EDP - Plano Nacional de Barragens - Acção no Facebook

Onda de mensagens contra a EDP no Facebook
Tudo por causa do Plano Nacional de Barragens

Eu não pedi um Plano Nacional de Barragens». Esta expressão foi escrita pela utilizadora Joana Couve Vieira na página do Facebook da EDP. Nem meia hora depois, a empresa usou o lápis azul, censurando o comentário: «De acordo com o Código de Conduta da nossa página (…) somos obrigados a eliminar o seu post».

Rapidamente uma onda de solidariedade se fez sentir, com outros utilizadores a teclarem a mesma expressão. Até já há imagens e logótipos sobre o assunto.

«Psst psst, mas eu não pedi um Plano Nacional de Barragens!»; «edp aderiu à censura no Facebook!»; ‎«Eu não pedi um plano nacional de barragens. Já agora, o dinheiro gasto em publicidade , já que não existe concorrência em Portugal, podia servir para reduzir os preços, os Portugueses agradecem» são alguns dos exemplos de mensagens deixadas pelos cibernautas.

As ironias multiplicam-se: «A CENSURA da EDP, é uma cena que a mim não me assiste»; «Seria brutal se a EDP criasse um passatempo com esta mensagem: Eu não pedi um Plano Nacional de Barragens»; «É aqui o sítio para protestar contra o PN Barragens?»; «Não só não pedi como sou contra o Plano Nacional de Barragens, pode ser que a troika acabe com a brincadeira!»; «unlike EDP»; «Alguém pediu um Plano Nacional de Barragens? Not me…»; «Eu pedi foi um Plano Nacional de Inteligencia!!».

As imagens também: há quem tenha criado um logótipo semelhante ao da EDP, mas com um quadro e lá dentro um X, em sinal de reprovação, ou quem tenha elaborado um outro, de fundo verde, onde se pode ler que «esta pessoa não pediu um Plano Nacional de barragens».

Há também quem saia em defesa da EDP… aparentemente: «O sistema nacional de barragens é justo. É justo porque gera emprego (mais de três para senhoras da limpeza, mais três para técnicos, mais quarenta e cinco para administradores com salários justamente milionários), e justo também porque os ecossistemas que destrói para construir as barragens de gastos enormes, justamente semi-patrocinadas pelo estado, destroem criaturinhas que, primeiro, não gastam electricidade, e segundo, não pagam impostos. Por ensinar a arruaceiros e a estas espécies uma lição, Um grande bem haja, EDP!».

Entretanto, a empresa limitou-se a «lamentar o ocorrido» na sua página daquela rede social e apelou «à compreensão de todos para o cumprimento dos princípios de utilização presentes do nosso Código de Conduta».

Certo é que as mensagens depreciativas dos utilizadores não param de inundar o mural da EDP no Facebook.

Recorde-se que este fim-de-semana a TVI fez as contas a uma factura da luz da EDP e concluiu que metade dela não diz respeito a energia consumida e sim a subsídios às empresas produtoras de electricidade.

url da notícia:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/media-e-tecnologia/facebook-edp-barragens-mural-internet-redes-sociais/1290055-2974.html

url da página do facebook:
http://www.facebook.com/grupo.edp?sk=wall

algumas imagens:

Não sabia disto, deixa lá ver se aparece alguma coisa nos telejornais ou se vai ser abafado…

EDP, outra empresa que beneficia do modelo de privatizações português. 50% do que pagamos é para financiar projectos desta empresa.

Precisamos de liberalizar verdadeiramente o mercado!

Como definir a “liberalização” que existe em Portugal: empresa que pretenda competir com a EDP tem sempre de pagar algo à EDP.

Fixe!

E chamam isto liberalizar o mercado.

O meu melhor cliente!

Mas como tenho espírito de contestatário, recomendo este anúncio (copyright by Blitz), aos gajos da Porto Ferreira:

Local: um café tipo Nicola ou Brasileira.
Imagem do empregado a afastar-se, com um dossier na mão e cara de humilhado…
Cliente, dirigindo-se-lhe, numa voz um pouco alterada: - Eu não pedi um Plano Nacional de Barragens!
Outro empregado chega em simultâneo, com uma travessa com um copo e uma garrafa e dirige-se ao cliente: - Foi você que pediu um Porto Ferreira?
Cliente vira-se e olha o 2º empregado e enquanto no seu rosto se vai espraiando um sorriso, o 2º empregado serve-lhe o porto.

Que queres dizer com isto (sem ironias)?

Uma coisa é terem que pagar algo pela rede nacional. Que discutam preços, duração temporal desses pagamentos, a que empresa isso é pago, etc.

A mim interessam-me 2 coisas:

  • Que exista um pagamento, por todos os competidores (inclusive a EDP) à distribuição de energia eléctrica, pela utilização da rede nacional eléctrica.

  • Que os lucros desse pagamento revertam por inteiro para o Estado.

Quanto à privatização da EDP, é ver o problema ao contrário. Quem devia ser “privatizado” era o governo. Depois, talvez eu fosse a favor de uma privatização de qualquer sector essencial para o país.
Com a incompetência que se vê na gestão política do país desde há décadas não tenho a certeza que eles façam bons negócios para o povo (onde eu orgulhosamente me incluo).

A EDP não controla o “lago”, digamos assim?

Conheço casos, por exemplo no Reino Unido, onde esses custos não ocorrem, tornando a concorrência realmente livre. Acontecendo o que acontece em Portugal, e não apenas no caso da EDP, a empresa concorrente tem mais um custo associado.

Não estou por dentro dos funcionalismos, de termos técnicos, etc., mas não deveria a EDP pagar ao Estado, sendo este último o detentor das “linhas”, e não a EDP ser a dona das linhas?

Se o problema é de manutenção, que todas as empresas financiem uma empresa que sirva esse objectivo, repartindo o custo.

Em relação ao que entendes por privatização, já somos dois. Aliás, isso, sim, é uma privatização, não o que temos em Portugal.

Como em quase todos os “lagos” em Portugal, a coisa é difusa.
A rede nacional foi construída através dos tempos pela CRGE, depois pela EDP (penso que me falta para aí uma no meio, mas agora não interessa), mas a maioria antes de quaisquer semi-privatizações. Por isso é de entender que seja do Estado. Depois criou-se a REN, supostamente para que a EDP (sendo semi-privatizada) pagasse algo ao Estado.
Mas é tudo meio nebuloso, as usual.

Por isso digo que outras distribuidoras concorrentes não tenham que pagar nada à EDP e sim à REN. Mas isto sou eu a dizer, que sei bem o que passou a Sodesa, joint-venture da Endesa (grande distribuidora espanhola) e da Sonae, para entrar como player.

Os custos que refiro deveriam ser o pagamento à REN (no fundo, ao Estado) de um valor (com uma duração limitada no tempo) pela utilização da rede eléctrica, que é do Estado. Nossa.
E isso para todos os players.

A rede custou dinheiro aos portugueses. Não se pode “oferecer” a uma qualquer distribuidora que chega e é “só ligar o cabo”.
A manutenção é diferente. Isso continuaria a ser assegurado pelo Estado enquanto durasse o “aluguer” às distribuidoras.
A partir do momento em que esse “aluguer” terminasse, então as distribuidoras que custeassem a manutenção da mesma, de preferência sob fiscalização do Estado.

Exactamente, a REN!

Portanto, a EDP paga à REN? E esta paga ao Estado? E novas empresas, o que fazem? Pagam à EDP e à REN, ou só à REN?

Então qual é o problema que alguns dizem existir em relação à EDP e ao mercado estar sob controlo desta, afirmando que o mercado não é verdadeiramente livre?

Não te sei dizer exactamente o problema. Não tenho ido às reuniões… :lol:

O que sei é que existe muita “pressão” política da EDP sobre tudo o que diga respeito à partilha/aluguer da rede eléctrica.
Mas nem lhes levo isso a mal…
O mau mesmo é os sucessivos governos aceitarem essa “pressão” e não resolverem o problema de uma vez por todas.

De algumas reuniões que tive com o admnistrador executivo da Sodesa (embora esse fosse sempre um tema delicado, pois essas reuniões não tinham nada a ver com o assunto) o tema veio sempre à baila e a impressão que me passou foi sempre de grande frustração e de queixas dessa suposta “pressão” por parte da EDP (e não da REN).
Ao que sei, a Sodesa “desistiu” há cerca de 2 anos. E já tinham investido bastante.

Pois, eu sei que essa organização espanhola desistiu, ou então cinge-se actualmente a um segmento de mercado, ora empresas, ora particulares, não tenho a certeza.

Pelo que me dizes, a pressão exercida pela EDP é igual, por exemplo, à que a PT exerceu em tempos. Ainda exerce, diz a Optimus, a principal vítima. E a Vodafone (que entrou cá adquirindo a Telecel) só é o que é hoje porque entrou em conluio. Diz a Optimus, novamente.

As semi-privatizadas “rulam”… :lol:
Os cargos admnistrativos oferecidos a ex-membros de governo terão algo a ver com isso? Lá estou eu a especular… :twisted:

As empresas que queiram entrar no mercado português têm que pagar o uso das infraestruturas (REN e EDP) tal como acontece com as empresas de multimédia que pagam à PT para poderem usar as suas infraestruturas. Tal como a CP tem que pagar à REFER.

Um mundo perfeito, portanto!
Uma pergunta, e quem é que paga ao Estado (que, curiosamente, foi quem pagou essas infraestruturas)?
E porque é que a EDP e a PT têm que receber pagamento pelo uso dessas infraestruturas, e não pagá-lo?

Esta “onda de solidariedade” cheira-me a que tem mao de companhia de relacoes publicas, ainda por cima vem mesmo a proposito, agora que até há uma campanha para que nao privatizem a agua.

Daniel, no UK as pessoas estão constantemente a ser roubadas pelos vários providers, tanto faz ser de gás, como de luz como de agua. A maioria das pessoas, continuam a usar o correspondente a EDP, ou seja a companhia que havia antes das “privatizações”