"Brancos são mais inteligentes que os pretos"

Ora bem. O homem fala claramente em pretos africanos. Ele pode ter alguma razão. Não toda, mas alguma.

Mesmo dentro dos brancos há quem diga que os do Norte da Europa são mais inteligentes que os do Sul.

Serão as características genéticas a mandar na inteligência? Pode ser… mas não esqueçamos que partilhamos todos o mesmo perfil genético. Que existam espécies mais inteligentes do que outras, isso é um facto, agora raças… a não ser que o tal senhor queira dizer que os pretos são de uma espécie diferente… :lol:

Então a diferença de inteligência entre humanos adultos saudáveis deve-se a quê? Na minha opinião ao meio ambiente e à cultura da região em que estes se desenvolvem, pois como todos sabemos o nosso cérebro desenvolve-se de acordo com os estimulos que recebe do exterior. Mas o que é que isso tem a ver com a diferença genética?

Existem diferenças genéticas ao nivel morfológico que resultam da adaptação ao meio ambiente, mas existe algum gene que determine que os individuos de determinada raça terão um cérebro mais desenvolvido do que os de outra? Duvido.

Deixo-vos um exemplo gritante de diferenças de desenvolvimento e potenciação das capacidades inatas de individuos da mesma raça e, portanto, portadores da mesma herança genética: Coreia do Norte e Coreia do Sul.

Que discussão mais cómica :rotfl:.

Não conheço nenhum estudo que compare raças a nível das suas inteligências… existe sim comparações em relação às particularidades de algumas estruturas cerebrais que são diferentes entre raças, determinadas como é óbvio por ligeiras diferenças genéticas (por exemplo, os indivíduos de raça negra têm maior predisposição a terem problemas de tensão arterial alta que os de raça branca).

Existe um estudo (vai em anexo) relativamente recente que fala em diversas características associadas à inteligência, mas que não consegue concluir grande coisa… a raça não é um dos parâmetros analisados… e começa com esta afirmação que diz quase tudo: “The neural basis of variation in human intelligence is not well delineated.”

Portanto, não sei onde esse senhor baseou a sua afirmação… existe concerteza associação entre o ambiente sócio-cultural em que se cresce e vive e o nível de inteligência, e estatisticamente isso deve dar uma maior percentagem dos de raça branca que negra, mas isso tem razões óbvias que não a genética, certo?.. por isso a afirmação é claramente redutora, uma vez que ainda ninguém conseguiu determinar diferenças no potencial das duas raças (e mesmo que isso fosse verdade continuaria a ser redutora, porque estamos no campo das probabilidades).


intelligence.pdf (193 KB)

Paracelsus, gostava de saber a tua opinião sobre a razão de em todos os continentes terem existido civilizações avançadas, excepto em África (excluíndo alguns países do Norte como o Egipto).

P.S. - Espero que não apareçam os ‘do costume’ a levar este assunto para o racismo. Acho que todos nós temos inteligência e elevação suficiente para entender que não é disso que se trata nesta discussão.

Acho que as afirmações do senhor são imbecis, mas a questão de fundo não deixa de ter a sua razão de ser.

Estou muito longe de ser um entendido na matéria, mas acho que todos concordam que as várias raças diferem entre si em diversos parâmetros morfológicos, fisiológicos, etc… Ora, se a função cerebral, neurológica, ou lá o que seja o termo correcto para a designar, também tem, inelutavelmente, uma base fisica, por que raio não há-de uma raça apresentar, nesse campo, valores superiores a outra?

E falo em abstracto, porque na verdade, para além daquele lugar-comum segundo o qual a raça negra tem em regra maior capacidade muscular que as restantes, não tenho nenhuns outros dados que me permitam dizer se a função cerebral dos brancos é superior à dos pretos, ou se a função circulatória dos asiáticos é superior à dos brancos, ou se a função digestiva dos pretos é superior à dos asiáticos. Nem sequer sei se isso está estudado, só acho que, do ponto de vista científico, é perfeitamente plausível que possa acontecer, sem que isso tenha qualquer reflexo na intrínseca dignidade humana de cada raça, que é obviamente igual para todas.

O Maradona era mais na branca! ;D

Uma pessoa não perde o direito a dizer boçalidades só porque ostenta um titulo pomposo e um alto estatuto. Toda a gente é capaz de dizer disparates, especialmente em certas alturas da vida em que a capacidade de discernimento começa a falhar. Mas assumindo que não se trata de um delírio, toda a gente tem o direito de se exprimir, desde que justifique o que diz (o que não me pareceu ser o caso) e desde que assuma as devidas responsabilidades e consequências (vamos lá ver o que acontece quando Hammerskins e quejandos começarem a parafrasear e citar estas afirmações nos seus sites, blogs e cartazes no Marquês) e o laureado com o Nobel da Medicina também devia obedecer a estes princípios.

Mas ninguém com um mínimo de bom senso poderá dizer que concorda ou discorda do Dr. Watson nesta questão, dada a imprecisão das suas afirmações:

1) fala em “pretos”, sem dizer se se refere a “pretos” de origem africana (e nem toda a população indígena de África é “preta”), a “pretos” de origem asiática, ou de origem australiana. Tal como fala em “brancos”, sem se referir à sua origem geográfica.

2) fala de “inteligência” como se fosse uma característica simples e universal, sem dizer o que ele próprio entende por inteligência.

3) dá um exemplo completamente enviesado e sem qualquer valor (o dos empregados), para justificar a sua ideia.

Resumindo, trata-se de afirmações e ideias que não podem ser levadas a sério.

Verdadeiramente preocupante no meio de tudo isto é a amplificação que é dada a certas intervenções, pelo simples facto de virem de um Nobel da Medicina e não pelo valor e interesse da intervenção em si. Despeja-se a informação sem haver a preocupação, por exemplo, de elaborar um pouco mais sobre conceitos como “raça” e “inteligência” de um modo que permita ao leitor possa fazer o seu próprio juízo, o que é paradigmático da capacidade “desinformativa” de alguma imprensa e é o lado obscuro da comunicação social.

De resto:

Sem querer substituir uma eventual resposta do Paracelsus: já que pareces não ter conhecimentos suficientes de história, geografia e ecologia para chegares por ti próprio à resposta a essa pergunta sem entrar com o factor “inteligência”, recomendo-te o livro “Armas, Germes e Aço”, do Jarod Diamond.

:arrow:

concordo em absoluto…

depois de ler os posts iniciais fiquei com a ideia que estavam a dizer que era ridiculo e racista comparar raças em funçao da sua inteligencia… que a inteligencia era independente da raça e que por isso todos os seres humanos têm o mesmo potencial (ou pelo menos esse potencial não é limitado pela raça)… e que quem achasse o contrario era racista e eugenista…

e até pode ser uma questão de seleccao artificial proporcionada pelos quase 500 anos de escravidao a que os africanos estiveram sujeitos (ou mais, porque é falso afirmar que os europeus é que escravizaram os africanos… os africanos já se escravizavam uns aos outros… era uma pratica comum… alias, os primeiros escravos africanos “possuidos” pelos europeus foram adquiridos por trocas comerciais e só mais tarde , com a maior procura para trabalhos forçados, começaram a ser os europeus a escravizar… pelo menos é esta a ideia que tenho…)…

se houver um principio ancestral em africa em que domina a escravatura e as lutas tribais entao temos um principio de seleccao artificial em que só os mais fortes sobrevivem valorizando o fisico sobre a capacidade intelectual…
ou seja, os genes dos negros mais inteligentes podem-se ter “perdido” (quero dizer esbatido ou tornado menos relevante ou terem tido menor propagação) por falta de adaptaçao a um meio que exigia maiores capacidades fisicas…

Que coisa elaborada tão no ar, oh Paulo. Muito haveria para precisar, tivesse eu tempo agora.

resumindo: assunto tabu porque podem vir os neo-nazis e começam a matar pretos por serem menos inteligentes…

francamente… eu que já vi posts tão bons da tua parte nao estava á espera disto…

se nunca houve um estudo serio acerca das questoes raciais deve-se muito a posicoes destas e na minha opiniao esse estudo é extremamente importante e urgente…

mas pronto assim estamos melhores…

é só europeus, americanos e chineses a roubar, a alimentar ditadores para estes lhes concederem privilegios, a instalarem fronteiras artificiais, a armarem exercitos rivais e com a comunidade internacional a assistir a massacres tribais e a assobiar para o lado…

alguem se importa com os africanos?.. acho que nem eles…

mas isto agora levava-nos muito longe e se calhar teria que abrir um novo topico com a pergunta: qual é a nossa tribo?

concordo plenamente que é um facto muito provável (darwin explica que só sobrevivem os mais aptos e todos temos que concordar que a europa e a africa têm muitas diferenças, por isso os mais aptos na europa não terão exactamente as mesmas caracteristicas dos mais aptos na africa ou na australia), mas faltam provas e estudos independentes (coisa que nunca acontecerá porque é politicamente incorrecto chegar a conclusões que possam ostracizar as minorias e este tipo de estudos só poderia ser feito na europa ou EUA)

Eu aponto uma razão muito mais simples para estes estudos não serem feitos: para entrarem na esfera da genética ou de uma área médica propriamente dita, têm de ser estudos com “relevância” minimamente comprovada, porque senão não há financiamento para ninguém… como justificar a importância de um estudo destes? É um bocado complicado, digo eu… é claro que se pode sempre arranjar justificacão se colocarmos o estudo nas áreas da Psicologia e Sociologia, mas aí o estudo desvia-se do propósito de encontrar as bases biológicas para o problema em questão.

Sobre isto não sei, apenas posso adivinhar (talvez o faca mais tarde)… mas alguém expert em antropologia / biologia das espécies / história universal é capaz de saber.

Eu não disse nada disso. Que mania de colocar palavras e intenções nos posts dos outros sem se preocuparem em analisar o que foi objectivamente dito. :wall:

Não só não disse que o assunto deve ser tabu, como efectivamente NÃO ACHO que o assunto deva ser tabu, até porque os tabus, seja de tipo forem, são incompatíveis com a minha actividade profissional (genética populacional) e preocupa-me mais a procura da verdade baseada na razão do que qualquer tipo de susceptibilidades que possam ser feridas, embora não seja insensível às mesmas.

E é precisamente por procurar resposta às questões baseando-me na Razão e em critérios científicos, que repudio em absoluto as afirmações do Nobel, porque não fez jus à posição que tem na sociedade nem deu uso à mesma Razão que lhe permitiu receber o Nobel, para discutir um assunto que do ponto de vista académico é tão legítimo e interessante como qualquer outro, optando, em vez disso por fazer afirmações sem qualquer fundamento científico que o acabaram por colocar a um nível ainda mais baixo do que o de um pseudo-cientista mercenário que está a soldo de organizações racistas e xenófobas e que como se não bastasse, ainda pecam por, como já disse, poderem ser aproveitadas por esses mesmos movimentos ideológicos.

entao peço desculpa porque foi essa a intençao que li no teu post nomeadamente com a frase “vamos lá ver o que acontece quando Hammerskins e quejandos começarem a parafrasear e citar estas afirmações”…

porque se houvesse um estudo serio este problema manter-se-ia ou talvez fosse ainda mais amplificado… a unica forma de nao acontecer é nao se estudar…

Bacuradas, esqueces da história da colonização em África e como viviam os povos africanos antes desta, só vejo mesmo um país em que a estupidez e ignorância e o provocar de guerras está directamente associada, EUA!

Sim, vamos lá ver como reage o Dr. Watson, vamos lá ver se, nesse caso ele se retracta da idiotice que proferiu. Porque se tivesses lido a frase com mais atenção: "toda a gente tem o direito de se exprimir, desde que justifique o que diz (o que não me pareceu ser o caso) e desde que assuma as devidas responsabilidades e consequências (vamos lá ver o que acontece quando Hammerskins e quejandos começarem a parafrasear e citar estas afirmações)" terias percebido o que eu queria dizer.

Exactamente, mas não é a dizer barbaridades que se deve promover o estudo de um assunto. E também não se pode esperar que um assunto seja debatido ou estudado quando é abordado da maneira ligeira, falacciosa e inexacta como Watson fez, ao falar de forma vaga e ao cometer as imprecisões que já referi no 1º post.

Antes de lá chegarem os europeus, os povos da África sub-sahariana viviam governados por tiranos de base tribal, em lutas genocidas entre etnias e com uns a escravizarem outros. É difícil que alguém se esqueça, porque mais coisa menos coisa, é assim que vivem agora. O “fardo do homem branco” tem as costas muito largas… ^-^

Não, não li o livro mas agora pretendo ler… mas fui procurar na net algo que me resumisse bastante o que lá vem escrito e encontrei isto:

Resumo do resumo: o homem ao encontrar condições ambientais adequadas à agricultura pode deixar o nomadismo extrativista/caçador. Ao armazenar alimentos (o caçador não conseguia ficar carregando a casa nas costas) e domésticar animais (gado, galinha, etc) estas populações conseguiram utilizar mais tempo e esforço na criação de tecnologia (aço e armas). Com tecnologia, estas sociedades obtiveram vantagens competitivas em relação às outras. Outra vantagem: ao conviver com animais domésticos, estas sociedades, desenvolveram resistência a diversas doenças (Germes), diferentemente dos caçadores. Os espanhóis praticamente dizimaram as civilizações pré-colombianas com doenças que trouxeram e não com armas.

Pois se fôr isto que o livro afirma, vai lá ler mais atentamente as minhas mensagens e vais ver que, mesmo sem ler o livro, digo por outras palavras +/- o que aqui está descrito.

quie experiencias sao essas nao sei… realmente as afirmaçoes dele nao sao formalmente muito felizes…

a parte do tabu e do nao se estudar o assunto convenientemente deve-se ao segundo bold… como se a questao racial e diferença entre raças nao pudesse ser estudada pois ja esta estabelecido que somos todos iguais…

eu sei que um estudo serio nesta area poderia ser como abrir a caixa de pandora mas será que nao valeria a pena?..

o problema que este artigo levanta é esse… vale a pena estudar um assunto tao sensivel?.. vantagens?.. desvantagens?..

Esse resumo é demasiado simplista, está bastante incompleto e omite as grandes causas de fundo que constituem a resposta à questão que colocaste, e na sequência da qual te recomendei a leitura do livro.

Recordo que a questão que colocavas era porque é que, à excepção de 2 ou 3 casos, não se haviam desenvolvido grandes civilizações em África, um facto que poderia de facto sugerir uma maior capacidade inata das populações “não-africanas” para se organizarem em sociedades complexas e constituírem grandes civilizações. É um argumento respeitável e eu próprio acreditava nisso quando era mais novo, mas está errado e não tem em consideração causas de fundo como a geografia, a ecologia e a história das populações e só uma visão integrativa destas 3 ciências permite perceber esse aspecto da evolução humana. E atenção que o meu ponto de vista não é enviesado por eu já ter lido o livro; ao ler o livro apenas confirmei aquilo que anos de conhecimento académico, interesse por história e geografia e horas intermináveis a jogar Civilization já me tinham dado a entender.

Amanhã vou tentar colocar aqui a digitalização de um diagrama que sumariza a ideia-chave do livro, mas basicamente, para obteres a resposta à tua pergunta tens que olhar para a geografia do continente africano. África não é só o continente onde vivem os africanos. É uma região do Planeta com características ecológicas e geográficas muito próprias e uma diversidade de ecossistemas sem paralelo em qualquer outra região do Mundo, sendo que na sua grande parte é (ou era) constituído por floresta tropical, outra grande parte é constituída por um dos maiores desertos do Mundo, e o continente em si encontra-se na quente e húmida faixa do planeta que é limitada pelo trópico de Câncer a Sul e trópico de Capricórnio a Norte, com todas as consequências para a agricultura e para a saúde humana que daí são decorrentes. Ademais, enquanto a Europa e a Ásia têm a sua maior extensão num eixo leste-oeste, África tem a sua maior extensão num eixo Norte-Sul. Quando se caminha de Norte para Sul (ou vice-versa), as mudanças ambientais são muito mais drásticas do que quando se caminha de leste para oeste: o fotoperíodo é diferente, a sazonalidade do clima é diferente, os ecossistemas são diferentes, etc. Isto foi desde os primórdios um factor inibidor da prática da agricultura em África, porque a expansão das populações dava-se maioritariamente ao longo do eixo Norte-Sul e isso implicava readaptações sucessivas às tecnologias e conhecimentos que haviam sido adquiridos em latitudes diferentes e nomeadamente à procura de novas espécies cultiváveis, o que atrasou o processo desde o seu início. O mesmo não se passou na Europa e Ásia, pois a migração dos agricultores pôde ser feita em grandes extensões de terreno e ao longo duma gama limitada de latitudes, logo sem necessidade de grandes reajustes nos métodos de cultivo ou nas espécies cultivadas. A partir daqui penso que consegues derivar a sucessão de acontecimentos que se deram a seguir e conduziram à realidade actual. Se o fizeres verás que não é preciso invocar nenhum diferencial de inteligência inata entre os povos ou mesmo nenhum diferencial de “engenho desenvolvido por necessidade” para explicar porque é que os povos de certas regiões geográficas conseguiram coisas que outros não conseguiram. Não se tratou de menor inteligência nem de falta de engenho por os recursos estarem ali à mão; tratou-se simplesmente da falta de condições ecológicas e geográficas para estabelecer, desenvolver e expandir a agricultura, e por conseguinte da falta de condições para estabelecer e desenvolver a respectiva e necessária organização socio-política e desenvolvimento tecnológico.

Isto é só um toque, muito mais há por dizer, muitos outros factores há a ter em conta, mas só mesmo lendo o livro é que visualizas na sua plenitude a big picture.

Se os povos de África fossem superiores aos da Europa, não teriam sido colonizados. Teriam colonizado.

Deus foi de facto um pouco racista… :twisted: