pesados de mercadorias e passageiros das marcas Leyland, Albion e Scammel.

Era o primeiro passo na representação de marcas internacionais, que culminaria em 1968 - já depois de, em 1966, o grupo ter assumido a designação de Salvador Caetano Indústrias Metalúrgicas e Veículos de Transporte - com o início da importação da nipónica Toyota, após ter tentado, sem conseguir, importar a marca Ford. A estratégia tinha riscos: a marca era quase desconhecida; as soluções de ‘design’ não eram as mais consensuais face aos padrões europeus e o mercado ainda desconfiava da tecnologia asiática.

A estratégia do grupo revelou-se acertada, e o governo de então soube reconhecer isso: Salvador Caetano pôde contar pela primeira vez com três anos de isenção de impostos sobre os lucros, como forma de elevar o contributo das suas actividades para a economia. Mais importante: a isenção era mostra de que o grupo estava a vencer a batalha contra o condicionamento industrial - que já então muitos economistas consideravam uma aberração sem sentido.

Os anos da Revolução

Os acontecimentos de 25 de Abril de 1974 não podiam ficar à porta da empresa e, por muito que Salvador Caetano mostrasse ser um patrão compreensivo e preocupado com o bem-estar de quem trabalhava para ele, a Revolução entrou portas adentro sem pedir autorização. O senhor Toyota, como começava a ser conhecido, ficou agastado com o ambiente de conspiração que passou a viver-se por entre as carcaças dos camiões e não tolerou que, num dia mais quente que o costume, um dos seus administradores tivesse sido alvo de uma tentativa de sequestro.

Engendrou uma estratégia de ataque: dirigia-se às instalações fabris munido de um banco, subia para cima dele e explicava o andamento da empresa, as perspectivas de futuro e os riscos que se adivinhavam. Fazia como se partilhasse com todos o destino do grupo - coisa que nunca lhe terá passado pela cabeça. Os ânimos acalmavam e os trabalhadores voltavam às carcaças dos pesados. O certo é que o grupo escapou às nacionalizações anunciadas a seguir a 11 de Março de 1975, assumindo a condição de maior conglomerado privado da economia de então. O fundador do grupo acabaria por fundar a imagem que dele acabaria por ser aceite como verdadeira pelos colaboradores: “É duro, mas é justo”.

Uma viagem a Inglaterra

Terá sido o que aprenderam, há cerca de uma década, os colaboradores das empresas do grupo no Reino Unido. Salvador Caetano viajou para Inglaterra e convidou os colaboradores para jantar num restaurante a duas horas de viagem de Londres.

Entre sorrisos necessários e alguns esgares de aborrecimento pelas dificuldades de comunicação, os colaboradores lá iam espiando Mr.Caetano, que se mantivera calado durante o jantar. Aquilo estava quase a acabar e nem tinha corrido mal. Até à sobremesa: então, usando um inglês que não passaria nos exames de acesso a Oxford mas mais que suficiente para dar a entender ao que ia, explicou que “ou vocês trabalham mais e melhor ou eu fecho as empresas que tenho em Inglaterra”. Curto e grosso, como costuma dizer-se, o que deixou os colaboradores estarrecidos e esclarecidos.

A dureza e a justiça da postura de Salvador Caetano foi a chave-mestra da sua vida de trabalho de 75 anos, que só acabou há meia dúzia de semanas, quando o fundador do grupo deixou de visitar as fábricas que pôs em pé. Preparava-se para descansar

Note-se que o episódio mais importante e que lhe deu a maior alavancagem acabou por ser uma situação com muita sorte à mistura. A importação/representação da Toyota era para ser feita pela empresa que detinha a representação da BMW em Portugal. Só que a BMW alemã torceu o nariz e não permitiu que essa empresa acumulasse a BMW e a Toyota. O dono dessa empresa era muito amigo do SC e acabou por lhe “oferecer” o negócio.

Mas lá está, de uma forma ou de outra este homem chegaria longe. A sorte ajuda mas não basta. Da mesma forma que o condicionamento do Estado não impede, pode custar mais mas não impede que as coisas aconteçam.

Sinceramente, não acredito nisso. Não acredito que haja alguém feliz quando não consegue estar mais que 30min por dia com os filhos, quando não consegue estar mais que 30min com a mulher/marido ou quando passa 12 horas por dia a trabalhar.

Até pode parecer uma pessoa feliz, mas não acredito que o seja…