CAN'2008

Começa no próximo dia 20 a Taça das Nações Africanas, uma das provas que mais me aguça a curiosidade. Não necessariamente para observar futuros reforços para o Sporting, como muitos gostam de fazer, mas para descobrir um pouco mais sobre as selecções africanas. Este ano realiza-se no Gana e vamos ter a presença das fortíssimas selecções do Benim, Namíbia e Sudão. A grande ausência acaba por ser o Togo, participante na última edição do Mundial. Mas também gostaria de ver a Argélia na prova.

Não quero estar a repetir tudo o que escrevi no blog, pelo que deixo a lista dos participantes e respectivos nomes de guerra.

Grupo A
Gana - Estrelas Negras
Namíbia - Bravos Guerreiros
Guiné-Conacry - Le Syli
Marrocos - Leões do Atlas

Grupo B
Nigéria - Super Águias
Benim - Esquilos do Benim
Mali - Águias
Costa do Marfim - Elefantes

Grupo C
Egipto - Faraós
Sudão - Falcões do Deserto
Zâmbia - Chipolopolos
Camarões - Leões Indomáveis

Grupo D
Tunísia - Águias do Cartago
Angola - Palancas Negras
África do Sul - Bafana Bafana
Senegal - Leões da Teranga

Estou também curioso para ver o Sudão, já agora.

Deu esta semana na magazine FIFA Futbol Mundial que há por lá uns brasileiros a tentarem erguer o futebol do país.

Gostava que ganhassem os Elefantes da Costa do Marfim, que teriam sido justos campeões há dois anos. Até porque Angola, a selecção que deve reunir maior preferência cá em Portugal, dificilmente passará da primeira fase.

Quero também ver como é que Parreira está a preparar a Af.Sul para o Mundial.

É pena que os dados que tenha da lista de convocados do Sudão seja um pouco contraditória. Segundo uma notícia que tinha guardado já na semana passada, é uma lista “normal”, mas hoje saiu uma notícia na ESPN salientando o facto dos 23 jogadores virem todos de duas das principais equipas do Sudão. Não deixa de ser um facto curioso. Até dia 20 vou conseguir confirmar isso.

Para dar mais uma achega…os avançados que já actuaram em Portugal e Inglaterra… Benny McCarthy e Collins Mbesuma foram deixados de fora da lista da África do Sul e Zâmbia, respectivamente. O Parreira e o Bwalya não brincam em serviço.

Esqueci-me: uma das equipas pela qual vou torcer certamente será o Mali de Diarra, Seydou Keita (sobrinho do Keita que passou pelo Sporting) e Kanouté. Que me lembre, nunca vi jogar o Mali. Estou na expectativa.

O grupo D ou é de mim ou promete ser muito equilibrado: Senegal, Angola, Africa do Sul e Tunisia.

Depois há sempre aqueles favoritos crónicos tipo Camarões, Costa do Marfim, Egipto e Nigéria.

No grupo dos outsiders colocaria o Senegal, o Mali, o Gana e Marrocos.

Das outras equipas pouco posso dizer porque simplesmente não conheço, falo do Sudão, da Guiné Conacry, da Nabíbia da Zambia e do Benim…

Mas uma coisa é certa, esta CAN promete espectaculo!!

De entre as selecções que não conheces, há uma que me surpreendeu bastante no último CAN…a Guiné. Entraram como desconhecidos e surpreenderam muita gente. Tem um lote de jogadores muito bons, quase todos a jogar em França. Todo o clã-Bangoura (ao todo eram 5 em 2006, mas o do Boavista…o Sambegou… desta vez ficou de fora…enquanto o Ismael, o que está no D.Kiev é bastante bom), o Pascal Feinduono e o Fode Mansaré.

Vou torcer novamente para que façam uma surpresa…talvez Marrocos saia a perder.

Enganaste-te a escrever “Feinduono” - é Feindouno :wink: esse aí é grande player, cheguei a recomendá-lo no tópico dos reforços, mas pelos vistos é muito caro. O Ismael e o Mansaré não conheço, mas para os estares a enumerar é porque são jogadores de qualidade.
Eu gosto da selecção do Gana, tem um bom lote de jogares com qualidade. A Nigéria pode sempre fazer moça e os Camarões também, no entanto dou o principal favoritismo à Costa do Marfim, tem equipa para ganhar…

Sim…o Pascal é um dos erros históricos que já me deixei de preocupar. Ele e o ex-seleccionador de basquetebol, o Valentyn Melnychuk. Durante muito tempo escrevi Melynchuk.

Ah, não edito a mensagem porque caso contrário a tua não se entenderia. Obrigado :great:

De nada, sempre ás ordens :great:

Achas que o Senegal e a África do Sul têm algumas hipóteses?

Gana e Costa do Marfim são os grandes favoritos na minha opinião. África do Sul tem sido uma autência desilusão desde 2003 e o Senegal, apesar de ter uma boa história e bons jogadores, também não me parece que possa disputar o título. No entanto, o bom desta competição é que as previsões saem quase sempre furadas, excepto da equipa da casa a ser contada com grande favorita.

Uma coisa que a CAN nos promete sempre é espectaculo, são equipas que a nível defensivo ainda não são muito evoluídas o que dá sempre, ou quase sempre em jogos com muitos golos.

Estranho é o Congo não se ter apurado. Na ultima edição portaram-se bastante bem, mas desta vez nem se conseguiram apurar…

Vamos por partes. É realmente estranho a RD Congo, ex-Zaire (dois troféus), não se ter apurado, principalmente vendo que estava no grupo com a Namíbia, Etiópia e Líbia (esta participou em 2006). Partiram para a última jornada em primeiro, mas empataram em casa com a Líbia e precisavam que a Namíbia não vencesse na Etiópia. Resultado: Deram-se mal.

Na última prestação, o francês Leroy conseguiu dar-lhes algum brilho que eles próprios se encarregaram de tornar baço. Muito mal tacticamente (apenas Kinkela se aproveitava na defesa), tentavam tirar o máximo proveito dos “anões”, como eram conhecidos Matumona, Mbayo, Mbuta e Mputu - o mais consagrado deles, para não falar do LuaLua. No entanto…a indisciplina (o jogo contra Angola foi escandaloso com o Mputu a agredir um adversário logo aos 20 minutos) levou-os onde mereciam.

Quanto à qualidade defensiva…acho que depende muito das zonas de África. Na África Negra, a central, prevalece a magia e a criação… muito por causa disso, Nigéria, Gana e Camarões têm dado alguns dos melhores jogadores do continente nas últimas décadas. Já na zona do Magrebe privilegia-se mais a organização. Tunísia e Egipto são os principais exemplos, mas Marrocos e Argélia (que está ausente) pautam-se pelo mesmo caminho.

A África do Sul é uma selecção pouco africana, mas enquadra-se mais nos últimos exemplos. Depois estou curioso para ver os regressos de algumas selecções. Agora…comparativamente com o futebol europeu percebe-se. Até porque na Europa o futebol é cada vez menos futebol e cada vez mais um método.

Talvez por isso a CAN nos desperte mais curiosidade porque nos faz lembrar o futebol que se via antigamente, hoje em dia liga-se demasiado a tácticas e o espectáculo sai muito prejudicado. Lembro-me de ouvir o meu pai falar que o futebol antigamente era muito mais espectacular, as equipas preocupavam-se só em jogar e não em meter o autocarro à frente da baliza. O futebol em África como está mais atrasado faz-nos lembrar o “nosso” futebol de antigamente.

Também concordo com o que dizes sobre a Túnisia e o Egipto, são equipas mais do género das europeias, talvez por isso não as aprecie muito e prefira o futebol do Gana (aquele jogo com a Rep. Checa no Mundial 2006 deixou-me doido), a Costa do Marfim (com Eboé, Drogma, Kolo Touré, Yaya Touré, etc), Camarões (com Eto’o que é simplesmente fantástico) e por fim a Nigéria (com Martins, Odemwingie, Utaka, Yakubu e muitos outros).

E hoje deixo aqui, para quem tiver tempo e paciência, uma análise ao Grupo A do CAN, que publiquei no blog.

O grupo A do CAN’2008 é composto pela selecção da casa, o Gana, Namíbia, Guiné-Conacry e Marrocos. Se numa perspectiva histórica, Gana e Marrocos perfilam-se como principais candidatos, Guiné-Conacry e Namíbia poderão ter uma palavra a dizer. Por um lado, os guineenses deram uma excelente imagem na última competição, eliminando a África do Sul. Já a Namíbia garantiu o apuramento para a presente edição, ficando à frente do grupo onde a República Democrática do Congo, de Trésor Mputu, Zola Matumona e Lomana LuaLua, era considerada a grande favorita.

Começando pela selecção da casa. O Gana foi uma desilusão na última prova, acabando eliminada na fase de grupos pela Nigéria e Senegal. Ainda assim, as ausências de Essien e Muntari serviram de desculpa. Este ano, a jogar perante o seu público, os ganeses não têm desculpas, até porque as vedetas da equipa estão convocadas. Além dos jogadores do Chelsea e Portsmouth, o lateral Pantsil, a esperança Andre Ayew (Marselha) e o já conceituado Gyan Asamoah também podem dar importantes contributos. Outro grande destaque é a convocação de Quincy Owusu-Abiyie, o internacional sub’21 holandês que defrontou o Sporting ao serviço do Spartak Moscovo, mas que actualmente actua no Celta de Vigo.

Os Bravos Guerreiros da Namíbia são uma das grandes incógnitas da prova. Depois de surpreender a RD Congo, os namibianos voltam a participar na prova máxima do continente dez anos depois, prova em que foram eliminados logo na primeira ronda. A selecção tem apenas dois jogadores a actuar na Europa: a grande figura Collin Benjamin (Hamburgo) e o médio do Bryne da segunda divisão norueguesa, Quinton Jacobs. Arie Schans tem ainda ao seu dispor dois jogadores do 1.º de Agosto, equipa de Vítor Manuel: o médio Letu Shatimiene e o avançado Meraai Swartbooi.

A Guiné-Conacry é um outsider que pratica um futebol agradável e um lote de jogadores espectaculares. Desta feita, o avançado do Boavista, Sambegou Bangoura, não foi chamado. O clã Bangoura de 2006, composto por quatro jogadores, está agora reduzido apenas um: Ismael, o avançado do Dínamo Kiev. Além do já citado, o meio-campo é ainda composto por dois jogadores com grande destaque, ambos a actuar em França. Pascal Feindouno, melhor jogador em 2006, e Fode Mansaré, um jogador bastante eficaz e que agradou aos leitores na última edição. A dupla de centrais é outro dos pontos fortes desta equipa: o “gigante” Dianbobo Baldé e Oumar Kalabane (Manisasport - Turquia).

Por último a selecção marroquina. De desilusão atrás de desilusão, os Leões do Atlas querem apagar a eliminação na fase de grupos na última edição, curiosamente também no grupo da selecção anfitriã, e da ausência no Mundial da Alemanha. Longe das grandes equipas da década de 90, Marrocos tem estado a apostar numa renovação progressiva, onde Youssef Hadji e Chamakh assumem papel prioritária. Outro dos aliciantes nesta edição é ver como se sai o portista Tarik Sektioui. Destaque ainda para um dos guarda-redes: o “português” Fouhami, actualmente no Raja de Casablanca.

Palpite: Gana e Guiné-Conacry

Vão passar alguns jogos em direto na sporttv?

Tudo na Eurosport.

a partir de que dia RS?

obrigado

Domingo, 20 (julgo eu). :wink:

Grupo B:

O grupo B do CAN’2008 é composto pelas selecções da Costa do Marfim, Nigéria, Mali e Benim. À partida, não deverá haver surpresas, com Nigéria e Costa do Marfim a repartirem o favoritismo para chegar à fase a eliminar, mas os bons valores individuais do Mali e do Benim podem tornar o grupo mais interessante.

Os Elefantes são vistos como um dos grandes favoritos a conquistar o troféu final. A selecção capitaneada por Drogba tem evoluído bastante nos últimos anos e os seus jogadores começam a ganhar espaço nos clubes europeus. No último Mundial foram eliminados por Argentina e Holanda, mas deram uma excelente imagem, especialmente na derrota com a Holanda (1-2) e pela excelente reviravolta frente à Sérvia e Montenegro, depois de estarem a perder por 0-2. Além de Drogba, o médio Yaya Touré (Barcelona) também é destaque numa selecção onde pontificam ainda Boka, Zokora, Arouna e Bakary Koné e ainda Sanogo, ausente da última CAN. Zoro (Benfica) está convocado. A principal preocupação acaba por ser o estado de saúde do seleccionador Stielike que abdicou de fazer o estágio de preparação da equipa.

Por seu turno, a Nigéria tem uma honra a defender. Eliminada por Angola na fase de qualificação para o Mundial, as Super Águias também não conseguiram praticar um futebol espectacular na prova. Obi Mikel dava os primeiros passos, mas a selecção continuava muito dependente de Oruma e Okocha. Agora, dois anos depois, a selecção conta com Obi Mikel mais maduro, Obinna, Obafemi Martins, Taye-Taiwo, entre outros que poderão fazer a diferença. Com Obinna, Martins, Odemwingie, Kanu, Utaka e Yakubu, o ataque é, sem dúvida, o grande trunfo dos nigerianos.

Eliminado nas meias-finais em 2004, o Mali regressa à prova máxima do continente africano com o objectivo de chegar no mínimo aos quartos-de-final. As Águias (um dos nomes de guerra mais comuns na prova) não partem como favoritas, mas uma selecção que conta com Kanouté na frente sabe que tudo poderá ser resolvido num pormenor de génio do avançado do Sevilha. O meio-campo do Mali, constituído por Keita, Sissoko e Diarra poderá fazer a diferença no jogo com as equipas mais fortes, em que a luta no meio-campo seja maior. Outro pormenor curioso: se em 2006 a Guiné-Conacry contou com o clã-Bangoura, desta feita o Mali apresenta o clã-Sidibé. Ao todo são quatro, um para cada posição do terreno, tal e qual como os guineenses, se se considerar que Ismael Bangoura jogou como extremo direito.

Por último a selecção do Benim. Pequeno país no golfo da Guiné, os Esquilos do Benim são aqueles que menos perspectivas têm de chegar à próxima fase. No entanto, a selecção não é totalmente desconhecida, quer mesmo a nível nacional (Portugal), quer a nível europeu. Tchomogo, antigo jogador dos Vitórias e actualmente no Portimonense, mereceu a chamada por parte de Fabisch, tal como a grande referência da equipa: o avançado Razack Omotoyossi. Omotoyossi tem sido, a par de Henrik Larsson, a grande figura da prestação do Helsingborg na Taça UEFA. Outro nome conhecido no mundo do futebol é o médio do Le Mans, Stéphane Sessègnon. A título de curiosidade, Fabisch convocou um central de origem suíça que já tinha abandonado o futebol: Alain Gaspoz - actualmente jogador-treinador dos amadores do Gagnes.

Grupo C:

Composto pelo Egipto, Camarões, Sudão e Zâmbia, o grupo C será, à partida, o grupo que menos imprevisibilidade terá nos apurados para os quartos-de-final.

À cabeça, surgem imediatamente os Faraós, campeões na última edição no Egipto. No entanto, os egípcios não terão tarefa fácil, especialmente porque surgem muito desfalcados: Mido, Ghaly e Barakat. Ainda assim, os egípcios são a selecção dominadora do continente africano com cinco títulos conquistados. A onda de lesões nos internacionais levou inclusive à chamada de Ibrahim Said (Ankaraguçu), que apesar de estar lesionado prevê-se que possa recuperar a tempo. Será também a primeira grande prova internacional dos egípcios depois da morte de Mohamed Abdel Wahab, titular no lado esquerdo da defesa em 2006, aquando do título. Ainda assim, a selecção continua a contar com alguns jogadores importantes e que podem fazer a diferença, como o médio Aboutrika e os avançados Emad Motaeb e Mohamed Zidan.

Os Leões Indomáveis também têm muito a mostrar, especialmente depois de terem sido eliminados nos quartos-de-final da edição anterior pela Costa do Marfim, já depois de terem falhado o apuramento para o Mundial’2006. Uma das selecções mais empolgantes durante a década de 90, especialmente com as marcas que Roger Milla foi estabelecendo e que os seus seguidores fizeram questão de continuar, dando a entender que, a par da Nigéria, poderiam vir a discutir uma prova mundial a curto prazo. Baseados naquilo que Samuel Eto’o poderá fazer, os camaroneses contam ainda com o benfiquista Binya. Desta feita, Douala e Albert Meyong ficaram de fora.

Da Zâmbia, vem o nome de guerra mais curioso: Chipolopolos. O nosso conhecido Collins Mbesuma, ex-Marítimo, ficou de fora, mas o ataque continua a ser o grande trunfo desta equipa que ficará para sempre na história devido ao acidente de aviação que vitimou praticamente toda a selecção, excepto a grande figura Kalusha Bwalya. Chris Katongo (Brondby) e James Chamanga (Moroka Swallows) devem assumir a linha dianteira, mas o médio Isaac Shansa (Helsingborg) e Jacob Mulenga (Estrasburgo) também têm função importante na equipa.

Por último o Sudão. Nas bocas do Mundo pelas piores razões, os Falcões do Deserto ou Crocodilos do Nilo, como também são conhecidos, regressam à prova máxima do continente africano, 32 anos depois da última presença. Com um título, os sudaneses têm muito poucas ambições para esta prova além de tentar marcar um ponto de viragem no futuro de um país, cuja organização desportiva se dá por cidades, não dando espaço a competições nacionais. O Sudão contribui com um dos factos mais curiosos da prova, já que os 23 jogadores seleccionados provêm de apenas duas equipas: Al Hilal (12) e Al Merreikh (11). Será a grande incógnita da prova, inclusive a nível individual.