Alvaro cunhal

Ja sei que vou criar aqui polemica com este assunto , mas nao pude ficar indiferente ao verificar a forma como foi o funeral do Alvaro cunhal, e nao fiquei pelo simples facto de que nao entendo como e que um povo pode ser tao fanatico , e chorar e fazer as mais diversas coisas por uma pessoa que quanto a mim tenho de lhe reconhecer que foi uma figura com forte personilidade ao manter se firme nas suas conviccoes ate a sua morte mas mais do que isso , nao estou a ver nada especial, criou empregos, criou formas de tirar o pais da miseria, e da desorganizacao, e da corrupcao?Peco desculpa mas nao estou a ver nada de especial para tanta manifestcao de dor, ou foi apenas mais uma oportunidade para aquela gente se manifestar da cor que era, so pode ser , para alem de nao ser expert em politica , nao era preciso selo, para ver que e por estas e por outras que o pais nao avanca, e e ultrapassado pela Grecia , Irlanda , espanha, e imaginem a islanda!! Mas pronto eu nao entendo nada disto!! saudacoes leoninas

Para além dos muitos comunistas que ainda existem, acredito que aquela gente toda represente também um claro desencanto pela política actual e pelas suas figuras.

Cunhal representava algo que hoje praticamente não existe. Alguém que acreditava profundamente nos seus ideais e que estava disposto a sofrer por isso. Hoje em dia faltam homens como Cunhal (e não falo no que defendia), verticais e sem se preocuparem apenas com o seu bem estar nem em se submeterem aos interesses de outros.

Acredito que muita daquela gente fosse homenagear a pessoa, ainda que muitos não acreditassem naquela ideologia. E não é por manifestações genuínas como aquela que o país não avança. É por não haver quem mobilize as pessoas daquela forma que o país não avança.

Como filho de retornados, não posso ter o minimo respeito por pessoas como o Cunhal, ou o Vasco Gonçalves. E por aqui me fico.

Não é este o espaço, mas como leio coisas com as quais não concordo em absoluto não posso deixar de escrever.

Alvaro Cunhal sofreu como poucos para que possamos estar aqui neste Forum a comentar futebol ou seja o que for.

Ideais politicos não os discuto, embora os dele nunca tenham sido nem de perto nem de longe os meus… mas há tambem muito folclore á volta de certos “fantasmas” que sempre aparecem nestas alturas, como a celebre matança da Pascoa.

Para mim foi a figura mais marcante do Sec. XX em Portugal e merecedor do meu maior respeito e consideração.

PS. Caro Lusitano, qq dia ainda me dirás que tem o Alvaro Cunhal a ver com a situação dos retornados.

É que por esse modo de pensar, mais valia a pena dizeres que não tens respeito nenhum por 95% da população Portuguesa da altura!!!

E embora te possa dar razão, tambem me parece que aqueles que voltaram tiveram sempre uma mentalidade (enquanto residentes em Africa) muito pouco merecedora de elogios por parte de quem estava na Metropole.

Mas isto é mesmo conversa de quem só está a espera da hora de almoço.

Paz!!

Acho que a figura de Cunhal é invariavelmente um simbolo d um lutador pela liberdade e uma figura que deu tudo o que tinha durante os tempos da velha senhora…

Não concordando com a ideologia, não posso deixar de admirar o homem, quem vive e está disposto a morrer por uma causa chamada liberdade é sempre um “D.Quixote”… Cunhal foi o ultimo…

Eu que sou um leigo a respeito de Alvaro Cunhal, mas será que ele viveu mesmo pela liberdade? Ou era “apenas” contra o fascismo?
Como posso admirar um estalinista?
Rui, digo isto com toda a sinceridade, antes do 11 de novembro, quem foram as figuras que chegaram a sugerir o “massacre” no campo pequeno? Se é que me entendes.
É que se o Alvaro Cunhal, não estava entre tais “pensadores” vão desde já as minhas desculpas.

Eu que sou um leigo a respeito de Alvaro Cunhal, mas será que ele viveu mesmo pela liberdade? Ou era "apenas" contra o fascismo? Como posso admirar um estalinista? Rui, digo isto com toda a sinceridade, antes do 11 de novembro, quem foram as figuras que chegaram a sugerir o "massacre" no campo pequeno? Se é que me entendes. É que se o Alvaro Cunhal, não estava entre tais "pensadores" vão desde já as minhas desculpas.

temos ainda o rosa coutinho que desarmou os portugueses e deram as armas aos turras…
ja’ era tempo para esse gajo morrer e sofrer o que muito portugues sofreu `as maos dos pretos.

As alarvidades que se dizem por aqui. :shock: :shock: :shock:
Apenas posso compreender essas alarvidades devido à ignorância (para que não haja dúvidas, não estou a ofender ninguém. ignorância - acto de ignorar. ignorante - pessoa que ignora, que não sabe/conhece).

Sobre Cunhal

(...) Em 1934, é eleito pelos estudantes de Lisboa como representante no Senado Universitário. (...) Quando regressa a Portugal é preso por distribuir propaganda na via pública. (...) Em 1939 é preso por ter publicado, na primeira página de [i]O Diabo[/i], que viria a ser fechado, o texto [i]Nem Siegrefied nem Maginot[/i], a defender a neutralidade peranto o pacto germano-soviético. (...) Em Julho de 1940 (ainda preso), perante um júri constituído por Paulo Cunha, Cavaleiro Ferreira (futuro ministros de Salazar) e Marcelo Caetano, defende a tese, com cerca de 100 páginas (escritas na prisão) versando [i]A Realidade Social do Aborto[/i]. Defende a tese sob escolta policial. O júri dá-lhe [b]19[/b] valores. É publicada apenas em 1996. Marcelo Caetano referiu que Cunhal foi o mais brilhante aluno que alguma vez viu. A tese é-lhe apreendida. Só depois do 25 de Abril lhe foi restituída. Reconstituiu-a, publicando-a em 1996. Serviu de base à defesa da interrupção voluntária da gravidez que o PCP, através da então comunista e deputada Zita Seabra, fez na Assembleia da República. (...) Com a prisão de Júlio Fogala e outros dirigentes em Agosto de 1942, Álvaro Cunhal torna-se o líder efectivo da reorganização. Passa à clandestinidade. O seu nome de Guerra é Duarte. Percorre o norte de país, em tarefas de organização partidária. A bicicleta é o seu grande meio de transporte. (...) Álvaro Cunhal é preso no Luso, com Militão Ribeiro. Julgado a 3 de Maio de 1950, declara-se «filho adoptivo do proletariado». A sua defesa é um libelo veemente contra o regime salazarista. Num volumoso processo encontrado na prisão de Peniche, após o 25 de Abril, a Pide pronuncia-se, em informação datada de Novembro de 1959, sobre o líder comunista. Pode ler-se no processo: «A sua inteligência joveem e generosa foi aliciada pela dialéctica marxista, a rectidão do seu carácter e o seu ardente e temperamental amor pela justiça permitiu que o empolgasse a Grande promessa da ideologia comunista». (...) Com a sua prisão e as condições em que está detido - [b]11 anos preso e 14 meses incomunicável[/b] - gera-se um movimento internacional para a sua libertação, em que participam activamente, entre outros, Jorge Amado e Pablo de Neruda. (...) Em 3 de Janeiro de 1960, Cunhal e mais outros oito dirigentes do PCP, fogem do forte de Peniche, com a conivência de um guarda-republicano. Descem por uma corda feita com lençóis. E são transportados por automóveis para casas clandestinas. (...) Álvaro Cunhal trás no bolso grande da gabardina azul o manuscrito do [i]Até amanhã, Camaradas[/i], cujo título inicial fora [i]A mulher do lenço negro[/i] em memória dos grandes levantamentos de Vila Franca de Xira que levaram à prisão de centenas de operários, de tal modo que, já todos os cárceres sobrelotados, muitos foram encurralados em praças de touros do Campo Pequeno e daquela vila ribatejana. (...) Perante o anúncio de eleições, em Janeiro de 1975, Cunhal exprime reservas em relação às condições de liberdade do acto eleitoral, sobretudo no Norte do País, na Madeira e nos Açores. (...) Dá-se o 11 de Março, uma tentativa de golpe de direita assente em boatos de que o COPCOM e a LUAR se preparavam para liquidar cerca de 500 oficiais e um milhar de civis. Trata-se da célebre [i]Matança da Páscoa[/i]. O Ralis é bombardeado. Morre um soldado. A situação portuguesa radicaliza-se. O Partido Comunista cresce de força. (...) Por todo o país começa um levantamento contra sedes contra sedes de partidos de esquerda, especialmente do PCP, que são assaltadas e queimadas. É o Verão Quente de 75. Cunhal ainda está confiante e afirma: «Apesar da gravidade da situação, considero que as forças revolucionárias, populares e militares estão em condições de dominar a situação e de fazer prosseguir com sucesso o processo revolucionário». (...) A seis de Novembro, Cunhal e Soares encontram-se num histórico frente a frente. Soares reinvindica uma ampla base social de apoio como condição para que a Democracia vingue, declara que o país está à beira da ruptura e lança violentos ataques contra Cunhal. (...) Dá-se o 25 de Novembro, com a vitória dos sectores mais moderados, militares e civis. O PCP, como se temia ou esperava, segundo a covicção de cada um, [b]não sai para a rua[/b]. A [b]extrema-esquerda[/b] é dizimada. Centenas de militares são presos. Cunhal dirá mais tarde: «Foi um acontecimento trágico, prejudicial para a revolução. Não acreditamos na possibilidade de liquidar a Reforma Agrária com a Democracia. Só com uma ditadura fascista ela poderia ser liquidada. O mesmo com as nacionalizações». Tanto Soares como Sá Carneiro responsabilizam o PCP na tentativa de golpe militar. (...) Em 1985, Cunhal escreve [i]O Partido com Paredes de Vidro[/i], encarado como um sinal de abertura. Começa o problema da dissidência, do afastamento de quadros, como não se via desde a década de 40. Cunhal avisa: «Desiludam-se os que pensam que vamos deixar de ser um partido marxista-leninista. Não nos transformarão num partido colaborante com o capitalismo, nem abandonaremos a luta de classes». (...) Quando fez 75 anos, recebeu a Ordem de Lenine (URSS) e a Ordem de Karl Marx (RDA), as mais altas condecorações dos respectivos países.

Álvaro Cunhal é uma figura que merece todo o meu respeito e consideração. Foi sem dúvida uma das figuras mais marcantes da história política do século XX no nosso país. Estando ou não de acordo com a sua ideologia, o que é facto é que lutou pela liberdade como poucos e foi coerente consigo mesmo toda a vida, postura que acho notável.

Mas até agora ninguém refutou a ideia de tal personalidade ser admiradora de Estaline.
E sendo admiradores de um sanguinário, do pior que existiu na história da humanidade, não merece nem o meu respeito, nem a minha consideração.
E quem defende Estaline, não defende a “liberdade”. Que ainda vão ter que me explicar o que é.

As alarvidades que se dizem por aqui. :shock: :shock: :shock: Apenas posso compreender essas alarvidades devido à ignorância (para que não haja dúvidas, não estou a ofender ninguém. ignorância - acto de ignorar. ignorante - pessoa que ignora, que não sabe/conhece).

Sobre Cunhal


http://home.wanadoo.nl/rhodesia/moss1.htm

“In 1964 the Portuguese Communist leader Alvaro Cunhal set up a meeting for Agostinho Neto with the Soviet leaders in Moscow. This was the trigger for a more ambitious Soviet support programme. The Russians began shipping consignments of arms and food to Dar-es- Salaam, from where they were trucked to the MPLA via Zambia. Soviet merchant vessels laden with small arms, AK-47 rifles, RPG-7 rocket launchers, and mortars became a familiar sight in Tanzanian waters. The Russians also began doling out a cash subsidy ranging between $150,000 and $300,000 a year.”

:arrow:

"Whatever the explanation, Rosa Coutinho made no attempt to curb the delivery of Soviet-bloc weapons to the MPLA after he was appointed High Commissioner in 1974. "

Nao sei se era a mim que era destinado a tua mensagem mas em todo o caso podes ver que o cunhal estava envolvido com os sovieticos no terrorismo contra os portugueses naqual causou a morte de milhares de soldados que nao tinham a culpa de estarem la’, quando ao cobarde do rosa coutinho que se conta que ate’ se mijou todo quando foi capturado por um grupo FNLA(?), quando estive na tropa (paraquedistas) falei com 2 pessoas que estiveram em Angola antes do 25th e conheceram essa especie desumana e eles disseram-me que o tipo era arrogante e … cobarde.

Eu comungo da visão do Incy embora não vá tão longe do dourar da pílula.

Quando soube da notícia confesso que o primeiro sentimento foi respeito e admiração por um homem que, partilhe-se ou não a sua visão do mundo, foi coerente (um valor relativo quando entram os tais estalines à mistura) e sobretudo despegado dos valores materiais e da ambição de poder cego, algo de que nem todos os “camaradas” se podem orgulhar (daí a razão pela qual para mim o comunismo é “muito bonito” mas “não existe”, pois comunismo + natureza humana é algo a meu ver totalmente incompatível a não ser à força, e à força foi o que se viu).

Confesso não conhecer o suficiente de Cunhal após o verão quente, mas nem tudo o que ouvi até hoje era assim tão bom ou pró-liberdade, sobretudo o “tudo à mistura” que se seguiu, atacando-se ao mesmo tempo verdadeiros exploradores do povo com proprietários dignos, respeitadores e bons pagadores, muitas vezes não com o objectivo de “libertar a infraestrutura” mas sim deitar a mão à massa.

A questão do estalinismo é tb ela muito importante. Teria ficado bem a cunhal refutar essa herança e manifestar o desagrado (caso fosse sincero, aí reside a minha dúvida sobre a sua essência), pois Estalinismo pouco ou nada tem a haver com o comunismo.

Fora isso resiste a ideia de uma personalidade coerente, lutadora, séria que me sugere respeito.

PS - além disso o homem conseguiu meter mais gente de vermelho na rua que os outros palhaços da “nação” o que não deixa de ser giro.

A questão do estalinismo é tb ela muito importante. Teria ficado bem a cunhal refutar essa herança e manifestar o desagrado

Perfeitamente de acordo, mas há que tentar pespectivar os acontecimentos, para que não fiquem fora de contexto.

Eu tambem nunca vi os “seguidores” de Kennedy refutarem a sua politica externa, que lembro chegou a passar pelo assassinato cirurgico (e mtas vezes nem isso) de lideres democraticamente eleitos.

No entanto e para a maioria dos meios de imprensa e das pessoas em geral, Kennedy é um arauto da Liberdade e Cunhal um potencial ditador sanguinário.

Eu tambem nunca vi os "seguidores" de Kennedy refutarem a sua politica externa, que lembro chegou a passar pelo assassinato cirurgico (e mtas vezes nem isso) de lideres democraticamente eleitos.

No entanto e para a maioria dos meios de imprensa e das pessoas em geral, Kennedy é um arauto da Liberdade e Cunhal um potencial ditador sanguinário.


Eu até sou um pró-kennedy no meio da realidade americana, já que penso que foi o único presidente americano de jeito que existiu, pelo menos nos últimos 100 anos. Sobretudo pela sua política anti-racista e por ter sido aquele que quis acabar com a guerra do Vietname.
Mas não deixas de ter razão nesse ponto. Embora eu não tenha a certeza que tenha sido nos mesmos anos em que Kennedy esteve no poder, é preciso não esquecer Salvador Allende no Chile que foi assassinado por gajos de direita apoiados e incentivados pelo governo americano, pouco tempo depois de ter sido democraticamente eleito.

O relatório secreto apresentado por Krustchev no XX congresso do PCUS em 1958, onde entre outras coisas se denunciam prisões, torturas e assaninatos prepertadas durante Estaline. E embora Krustchev tenha caido em desgraça e tenha sido substituido por Brejnev, a verdade é que não existiu nenhum esforço para reabilitar a figura de Estaline pelo PCUS. Aliás, nos próprios estatutos do PCP pode-se verificar a denuncia do “culto da personalidade”, uma clara referencia às criticas efectuadas no mesmo relatório secreto. E já que este tópico é sobre a morte de Alvaro Cunhal, a terminar este texto, aqui fica um excerto de uma entrevista que terá dado à revista Sábado em Novembro de 1998:

O estalinismo é o culto da personalidade. É o resolver as divergências através de métodos administrativos, de violência e até de crimes. É a não admissão de opiniões contraditórias. É a sobreposição da opinião individual ao colectivo.

Realmente as pessoas gostam de dizer coisas sem conhecer as realidades. E quando isso acontece, podem ter sorte e dizer coisas acertadas, mas quando têm azar só dizem disparates. Aliás, é como as discussões que temos aqui sobre o Sporting. Basta lançar-se um boato aí nalgum pasquim e desata a maioria dos foristas a dizer disparates, sem quererem conhecer a verdade.
Por favor, comentem aquilo que sabem e abstenham-se quando ignoram a totalidade do assunto que querem comentar. Não se esqueçam que se conhecerem 99% de um assunto, o 1% que resta pode ser o suficiente para colocarem um comentário completamente desprovido da realidade.

A questão do estalinismo é tb ela muito importante. Teria ficado bem a cunhal refutar essa herança e manifestar o desagrado

Perfeitamente de acordo, mas há que tentar pespectivar os acontecimentos, para que não fiquem fora de contexto.

Eu tambem nunca vi os “seguidores” de Kennedy refutarem a sua politica externa, que lembro chegou a passar pelo assassinato cirurgico (e mtas vezes nem isso) de lideres democraticamente eleitos.

No entanto e para a maioria dos meios de imprensa e das pessoas em geral, Kennedy é um arauto da Liberdade e Cunhal um potencial ditador sanguinário.

Na verdade o kennedy ajudou o MPLA e pensa-se que uma das razoes de ele ter sido assassinado foi devido ao avanco sovietico na Africa, rica em petroleo, ouro e diamantes. Ele tinha sido eleito com o apoio dos pretos e por isso a politica dele na Africa (total descolonizacao e deitar abaixo o governo branco da Africa do Sul)nao era do interesse ocidental (parar o avanco sovietico).

Que Álvaro Cunhal tenha sido um proeminente lutador contra o fascismo e contra o antigo regime, é um facto, mas é preciso ter bem presente que não foram apenas os que estiveram presos que lutaram contra o fascismo.

Contudo, o que me faz alguma confusão, é apelidá-lo de “coerente”. No dicionário que tenho cá em casa, o termo coerente, está identificado morfologicamente do seguinte modo:

COERENTE, adj. Que tem coerência; conforme; lógico; em que há coesão. (L. cohaerens,-ntis).

Ora, em meu entender, não poderá ser detentor de um raciocínio lógico, quem assistiu e entendeu (?) as transformações sócio-culturais que afectaram grande parte do séc XX e mesmo assim continuou a defender em termos de governação, o mesmo modelo social e político, como se essas transformações nunca tivessem existido.

Também devo admitir não conseguir encontrar grande “lógica” (leia-se coerência) em quem defende as liberdades direitos e garantias do povo às segundas, quartas e sextas e às terças, quintas e sábados:

1 - Apoia regimes totalitários onde não há liberdade de expressão, de escolha, de livre iniciativa, tais como o actual regimes cubano e o antigo regime soviético

2 - Aplaude com todo o vigor a invasão de outros países - seja lá porque motivo for - por parte de regimes totalitários, como aconteceu na famosa Primavera de Praga em 1968, em que a extinta URSS invadiu a ex-Checoslováquia.

3 - Range os dentes e dá 3 murros na mesa pelo facto do vergonhoso “muro da vergonha” que dividia a Europa livre da Europa amordaçada e oprimida, ter vindo abaixo.

4 - Está frontalmente contra todos os regimes totalitários, desde que sejam de extrema-direita, porque a ditadura do proletariado, essa é inquestionável e será sempre a sua pedra de toque.

Não perfilho dos mesmos ideais políticos de Álvaro Cunhal, mas isso também não interessa, porque não é esse assunto que está aqui em discussão. O que interessa perceber é se quem chama coerente a Álvaro Cunhal, tem noção do significado desse termo e já agora se acham que ele era mesmo coerente, porque se a resposta for positiva em ambos os casos, então, o melhor mesmo é ir ali à minha estante e deitar fora o dicionário de Português, não vá ele voltar a enganar-me nalgum outro significado. :?:

Eu que sou um leigo a respeito de Alvaro Cunhal, mas será que ele viveu mesmo pela liberdade? Ou era "apenas" contra o fascismo? Como posso admirar um estalinista? Rui, digo isto com toda a sinceridade, antes do 11 de novembro, quem foram as figuras que chegaram a sugerir o "massacre" no campo pequeno? Se é que me entendes. É que se o Alvaro Cunhal, não estava entre tais "pensadores" vão desde já as minhas desculpas.

O que é que se passou a 11 de Novembro, já que não conheço nada que se tenha passado nessa data, revelante para o que falamos aqui?
Se estás a falar do 25 de Novembro, aconselho-te a ler os dois últimos parágrafos do meu post anterior a este.

Massacre no campo pequeno??? O Cunhal??? LOL
A quem foram atribuídas essas palavras foi a Otelo Saraiva de Carvalho, que de comunista teve ZERO. Mesmo assim, as palavras mais uma vez foram adulteradas devido a interesses vários.
Em entrevista ao Expresso do dia 17 de Abril de 1999, Otelo disse:

EXP. - Logo a seguir, em Junho, é aquela sua célebre frase, numa entrevista à Rádio Renascença, de que porventura estaria arrependido de não ter colocado os contra-revolucionários no Campo Pequeno...

O.S.C. - Não, a frase não foi essa. Perguntam-me se nós estamos preocupados ou não com o avanço que têm tido as forças contra-revolucionárias, que assaltam, destroem, incendeiam sedes de partidos de esquerda, do Partido Comunista, do MDP, de outros partidos de esquerda… E eu digo: «Olhe, estamos, de facto, muito preocupados. Isto está a ter um crescendo muito grande, e oxalá que nós não tenhamos de meter no Campo Pequeno os contra-revolucionários antes que eles nos metam lá a nós. Com este crescimento da contra-revolução, qualquer dia estamos nós encostados à parede, e eles liquidam-nos.»

EXP. - Não chega a dizer que na Guiné, por exemplo, foram fuzilados os contra-revolucionários?

O.S.C. - Nunca falei em fuzilamentos. Nunca.

Mais uma vez lê os dois últimos parágrafos do meu post anterior a este.

Enganei-me na data. Urra!
E quanto ao que que esse criminoso do Otelo disse no Espesso, a mim nada me diz. Porque, se no que diz respeito ao Sporting, e o que vem nos pasquins, eu não acredito, porque razão irei acreditar no que um tal de semanario diz de um fanático de extrema-esquerda?

Quanto ao Cunhal, sempre foi um democrata, não é?
Tanto ele, como os democratas da URSS, que ele tanto respeitava, e que tantos louvores lhe davam a ele.

E meu caro, fale com alguns civilizadores das ex-colónias, e logo lhe hão de dizer, do celebre verão de 1975, e do que eles sofreram às mãos dos “libertadores” da esquerda.

Mas como nem vivi em tal época, esses quadrantes ideologicos pouco me dizem. Dado que hoje em dia, são pouco mais do que figurinos da AR. E ainda bem. Só espero é que o estigma nacionalista, deixe de existir, e que o verdadeiro sentimento nacional e populista venha ao de cima. Mas isto são outras “discussões”.

Nem vou comentar o termo “civilizadores das ex-colónias” já que é absolutamente inqualificável.