Concorda com a estratégia da venda das pérolas da academia?

No contexto do actual mercado, jogadores jovens portugueses de top como o Veloso e como o Moutinho podem render cada um, valores entre os 25 e os 30 milhões de euros.
Nem sempre foi assim…

Tais eventuais vendas poderiam permitir diminuir o passivo e/ou reinvestir os valores das receitas das vendas em outros jogadores com menor valor de mercado mas não necessáriamente com menor valia física e técnica.
São vários os factores que concorrem para a determinação do valor de mercado de um jogador.
Às vezes, o sentido de oportunidade pode permitir contratar jogadores de grande craveira por valores muito inferiores aos que seriam espectáveis dada a sua qualidade.
Por outro lado, não é fácil convencer um jogador a permanecer num clube como o SCP quando este,simultaneamente, é aliciado com contratos fabulosos pelos grandes tubarões do futebol mundial.
Estas razões favorecem os que advogam a inevitabilidade positiva da venda destes jogadores.

Do lado oposto estão aqueles a quem não agrada a perda sistemática dos nossos grandes valores.
Tal arruina qualquer plano de estabilidade nas pedras basilares do nosso plantel ao mesmo tempo que imaginamos a equipa fabulosa que seria um SCP que durante 5 ou 6 anos conseguisse manter os melhores jogadores com que constantemente presenteia os grandes palcos do futebol mundial.

As pergunta são:
Concorda com a venda das pérolas da academia e com as clausulas de rescisão, eixo central da politica actual?
Qual a estratégia que seguiria caso coubesse a si a decisão em relação às vendas dos nossos jovens valores?

Creio que seria mais proveitoso manter os jogadores 3/4 épocas na equipa principal de modo a simultaneamente a equipa ganhar títulos e os jogadores se valorizarem.

Imaginem só se o Cristiano Ronaldo tivesse ficado mais um época que fosse no Sporting, provavelmente sairia pelo menos pelo dobro do que que saiu já para não falar do sucesso a nível desportivo que poderíamos ter alcançado.

  1. Sim e Não.

Sim à venda de jovens jogadores porque o Sporting não tem, no mercado actual e com a projecção que o jogador nacional obteve entretanto, capacidade para manter os melhores.

Por outro lado sempre considerei a Academia como peça fundamental na construção de uma equipa e não como alavanca de projecção de qualidade dessa mesma equipa, o que quer dizer que entendo que a função do plano de formação deveria ser colocar 2 jogadores de qualidade média (jogadores ao nível de Abel ou Tonel, só para exemplificar) na equipa por cada “fora de série” entretanto formado (e vendido).

Já o escrevi aqui várias vezes, se isso tivesse sido alcançado, neste momento teriamos, em teoria, 10 jogadores com qualidade média bastante razoável para titulares (pelas vendas de Simão, Viana, Quaresma, Ronaldo, Nani) e outros 4 “a caminho”, pensando já em Veloso e Moutinho. Isto sem considerar a qualidade extra que a disponibilidade financeira obtida através dessas vendas poderia alcançar, seja através da compra directa, quer de jogadores com potencialidade quer de jogadores já com cartel, ou/e ainda optando pelos empréstimos de jogadores com qualidade (Roca é exemplo).

Não às clausulas de rescisão, porque até hoje ainda ninguém me confirmou que o clube seria “obrigado” a vender a preço reduzido os seus jovens, fruto da legislação laboral que a FIFA foi obrigada a implementar, e por aquilo que é conhecido nomeadamente do contrato do M Veloso, os clubes continuam a poder decidir do momento e montante da venda a seu bel prazer, excepto se no contrato estiverem precisamente clausulas especificas.

  1. Actualmente defendo uma estratégia talvez radical mas necessária para equilibrio da equipa (do meu ponto de vista), que passaria pela venda dos 4 melhores jogadores (Polga, Veloso, Moutinho e Liedson) e investimento TOTAL do montante obtido na reformulação do plantel.

É certo que não confio na actual equipa dirigente (administrativa e técnica) para a efectivação de um plano desses, mas acredito que seria a forma mais sustentada de iniciar um trabalho evolutivo para o futebol do Sporting.

Depois a prazo, o tal aproveitamento da qualidade média da Academia, mais o investimento das mais valias das vendas dos melhores no reforço qualitativo do plantel, já de si devidamente reforçado no começo do processo.

E sempre tendo em atenção que bem negociados e implementando outra mentalidade, mesmo os melhores podem vir a fazer mais anos no clube antes de darem o salto.

O melhor seria mesmo manter esses talentos o mais tempo possível. Parece-me óbvio que quem tira os maiores dividendos da grande classe desses jogadores (Futre, Figo, Cristiano Ronaldo, etc) são os compradores e não os vendedores.

Manter os talentos significaria, como já foi apontado, duas coisas: uma grande valorização desses jogadores e uma maior probabilidade de conquista de títulos importantes (esqueçam as Taças e as Supertaças, por favor). Da conquista de títulos importantes resulta naturalmente o aumento de prestígio a nível nacional e internacional, com a correspondente entrada de receitas. Para além da valorização de todo o plantel que, ao sair vitorioso, se torna mais confiante. Clubes que conseguem grandes vitorias, mesmo não fazendo parte da pequena elite dos milionários, fazem sempre melhores negócios, tanto a vender como a comprar.

Em suma, não será nunca com as receitas da venda de um grande talento, anualmente que seja, que o Sporting Clube de Portugal sairá da profunda crise em que se enterrou com a construção do estádio e da Academia. Ao contrário do pretendido pelos seus mentores, o projecto Roquete colocou o Sporting perante a maior crise da sua história. Dela não sairá nunca, como já se viu nos últimos 4 ou 5 anos, através da venda dos talentos criados nas suas camadas jovens, por muitos que eles sejam.

Em relação às pérolas da Formação, tem faltado equilíbrio entre duas ideias: Retorno Financeiro e Sucesso Desportivo

A criação de uma imagem ímpar na Europa, enquanto clube-formador, deve estar assente em 3 etapas de um mesmo processo:

  1. Prospecção e formação de promessas;
  2. Integração de promessas no futebol sénior;
  3. Valorização das promessas, fruto do sucesso desportivo

Ora, se temos cumprido com excepcional qualidade a primeira etapa deste processo através do inigualável trabalho do Prof. Aurélio Pereira e dos vários treinadores da Academia, terá que ser dito que tem existido alguma timidez na passagem à segunda etapa. Falta arriscar, falta contar com o que temos nos Júniores quando nos Seniores nos faltam soluções. O afastamento de Paulo Bento da equipa de Júniores, tirou-lhe alguma da confiança que tinha na sua primeira época enquanto treinador principal, quando conhecia os miúdos que sob o seu comando se haviam sagrado Campeões. É uma situação a ser revista, de forma a dinamizar esta segunda etapa.

A terceira etapa tem sido um dos “cancros” do Sporting. Os jovens leõezinhos, já nos Seniores, têm sido vendidos mal dão os primeiros passos na alta roda. Se o gatinhar, o andar e o correr fazem parte da formação, deixêmo-los fazer algumas corridas de verde-e-branco, antes de os vender. Mesmo que para isso exista a necessidade de fazer esforços salariais, os mesmos terão o seu retorno através do sucesso desportivo ou através do preço de venda, inflaccionado pela montra europeia e pelo próprio amadurecimento do jogador. Para que tudo isto aconteça, é necessário existir sempre uma equipa competitiva, num plantel equilibrado onde a qualidade é palavra de ordem. Comprar, só para ser titular!

Claro que a venda do Nani foi uma óptima venda, claro que o Moutinho e o Veloso serão bem vendidos por 30 milhões, mas só se continuar a existir uma equipa competitiva depois da sua saída de forma a poderem ser feitas novas integrações (2ª fase) numa equipa competitiva e ambiciosa. Integração para servir de trampolim, não! Se a equipa deixa de ser competitiva, os jovens craques (e não só) deixam de acreditar na camisola que vestem e só pensam em sair!

Foi exactamente isto que falhou no último defeso! Saiu um “leãozinho” promissor, mal deu os primeiros passos, e saíram duas pedras fundamentais da equipa da época passada e do balneário. Sendo por si só um enorme factor desestabilizador, foram ainda contratados reforços “à meia-dúzia” que não ofereciam qualquer garantia de construir uma equipa competitiva. Maus resultados, ataques ao treinador inexperiente, e indisciplina… a história desta época todos conhecemos!

A capacidade de sermos competitivos, está na competitividade com que compramos e vendemos. Não nos interessa estar a importar da “China” comprando barato e depois querer vender caro. O produto “chinês” não se vende caro! Convém comprar com qualidade, sendo que a quantidade estará dependente do nosso poder financeiro. Isto é, se os 23 jogadores não têm uma qualidade aproximada, os produtos bons não são olhados como tal. Para o crescimento do Sporting enquanto Clube ambicioso com estratégia de enriquecimento definida num projecto de Formação-venda, é necessário obter sucesso desportivo. Um Clube com ambições de ganhar a Champions, vai comprar jogadores que acredita terem condições para o fazer e isso é difícil de acontecer quando o plantel desequilibrado oscila entre o 2º e o 3º lugar da Liga BWin.

Eu estou, mas só quando já são pérolas, não quando ainda são graus de areia que ainda nem assentaram na p***** da ostra, que é o que fazemos à anos infelizmente.

Como disse o Freitas Lobo esta semana a vida de um clube é comprar e vender BONS jogadores. Se possível adiciono eu vender maus também, mas os maus devem ser muito poucos, se vão existindo é mau sinal e em Alvalade sabemos de onde vêm os maus, e não vêem normalmente, salvo raras excepções, da filtragem apertada da nossa academia, pois não é suposto nem chegarem a esse ponto, se forem maus.

Posto isto, vender “pérolas” sim, mas só lá para os 25,26 anos, no seu auge, quando supostamente valem mais e quando (mais importante) foram RENTABILIZADOS EM CAMPO pelo Sporting. E é nisto que sempre falhámos. Porquê? Porque como esta gente nunca conseguiu cumprir os objectivos de gestão que se propunham e como os compromissos com as entidades agiotas com as quais estão demasiado intimimamente relacionados em outros aspectos da sua vida foram sempre prioritários, houve que vender rápido o que nem sequer foi rentabilizado.

Durante uns temos o incauto adepto ainda acreditou, ingenuamente, que essas vendas serviam de alguma forma para se atingirem os objectivos de passivo zero eternamente prometidos, mais tarde foi-se percebendo que não, que não só não atenuaram essa situação como hoje em dia o Sporting vive pior, com menos saude financeira, e sem simão, quaresma, ronaldo, etc em campo para inverter a situação.

Por melhor academia que tenhamos, enquanto não criarmos condições, mentalidade e competência para aguentar os nossos jogadores o tempo suficiente para que amadureçam e dêem primeiro em campo e depois nos cofres, não chegamos a lado nenhum. Só que isso não depende só de bater o pé aos jogadores que querem sair, depende de toda uma filosofia que tem de mudar no clube, de ambição, de conquista, de rodear os jovens de companheiros de qualidade e montar equipas que ganhem coisas isto porque um jogador jovem do Sporting hoje em dia ao sair não vai só ganhar mais dinheiro: vai ganhar títulos, coisa que não ganha cá. E qual é o jovem jogador que, além do dinheiro, não quer trabalhar dia a dia num ambiente em que se ganhem jogos? Até eu na futebolada ao domingo e sem ganhar um tusto se perco dois jogos seguidos começo a ficar lixado quanto mais profissionais ambiciosos que orientam a sua vida para este desporto.

É esta merda que não entendo em Alvalade… ninguém perceber que este é o único caminho.

Em relação a este assunto eu penso que sempre que um tubarão queira mesmo levar um jogador que esteja em Portugal chega cá e leva-o, portanto acho que as cláusulas de rescisão fazem sentido.

Agora também me parece que anda muita gente a contar com o ovo no cu da galinha, mas eu ainda estou para ver qual vai ser o clube que vai bater os tais 30 milhões para levar o Veloso. Acho melhor serem prudentes e aguardarem pelo fim da época e pela eventual participação do miúdo no Euro, porque caso contrário não estou a ver que seja assim certo que vão dar essa massa toda pelo rapaz.

Mas voltando atrás, repito que não vale a pena sonharmos em segurar os que são mesmo bons como o Ronaldo ou o Figo, eventualmente será possível segurar a segunda linha tipo Simão, Nani e Quaresma mas nunca por muito tempo, mas a partir daí acho que jogadores como Viana, Veloso ou Moutinho são para segurar a não ser que apareça um Newcastle disposto a pagar acima do real valor destes jogadores.

Mas ainda há uma quarta linha donde se podem e devem aproveitar bons jogadores que no entanto dificilmente entram de caras no plantel e aqui a política de empréstimos terá de ser apurada.

Outra questão é a política de contratações, há que ter mais atenção ao mercado português, talvez o Linz e o Alvin fossem contratações de menos risco do que Purovic e Had.

Parece-me bem que se aposte em jovens com valor como Izmailov, Vukcevic, Stojkovic ou Gladstone, já que não se pode contratar jogadores feitos, podem não acertar em todos mas isso é mesmo assim.

Bons jogadores emprestados também são bem-vindos, o exemplo do Caneira é para repetir sempre que possível e principalmente em relação aos avançados, cujo mercado é muito complicado.

Sou contra a contratação de velhos que geralmente vem a pensar na reforma, veja-se o caso do Paredes, no entanto abriria uma excepção para o Pauleta, trata-se dum profissional de grande carácter e que certamente gostaria de jogar num grande clube português, acho que ainda faria uma época e meia no Sporting e seria muito útil

Apenas alguns itens para discussão…

As cláusulas de rescisão existem, a meu ver, para proteger os clubes e não os jogadores. É um “seguro”. Com tanto mau carácter por aí (iludido por promessas de empresários), se não existissem cláusulas os jogadores podiam simplesmente fazer birras até que os clubes aceitassem vendê-los por tuta e meia.

De resto, estou como o Mauras. Gostava de ver o dia em que não ficássemos sem os jogadores quando ainda são embriões do que podem vir a ser. Gostava de ver o dia em que não existisse o invariável ciclo:

  1. Jogador brota da academia. É o maior, vamos ser campeões com ele, vai ser um regalo!
  2. É lançado com 18/19 anos na equipa principal
  3. É o melhor! Meia Europa anda atrás dele.
  4. Não sai, só pela cláusula de rescisão. O objectivo é manter os miúdos.
  5. Tem uma fase de má forma (como todos os jogadores, de resto… e este ainda nem 20 anos tem). Já não é tão bom, “ele que seja vendido porque temos melhor na academia”.
  6. É vendido no final da época.
  7. Voltamos a ter uma equipa débil.

O Sporting é um clube com dimensão internacional e nome feito. Tem condições para manter bons jogadores a ganharem títulos e bem remunerados. Mas isto dá muito trabalho, exige competência e demora tempo (e os três factores parecem faltar actualmente).

Como empresa que também é, não pode no entanto nunca recusar analisar uma proposta de compra de jogadores. Feitas as contas, se o preço oferecido for mais elevado que o valor do jogador para o clube (incluindo avaliação do custo da eventual perda de competitividade da equiapa, factores imateriais como a imagem, etc) é vender.

O valor dos jogadores dependerá sempre muito do valor da equipa. Por isso, para vender bem, o Sporting terá necessariamente de manter uma equipa forte que ganhe e os valorize. Por exemplo se o Ronaldo tivesse ficado não valeria o que vale hoje.

Imaginemos uma escala de valor na carreira de um jogador. Por exemplo o Montijo descobre o jogador mas só tem equipa e nome para o valorizar até 100 e vende-o nesse ponto. Compra-o o Setúbal que já tem equipa e nome para o valorizar até 1000. Compra-o o Sporting que o pode valorizar até 10.000 e por aí adiante. Temos de conseguir uma equipa que o consiga valorizar até 100.000 (túdo números hipotéticos). Cada vez que se enfraquece a equipa está-se a reduzir a capacidade de valorizar jogadores o que tem um custo futuro altíssimo e que duvido seja devidamente avaliado.

Mais actual do que nunca este tópico!

Provavelmente hoje todos teríamos uma opinião diferente aquando da criação deste em 2008.

A pérola da academia que foi mais criticada, gozada e por ai. Deixem de ser hipócritas :boohoo:

:arrow:

Estas vendas não têm a haver com estratégia, têm a haver com a necessidade de sobreviver.

Nota: O contexto em Janeiro de 2008 é bem diferente do actual…

Exacto, foi um risco que se correu, e hoje vemos no que deu…

No entanto tudo poderia ter sido diferente…

Clube pobre e falido tem pouca manobra “estratégica”.

Pérolas que só levaram marretadas nas mãos do Paulo Bento , milagre é ainda haver compradores.

Infelizmente, é a única estratégia que nos tem permitido lucrar!

Jogadores que não foram formados por nós e que saíram por mais do que aquilo que foram comprados nos últimos 10 anos:
Duscher
Enaka

:wall:

Bem vendidos, SIM, porque isso permitiria arranjar dinheiro para contratar mais-valias pouco inflacionadas, isto se o clube fosse bem gerido e não tivesse enterrado em dívidas, assim lá vão os anéis… e ficando com o que os outros não querem.

Concordo se forem vendidos por mais de 15 Milhões como os casos do Cristiano e Nani.

Quais “pérolas”? :eh: