A situação das SAD dos três grandes

FC Porto assume mais riscos na gestão financeira

Financiamento dos passivos é chave no futuro dos clubes
O cenário negro é comum às contas dos três clubes que dominam o futebol português: elevados passivos, forte endividamento junto da banca, receitas limitadas e dependência de factores extraordinários, como a venda de jogadores. O que distingue as sociedades anónimas desportivas (SAD) do FC Porto, Benfica e Sporting é a forma como cada uma lida com os problemas financeiros. O campeão nacional é aquele que mais cedo assumiu uma estratégia de maior risco, conseguindo convencer os seus credores (banca) do potencial das receitas geradas pelo futebol. O Sporting é o que está mais condicionado e o Benfica tem vindo a assentar o seu saneamento financeiro na rentabilização da marca.
De acordo com o que apurou o DN sport junto de fontes ligadas aos processos de financiamento das SAD, a situação dos três clubes é muito semelhante. O Sporting e o Benfica apresentam os passivos mais elevados, acima dos 200 milhões de euros. O FC Porto está apenas ligeiramente atrás. No entanto, estes números não são os que aparecem nas contas das SAD, porque parte diz respeito ao universo global do clube. A sua contabilização é feita de forma diferente entre cada um. As três registaram lucros no último exercício - FC Porto, dois milhões de euros, Benfica, 15,2 milhões e Sporting, 14,4 milhões. Mas os lucros são o indicador menos importante na análise das diferentes estratégias. Fundamental é como se chega a esses números e, o que é mais importante para os adeptos, como é que essa estratégia se traduz em resultados desportivos.

O FC Porto tem uma estratégia de risco. Conseguiu convencer os bancos a apoiarem um plano que passa pela venda de jogadores todos os anos. Se não realizassem encaixes avultados, enfrentariam um grave problema, porque a sua estrutura de custos é muito alta”, explicou uma fonte financeira, que pediu para não ser identificada. O outro lado desta moeda financeira são os sucessos desportivos baseados na maior agressividade que o FC Porto tem quando vai ao mercado.

Já o Benfica e o Sporting têm estratégias mais cautelosas. A prioridade é terem uma estrutura de custos baixa, privilegiando primeiro o corte das despesas e, depois, uma potenciação das receitas. O objectivo é atenuar ao longo do tempo os custos associados ao elevado passivo para, gradualmente, irem tendo mais margem de manobra financeira. No entanto, entre os dois clubes de Lisboa há diferenças importantes. O Benfica é o clube que maiores receitas obtém na área do marketing, procurando rentabilizar a marca. O que lhe dá maior força para investir. No caso do Sporting, embora ninguém confirme oficialmente, o clube de Alvalade terá assumido maiores investimentos na construção do novo estádio e do centro desportivo, o que acabou por impulsionar o seu passivo. Reduzindo a margem para investir.

Mas o facto de a estratégia financeira dar ao FC Porto mais poder no mercado, garante-lhe o sucesso desportivo? “O FC Porto foi campeão europeu contra clubes com um orçamento muito maior”, sublinhou um profissional ligado à consultoria financeira. “Tudo depende do que se faz ao dinheiro, embora este facilite o trabalho da gestão desportiva”.

Passivo
Sporting: 72 milhões de euros - É o valor mais baixo das SAD, mas não inclui a maior fatia, integrada nas contas do clube.
Porto: 112 milhões - O valor do “bolo” das dívidas desceu no final da última época, cofirmando a tendência recente.
Benfica: 155 milhões - O passivo mais alto - tem vindo a subir - diz respeito a quase todo o universo do clube.

Dívida à banca
Sporting: 38,5 milhões - No curto prazo, a SAD deve apenas 2,3 milhões deste total. Mas isto não inclui o universo total.
Porto: 42,3 milhões - A dívida a instituições de crédito divide-se entre o curto (22,3) e o longo prazo (20,3).
Benfica: 74,6 milhões - Montante distribuído entre 36,1 milhões de euros de curto prazo e 38,5 milhões de longo prazo.

Juros pagos
Sporting: 2,5 milhões - A factura das despesas com o crédito subiu na última temporada face aos 1,9 milhões anteriores.
Porto: 6 milhões - Preço a pagar aos bancos pelos empréstimos concedidos ao longo do tempo.
Benfica: 7,3 milhões - Este valor dos custos cobrados pelas instituições de crédito registou um aumento em 2006/2007.

Proveitos
Sporting: 68,4 milhões - Das três SAD, o Sporting é o que menos proveitos operacionais apresenta.
Porto: 73,4 milhões - Receitas da actividade corrente (operacionais), incluem um forte peso da venda de jogadores.
Benfica: 81 milhões - É o valor mais elevado das três SAD, relacionada com as elevadas receitas de “marketing”.

Salários
Sporting: 20,8 milhões - O aumento de salários de alguns jogadores explica a subida destes custos na última época.
Porto: 32,1 milhões - A SAD portista é a que paga mais aos seus funcionários, em especial aos jogadores de futebol.
Benfica: 22,9 milhões - Os custos com o pessoal desceram em 2006/2007 face aos 27,5 milhões do ano anterior.

Administradores
Sporting: 411 mil euros - Este valor inclui o prémio de 86 mil euros dado ao administrador Carlos Freitas.
Porto: 1,75 milhões - É a SAD que mais paga aos administradores, que podem receber ainda até 2% do lucro.
Benfica: 138 mil - É a SAD que pior remunera os seus administradores, de acordo com as contas da época passada.

Desta notícia ressalta uma coisa. Nem tudo são rosas no Dragão, porque o Porto vive no fio da navalha. Se ficar um ou dois anos sem ganhar o campeonato, o que não é de todo impossível, vai passar um mau bocado. A banca aperta-lhes logo o “garganete”. :twisted: Em relação ao Sporting a situação da SAD está camuflada, porque a maior fatia do passivo da SAD está integrada nas contas do clube, bem como a dívida à banca. >:D É o que sempre se disse. O clube fica com as dívidas e a SAD com os activos e mesmo assima situação não é nada famosa. E ainda a direcção queria passar a Academia para a SAD… :naughty:

Outra questão que tem a ver com as SAD, é estar na bolsa ou não. Pois, para o Manchester United, sair da bolsa só tem trazido vantagens. E isto no maior clube de um país que tem uma das maiores bolsas do mundo e uma verdadeira economia de mercado. O Manchester United reconheceu a especificidade do futebol profissional e actuou pronta e pragmáticamente. A quem estamos a enganar em Portugal? :eh:

AS VANTAGENS DE NÃO ESTAR NA BOLSA

Na Primavera de 2005, o administrador executivo do Manchester United , David Gill, manifestava publicamente a sua apreensão perante a possibilidade de um takeover liderado pela família Glazer. O milionário norte–americano Malcolm Glazer não tinha qualquer ligação ou interesse pelo futebol europeu.

Glazer, de 79 anos, tem uma fortuna que o coloca na 165.ª posição da lista da Forbes dos homens mais ricos dos Estados Unidos. Ele descende de uma família de judeus ortodoxos, proveniente da Lituânia, que se estabeleceu no Estado de Nova Iorque. Ao longo da vida, Glazer ergueu um império que se estende por todo o país em áreas de actividade tão diversas como centros comerciais, óleos alimentares, banca ou peças de automóveis. A maior parte dos negócios da família é gerida, actualmente, pelos filhos Avram e Joel. Mas o nome de Malcolm Glazer é conhecido, sobretudo, por ele ser o dono dos Tampa Bay Buccaneers, a equipa de futebol americano que venceu a Superbowl de 2003. Em 1995, ele comprou a equipa por 192 milhões de dólares, numa altura em que os Buccaneers registavam péssimos resultados desportivos e financeiros.

Agora, a equipa está avaliada em cerca de 960 milhões de euros (653M€).

Os receios de David Gill - que aceitou, aliás, ser reconduzido no cargo de administrador pelos novos patrões - foram prontamente dissipados. Na semana passada, o clube anunciou os melhores resultados financeiros de sempre, referentes a uma época (2006/07) em que o clube reconquistou o título de campeão inglês.

O Manchester United aumenta todos os anos os preços dos bilhetes de época, é certo, mas o clube continua a ter, mesmo assim, das entradas mais baratas de toda a Premiership (25-44 libras, ou 34-59 euros). O treinador Alex Ferguson pôde continuar a comprar jogadores - cerca de 80M€ gastos durante o exercício de 2006/07 com a contratação de Michael Carrick (no Verão de 2006), Nani, Anderson, Hargreaves e Kuszczak (em 2007). Ao contrário do que se previa, a família Glazer não parece disposta a vender os naming rights do histórico Old Trafford.

[b]O administrador David Gill encontra, aliás, vários benefícios no facto de o Manchester United ter deixado de ser uma sociedade cotada em bolsa e ter passado a ser uma empresa privada.

“Quando estávamos na bolsa, uma derrota importante [Gill deu o exemplo da derrota no Estádio da Luz, em Dezembro de 2005] provocava sempre uma queda imediata da cotação e o conselho de administração era obrigado a fazer uma revisão dos orçamentos e vários comunicados para a Bolsa de Londres, com todas as implicações inerentes”, explicou Gill numa entrevista ao The Times. [/b]

Por outras palavras: o clube deixou de estar obrigado a dar explicações a ninguém. David Gill encontra vários benefícios, igualmente, na forma como passou a conduzir a gestão do clube.

“Seria inimaginável contratar Nani, Anderson e os outros jogadores sob a estrutura anterior. Agora, as decisões podem ser feitas rapidamente. A família [Glazer] compre-ende a necessidade de ter uma equipa de êxito e que joga ao ‘estilo MU’, por isso apoia o treinador com os fundos necessários”, disse Gill. Um simples telefonema para Joel Glazer e em poucos minutos tudo fica acertado, com o patrão a autorizar os detalhes financeiros principais (transferência e salários do jogador). Sem a maçada da bolsa.

http://dn.sapo.pt/2008/01/19/dnsport/fc_porto_assume_mais_riscos_gestao_f.html

http://dn.sapo.pt/2008/01/19/dnsport/as_vantagens_nao_estar_bolsa.html

Os porcos nao correm nada esse risco…apitos ha muitos e de muitas cores

Até há bem pouco tempo, o FC Porto tinha um prejuízo de conta corrente de cerca de 2 milhões de euros por mês.

A diferença entre eles e o Sporting, financeiramente, resume-se ao efeito Mourinho, às ajudas que tiveram na construção do estádio e arrendamento do centro de estágios e às ajudas que tiveram dos Man in Black.

Se tirarem os 100 milhões de euros que o Mourinho, directa ou indirectamente, lhes rendeu, têm o passivo do Sporting. Se tirarem ainda as ajudas que tiveram no estadio e centro de estágios, têm um clube tão mal ou pior que o Sporting em termos financeiros.

Se tirarem as ajudas do Apito, têm o Sporting com mais alguns títulos conquistados na última década (por títulos refiro-me a qualquer competição, mas neste caso fundamentalmente pelo menos mais 2 campeonatos e 1 Taça de Portugal nos últimos 10 anos).

Não me importava nada que por aí viesse um milionário que comprasse a maioria do capital…

Se viesse um grande empresário investir no Sporting, podem ter a certeza que quando ele já tivesse ganho o quer queria ia-se embora e o clube ainda estava mais enterrado financeiramente, pois não há nenhum investidor que queira perder dinheiro.

Pois, mas depois da fase Mourinho o Porto caminha para o tricampeonato, não é? Mas tem gastos muito elevados com o futebol, e se tiverem duas ou três épocas más, com quebra de receitas por via de uma eliminação precoce das competições europeias e consequente desvalorização dos passes dos melhores jogadores, a estrutura vai abanar e bem. E então também vão ter de apertar o cinto. Aliás mesmo com boas participações na Liga dos Campeões, porque os “andrades” qualificam-se quase sempre para a fase a eliminar, o Porto tem sempre de vender jogadores todos os anos. Consegue manter equipas competitivas porque tem uma boa gestão desportiva. Isso é inegável, independentemente dos “men in black”.

É por ter tido uma gestão desportiva muito deficiente que o Sporting tem as restrições actuais, derivadas da falta de confiança da banca nas capacidades de gestão desportiva da SAD do Sporting. O facto do Porto ganhar títulos regularmente e portanto potenciar receitas com o futebol contribui para que tenha mais “folga” que o Sporting. O que significa que para nós há esperança, porque se conseguirmos melhorar a gestão do futebol e consequentemente a credibilidade da SAD, com certeza que o estrangulamento não será tão grande. Tudo se resume a uma questão de credibilidade, e basicamente, quer se queira quer não, o futebol do Porto tem mais credibilidade junto dos credores que o do Sporting, por razões óbvias. Acontece que é muito duvidoso que a gestão desportiva da SAD do Sporting melhore com os actuais dirigentes, portanto, é uma pescadinha de rabo na boca…

é sobre isto que tenho tentado chamar a atenção no topico sobre a criaçao de um campeonato iberico…

a realidade do porto nao é o quaresma, nem o lucho gonzalez, nem o lisandro… a realidade do porto sao o bruno alves, o raul meireles ou o adriano… as receitas correntes só dao para isso

a realidade do Sporting é a que está á vista e mesmo assim ainda vamos tendo umas receitas da venda dos nossos jovens que nos permite manter o liedson ou o joao moutinho…

o benfica para reforçar a equipa teve que vender o simao, que era “apenas” o seu melhor jogador, teve que desistir do micolli, vendeu o manuel fernandes…

a realidade é que nao ha dinheiro para palhaços… o campeonato portugues nao gera receitas condizentes com o que nós queremos para o Sporting e por isso só temos é que nos aguentar com ronny’s e farneruds ou entao miudos da academia…

Nao e com o campeonato Iberico que resolves o problema, observa o que aconteceu na reunificacao da Alemanha. E o mais semelhante que poderias encontrar.

Na Alemanha de Leste vinhas de um campeonato viciado durante mais de uma decada em que uma equipa se tornou uma super-equipa pela proteccao do regime. Na fusao dos campeonatos eles foram logo corridos a vassourada, hoje ja nem existem e foram re-editados com outro nome. O resto das equipas foram metidas na Bundesliga a pressao e com um contracto que os mantinha por la durante um trio de anos, no fim desse periodo de graca, a total impreparacao e falta total de competitividade para as andancas da Bundesliga varreu esses clubes todos ate a 3a divisao. Passaram as passas do Algarve e hoje reeditam-se em versoes melhorzinhas, mas ainda assim sofriveis… O Hansa ainda foi o que melhor se safou, curiosamente eram um ‘clubezinho’ na Alemanha de Leste, os grandes classicos (Jena ou Dynamo por ex) pufff… foi um ar que se lhes deu…

Isso seria o que aconteceria aos nossos clubes.

ja levantaram esse problema nesse topico e eu apresentei argumentos que o invalidam (o forista que os apresentou deu-me razao)…

se quiseres posso apresenta-los aqui tambem…

os dois casos nao têm comparaçao… as razoes têm a ver com os sistemas economicos…

E então? Isso seria mau? Se o Sporting não está preparado para concorrer na 1ª Liga Ibérica, que desça! E que suba quando estiver preparado. Obriga-o a ser melhor do que aquilo que é!

O principal problema nessa liga é a falta de igualdade de oportunidades. É os espanhóis terem impostos menores, e por isso poderem aliciar os jogadores com melhores contratos. Resolvido esse problema, e lutando de igual para igual, sobrevivem os melhores. E nós não deveríamos ter medo dessa luta…

Quanto ao artigo acerca do Man Utd…é muito interessante. Mas se já existe uma barreira tão forte em relação à possibilidade de perder a maioria absoluta no controlo da SAD por parte dos associados, não acredito que esta ideia seja concretizada num futuro tão próximo…

Nesse aspecto tens razao, os clubes da GDR estavam no 0 economicamente e nao estavam habituados a ter de gerar receitas (nao era bem assim mas pronto), e tinham montado um sistema de academia em cada um deles, nos estamos no -200 (ou -150 quando as promessas se verificarem) e tambem nao geramos receitas que nos permitam competir com os Espanhois, ou achas que eles iam dividir os premios todos comnosco como se ja por la andassemos?..

Isso era perfeito, era da maneira que o Benfica ia para a segunda e nós finalmente não tínhamos nada a impedir de sermos campeões!

mas eu nao quero premios…

eu quero é ter grandes equipas a jogar em alvalade a proporcionar grandes receitas de bilheteira…
quero receitas televisivas muito superiores ás actuais…
quero patrocinadores que paguem muito mais porque em vez de estarem a publicitar para 10 milhoes de pessoas estao a publicitar para 50 milhoes…

o que interessa para os clubes sao as receitas… é o dinheiro que conseguem ganhar sem ter que estar a vender patrimonio (desportivo ou nao desportivo) ou activos… isso é que mostra a verdadeira valia de um clube…

mais receitas correntes permite:

-manter os jovens jogadores durante mais tempo
-tendo nós uma academia muito produtiva (e podendo manter os jogadores) a compra de jogadores nao seria muito abundante e assim poderia-se comprar pouco mas muito bom
-depois cria-se um ciclo vicioso (…mas positivo)… melhores jogadores, melhores equipas, maior capacidade de segurar os jovens jogadores
-acaba-se com o argumento de os jovens jogadores quererem sair para um campeonato mais competitivo
-como disse no outro topico imaginem que o Sporting tinha capacidade financeira apenas para manter os jogadores que ca estiveram nos ultimos 6 anos…
-estando numa das principais montras do futebol mundial os bons jogadores a serem vendidos proporcionariam fortunas

  • a manutençao dos bons jogadores criaria maior identificaçao entre os adeptos e a equipa… surgem simbolos do clube…
    -é possivel fazer um trabalho de continuidade…

a saude financeira do clube permite:

-a construcao de um pavilhao

  • maior apoio aos desportos amadores de competiçao (mais e melhores)
  • melhores condicoes para os socios e adeptos praticarem actividades no clube

e tudo isto leva ao crescimento da relacao adepto (socio ou potencial socio)/clube…

mesmo para o país podia trazer vantagens:

  • como um espirito nacional mais vincado
  • uma dinamica competitiva que poderia espalhar-se a outros sectores
  • um proposito de combate (no bom sentido) e uniao na figura do futebol

sem receitas tudo isto se desvanece e caminhamos cada vez mais para um clube mediocre e periferico…

quando tive em espanha jogou o Sporting contra o paços de ferreira… comprei um jornal desportivo para saber o resultado… e nada… do campeonato escoces traziam resultados, marcadores e classificaçao…

prefiro ter um clube ao nivel de um saragoza que de um partizan de belgrado em termos de valia desportiva…