Este é daqueles resultados que vai demorar bastante a digerir. Como digestivos valeram os resultados de Porto e Benfica. É que o empate é um resultado totalmente injusto, por mais que um - habitualmente feliz nos jogos contra o Sporting – Cajuda venha dizer que a sua equipa até podia ter ganho. Palavras como as de Cajuda são um atentado à inteligência de quem tenha assistido ao jogo.
Ainda que não fosse um Sporting brilhante, gostei da exibição da equipa. Viram-se jogadas bem delineadas, sendo qualquer um dos golos exemplo disso mesmo. Pena mesmo foi a falta de finalização de algumas dessas jogadas. Aos 90 minutos já deveríamos ter pelo menos mais um golo. Como não tínhamos… lá fugiram 2 pontos.
Gostei também da forma como os jogadores reagiram à situação de desvantagem. Confesso que temi que a equipa acusasse aquele golo algo injusto e se desagregasse de alguma forma. Não foi isso que aconteceu felizmente, tendo superado na perfeição aquele revés.
Prenúncio do azar do no último minuto foi a lesão do melhor homem em campo. Carlos Martins fez a melhor exibição da época, aguardando agora que tenha ultrapassado por completo algum fantasma psicológico relativo à sua afirmação na equipa principal. Ontem jogou e fez jogar, assumindo-se como o principal dinamizador daquele meio-campo. A equipa acusou a sua saída, não tendo nem Rochemback nem Viana sido capazes de assumir o papel que Martins tão bem vinha desempenhando.
Gostei também de Custódio. É notório que tem evoluído enquanto jogador, aparecendo muito mais vezes nas jogadas ofensivas da equipa. Mesmo a nível físico parece muito mais solto do que na época passada. É neste momento um dos indiscutíveis da equipa.
Quem também encheu o campo foi Polga. Apesar de um falhanço comprometedor, estava a ser um dos melhores homens em campo.
Douala é capaz de estar a assumir o papel de MVP da equipa até ao momento. Quando não marca dá a marcar, não tendo este jogo sido uma excepção. Teve ainda tempo para alguns falhanços clamorosos, mas quando se marcam dois golos é difícil criticar.
A Liedson faltou apenas o golo para ter estado ao seu nível. Inventou jogadas de perigo, lutou, correu o tempo todo… faltou o mais importante. Liedson desta vez não resolveu.
Ainda no campo positivo, destaco Rogério. Parece-me ser mesmo a melhor opção para aquele lado direito da defesa, sendo um jogador que sobe bastante bem e nas alturas certas.
Do lado mais negativo esteve Rochemback. Ontem tudo o que fazia parecia sair mal, continuando longe das suas exibições habituais do ano passado. É um jogador que parece algo “aburguesado”, deixando de mostrar aquele pulmão que a época passada o caracterizou. Teria sido um dos jogadores que teria tirado.
Também Viana voltou a estar algo ausente do jogo, ainda que num plano melhor do que Rochemback. Continuo sem perceber estas oscilações nas exibições de Hugo Viana.
Pouco mais a acrescentar. Já percebi, pelo que entretanto pude ler aqui, que desalinho um bocado do que a maioria escreveu nos comentários. Talvez seja eu que tenho a fasquia um bocado baixa demais, mas este Sporting não me merece assim tantas críticas. Estou mesmo em crer que a diferença entre alguns destes escritos e outros que poderiam ter surgido foi de um minuto. Ou seja, duvido que se o resultado final fosse o que estava aos 90 minutos tantas críticas se levantassem contra a exibição do Sporting neste jogo.
Quanto a Peseiro, terá como maior pecado o facto de não ter retirado Rochemback. Tem no entanto a atenuante de ter sido forçado a colocar Tinga em campo para o lugar do lesionado Martins. Para além de que a saída de Viana foi também ela aceitável. Não estava muito melhor do que Rochemback, tendo a agravante de defender menos do que o brasileiro. Tendo em conta que não restavam no banco jogadores para aquele meio campo, retirar uma unidade mais defensiva como Rochemback (ainda que na prática não o estivesse a ser assim tanto) poderia ser um risco.