Economia - A coisa está preta...

[b]Opinião: Dias depois do colapso das bolsas mundiais[/b] George Soros: esta é a pior crise dos últimos 60 anos 24.01.2008 - 08h52

A actual crise financeira desencadeada pelo colapso da bolha imobiliária, nos Estados Unidos, marca também o fim de uma era de expansão do crédito assente no dólar como a moeda de reserva internacional.

É uma tempestade muito maior do que qualquer outra ocorrida desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Para compreender o que está a acontecer, precisamos de um novo paradigma. Esse paradigma está disponível na teoria da reflectividade que propus pela primeira vez, há 20 anos, no meu livro “The Alchemy of Finance” (A Alquimia dasFinanças).

Esta teoria defende que os mercados financeiros não tendem para o equilíbrio. Opiniões tendenciosas e ideias erradas entre cooperadores dos mercados financeiros introduzem incerteza e maior imprevisibilidade não apenas relativamente aos preços do mercado, mas também aos princípios fundamentais que se espera que esses preços reflictam. Entregues a si próprios, os mercados têm tendência para extremos de euforia e de desespero.

Na realidade, devido à sua potencial instabilidade, os mercados financeiros não são deixados entregues a si próprios; estão a cargo de autoridades responsáveis cujo trabalho é manter os excessos dentro dos limites. Mas as autoridades também são humanas e sujeitas a opiniões tendenciosas e a ideias erradas, além de que a interacção entre os mercados financeiros e as autoridades que os controlam é também reflexiva.

Os ciclos económicos de alto se baixos (boom-bust) giram normalmente em torno do crédito e envolvem sempre um preconceito ou uma ideia errada– normalmente uma falha em reconhecer uma ligação circular reflexiva entre a pronta disponibilidade para emprestar e o valor da garantia.

O recente boom imobiliário dos Estados Unidos é um bom pretexto. Mas o super boom dos últimos 60 anos é um caso mais complicado. Cada vez que a expansão do crédito causava problemas, as autoridades financeiras intervinham, injectando liquidez e descobrindo outras formas de estimular a economia. Isso criou um sistema de incentivos assimétricos – também conhecido como perigo moral – que favorecia uma expansão cada vez maior do crédito.

O sistema tinha tanto sucesso que as pessoas acabaram por acreditar naquilo a que o ex-Presidente Ronald Reagan chamou “a magia do mercado” e a que eu chamo fundamentalismo do mercado.

Os fundamentalistas crêem que os mercados tendem para o equilíbrio e que se serve melhor o interesse comum se se permitir que os participantes ajam em interesse próprio. Isso é um equívoco óbvio, porque foi a intervenção das autoridades que evitou que os mercados financeiros entrassem em colapso, não foram os próprios mercados.

No entanto, o fundamentalismo de mercado instalou-se como ideologia dominante nos anos 1980, quando os mercados financeiros começaram a tornar-se globalizados e os Estados Unidos começaram a sofrer um défice de conta-corrente. Desde 1980 que as regulamentações têm vindo progressivamente a afrouxar até que praticamente desapareceram.

EUA e a globalização

A globalização permitiu que os Estados Unidos absorvessem as poupanças do resto do mundo e consumissem mais do que aquilo que produziam, com o seu défice de conta-corrente a atingir os 6,2 por cento do PIB em 2006. Os mercados financeiros encorajavam os consumidores a pedir empréstimos introduzindo instrumentos financeiros cada vez mais sofisticados e condições mais generosas.

As autoridades financeiras ajudavam e estimulavam o processo intervindo sempre que o sistema financeiro global estava em risco. O “superboom” ficou fora de controlo quando os novos produtos financeiros se tornaram tão complexos que as autoridades financeiras já não conseguiam calcular os riscos e começaram a contar com os métodos de gestão de risco dos próprios bancos. Do mesmo modo, as agências de “rating” contavam com a informação fornecida pelos criadores de produtos sintéticos. Era um abdicar de responsabilidades verdadeiramente chocante. Tudo o que podia correr mal, correu mal.

Começou com as hipotecas “subprime” (créditos hipotecários de alto risco), alastrou a todas as obrigações de dívida com garantia, pôs em perigo a mediação de seguros e resseguros municipais e hipotecários e ameaçou destruir o mercado de trocas com um incumprimento de crédito de vários milhões de milhões de dólares.

Os compromissos dos bancos de investimento com aquisições alavancadas transformaram-se em passivos. Os fundos de cobertura sem risco acabaram por não ser sem risco e tiveram de ser postos de parte. O mercado do papel comercial coberto por activos estagnou e os meios especiais de investimento estabelecidos por bancos para retirarem as hipotecas dos seus balanços já não conseguiam passar sem financiamento externo.

O golpe de misericórdia aconteceu quando o empréstimo interbancário, vital no sistema financeiro, foi interrompido pelo facto de os bancos terem de gerir os seus recursos e não poderem confiarnos seus homólogos. Os bancos centrais tiveram de injectar uma quantia sem precedentes e tiveram de alargar o crédito sobre títulos sem precedentes ao maior leque de instituições de sempre. Isso transformou a crise na mais grave desde a Segunda Guerra Mundial.

À expansão do crédito deverá agora seguir-se um período de contracção, porque alguns dos novos instrumentos e práticas do crédito são perversos e insustentáveis. Além disso, a capacidade das autoridades financeiras de estimular a economia está limitada pela falta de vontade do resto do mundo para acumular reservas de dólares adicionais.

Até há pouco tempo os investidores esperavam que a Reserva Federal norte-americana fizesse o que fosse necessário para evitar uma recessão, porque foi o que fez em anteriores ocasiões.

Agora são obrigados a reconhecer que a Fed pode já não estar em posição de o poder fazer. Com o petróleo, os alimentos e outros bens essenciais semsofrer alteração e o renminbi[moeda chinesa, cuja unidade éo yuan] a valorizar-se um poucomais rapidamente, a Fed tem também de se preocupar com a inflação. Se as taxas de juro fossem diminuídas para além de um certo ponto, o dólar sofria nova pressão e as obrigações de longo prazo teriam de facto maior lucro.

É impossível determinar qual é esse ponto, mas quando ele for atingido, chega ao fim a capacidade da Fed de estimular a economia. Embora seja agora mais ou menos inevitável a ocorrência de uma recessão no mundo desenvolvido, a tendência na China, na Índia e em alguns dos países produtores de petróleo é manifestamente oposta. Consequentemente, é mais provável que a actual crise financeira cause um realinhamento radical da economia global do que uma recessão global, vindo a verificar-se um relativo declínio dos Estados Unidos e a ascensão da China e de outros países em vias de desenvolvimento.

O perigo é que as tensões políticas daí resultantes, incluindo o proteccionismo norte-americano, possam causar o colapso da economia global e lançar o mundo numa recessão – ou pior.

É caso pra dizer que a coisa 'tá preta… especialmente do lado “Ocidental” do mundo.

Pronto, Soares Franco já tem mais uma desculpa para, dentro de 10 anos, comentar a sua falta de jeito para ser presidente do Sporting.

Falando como cidadão estou preocupado, mas não sou economista para dizer mais.

Não é só do lado ocidental que a coisa pode ficar preta. A China e a Índia precisam de exportar para o Ocidente para crescer. Se os EUA e a Europa entrarem em recessão, o Oriente também vai sofrer. Ao constrário do que se pensava, a Ásia não ficará imune a uma recessão nos EUA, nem tem ainda dimensão para ser a “locomotiva” da economia mundial. A prova é que todas as bolsas tiveram um tombo valente por causa dos “ventos” que sopram de Wall Street.

Existem aqui algumas ideias que não estão correctas. Em concreto quando se fala da bolsa.

Os jornalistas de economia do nosso país não percebem nada de bolsa e mercados, e limitam-se a arranjar justificações económicas quando a bolsa sobe ou desce ou quando uma acção sobe ou desce. Quando na maioria das vezes até nem existe uma razão lógica para uma acção estar no momento a subir ou a descer.

Os mercados movem-se muito por emoções dos investidores (medo, pânico, ganância, euforia, etc.), e na maioria dos casos a curto/médio prazo não existe correlação directa entre as movimentações da bolsa e o estado da economia.

Tens razão, mas se o mercado (de crédito sobretudo) fica histérico ao ponto de dar cabo da liquidez dos bancos (havia de ser giro quereres levantar todo o dinehiro das tuas contas e eles dizerem que não tinham dinheiro suficiente para tal), então os bancos ficam numa situacão muito mais instável e isso alastra à economia em geral.

Sim é verdade, mas e o que isso interfere com o que eu disse?

Eu estava a falar dos mercados, da bolsa. Estava a fazer uma separação das águas entre bolsas e economia em geral, algo que o jornalismo económico não faz.

Não são as bolsas que estão gerar histeria no mercado de crédito imobiliário americano. Foi mais o contrário que aconteceu em Julho/Agosto, quando algumas empresas americanas do ramo faliram, e outras anunciaram os graves problemas de liquidez com que se deparavam. Não são as bolsas que influenciam o comportamento da economia. Essa ideia é completamente errada.

Por isso é que eu disse que tinhas razão ;D, que há que fazer a separacão das coisas… mas se pressionares em demasia os reguladores do mercado financeiro, às tantas eles com tão “boa vontade” em ajudar os mercados a ficarem regulados, deixam de ter liquidez suficiente para regular seja lá o que for e comeca a economia a tremer… especialmente nos States, onde a lógica é “Stop’n’Go” ao sabor da Economia (já o “nosso” BCE gosta é de “brincar” com a Inflacão ;D)

a bolsa portuguesa e’ esquisita de compreender, quer nas subidas quer nas descidas… quando desce e’ a valer, quando sobe e’ demasiado timida, como e’ o caso de hoje… tambem ninguem percebe este psi-20 e psi, ha’ bastantes jogadas e quem se fode sao os pequenos accionistas que pensam que a bolsa e’ so’ ganhar guito… fico feliz por ter vendido BRISA, CIMPOR e SUMOLIS em maximos, caso contrario agora estava arder… no entanto estou c perdas de montantes respeitaves no BCP, TDU e Banif apesar de ter conseguido reduzir o preço-médio das acçoes nos três titulos com as ultimas descidas.

As boas noticias sao que a TDU e outro titulo que th (BES) têm grande potencial de subida, a TDU com o futuro aeroporto de alcochete e o BES que conseguiu obter lucros recorde durante a crise do subprime, o que me da’ algum ânimo. :mrgreen:

nao se pode fazer uma separação da bolsa da economia em geral, visto que aquela é, ou pode ser, o reflexo do estado da economia.

a tendencia dos mercados acompanha não só os factos de desenvolvimento económico, como também as especulações e consequentes estados de euforia ou nervosismo. neste momento vive-se um mercado bolsista instavel, pois ainda nao se sabe ao certo até que ponto pode ir esta desaceleração dos EUA, que pode afectar o mundo inteiro. e se se verificar uma recessão nos cowboys, será muito mau para a economia mundial.

mas EU não acredito numa recessão americana, visto ser ano de eleições nos EUA, seria catastrofico para Bush deixar o País num estado degradado.

pois é skygod também estou entalado na TDU, mas nao vejo a curto prazo uma recuperação que me satisfaça. em relação às obras no aeroporto ainda nao foi entregue a nenhuma concessão, por isso é prematuro falar-se neste aspecto como positivo. mas é claramente uma perspectiva legitima, bem como o TGV e o tunel do Marão com 22km de extensão.

a tdu tornou-se num titulo bastante inconstante nos ultimos tempos, como ja deves ter reparado. Tanto sobe 10% na 3ª feira, como na 4ª feira desce 11% ! E’ uma caldeirada, e o BCP como esta’ so’ influencia pela negativa os titulos que estao “agarrados” ao banco… o Banif tb e’ bastante influenciavel pelas descidas e subidas deste ultimo.

a tdu está mesmo colada ao bcp, em termos de evolução de cotação, é assim que os investidores grandes vêm a TDU, raramente se dissociam no sentido ascendente ou descendente. mas com uma escala de volatilidade bem superior. pode ser que com a entrada no psi-20 as coisas melhorem (lol…que sonhador eu sou)