Apoio do público em Alvalade

Eu não estou chateado com nada, até porque já saí da sul há muitos anos, precisamente na altura em que as claques invadiam o meu espaço e eu não conseguia ver o jogo por causa das bandeiras.Essa de não perceberes que sofreste um golo é óptimo e pelos vistos contagia os jogadores porque parece que ás vezes eles também não perceberam e por essa ideia também não deves perceber quando os árbitros nos prejudicam. O apoio só faz sentido se mexer com a parte psicológica dos intervenientes, se achas que um comportamento monótono, previsível e inalterável é apoio é lá contigo. A mim parece-me óptimo para as equipas adversárias.

Isto de falar de puxar pela equipa,criar um ambiente dificil para os adversários não só nao tráz muita vantagem,como em Portugal a cultura do povo não é essa.

Perguntaram ao Pedro Barbosa á uns tempos se ouvia as adeptos a puxar pela equipa quando jogava. A resposta dele foi clara…que estava tão ligado ao jogo que nem se dava conta do que se passava fora das 4 linhas. Ainda á pouco tempo Num programa do Rui unas o william Carvalho a responder a uma pergunta exactamente igual,disse a mesma coisa,que está concentrado no jogo que nem se apercebe do que se passa á volta.

Eu próprio já perguntei a um ex jogador que frequentou grandes palcos se ele “eles” ouviam os adeptos e a resposta dele foi exctamente no mesmo sentido daquilo que Barbosa e William disseram.Por isso isto acaba por ser uma falsa questão.

Mas mesmo que isto fosse algo que tivesse impacto com a equipa/jogadores,essa cultura de apoio desenfreado quase lunático,não faz parte da maneira de ser do Português.

Isso que eles dizem é dizer o politicamente correcto.
Mas nota-se bem que ele se empolgam quando o publico está ao rubro, eles, os adversários e o arbitro notam muito bem o ambiente. Experimenta um estádio vazio e vê se é a mesma coisa.

Mas tb acho que o empolgamento tem duas vias, são os artistas que sentem o ambiente (nossos, adversários e os gajos de preto) e tb o publico precisa do empurrão de quem está lá dentro.

Basta ver alguns jogos do ano passado, a final da taça, o maior exemplo é o jogo com o Braga que viraram um resultado de uma parte para a outra. Sem público a fazer aquele ambiente, a galvanizar a equipa e a pressionar os outros duvido que houvesse reviravolta…

Os jogadores não se apercebem do cântico que está ser cantado, como é óbvio, mas as vibrações passam da bancada para o relvado e vice versa (sejam elas boas ou más, mais ou menos intensas). Não menosprezem estas coisas só porque não são palpáveis! Dito isto, há cânticos que atingem níveis de energia capazes de levar a equipa para a frente e outros que, por mais bonitos que possam ser, estão longe de ter esse efeito. Cabe a quem lidera o apoio perceber o que se passa não só não bancada mas também no relvado e capitalizar sinergias entre os dois espectáculos. A um bom “cappo” não lhe basta ter o “respeito” da curva e conseguir pôr o máximo número de pessoas a cantar durante a maior parte do tempo, sobretudo quando o consegue principalmente à base do insulto.

Acho que actualmente somos um pouco vítimas do nosso sucesso. Não estamos habituados a ter o estádio tão cheio, de forma sucessiva. Antes estavamos habituados a ter a curva sul cheia, e a restantes a meio gás, pelo que era normal o apoio se centrar na curva sul.

Acho que agora cabe à curva conseguir cativar a restante moldura humana, é o desafio que se impõe, para tornar o estádio verdadeiramente infernal…