Concluída que está a pré-época, e numa altura em que falta menos de 48 horas para o início do campeonato por parte do Sporting, parece claro que o plantel leonino está definido, parecendo existir dúvidas na continuidade de Izmailov e de um dos defesas centrais. Posto isto, e admitindo que não sai ninguém do plantel, o Sporting apresenta-se com 26 jogadores, sendo que 7 elementos são formados na Academia.
Fazendo uma retrospectiva, é inegável que o Sporting sempre foi um clube formador. A aposta no jogador nacional é uma questão de identidade, é a filosofia do clube e os adeptos sportinguistas identificam-se com ela. Não tenho dúvidas que grande parte dos adeptos do clube fica mais entusiasmados com o lançamento na equipa principal de uma jovem promessa do que com a contratação de um internacional estrangeiro, independentemente da sua valia.
Por outro lado, é comum ouvir-se nos media frases como “equipas de juniores não ganham campeonatos séniores” ou “um clube que quer ser ganhador tem que investir em craques já formados”. Vamos então analisar os factos…
Nos últimos anos, possivelmente em consequência da falta de liquidez financeira, o clube viu-se obrigado a fazer uma aposta mais forte nos jogadores das camadas jovens e, em consequência disso, jogadores como Moutinho*, Nani, Veloso, Carriço, Patrício, Pereirinha ou Djaló foram lançados e aproveitados (com sucesso) por Paulo Bento, enquanto o actual Seleccionador Nacional esteve no cargo de Treinador da equipa. Dir-me-ão que nesse período, de maior influência das camadas jovens do Sporting no plantel principal, não se ganhou nenhum campeonato, o que é um facto indesmentível. Mas também não deixa de ser verdade que nesse período o Sporting foi o clube que mais luta deu ao FC Porto e, em boa verdade, à excepção de Liedson os jogadores citados eram, na sua maioria, os elementos mais valiosos do plantel, seja em termos desportivos, seja em termos financeiros.
O que falhou então nesse período? Qual o problema da equipa?
O problema da equipa no período citado não se encontra nos jogadores das camadas jovens mas na ausência de uma base de jogadores que acompanhassem e complementassem os jovens da Academia. Efectivamente, em equipas com Farnerud, Marian Had, Koke, Mota, Carlos Bueno, Grimi, Ronny, Gladstone, Pedro Silva, Tiuí, Paredes ou Purovic seria sempre complicado que jovens com pouca experiência profissional conseguissem explanar todo o seu potencial… Conclui-se, portanto, que o problema não estava nos jovens valores formados na Academia, mas na falta de um projecto de recrutamento eficaz por parte dos dirigentes leoninos.
Qual a pertinência deste assunto neste momento?
Este ano, após uma última época em que o Sporting fez um grande investimento em termos de contratações, e em que a grande maioria confirmou potencial, o plantel apresenta uma qualidade inegável… Nota-se, no entanto, uma influência muito diminuta dos elementos formados na Academia na equipa titular, sendo que apenas Patrício, Adrien e Cédric deverão ser titulares. Ora, numa altura em que o Sporting possui um plantel com jogadores de grande qualidade como Rinaudo, Elias, Ínsua, Schaars, Capel, Carrillo, Rojo, Labyad, Ricky Van Wolkswinkel, Pranjic, Boulahrouz, Izmailov ou Onyewu não se deveria fazer uma aposta mais efectiva de jovens valores da Academia com vista ao seu desenvolvimento e com o objectivo de potenciar o seu valor?!
*Lançado por José Peseiro, mas jogou grande parte do tempo com Paulo Bento.