Cristiano Ronaldo e o "seu azar" de ter sido formado no Sporting

Por muito que se tente atenuar as declarações de Eusébio, justificando-as com a sua idade avançada, ou com o infeliz e conhecido problema que tem com o seu amigo Daniels, de primeiro nome Jack, a verdade é que denunciam uma enorme deselegância. A roçar, lamentavelmente, a mesquinhez.
E creio que a comunicação social tem culpa nestas comparações baratas.
Como se Cristiano Ronaldo, depois de tudo o que já provou/ continua a provar, e com todo o respeito futebolístico que Eusébio nos merece, estivesse refém de um determinado número de golos ao serviço da selecção nacional, para “conquistar” o estatuto de melhor jogador português de todos os tempos.
Naturalmente que os tempos são outros, Eusébio e Cristiano são de gerações futebolísticas completamente distintas.
É verdade que Eusébio tem muito menos jogos pela selecção nacional.
É verdade que Eusébio não tinha as condições de treino (planos físicos meticulosos e especializados, acompanhamento nutricional etc) que Cristiano tem.
E por isso, nunca saberemos até onde poderia ir Eusébio. Que outro tipo de patamar, poderia atingir o seu futebol.
Mas não nos esqueçamos que os adversários de Eusébio, também estavam condenados a essas limitações “geracionais” em termos de optimização do futebol.

Ronaldo tem hoje, condições de trabalho fabulosas e um acompanhamento diário constante, mas é preciso também não esquecer, que os seus adversários (semanais), também usufruem dessa evolução a nível de treino.

Da mesma forma que nunca saberemos até onde poderia ir Eusébio nos tempos de hoje, também não sabemos que tipo de impacto teria um jogador, como Ronaldo, nos anos 60 e 70, obcecado pela perfeição, incansável no trabalho e com as suas capacidades inatas (técnicas e morfológicas. Ambas foram potenciadas com a evolução do futebol, mas sempre existiram).
Cristiano continua a pulverizar todo o tipo de recordes, numa altura em que o futebol é cada vez mais estudado, metódico, cínico e aprofundado.
Exceptuando “um dia sim” de todas as estrelas de uma determinada equipa, são cada vez mais raras, as goleadas de 10-0, 7-0, 8-0.
Obviamente que, esporadicamente vão acontecendo. Mas não com a frequência do passado.
Isso ilustra também as assimetrias do futebol “antigo”, comparando-o com o futebol moderno.
Hoje em dia, qualquer defesa, por muito “amador” que seja, conhece e estuda as movimentações do Cristiano.
A esmagadora maioria dos defesas (seja a nível de clubes ou selecções) são inacreditavelmente mais inteligentes, menos ingénuos, mais ratos, malandros, mais cultos do ponto de vista técnico e táctico.
Por muito (à falta de melhor expressão) falhado que um defesa seja, tem uma base de observação (volume de jogos visualizados) descomunal, que antigamente os defesas não tinham.
Hoje em dia, nem sequer um jogador mediano goza da propriedade “efeito surpresa”.
Os grandes jogadores vivem do instinto, do repentismo, do improviso, e naturalmente que Eusébio também tinha isso, mas tenho sérias dúvidas que um defesa inglês, italiano, espanhol, ou até mesmo português, acompanhasse religiosamente os jogos de Eusébio (Benfica vs Olhanense, ou um Beira-Mar Vs Benfica), as suas movimentações, os seus tiques, e soubessem em rigor, a melhor forma de o marcar, de o irritar, de o anular.
Perguntar-me-ão:" Então mas o Cristiano, também receberá informações acerca dos defesas e alas que defronta".
Naturalmente que sim.
Mas não comparemos a dificuldade de criar, em pleno 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 etc, com o espaço sobrenatural que os jogadores tinham no passado.
Construir, ganhar espaços, marcar golos, fazer realmente a diferença, é hoje muitíssimo mais difícil que antigamente.
É também por isso que a figura tradicional de número 10 tem vindo, lentamente, a desaparecer.
Não por falta de qualidade/criativade de muitos centro-campistas, e não apenas pelos contornos verticais e objectivos que o desporto rei encerra.

Claro que devemos respeitar todas as grandes figuras que o futebol mundial conheceu.
Mas “apetece-me” respeitar ainda mais o Cristiano Ronaldo e Messi, porque conseguem fazer a diferença como poucos fizeram no passado, num período da história do futebol muito específico.
Num período, onde o futebol é estudado como se de uma ciência se tratasse.
Num período, onde até os campeonatos secundários da Europa, ganham contornos profissionais gigantescos.
De tal forma que, aqui e ali, até equipas de escalões inferiores acabam por conseguir algumas proezas diante de equipas primodivisionárias.
Algo impensável, nos anos 60 e 70.
Paremos todos para pensar, e tomemos a real noção da dificuldade que é, HOJE, marcar mais de 50 golos durante 2, 3, 4 anos consecutivamente, ao mais alto nível!
O Luís Figo disse há poucos dias que no tempo de Eusébio existiam muitos grandes jogadores. No seu tempo, existiam grandes jogadores com qualidade para conquistar a Bola de Ouro, e hoje em dia, dois jogadores (Cristiano e Messi) estão num patamar demasiado acima dos restantes colegas de profissão, dando a falsa ideia que, hoje em dia a conquista da Bola de Ouro está mais facilitada. Nada mais longe da verdade.

Do meu ponto de vista, os jogadores desta geração estão longe de serem piores do que algumas gerações anteriores.
Ibrahimovic, Özil, Bale, Falcao, Ribbery, Robben, Iniesta, Xavi Hernandez, Neymar, apenas para citar alguns exemplos e cada um à sua maneira, são grandes jogadores.
A questão é que o futebol deixou de ser simplesmente um espectáculo desportivo. É muito mais que isso. Tornou-se numa indústria fortíssima, que fomenta a circulação de milhões de euros, e qualquer equipa mediana tem departamentos específicos de alto rendimento desportivo, departamentos de Scouting, e é extraordinariamente difícil, um jogador fazer realmente a diferença durante tanto tempo, como é o caso de Ronaldo e de Messi.

Bem mais do que marcar X golos em Y jogos pela selecção nacional, faço questão de realçar a excelência de Ronaldo, porque provou nos dois campeonatos europeus mais competitivos, (inglês e espanhol) que é, no seu tempo (e já estou a falar de um
período significativo), um dos melhores jogadores do mundo.
Para além de já ter conquistado uma bola de ouro, nos últimos 6 anos, Ronaldo falhou o pódio de “Melhor do mundo” por uma única vez.
Acresce o facto de Ronaldo estar a competir, segundo muitos, contra o melhor jogador do mundo de todos os tempos.

Ronaldo contribuiu decisivamente para que o Real Madrid superasse o Barcelona de Messi (também segundo muitos, a melhor equipa/ou pelo menos uma das melhores equipas de todos os tempos) numa prova longa.
Isto é, apesar da liga dos campeões ser o troféu mais desejado por todos os colossos europeus, penso que é mais difícil vencer um campeonato de 38 jornadas, onde participe “aquele Barcelona”, do que vencer, por hipótese, o Barcelona numa final, (em que também o Ronaldo foi decisivo. Taça do Rei) como fez por exemplo o Chelsea.
Sem com isto retirar mérito ao Chelsea que teve de ultrapassar diversos tubarões para conquistar o caneco.

Ronaldo vulgarizou o Barça, quando o Barça estava no seu auge. Vulgarizou o Bayern Munique quando os bávaros estavam no seu auge.
Já partiu jogadores como Puyol, Carvalho, Terry, Pique, Kompany, Nesta, Lúcio, Ashley Cole, Dani Alves, Maicon, e os seus ex-colegas Ferdinand, Vidic, Evra. Já marcou a guarda redes da qualidade de Valdes, Rui Patrício, Helton, Neuer, Petr Cech, Júlio César, Coupet.
Desde que Ronaldo actua na selecção nacional, que Portugal nunca falhou uma fase final de um campeonato do mundo ou da Europa (2004, 2006, 2008, 2010, 2012).
Desculparão, mas isto não poderá ser mera coincidência.
E o mérito de Ronaldo é maior, em termos de contribuição, se pensarmos que a qualidade da selecção nacional tem vindo a descer substancialmente.
Ronaldo “ainda apanhou” uma selecção interessante em 2004 e 2006, mas desde aí que individual e colectivamente a selecção nacional tem perdido classe.
E mesmo assim, mesmo com um seleccionador medíocre, só fomos afastados do Mundial de 2010, através de um golo irregular, frente à selecção que mais tarde venceu a prova, e novamente pela mesma selecção em 2012 através do desempate de grandes penalidades.
Não fosse o brilharete de Ronaldo, e provavelmente nem sequer teríamos ultrapassado a Bósnia no recente play-off.
Não fosse o brilharete de Ronaldo em Belfast, e a esta hora todos estariam a olhar para o calendário de Israel e o Postiga teria perdido a cidadania portuguesa.
Não fosse o brilharete de Ronaldo no último europeu frente à Holanda (2 golos e duas no barrote) e frente ao Petr Cech e onde já estaria o Paulo Bento.

Pensem em tudo aquilo que Cristiano já havia conquistado a determinada altura, aos 25 anos já estava no top 10 de melhores marcadores de sempre da selecção nacional, e mesmo assim, a imprensa nacional fazia questão de enfatizar a ideia “Cristiano ainda não fez nada na selecção”.
Já o disse, quem se lembra não me deixa mentir, e repito: bastaram dois jogos menos bem conseguidos no Europeu, e a crítica já estava a pedir banco para o Ronaldo.
Já estavam a reclamar a titularidade do jovem Nelson Oliveira!

Este texto, não tem o intuito de diminuir o jogador Eusébio.
Mas Eusébio da Silva Ferreira jogou no Benfica, maioritariamente nos anos 60.
Só alguém, movido por uma enorme desonestidade intelectual, ou dose pornográfica de facciosismo é que, não reconhecerá a protecção nacional (interesses de natureza política) de que gozavam os jogadores do Benfica.

Em termos de popularidade e aceitação nacional, Cristiano Ronaldo teve o “azar” de se ter formado no Sporting.
Não teve a “sorte” se ter formado no clube de Rui Costa.
O Rui Costa é outro exemplo. E reparem que o Rui foi um jogador que eu sempre admirei. Grande jogador.
Mas vejam tudo aquilo que o jogador Luís Figo teve de conquistar colectiva e individualmente, e o tempo que a comunicação social levou para destacá-lo categoricamente da sua geração, independentemente da classe do Rui Costa.
Eusébio teve um peso importante na história do futebol nacional e mundial, levantou bem alto a bandeira da selecção nacional e elevou o nome do futebol português.
Mas penso que o mérito de Ronaldo deve ser enfatizado, se pensarmos que Eusébio, enquanto esteve no seu auge, jogou sempre no mesmo campeonato.
Sempre na sua zona de conforto.
Durante bastante tempo, os seus colegas de selecção foram os seus colegas de equipa.
Sem retirar todo o mérito que Eusébio tem, imaginem o luxo e vantagem que não terá sido, jogar na selecção, já com bastantes processos consolidados, conhecendo muito bem todos os compatriotas, não apenas pela esmagadora maioria dos titulares jogarem na sua equipa, mas também porque nenhum jogador, naquele tempo, alinhava noutro campeonato europeu.

Entendo perfeitamente que o passado merece respeito, mas “não percebo” o receio da Comunicação social em coroar Cristiano.
Se colegas, ex-colegas, treinadores, ex-treinadores, treinadores adversários, jogadores adversários, dizem que Ronaldo é provavelmente o jogador mais completo da história do futebol mundial porquê tanta dificuldade em considerá-lo o melhor jogador português de todos os tempos?
Se Ronaldo quisesse, podia perfeitamente ter continuado no seu “cantinho” (United), onde já era rei, Bola de Ouro, com duas finais de champions, tri-campeão inglês, onde já conhecia perfeitamente a dinãmica da Premier league, os adversários, os colegas. Mas não.
Decidiu arriscar. Arriscou tudo!
E eu lembro-me perfeitamente dos vaticínios que se faziam na altura:
“Vai falhar”.
“O futebol espanhol não tem tanto espaço como o inglês”.
“Os defesas são mais inteligentes e não vão tanto à queima”.
Lembro-me disso tudo!.
E, ironicamente, em Espanha, conseguiu evoluir ainda mais.

Caríssimos, duas botas de Ouro nos tempos modernos, concretamente em 2007-2008 e 2011-2012, e em dois campeonatos tão distintos dos restantes, como é o caso do campeonato espanhol e inglês, é de uma dificuldade incrível.
Depois de já ter no bolso, Botas de ouro, Bola de Ouro (na concorrência está um dos melhores de sempre), Champions, título de melhor marcador do campeonato da Europa, melhor marcador de edições da champions, taça do rei, melhor marcador da taça do rei, campeonato espanhol conquistado ao poderoso Barcelona, campeonato inglês, e depois de aos 28 anos já ser o segundo melhor marcador da selecção, sem sequer jogar a ponta de lança, e onde actualmente abundam mais os jogadores medianos do que grandes jogadores, qual é a dificuldade em reconhecer Cristiano Ronaldo como o melhor jogador português de todos os tempos?
E outro “pormaior”, a pressão mediática que Ronaldo carrega às costas (imprensa “côr de rosa” a nível mundial, namorada mediática, exploração doentia dos media no seu contexto familiar, preço que o Real desembolsou pela sua contratação etc).
Nenhum futebolista no mundo, carrega a mesma pressão mediática do Cristiano.
Eusébio é mundialmente conhecido, mas não fará sequer ideia da dificuldade de jogar com a pressão mediática e sufocante de Ronaldo.
Saberá o que é jogar em ambientes adversos. Obviamente que sim.
Mas não terá jogado, sempre de 15 em 15 dias, em ambientes hostis, provocatórios e inflamados.
Cristiano será porventura, actualmente, o jogador mais insultado a nível mundial, pelas claques adversárias.
Seja em jornadas espanholas (jornadas inglesas no passado), ou em campanhas de selecção.
Não pela sua atitude, ou desrespeito pelo adversário, mas sim sobretudo, pelo receio que as pessoas têm que Ronaldo “abra o livro”.
O rendimento constante que o Cristiano apresenta, em função da pressão diária/inveja/ódio que carrega, é notável. Não existe sequer, um pingo de comparação.
Não deixa de ser curioso que, embora seja o melhor jogador português de todos os tempos, tem sido até ao momento, o jogador mais assobiado em jogos caseiros da selecção nacional!
E face aos seus números e registos, não creio que os assobios “fáceis”, se devam exclusivamente a algumas decisões precipitadas, ou excessos individuais.
Creio que os assobios têm uma enorme dose de premeditação.

Perguntei no passado. Mantenho o pedido:
Alguém que me dê um exemplo de um jogador tão completo.

  1. aceleração.
  2. velocidade.
  3. Força/Capacidade de choque.
  4. pé esquerdo.
  5. pé direito.
  6. Drible.
  7. jogo aéreo. Não apenas capacidade de impulsão. Cabeceia como poucos.
    8 ) Capacidade de se transcender em ambientes demasiado adversos.
  8. Bolas paradas.
  9. Finalização/Objectividade/Golo.

Perante tudo isto, insisto:
qual é a dificuldade em considerar Cristiano Ronaldo, o melhor jogador português de todos os tempos? Apetece-me responder.
Mesmo quando enverga a camisola da selecção, há-de ter sempre uma verde e branca vestida.

Que estranho mundo este, o da imprensa desportiva nacional.
Tal como ilustres sportinguistas já o afirmaram, a comunicação social nunca teve problemas em comparar Peyroteo e Eusébio, jogadores de diferentes gerações.
E agora “deixou de fazer sentido”? Agora passou a ser incomparável?

Uns são Reis, outros são Príncipes de Florença.
E outros, eternos bastardos.
Em Portugal, Cristiano nunca receberá uma Coroa de Louros. Mais depressa, terá uma de espinhos.

Grande texto… :clap: :clap:

Eu concorco que o Cristiano não seja melhor que o Eusebio… Na bebida claro! :mrgreen:

Excelente texto. :clap:

O que para mim salta mais à vista, é o facto do Eusébio ter jogado numa época em que o futebol era jogado «com uma bola quadrada», como se costuma dizer na gíria. É por isso que eu dou mais credibilidade a Maradona do que ao Pelé. O Pelé fazia umas «avarias» no tempo da bola quadrada, mas o Maradona fazia dez vezes mais numa época em que a forma como se defendia, a precisão táctica, a pressão sobre o adversário, etc., eram incomensuravelmente maiores. Nos anos 60, o Maradona faria muitíssimo mais do que fez o Pelé. :arrow:

:arrow: :clap: :clap:

sim … em 2-3-5 com 5 atacantes

pra mim Ronaldo tem todo o merito por dois factores, porque alem de ter rival pra comparação (messi), já provou em varios campeonatos!!

[size=10pt]Ótimo texto, acho que está tudo dito :clap: E ri-me imenso com a indireta sobre o estilo de vida do Eusébio :lol:

Também nunca entendi, e continuo sem entender, o problema dos portugueses admitirem que o rapaz é sem dúvida um dos melhores. Acontece exatamente o mesmo com o Mourinho. Costuma-se dizer que o português só dá valor ao que é internacional e concordo plenamente, pelo menos no geral, quando se fala em talentos fala-se em estrangeiros esses sim são os maiores, não tendo problemas em admiti-lo e ainda desculpam a arrogância e snobismo dos mesmos pelo o seu enorme talento mas basta um dos nossos dizer que se acha um dos melhores em termos profissionais que é logo assobiado e denominado de “convencido” e que “não tem humildade nas ventas”, então quando se toca nos da “old school” ainda pior, tal como disseste.

Na minha sincera opinião, apesar de achar e saber que o Eusébio foi um grande jogador e tem todo o seu mérito pelos feitos conquistados no futebol português, acho que o Matateu estava ao mesmo nível (e até me atrevia a dizer que era melhor) que o Eusébio e nem se houve falar dele nos núcleos mais abrangentes (talvez sofrendo do mesmo síndrome de muitos por ter jogado num clube que perdeu o “prestigio” que o Benfica ganhou ao longo dos últimos anos). Mas são opiniões.

Voltando ao Ronaldo, acho que é sem dúvida um dos melhores senão o melhor jogador português de todos os tempos, ou pelo menos o mais completo. Não esquecer que para além de jogador ele apresenta porte de atleta de alta competição. Em relação à sua presença na Seleção, os portugueses esquecem-se que ele é apenas um no meio de dez jogadores a tentar travá-lo (não incluíndo o GR) e sozinho não pode fazer mais do que já faz, comparam a sua prestação na equipa da Seleção com a prestação no Real mas esquecem-se que uma equipa não tem nada a ver com a outra em termos de talentos, tal como disseste no texto, a nossa seleção nacional está em decadência em termos de grandes talentos à muito tempo.

Em suma, generalizando, nós portugueses temos que dar mais valor ao que é nosso e deixar de criticar o único (pobre coitado) que muitas vezes é aquele que não desanima e dá tudo por tudo em campo pela seleção (como vimos no último jogo contra a Irlanda do Norte) enquanto os outros andam a pastelar e a pensar na morte da bezerra. Acho que não queremos outro Paulo Futre que é mais adorado em Espanha do que em Portugal ou mesmo o exemplo para onde o Mourinho já caminha à muitos anos que é mais adorado em Inglaterra que no seu próprio país. Ao fim do dia devemos deixar a mesquinhez de lado e pensar que, porra! é fabrico português e que se os outros têm orgulho nós temos que ter ainda mais por ser dos nossos :)[/size]

Com isto tudo fiz um testamento e desde já peço desculpa porque quando começo a escrever sobre um assunto dá sempre nisto :-[

Que texto enorme! (não pela sua extensão)

:clap:

Um excelente texto. Mais um dado para a coroação do Ronaldo como o melhor jogador português de sempre é a quantidade de golos decisivos que marcou na carreira. O Eusébio não tem metade pois como tu disseste, e muito bem, antigamente havia muitas goleadas e facilmente o Eusébio marcava 2/3 golos.

Sobre a Selecção, mesmo quando o Ronaldo joga mal, é um dos elementos mais importantes, porque arrasta sempre com ele 2 ou 3 jogadores com ou sem a bola, algo que antigamente não era um foco!

Texto soberbo. Leitura obrigatória.

S.L.

E de divulgação Obrigatória… Eu já fiz a minha parte

Só faltava mesmo acompanhar este texto com esta foto, e ficaria perfeito:

Como já alguém disse, é de leitura obrigatória, até porque explica por A + B porque Ronaldo é melhor jogador do que insébio, a léguas de distância. Aliás, já Luis Figo o era, do mesmo modo como Peyroteo foi melhor do que o insébio no que toca ao capítulo da finalização. Curiosamente, Peyroteo, continua a ser o jogador português mais injustiçado pela pasquinada!!

Eu sei que Ronaldo tem um estilo que não agrada a todos, em especial por causa do lado “cor de rosa” e pela sua ligeira azeiteirice - ainda que a Irina lhe tenha feito muito bem - mas vistas as coisas como elas são, isto é, do ponto de vista do jogador e ser humano que ele é, é impossível não admirar Ronaldo. Como jogador está tudo dito, como homem toda a sua carreira tem demonstrado como é alguém incrivelmente empenhado, trabalhador, inteligente, altruista e muito importante, para nós sportinguista, alguém que não esquece quem o ajudou a chegar onde chegou e que não tem, ao contrário de outros como o Figo, nenhum problema em dizer à boca cheia que é Sportinguista. E não precisa de vir cá acabar a carreira, penso que ninguém lhe exigirá isso, basta atentar ao que sempre disse e tem dito acerca do Sporting, sendo mais notável que continue a acompanhar e a declarar o seu amor ao clube numa fase tão avançada da carreira onde muitos se esquecem de quem lhes deu de comer.
Também não esqueço o seu gesto de não festejar um golo contra nós, que parecendo apenas um pormenor, é sempre de louvar.

Mas se calhar, é precisamente isto que o faz o proscrito da CS portuguesa. Portanto eu diria que ele não teve só azar em ser formado no Sporting, ele tem azar em ser do Sporting e de o afirmar sem rodeios publicamente!!!

Se o Dorian Gray não se importar, irei partilhar este texto no meu facebook, pois merece ser partilhado (aliás, é obrigatório para qualquer Sportinguista fazê-lo).

Engraçado, como não há problemas em dizer que o Barcelona do Guardiola foi a melhor equipa de futebol de todos os tempos.

Como não há problemas em dizer que o Messi é o melhor jogador de futebol de todos os tempos.

Mas quando chega a altura de dizer que o Cristiano Ronaldo é o melhor jogador português de todos os tempos, “ah, e tal, calma aí, espera lá, que estamos a falar de épocas diferentes…

Ronaldo é o melhor jogadores da história do futebol português, ponto final.

Já não falo de incomparável maior dificuldade de se jogar bem e destacar agora comparativamente com os tempos de Eusébio, é óbvio que o futebol evolui e a prova disso é que hoje marcam-se muitos menos golos e existem menos jogadores a destacarem-se. Contudo tudo isso + o estilo de jogo é discutível, indiscutível são os factos e o que o Ronaldo conseguiu supera largamente o que alguma vez o Eusébio conseguiu.

Claro que hoje ninguém do meio admite confessar isso porque seria logo “violentamente agredido” como aconteceu neste pequeno episódio da comparação Ronaldo vs Eusébio. Mas o futuro encarregar-se-à de fazer justiça e quando o “irreverente” Ronaldo passar a ser o Sr Ronaldo ex jogador, então o Eusébio será colocado no seu lugar…

Brilhante texto!!

Excelente e muito oportuno tópico, ao qual aproveito para dar uma achega com um texto que escrevi esta semana no meu blog.

Já há muito tempo que se tinha percebido que https://www.wikisporting.com/index.php?title=Cristiano Ronaldo iria bater todos os recordes relativos à Selecção Nacional, no entanto bastaram os 3 golos marcados em Belfast, que significaram a ultrapassagem a Eusébio no que diz respeito ao numero de golos apontados ao serviço da Selecção, para que viessem logo a terreiro as aves carpideiras do costume, com o próprio Eusébio a manifestar algum desconforto com as comparações, lembrando que tinha disputado menos jogos na equipa das quinas e desvalorizando o feito de Ronaldo, afirmando que nunca tinha defrontado o Liechtenstein ou o Azerbaijão.

O que é curioso é que o Eusébio foi durante anos a fio repetidamente endeusado por uma imprensa claramente avermelhada, sendo considerado por quase todos como o melhor jogador português de todos os tempos e apelidado de “Rei” ou “King”, sem que se tivesse incomodado pelo facto de antes dele ter havido um jogador cujos feitos em termos de golos são incomparáveis, não só em Portugal como provavelmente em todo o mundo, sendo que esse jogador em 20 jogos pela nossa Selecção marcou 13 golos, ou seja uma média ligeiramente superior à de Eusébio, que marcou 41 em 64 jogos.

Fernando Peyroteo viveu numa época em que a Europa e o mundo foram abalados por uma grande guerra, pelo que só em 1938, na sua época de estreia na Selecção Nacional, é que teve a oportunidade de disputar um jogo da fase de qualificação para os tradicionais Campeonatos Mundiais. Para além disso, nessa altura ainda não se disputavam nem os Campeonatos da Europa, nem as competições europeias, pelo que https://www.wikisporting.com/index.php?title=Peyroteo não teve a oportunidade de mostrar ao mundo todo o seu talento.

No entanto em Portugal os seus feitos são impares, apesar de terem sido esquecidos e ás vezes até quase apagados, perante uma inexplicável passividade dos sportinguistas, que diga-se a verdade nunca souberam defender o que é seu.

Só para que se saiba Fernando Peyroteo no total da sua carreira conseguiu marcar 694 golos em 432 jogos, uma média de 1,6 golos por jogo, sendo que pelo Sporting fez 393 jogos, tendo marcado 635 golos, que foram 543 para 334 se nos limitarmos a contabilizar os jogos oficiais, ou 330 para 197 em relação ao Campeonato Nacional, de que foi o melhor marcador por seis vezes, estabelecendo um recorde de 43 golos em 26 jogos, que só seria batido em 1974 por https://www.wikisporting.com/index.php?title=Yazalde, que marcou 46 golos mas em 29 jogos. Num só jogo Peyroteu marcou 9 golos ao Leça e 8 ao Boavista, conseguindo ainda marcar 6 golos numa única partida por 3 vezes, 5 por 12 vezes e 4 por 17 vezes. Quanto aos agora muito badalados hat-tricks, nem vale a pena contabilizar, tudo isto apesar de se ter retirado com apenas 31 anos de idade, quando ainda podia ter dado muito mais ao Sporting e a Portugal, o que não quer dizer que tivesse de se arrastar nos campos a jogar em equipas como o União de Tomar ou o Beira Mar, clubes onde o Ronaldo seguramente também não irá jogar.

Apesar disto tudo o Rei era o outro, coisa que repito nunca o incomodou nem a ele nem à sua corte, que agora finalmente descobriu quão injusto é comparar jogadores de épocas diferentes. Diga-se ainda que quase metade dos golos marcados pelo Eusébio na Selecção Nacional foram contra grandes potências como Luxemburgo, Irão, Equador, Coreia ou Turquia que nessa altura era muito fraca, tal como algumas selecções nórdicas, como a Dinamarca e a Noruega, que hoje são bem mais fortes do que eram nesse tempo.

Quantos às comparações com Cristiano Ronaldo, há que referir que enquanto Fernando Peyroteo e Eusébio eram os tradicionais avançados centro, o actual Capitão da Selecção Nacional joga mais descaído para os fancos, sendo um avançado completo, eu diria mesmo o mais completo que já alguma vez vi jogar, cujos feitos conseguidos no futebol mundial já ultrapassaram à muito aquilo que o Eusébio fez, embora este tenha a atenuante de o Salazar nunca o ter deixado sair do Benfica, tal como o Peyroteo teve as atenuantes atrás referidas.

O mais ridículo desta discussão toda, foi ver um pateta que em tempos não muito longínquos, se prestou a algumas tristes figuras ao serviço do inenarrável Benfica do João Vale Tudo, aparecer na TVI com um livrinho onde anotou os jogos importantes onde Cristiano Ronaldo não terá feito nada, para tentar demonstrar que ele nos jogos decisivos nunca aparecia, quase se limitando a marcar golos às equipas fracas.

Bom, é evidente que todos os jogadores por melhores que sejam eles, tem mais dificuldades quando enfrentam adversários fortes, do que quando do outro lado estão equipas mais modestas. No entanto talvez fosse boa ideia lembrar o tal pateta, que em 2011 o Real Madrid conquistou a Taça do Rei, um troféu que já não ganhava há 18 anos, com Cristiano Ronaldo a marcar o golo da vitória, na Final disputada frente ao Barcelona, numa época em que estabeleceu um novo recorde de golos no Campeonato espanhol, ao apontar 40, conquistando pela segunda vez a Bota de Ouro. E que temporada de 2011/12 levou o Real Madrid à conquista da Liga espanhola, marcando o golo da vitória no jogo decisivo com o Barcelona, disputado em Camp Nou. Para no inicio da temporada seguinte, marcar 2 golos, um em Madrid outro em Bracelona, nos jogos da Supertaça que o Real Madrid ganhou. Tudo isto frente à melhor equipa do mundo e arredores.

Deve-se ainda acrescentar que entre os jogos que o já referido artista escolheu para demonstrar que Cristiano Ronaldo era um zero, estava por exemplo a Final do Europeu de 2004, onde o rapaz ainda era júnior, mas parece que queriam que fosse ele a fazer o que os figos, rui costas, decos e pauletas não foram capazes de fazer. Para além dos jogos perdidos com a toda poderosa Espanha, onde também se pedia a Ronaldo que quase sozinho fizesse o que nenhuma Selecção conseguiu fazer nos últimos três grandes torneios internacionais e diga-se que isso é praticamente a única coisa que o Cristiano Ronaldo ainda não fez.

Em suma é verdade que não é justo comparar jogadores de tempos muito diferentes e nem sequer é fácil comparar jogadores tão bons como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, mas estas comparações serão sempre inevitáveis, só que em Portugal pecam invariavelmente por meterem a clubite aguda ao barulho, com os benfiquistas a terem muitas dificuldades para engolirem os feitos do nosso Cristiano Ronaldo, por isso temos de pô-los no seu devido lugar.

O Eusébio foi bom sim senhor, mas os números dizem que antes dele houve um melhor e em termos de carreira e grandes feitos já foi há muito tempo ultrapassado pelo Cristiano Ronaldo, que neste momento já entrou no galarim dos melhores jogadores de sempre da história do futebol mundial.

Dar-me ao trabalho de discutir palavras de Eusébio, não, Obrigado!

O que o lampião diz para mim é irrelevante, mas não gostei do que disse o Figo.

Claramente ressabiado por nem falarem nele.

Texto soberbo, @Dorian. Leitura obrigatória!

O que também é muito injusto , diga-se.