Conflito social (não etário) nas Eleições do Sporting

“Os velhos são os culpados do estado do Sporting”, “os velhos têm de abrir os olhos” e “os mais novos fazem o que podem mas têm menos votos”. São três frases que fazem parte do quotidiano sportinguista há vários anos. Há quem acredite piamente que a raiz do problema se esvazia na variante etária. Tem um pingo de verdade (a antiguidade fez a diferença nas últimas eleições), mas o fenómeno não se esgota aí. O conflito social latente entre os sportinguistas pode ser menos consciente mas existe e tem consequências muito maiores no balanço final.

“Há que expulsar a corja da continuidade e devolver o Sporting aos sócios” é outra frase que costuma vir acompanhada da expressão “croquette da Quinta da Marinha”. Aqui existe um maior desconhecimento em relação ao passado do clube. Muito se diz que o Sporting é um clube elitista e há um enorme fundo de verdade disso. Graças ao excepcional trabalho do to-mane, um dos grandes dinamizadores da WikiSporting, confirmei uma ideia que já tinha. Destaco duas frases da “História e Factos Relevantes” que ajudam a explicar os antepassados e a origem do Sporting Clube de Portugal: sobre o Sport Clube de Belas, percebe-se que teve o rei no jogo de estreia e que o clube foi classificado como “um grupo de jovens de boas famílias”. Mais tarde, o grupo de dissidentes formou um novo clube graças ao impulso dado por José Alvalade: “Vou ter com o meu avô e ele me dará dinheiro para fazer outro clube”.

José Alvalade Holtreman Roquette foi, na verdade, o primeiro a ter uma “banca” especial e é, como todos sabemos, familiar de José Roquette, o presidente que protagonizou com a criação da SAD a reaproximação do clube a uma “banca” diferente. Curiosamente, a minha família é Roquete (um “t”) e de Cascais, mas garante-me que estes Roquettes do Sporting tinham raízes em Vila Franca de Xira e não na Quinta da Marinha. Coincidência à parte, o que é certo é que de certa forma, foram estas “boas famílias” que recuperaram o clube e que hoje ainda têm uma influência tão grande nos destinos do Sporting.

E regresso ao conflito social. Mais do que velhos e novos, estamos dependentes das origens de cada um. Não são categorias estanques, claro está. Há velhos que querem o fim da “corja”, há novos que a defendem com unhas e dentes, da mesma forma que há elitistas que defendem a ruptura. Mas, na sua maioria, até nisto o Sporting está a viver um fenómeno semelhante ao de Portugal, em que a guerra entre classes (“o povo contra o grupo de políticos corruptos e promiscuidade entre grupos económicos”) atinge novos limites a cada mês. Sejam maquinistas, médicos, bombeiros, farmacêuticos, banqueiros ou de qualquer outra profissão, há uma crítica que resiste, como se os “chulos” fossem sempre os outros e a nossa classe aquela que está a ser mais afectada. Não há união de esforços para perceber o verdadeiro problema ou, se há, faz-se pouco por isto.

No Sporting é igual. Percebo na perfeição por que razão um candidato como Bruno de Carvalho seja tão mal aceite e acredito que se os fundos fossem brasileiros, norte-americanos ou árabes em vez de russos, as últimas eleições tivessem um resultado diferente. A maior parte de nós não tem idade suficiente para perceber a propaganda anti-União Soviética que se vivia em Portugal e de que forma essa ainda resiste, mais não seja no subconsciente dos que viveram a ditadura. Mais do que isso, também temos a taxa de alfabetização. O “doutor” era uma figura prestigiada, reconhecida, que abria portas. Abanava-se a cabeça porque era doutor, enquanto a maioria não passava de um letrado (com sorte) que tinha concluído a 4.º classe para poder tirar a carta de condução. E dessas limitações nasceram o medo de se ser enganado por alguém que não se conhece, especialmente numa era em que os enganos provocados por quem nos bate à porta continuam a aumentar.

O Sporting nunca foi um clube verdadeiramente de massas. Nasceu elitista, ganhou uma dinâmica diferente com a presidência de Ribeiro Ferreira e a era dos 5 Violinos, mas nunca perdeu verdadeiramente esse ADN elitista, por mais que eu, tu ou o vizinho venhamos de contextos diferentes. É por isso que esta guerra de facções continuará a ter tudo para correr mal, especialmente se o Sporting voltar a cair nas mãos do povo. Não acredito que não haja uma oposição forte e capaz de minar o trabalho à primeira oportunidade para recuperar algo que pensa ser seu por direito. Que não é.

Não tenho candidato definido à partida. Há dois anos não votei por ainda não ser sócio mas deixei-me entusiasmar por Bruno de Carvalho. Revi a minha paixão na dele, senti o sportinguismo que me empolgava em criança. Prometi que me faria sócio no primeiro dia pós-eleições se tivesse sido eleito. Não o fiz pelas razões que se sabem mas não resisti e uns meses mais tarde fiz-me mesmo sócio. Agora posso votar e acima de tudo não quero arrependimento. Quero que todos possamos encontrar o candidato que, enquanto presidente, conseguir aglutinar sensibilidades - na medida do possível - e tornar o Sporting mais forte. Que através da sua recuperação e crescimento, consiga tirar gás à oposição, adormecê-la. Da mesma forma que a chamada continuidade nos conseguiu adormecer durante vários anos, onde nunca houve quem tenha aparecido de forma convincente e esclarecedora (SAM e PPC não tiveram mais do que percentagens residuais).

Quero um Sporting mais forte. Um Sporting dos Roquettes e dos Roquetes. Dos Lopes que são Godinhos e dos Lopes que são Zés e jogam na equipa principal. Do que vive num condomínio fechado e estuda num colégio privado e do que vai a pé para a escola desde a casa atribuída pela câmara. Do patrão e do empregado. Quero um Sporting capaz de esquecer o conflito social.

Quero um Sporting verdadeiro! Não é muito difícil.

© Stromp3 2013

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http://www.forumscp.com/index.php?topic=28715.msg1307107#msg1307107

Sem duvida um excelente post que explica o que foi, o que é e o que deverá ser o Sporting CP na sociedade portuguesa. Sendo que gostei especialmente do ultimo parágrafo.

PS: Penso que este tópico deveria ser mudado para a porta 10-A

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Muito bom post !!

O meu avo que nunca cheguei a conhecer, foi quem nos fez sportinguistas na família. Não pela persuaçao, mas sim pelo exemplo.
Era extremamente pobre, mas sempre que o Sporting vinha jogar ao norte, pegava na bicicleta, e pedalando dezenas de quilómetros levava o meu pai a ver os jogos.
O meu pai ainda fala disso com lágrimas nos olhos, quando me conta este episódio.
Aquilo que eles partilhavam, essa aventura por entre estradas de pó ou de lama, era como o partilhar de uma paixão incapaz de ser descrita, apenas vivida.E depois nos estádios, aqueles velhos estádios de bancadas de pedra fria ou mesmo terra, viam aquelas camisolas verdes entrar em campo. Eles e outros tantos que nos seus carros e bicicletas ali se haviam deslocado, como um crente em dia de missa.
No final, voltavam a casa para uma vida de miséria e sofrimento, uma vida sem oportunidades, como vindos de um sonho.
O meu avo morreu quando o meu pai tinha 12 anos. Como filho mais velho, teve que abandonar a ideia de estudar - ele que é dotado de uma inteligência extraordinária e a quem um mecenas da aldeia queria pagar os estudos, uma vez que as capacidades dele não deveriam ser desaproveitados. Mas ele sabia que tinha uma mãe para ajudar e irmãos mais velhos para sustentar. Hoje é carpinteiro, o mais extraordinário carpinteiro com quem já pude trabalhar, assim como seria brilhante em qualquer outra área em que ele trabalhasse.
Quando me falava do Sporting, dizia-me que éramos diferentes.
Que tínhamos o melhor da sociedade portuguesa no Sporting.
Quando o roquette assumiu o poder, disse-me “olha vês, um grande empresário como presidente do Sporting, é por isso que somos diferentes”. Fascinava-o os doutores, engenheiros que nos comandavam.
Ele nunca percebeu que ele nunca foi menos do que qualquer um destes.
Ele nunca percebeu que o que me fascinava no Sporting não eram esses brilhantes nomes que na praça publica se passeavam, mas sim aquilo que fez com que o pai dele, o meu avo, percorresse dezenas de quilómetros numa bicicleta. Aquele fascínio, que nos converteu a todos.
Por isso hoje, quando leio acerca deste receio de que o Sporting caia nas mãos do povo, não posso deixar de ficar triste.
O Sporting sem os sócios que pagam as quotas, sem o associativismo, não seria mais do que um clube privado, sem o seu povo que sofre ao ver os jogos, não seria mais do que um “monaco”. Não teria alma. Não seria Sporting Clube de Portugal, seria um clube regional.
Por muito que tenha nascido de iniciativa privada, financiado por famílias de posses, cresceu para ser o clube de todos nos. E mesmo há 50 anos atrás ele já era também do meu avo, e do meu pai.

Respeito quem pense de forma diferente, aceito até quem ache que possa parecer demagógico ou discurso para as massas, mas eu por respeito ao meu avo e a todos os anónimos que nas suas bicicletas iam naquelas tardes de domingo ver o nosso grande amor, não posso deixar de sentir o Sporting desta forma: como um clube de todos os cidadãos anónimos que sofrem e vibram quando as camisolas verdes entram em campo.

SL

Muito bom texto! Agora, note-se que o Bruno de Carvalho pertence às elites do Sporting, de famílias que estão no Sporting há muito tempo. Isto é bom e não mau, e deveria ser realçado e vincado permanentemente pela sua campanha e pelos seus apoiantes, para que os “velhos da quinta da marinha” percebessem que, afinal, ele é “um dos deles”. Ou seja, o BdC tem uma possibilidade real de fazer uma ponte entre diversos grupos de sócios, através de idades e de camadas sociais.

Por isso mesmo é que os “talibans” deste fórum e de outras paragens na prática se arriscam a ser contra-producentes: porque, com o seu radicalismo e apelos à violência, conseguem afastar não apenas as elites, como todos aqueles que detestam o establishment mas continuam a achar que o Sporting é diferente e que deve ser governado com elevação. Não reconhecem elevação nenhuma ao JEB e GL, mas gostam ainda menos de revoluções.

E esses são a imensa maioria dos sócios, que não sabe nem um décimo do saque que têm sido estes 18 anos, mas que tem um sentimento forte que há que mudar, acompanhado de um sentimento difuso que a solução terá que ser encontrada entre os “homens bons” da elite, os que dentro da tal elite ainda são “homens bons e sportinguistas”. O BdC tem que se posicionar assim mesmo, como um grande sportinguista de uma grande e antiga família sportinguista, e os seus apoiantes radicalizados, se querem que o seu apoio seja efectivo, têm que entender que por cada apoiante que ganham com apelos às armas, perdem dois que se afastam de tais revoluções.

Não interessa apenas ter razão, há que usar a razão que se tem para ganhar os corações da grande massa de sócios, que ainda se revê neste texto esplêndido do Stromp3. Que cada um faça o seu trabalho, mas dentro da sua área de influência, e sem querer convencer de uma forma quem não pode ser convencido por essa forma - os tais sentimentos difusos “Rússia não” ou “elite sim mas sportinguista a sério”, são imjpossíveis de serem mudados. E quando digo impossível quero mesmo dizer impossível, veja-se o trabalho sobre estas coisas feito por Daniel Kahneman e Amos Tverski, em que mostra que nem sequer profissionais conseguem mudar a sua maneira de ver o mundo através de factos e dados. As pessoas só mudam através de coisas que as toquem ao coração, ou então nem mudam, limitam-se a redireccionar as suas crenças, mantendo essas crenças no fundo inalteradas.

Às armas sim! Mas sem afastar os sócios que votam mais pelo sentimento do que pelo conhecimento (que em geral não têm) sobre o que a elite tem andado a fazer ao Sporting. Pessoalmente, acho que seria um erro tremendo afastar esses sócios, quando é muito mais proveitoso reeducá-los… e isso faz-se com mel, indo de encontro aos seus sentimentos difusos, e não com fel, que os afastaria irremediavelmente.

Às armas sim! Mas as armas são diferentes para cada grupo de sportinguistas, e neste momento o sentido literal “às armas” deve ser evitado a todo o custo junto da maioria dos sócios e junto dos media, que usariam isso para o colar ao BdC. O ideal seria realçar o BdC como pertencendo a essa elite, mas mais próximo do adepto leonino que os restantes, e muito mais competente. Vejam a história da vida do avô e pai do orlopesdesa, exemplos claros do apoio que estas elites têm entre muitos sportinguistas que o são por paixão: é preciso mostrar que o BdC é parte dessa paixão, sendo também parte da elite.

Eu conheço vários da tal elite, e falo-lhes da licenciatura em gestão, do mestrado em gestão desportiva, dos cursos de treinador nível 1 da Federação de Futebol de Lisboa e de nível 2 da UEFA, e que é co-fundador da Fundação Roquete de Aragão Pinto em conjunto com a Sra. Roquete de Aragão Pinto (sim, junto-lhe o Roquete, que pertence ao nome do senhor cujo nome inspirou a fundação), e coisas assim. E tenho algum sucesso em redireccionar os afectos, neste caso minimizando a rejeição e mostrando que o BdC não é um corpo estranho neste Clube elitista.

Grande texto do user @stromp3 e grande comentário do excelente user @nunoni

Excelente post que acerta em cheio no principal problema do Sporting!

Quando José Roquette chegou a presidente, com planos de SAD e novo estádio e com uma equipa cheia de Drs. e Engs. e a prometer o fim da era Gonçalves/Sintra fiquei fascinado. Era um miudo que olhava para esta gente com admiração e com toda a certeza que agora o Sporting estava no bom caminho.
Com o titulo em 99 gritei de raiva, chorei de alegria, era o fim de 18 anos sem titulos. Já ninguem me iria dizer “porque és do Sporting? Nunca os viste ser campeões…”
Roquette e Cia. tinham conseguido, eramos Campeões. Com com titulo em 2001 pensei que agora eramos imparaveis. O plano Roquette estava a ser cumprido. Estaria?
Olhava para esta elite com admiração, afinal eram os Srs. Drs. de fato e gravata, os supra sumos das engenharias financeiras. Até que comecei a dar atenção a outras coisas que não só o futebol. A situação financeira do clube, o patrimonio a desaparecer, as negociatas e os resultados que afinal não apareciam. O meu Sporting afinal estava transformado num Country Club.
Em 2011 voltei a sentir alegria, alguem que gostava tanto do clube como eu podia chegar á presidência. Quando BdC foi anunciado vencedor gritei de alegria, era o fim das elites, o Sporting era de novo de todos nós. Deite-me com um sorriso nos lábios, com a certeza que na manhã seguinte começaca uma nova era. Até que a manhã seguinte chegou, chorei de raiva, não por BdC não ganhar mas porque nessa madrugada o Sporting perdeu.

Hoje quero finalmente o fim das elites, não quero mais “terroristas de gravata”. Não quero JMR a “negociar presidentes”.
Quero um Sporting de todos e para todos. Quero um Sporting onde os sócios sejam o mais importante. Quero o fim da censura, da compra de claques, das ameaças de morte.
O SPORTING É DE TODOS NÓS!

Bom texto! :great:

Tal como o do @nunoni. Sensato e ponderado, como sempre. Eu não o consigo ser, pelo menos a esse nível.

A guerrilha é evidente.

Ao “talibanismo terrorista”, opõe-se o “talibanismo situacionista” e aqui caem por terra grandes esperanças num ponto de encontro e discussão sobre os reais problemas do clube.

Ao “criticismo metralhador”, responde ao acriticismo acéfalo.

À insatisfação, responde a resignação irredutível e a protecção de zonas de conforto, em que o mais importante seja a permanência de pessoas da tal “elite” que previsivelmente conseguirão manter o clube ligado ao oxigénio, por troca de favores e ligações com a alta finança.

Mesmo que essas pessoas provada e comprovadamente estejam a levar o Sporting para uma situação de não retorno.

Montou-se uma teia de interesses, fruto da permanência no poder que dura há quase 20 anos, que não é facilmente quebrável, que estrebucha de todas as formas para que alguém fora do circulo não rompa com o status quo. Seja pelos conhecimentos na CS, seja por toda a rede de notáveis que entretanto criaram visibilidade por cargos no clube, enfim, trata-se de um claro paradigma de tachismo, forte na arregimentação, na manipulação da informação e da estrutura do clube, troca de favores e na criação de bichos papão em quem se posiciona de forma diferente, nem que para isso se tenha eu recorrer à difamação e aos ataques pessoais.

Falo por mim. provavelmente mal, ao extremismo, respondo com extremismo, à moderação e bom senso, respondo moderação e com bom senso.

Não consigo respeitar quem defende as suas posições com argumentos falsos, desinformados e se não está apto, no processo, para ser informado. Conheço demasiados casos assim e alguns de forma tão profunda que sou levado a crer que o Sporting passou para segundo plano e se defendem posições com base em pressupostos quase que “políticos”.

A queda desta direcção deu-me esperança numa mudança de rumo. O Sportinguismo de quem lutou por essa mudança e se manteve irredutível fez-me acreditar que há ainda muito neste clube que merecer ser salvo. No entanto, as movimentações destas semanas, as intervenções públicas dos de sempre e o que percepciono do que aí vem, faz-me temer que no fim do mês de Março, tenha que mudar radicalmente a minha ligação com este clube e retirar do meu coração e da minha mente, o espaço enorme que ocupa.

Não se trata da manutenção do situacionismo, por si. Ou melhor, é a manutenção de valores que me enojam: a desinformação intencional, o preconceito, a desresponsabilização, a aceitação de um Sporting subalterno, adormecido e domado por terceiros. Não foi isto que me fez Sportinguista e que me fez amar este clube ao ponto de insanidade, mesmo em conjunturas de enorme insucesso.

Há pessoas, fenómenos, que definem uma instituição para sempre. No futebol, vemos vários casos destes, sejam eles dirigentes, ou até treinadores. O Roquetismo ( que na sua génese, defendi, mas que entretanto se transformou num monstro ), está muito perto de ter reinventado este clube, durante muitas e muitas gerações. Um clube mais pequeno, amorfo e secundário.

Excelente Texto @Stromp3 :clap:

Para além de subscrever, queria acrescentar mais uma laracha que para mim é grande causa do Conflito Social entre os Notaveis, Drs, e o Povo, que é a bola continua teimar a não entrar.

Os Drs. e Notaveis pedem mais tempo, pedem união. O Povo está cansado de dar mais tempo. O Povo quer resultados e quer saber a verdade. O Povo não quer saber se o Presidente é Bruno de Carvalho ou José Roquette. O Povo quer é que o Sporting ganhe seja com que presidente for e saber a verdade.

A pacificação tem de começar nas proximas eleições. Primeiro dizendo a verdade sobre o estado do Clube, e depois com trabalho, realismo e seriedade lançar as bases para o Sporting voltar a ganhar.

No dia em que houver verdade e vitorias em Alvalade, haverá paz no Sporting.

@orlopesdesa, excelente testemunho de Sportinguismo.

Bom texto do Stromp3, discordo apenas sobre a conversão do Sporting a clube de massas durante os anos 40, parece-me que foi ainda durante a primeira década de existência devido à popularidade do desporto e qualidade das nossas equipas, algo que para muito terá contribuído certamente a entrada do contingente casa-piano.

Já tinha escrito antes que o problema do Sporting é a sua herança, somos o clube da elite portuguesa mas isso não quer dizer que a elite portuguesa seja sportinguista. Devido à nossa génese atrairemos sempre os poderosos aborrecidos à procura de clubes de futebol com que brincar e os poderosos desonestos à procura de uma ferramenta para usarem nos seus desfalques.

O meu Sporting vai voltar,o nosso Sporting,o Sporting que é de todos nós vai voltar um dia.
Ler os textos do stromp e do orlospedesa vieram-me as lágrimas aos olhos,é triste ver a situação do nosso clube mas também dá-me uma força e uma fé enorme depois de ler os testemunhos de Grande Sportinguismo que voltaremos ás grandes vitórias.
Uma coisa vos garanto,enquanto nós existirmos o Sporting não morre,o Sporting somos nós :great:

É como uma fala do filme O Gladiador:
“The beating heart of Rome is not the marble of the Senate, it’s the sand of the Colosseum.”
A verdadeira essência do Sporting não está no Conselho Leonino,a essência está nas bancadas de Alvalade.

É nas bancadas que fervilha o verdadeiro Sportinguista.
Quem sofre sempre com o Sporting,quem faz todo o tipo de sacrificios para ver o Sporting,somos nós.
I HAVE A DREAM

Bom tópico :clap:

Eu já escrevi algures por aí que para além dos graves problemas financeiros que o Sporting tem e do complicado problema do futebol onde o Clube se atrasou perigosamente em relação aos seus rivais, o Sporting tem ainda para resolver uma crise de identidade que levou uma espécie de “balcanisação” do Clube.

O Sporting nasceu em berço de ouro e sempre foi um Clube de elites tendo vivido o seu período áureo no tempo do fascismo quando a maior parte dos seus dirigentes estavam ligados ao regime, e a verdade é que apesar dos esforços de João Rocha, o Clube nunca conseguiu encontrar o seu lugar depois do 25 de Abril.

Essa história do “devolver o Sporting aos sócios” não existe porque o Sporting nunca foi dos sócios e quando em 1988 Jorge Gonçalves chegou à Presidência do Sporting prometendo acabar com o Conselho Leonino e transformar o Clube sem ter meios para isso, o que lhe aconteceu foi que quando olhou para o lado estava sozinho.

O projecto Roquete foi recebido por praticamente todos os sportinguistas com alívio, era o regresso às raízes, mas deu no que deu, na minha opinião porque assentava em alguns pressupostos falsos e porque houve muita gente a servir-se em vez de servir.

Não sei o que vai vir a seguir, mas há dois cenários aos quais dificilmente o Clube sobreviverá: a insistência no modelo actual, e a entrega do poder aos batasunas, porque em ambos os casos a guerra vai continuar.

O grande desafio do próximo Presidente do Sporting será a pacificação do Clube, uma tarefa tanto mais complicada porque não será fácil pôr o Futebol a ganhar, e ainda por cima porque a situação financeira do Clube parece que é aterradora.

Boa análise e bom texto. Já algumas vezes noutros posts tinha aflorado o tema. É evidente que há um conflito social/geracional no SCP assim como há em Portugal transversalmente e que muitas vezes não se esgota no conflito de classes socias. Na tal luta de classes. Não se esgota, mas é um dado claramente importante.

Vamos esquecer por um momento a realidade do país e focar no micro-exemplo Sportinguista. A única coisa da qual discordo no post, é quando o autor refere que o SCP “apesar de ter crescido, nunca foi verdadeiramente um clube de massas”. Isso não é verdade. O SCP tem de facto a origem e a fundação que se conhece, tem de facto a sua matriz elitista e aristocrática, mas o que tornou o SCP um Clube sem paralelo em Portugal e na Europa, foi o seu crescimento popular e a sua cresente popularidade junto das classes sociais mais baixas da sociedade portuguesa. O Clube só se tornou verdadeiramente “grande” depois de se ter tornado um Clube popular e de massas populares. Aliás, não existe nenhum clube “grande” no mundo inteiro que não seja popular, que não pertenca (também) ao povo e às suas raízes. Fala dos anos 50, o grande boom e época áurea do SCP, mas também nos anos 60, 70, e depois do 25 de Abril, na idade comtemporânea das últimas décadas do sec. XX, essa popularidade sempre foi evidente, sempre foi marcada e vincada de norte a sul do país, e no estrangeiro. Mas alguém acredita que se mete 50 mil pessoas no estádio de Alvalade para ver o Joaquim Agostinho entrar numa bicicleta, porque se é um não-popular? Impossível. O povo e a massa popular foi INDUBITAVELMENTE o que tornou o SCP um clube gigantesco, a potência que sempre foi.

Mas as coisas não são eternas se não as cuidamos. É como as plantas, se não as regamos, morrem. E o SCP claramente que tem tratado as suas raízes populares com os pés. Com um desrespeito gritante, com um provincianismo patético, qual aristrocrata falido, que se acha superior porque sim, que se acha diferente porque sim. O SCP teve muita dificuldade em fazer a transição para o futebol-indústria, para o mundo dos milhões à volta deste negócio. Porque sempre foi um clube eclético, mas principalmente porque perdeu a liderança e o rumo necessário para perceber o caminho para transformar o seu potêncial, a sua popularidade, numa máquina competitiva na nóvel indústria futebolística. E perdeu-se, nunca definiu e agregou as suas origens e idiossincrasias com aquilo que o torna grande e competitivo financeiramente. A juntar à festa, o Clube é tomado de assalto em 1995, pela pior variante da sua aristocracia: os cleptocratas de gravata. Roquette (seja com dois ou com um t) quis recuperar aquilo que achava que era seu por direito, e delineou um plano. O projecto. Todos nós sabemos hoje o que isso significou para o Clube. O que é trágico são os próprios Sportinguistas e a sua apatia degenerativa, porque este caminho se tornou demasiado evidente a determinada altura, e a incapacidade dos sócios defenderem o seu Clube também. Para mim foi (e continua a ser porque ainda não acabou) uma enorme surpresa.

Os exemplos que tenho de Sportinguistas, são, como todos nós, aqueles que nos são mais próximos, e eu venho de uma família muita antiga no Sportinguismo. O meu avô foi durante anos director no hoquei do SCP, dedicou a sua vida inteira ao Clube sem nunca ter recebido um tusto de volta. Antes pelo contrário, enterrou até mais do que devia. A casa da minha avó, é um mini museu do SCP, na minha familia não há uma única pessoa que não seja do SCP. Pais, irmãos, tios, primos, casamentos, é tudo do SCP. Todos. Não devem
haver muitos exemplos destes por essas familias em Portugal de certeza. Sócios desde a nascença há vários. Mas as pessoas são muito diferentes, as suas personalidades, o seu caminho profissional, os seus problemas pessoais, os seus sucessos financeiros e até as suas crenças e ideologias pessoais. De uma diversidade desconcertante até. E o que é que une esta gente toda? O amor, carinho e respeito que sentem entre si, e o SCP.

Porque é que eu dei este exemplo? Por acho que é este o caminho que pode safar este Clube. A tal família Sportinguista. Toda a gente tem de sentir que faz parte dela, toda a gente tem de sentir o mesmo carinho e respeito, porque só assim é possível sair em auxílio, só assim é possível a tal união. E este caminho pode ser feito independentemente da raça crenças, ideologias, profissões e rendimentos. Pode. Mas o SCP tem de voltar às suas origens, tem de voltar a ser um clube popular. O SCP não pode ter corruptos nem vigaristas a governá-lo. O SCP não pode ter gente desprezível, sem dignidade e sem qualidade à frente dos seus destinos. Não podemos ter pintos da costa nem zé dos pneus, mas temos de deixar de achar que esta trupe pseudo-aristocrática e clique banqueira que nos arruinou e destroçou, faz parte do nosso DNA. Não faz. E tem de ser extirpada como parasitas que são. Até que isso não aconteça, não há paz possível, não há união possível. E não há SCP. :arrow:

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Excelente texto e excelentes comentários.

Penso que é por nunca se ter libertado desse síndrome que caracteriza as elites mal formadas (a sobranceria, a arrogância, a menorização de outrém) que levou o Sporting à sua presente situação.

É verdade que o fenómeno futebolístico começou por ser um fenómeno ligado às elites, principalmente às elites estrangeiras de raiz anglo-saxónica. Mas rapidamente se viu que passaria a ser um fenómeno de cariz popular.

Não seria nas tertúlias de fim de semana que se desconbririam os grandes jogadores mas sim no menino da rua, com a bola de “cautchú”, com os seus sapatos de sola de Ceilão, que apareceriam os vultos que tornaram grande este desporto.

E o Sporting nunca conseguiu deixar que o epíteto de Clube elitista se afastasse dele. Talvez apenas no tempo dos 5 violinos. Se Peyroteo ostentava sangue azul, já os seus restantes companheiros eram homens do povo comum, filhos de e operários eles próprios, que trabalhavam e jogavam à bola.

E foi dessa simbiótica relação, entre fidalgos, operários, filhos das colónias ultramarinas, que nasceu essa lenda que ainda hoje nos enche de orgulho.

É verdade que foi por ser elitista que nasceu a aura que (ainda) permanece sobre o Sporting Clube de Portugal.

Mas os melhores momentos do Sporting sempre foram quando se aproximou do povo comum.

As manifestações em 2000 e em 2002, aquando dos nossos últimos campeonatos (principalmente a do campeonato de 2000) foram qualquer coisa de inesquecível, com Portugal de norte a sul, desde o Marquês de Pombal à Avenida dos Aliados, desde Alvalade à Av. da Boavista, passando por Évora, Guarda, Faro, Ponta Delgada, Funchal, enfim por todo, todo, todo o Portugal, a festejar, a chorar de alegria, todos irmanados por um único sentimento: o amor ao Sporting.

Por isso, o Sporting tem que definitivamente aproximar-se do povo, do adepto comum. Não através do populismo demagógico, mas através da verdade, não através do elitismo, mas através da solidariedade, da fraternidade, transversal a todos os Sportinguistas, sejam fidalgos, doutores, engenheiros, arquitectos, carpinteiros, trolhas, donas de casa, estudantes, letrados, analfabetos, brancos, da cor do ébano, amarelos, novos, velhos…

O que torna o Sporting diferente não é ser elitista, é ser de todos.

E é isso que o futuro Presidente do Sporting vai ter que perceber.

Já este texto devia estar aqui:

http://www.forumscp.com/index.php?topic=37083.100

Se não te importas será lá colocado.

Grande posta Stromp3. :great:

Orlopesdesa, até me sinto mal por não ter lido este teu texto quando passei a primeira vez pelo tópico. Obrigado por partilhares connosco aquilo que acabaste de escrever, até me emocionei. E sabes porquê? Porque para além de concordar contigo a 500% sobre o único futuro possível para o SCP, ao ler essa história que contas do teu teu avô, era como estivesses a falar do meu, que felizmente ainda tive o previlégio de privar. O mais extraordinário é que o meu, ao contrário do teu, teve um berço previlegiado e se quando regressava a casa não era para uma vida de miséria, o sonho era de certeza igual. E isto é que é a essência do SCP!

Obrigado e bem hajas! Um abraço!

Meus caros,

é por honra daqueles que nos ensinaram o que era o Sporting que devemos tentar que esta campanha eleitoral seja menos sangrenta que a anterior.
Há uma revolução a fazer no Sporting, mas não será à custa da estigmatizaçao de uns quantos que isso será possível.

É difícil discordar com o que quer que seja que foi escrito nos comentários. Cada um melhor do que o outro.

Tivesse toda a gente consciência do que aqui se escreveu e percebesse a importância da questão e já nos teríamos levantado há muito

Grande post, e excelentes participações :clap:

Julgo que a questão geracional se coloca mas se calhar tem sido levada demasiado a sério.

Os males do Sporting, não se encerram nos sócios mais antigos que devido à forma como estão distribuídos os votos, tem um peso grande no desfecho das eleições. Já foi aflorado neste forum e é verdade que os mais antigos, tem tendência para serem mais conservadores e por isso mesmo mais fechados à novidade. Mas olhemos para o passado do Sporting desde 1995.

José Roquette foi eleito presidente sem discussão. Assim foi também com Dias da Cunha e FSF foi cooptado. Só aqui, temos quase uma dezena de anos, em que não foi por causa dos mais antigos que não se fez o corte com o “projecto roquette”. Nas eleições em que FSF foi a votos, teve pela frente SAM, que bem vistas as coisas não é um candidato entusiasmante. Com o JEB o adversário foi PPC, mais uma vez não se pode responsabilizar o voto dos mais antigo, por nada ter mudado. As alternativas eram tão fracas que nem novos nem velhos escolheram a mudança.

Na única eleição em que existiram alternativas fortes, os votos dividiram-se e GL ganhou como se sabe…

Daí concluir que se fala demasiado nesse tema, mas na minha opinião, não são “os velhos” os responsáveis pelos nossos males.

Discordo que o Sporting não seja um clube de massas. Os títulos de 1999/2000 e 2001/2002 viram Portugal sair à rua em peso para festejar. Da mesma forma vários núcleos espalhados por esse mundo fora comemoraram com fervor essas conquistas.

Conheço Sportinguistas de todos os estratos sociais e profissões, desde o humilde carpinteiro ao advogado e engenheiro. Somos por isso um clube transversal na nossa sociedade e com expressão de norte a sul.

Existem momentos na nossa história que explicam porque razão em determinada altura o slb consegue ganhar significativo avanço popular. Nos idos anos 50, com os famosos 5 violinos o Sporting ganhou grande superioridade desportiva e popular, prova disso é o filme “O Leão da Estrela”, que não mais é que um retrato da nossa sociedade à época. O Sporting vence no período áureo dos cinco violinos os campeonatos de 46/47, 47/48, 48/49, 50/51, 51/52, 52/53, 53/54. Esmagador.

Acontece que durante grande parte desse ciclo vitorioso não existiam competições europeias, pelo que o clube não teve grande reconhecimento internacional. Fica contudo o facto histórico de um jogador do Sporting, José Travassos, ter sido o primeiro jogador na historia do futebol português a ser chamado para representar a selecção da Europa, para defrontar a Grã-Bertanha. Aconteceu em 1955.

Quando as provas europeias são criadas, já os fabulosos 5 violinos estavam em declínio, mesmo assim ainda foi possível vencer as Taça das Taças em 1963/64.

É verdade que o Sporting nos anos 40/50 era o clube do regime. Mas isso acontece, como a história o mostra, porque os regimes fascistas tinham a tentação de usar o desporto como bandeiras nacionalistas. Hitler fê-lo com os Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim. Mussolini com a selecção Italiana de futebol, Franco com o apoio ao Real Madrid na década de 60, e por ai fora. Por cá o regime de Salazar colou-se ao Sporting, como disse atrás, nos anos 40/50 e depois ao slb na década de 60.

É esta década, a de 60, que marca o crescimento popular do slb, em detrimento do Sporting. O “culpado” chama-se Eusébio. Goste-se ou não, ele foi um jogador de eleição, e com o aparecimento das competições europeias, e as duas conquistas que eles obtiveram, conseguiram prestigio internacional, e a propaganda do regime fez o resto. Acresce que Eusébio foi transformado pelo regime em figura de proa, rivalizando com Péle, curiosamente no momento em que o Brasil também vivia debaixo de uma ditadura militar.

Porém o único clube que lhes fazia frente em Portugal era o Sporting. A rivalidade dividia-se entre o Futebol e o ciclismo. Nos anos 60/70 as disputas entre Fernando Mendes (slb) e o grande Agostinho, dividiam o país, à semelhança do que tinha acontecido nos anos 30 com Nicolau e Trindade.

Serviu isto para concluir que o Sporting é um clube com raízes profundas na nossa sociedade, mas que por várias razões, umas às quais foi alheio outras por muita culpa própria, foi perdendo espaço, primeiro para o slb, e desde a década de 80 também para o fcp, que souberam mexer-se melhor no xadrez da politica e nos bastidores do futebol nacional para ganharem protagonismo.

Para terminar, tem sido também muito por culpa da falta de visão e habilidade de quem nos dirigiu nos últimos 30 anos e que conduziram o clube para patamares que não se coadunam com a sua história, que hoje somos um clube com menor fulgor, e isso nada tem que ver com a demografia, questões sociais, quinta da marinha ou chelas, velhos ou novos.

Foi mesmo por aselhice e falta de qualidade para dirigir o Sporting.