A evolução do ensino de Matemática!

ERRADO, muito errado na minha opinião.

Eu falo por mim e pelas pessoas que conheço. Claro não basta ter as capacidades, há que desenvolvê-las. Uma pessoa que tenha jeito para os números mas que não faça rigorosamente nada dificilmente terá bons resultados.

No entanto conheço quem estude tanto ou mais que outros e não consiga alcançar os mesmos resultados.

Da minha pouca experiência com alunos (enquanto fui aluno até à Universidade e por explicações que pontualmente dou de matemática) isso tem que ver muito mais com os programas, com a falta de postura dos alunos na sala e com isto nem quero dizer disciplina, com o estigma que se tem com a matemática, com esforço que os alunos têm, com a falta de tempo que se tem na sala de aula e com o método de ensino que com capacidades inatas que alguém tenha.

Na esmagadora maioria das vezes aquilo que se entende por uma capacidade inata mais não é que trabalho anterior ou uma capacidade de “pensar mais além” que se adquire em muito com a prática.

Qualquer aluno de negativa se pode tornar num excelente aluno ou num muito bom aluno de matemática ou de qualquer outra disciplina e assisti a muitos exemplos (a não ser que tenha algum problema que não o permita). É preciso é trabalho.

A escola facilita a vida aos alunos enquanto estudantes e dificulta-lhes a vida futura. Os exames são fáceis, os de matemática julgo que ainda têm a aberração de não se descontar por escolhas múltiplas erradas, em algumas das respostas basta saber usar uma máquina que nos dá a resposta se for preciso apresentar cálculos é só ir tentando até e acertar, se for preciso levam-se exercícios resolvidos dentro da máquina.

Sim, lindo. Graças a isso e a ter um professor do 7º ao 9º ano que para dar boas notas, fazia os testes, dando uma folha com os exercícios que saíam na aula anterior ao teste e, porque uma colega passava aquilo tudo para os telemóveis, nem sequer olhava para as folhas. A desculpa para os usar, durante 3 anos: para fazer as contas. E tinha 100%, os 2 ou 3 exercícios que eram desconhecido também eram bem fáceis.
Agora, estou com um 15 a Física e Química A no 10º ano >:D e com uma missão quase impossível de conseguir um 17. Mas para o ano, hei-de ter 19 com todo o mérito a ser entregue a mim.

Vi essa prova. Pensei que me tinha enganado a clicar e que tinham criado uma prova de aferição para a pré-primária (eu fazia aquilo tudo bem com 4/5 anos e nunca andei na pré - tinha uma grande vontade de aprender nessa altura, devia recuperar esse espírito), mas não, era mesmo 4º ano.

Quanto a Matemática e ao secundário em geral (Ciências e Tecnologias) acho que é exigente sim. Pelo menos a Matemática tenho um professor mesmo muito exigente mas, é um facto, está lá há muitos anos e agora diz mais ao menos os tipo de exercícios que saem (os mais difíceis) ou diz 12 e saem 3 desses, para valorizar o estudo, algo que antes nunca faria. Mesmo assim, há 60% de negativas e essas pessoas estudam. Muitas delas, mais do que eu que tenho 17 (e quero melhorar para o próximo ano)

Até ao 9º ano o ensino da Matemática é terrível na grande maioria das escolas portuguesas, depois quando se dá o salto para o 10º ano chega-se a ficar de boca aberta com o fosso de exigência entre ambos os anos de escolaridade. O que tem de ser ensinado aos miúdos desde a mais tenra idade é a gostarem de matemática e a praticá-la com alguma regularidade. Mesmo que não sejam uns experts, se forem praticando e resolvendo exercícios regularmente o nível de conhecimentos aumenta gradualmente e estarão mais motivados e preparados para aprender Matemática no ano seguinte. O que acontece em Portugal é precisamente o contrário (salvo algumas excepções). Os miúdos não percebem a disciplina e os pais ao invez de os habituarem a tirar dúvidas, estudar e até mesmo brincar com a matéria de modo a percebê-la melhor optam por seguir o caminho do " deixa andar " e depois quando o grau de dificuldade começa a exigir conhecimentos mais aprofundados e hábitos de estudo, metem os filhos nas explicações esperando que de um dia para o outro aprendam o que já deviam saber à anos. Não tenho problemas em admitir que me enquadro neste grupo, gosto de matemática quando a percebo mas quando se verifica o contrário odeio-a com todas as forças e durante o ensino básico nunca me foi estimulado um maior envolvimento com a matemática. Acabei o 9º ano com 5 a Matemática graças a um excelente explicador, agora no 10º tenho média de 12. Até ao secundário consegui ter altas notas só com a explicação, no 10º é preciso estudo e hábitos de trabalho, coisas que só este ano estou a adquirir nesta disciplina.

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Mesma coisa comigo, tinha grandes notas a Matemática até ao 9ºano e agora estou a repetir Matemática no 12ºano, mas eu não tenho explicador.

Eu tive 4 no 9º ano mas saquei 99% no exame! Acabei o 11º com 17 a Matemática, agora estou com 18 que provavelmente será 19 no final!
Só a partir do 2º período do 10º é que precisei de explicadora por estar a perder o controlo de alguma matéria.

Senti uma grande mudança do 9º para o 10º, mas com trabalho e estudo voltei a controlar o “bicho”. Agora já consigo ir para um teste quase sem estudar. No fundo basta ter prática e estar seguro dos conhecimentos para tirar uma boa nota.

Falso.

Não é preciso ter jeito, é preciso sim é ter uma metodologia de estudo diferente das outras disciplinas. Por não ser fácil de fazer algo só lendo, é que eu disse que só com muitos exercicios é que se conseguia resolver.

A Matemática nunca foi das minhas disciplinas favoritas nem acho que tenho jeito para tal. Se consegui sempre atingir os objectivos deveu-se ao facto de praticar com muita regularidade e acima de tudo esclarecer dúvidas. Apartir daí, não tem como enganar.

Obviamente que não eram phones, até porque era algo proibido. Era um simples rádio de bolso, daqueles das lojas dos trezentos (txi que estranho dizer isto) e foi por isso que entrei com ele, até porque o professor responsável confiava plenamente em mim e porque o “dia era especial”.

Primeiro, as comparações que fazes são despropositadas, segundo, mesmo assim são fáceis de explicar.

A Matemática nunca mudou, permanece igual. O que variou foi a metodologia de ensino, sendo isso um facto indesmentivel. Obviamente, que uma coisa é uns serem mais rápidos em determinadas contas (isto não é como a corrida dos 100 metros onde chegam todos quase ao mesmo tempo), outra é em simples contas não saberem… o que fazer.

Em por exemplo, consigo calcular raízes quadradas de cabeça, coisa que muitos professores meus não conseguiam atingir tão rapidamente o resultado. Exercicios mentais mais complicados, sim é uma questão não só de jeito como de prática experiência e ninguém está a colocar isso em causa. Do que se fala é de simples contas, como não conseguir contar trocos ou simplesmente fazer contas absurdas, como eu disse, em que uma diferença dava 50 cêntimos e após 3 horas de recontagem, dava-lhe SEMPRE 500 euros.

Uma coisa é numa disciplina, num calculo mais complicado tu conseguires ser mais rápido que um professor, outra é não saberes quanto tens que dar de troco quando pagam-te 5 euros por algo que custa… 3,50.

E acabas por dar razão ao que aqui é dito. O teu irmão e tu não conseguem fazer uma simples conta de dividir porque a metodologia de ensino quase que obrigou os alunos a terem uma calculadora, ao contrário de anos anteriores. E isto sim é do que se fala.

Eu no meu 9º ano tive um professor que não admitia máquinas de calcular nos testes: ao inicio, as negas eram mais do que constantes, chegámos à prova global e fomos de longe a melhor turma da escola em termos de notas.

No meu 12º ano, nos dois primeiros periodos a professora (curiosamente, ou talvez não, esposa… do professor do 9º) também tinhamos imensos testes surpresa onde nunca podiamos utilizar calculadora… Nos testes, assim como no 3º período, ela deixava por causa dos exames nacionais. As notas foram muito, muito boas, pois numa turma de 20 e tal, só aqueles que não ligam e faltam sempre é que tiveram negas…

A verdade é que a actual metodologia de ensino não puxa em nada pelos alunos, quer queiras, quer não. As máquinas de calcular tiraram a essência das contas, facilitaram e muito a vida aos alunos, pois fazem tudo por eles. Enquanto sem calculadora tu tinhas que fazer, por exemplo, os gráficos “à lá pata”, com a calculadora bastava colocares a fórmula que ela fazia-te em milésimos de segundo.

Já para não falar da escolha múltipla. Um exercicio que permitia-te não só acertar sem saberes um chavo daquilo, bastando apenas ter sorte (quantos ao longo destes anos não faziam apenas essa parte e entregavam os testes?), como na grande maioria das vezes, as respostas levavam-te a perceberes o que tinhas que fazer. Sempre existem aqueles que possuem resultados resultantes de erros comuns, mas até isso não era muito frequente.

Não é uma questão de ter ou não jeito, é sim uma questão de concentração (isto está cientificamente comprovado). É a falta de concentração que faz com que as pessoas não aprendam a matemática como deve ser, e o que serve para a matemática serve para outra coisa qualquer.

O problema na matemática em relação a outras disciplinas é que nestas podes chegar à resposta correcta usando o bom-senso ou chegar a uma resposta aproximada que por ser difícil de distinguir da correcta acaba por ser aceite, enquanto que na matemática a resposta correcta é frequentemente um único número completamente independente do bom-senso e que não dá para escrever de forma “aproximada”.

Em relação às calculadoras, o problema resolve-se com relativa facilidade uma vez que existem imensos exercícios de matemática em que precisas de pensar mesmo que recorras à calculadora. Podes inclusivamente exigir a demonstração da resolução do problema (os passos detalhados do cálculo) e aí não há calculadora que resista.

Não concordo com o haver “jeito” num bom aluno a matemática e “falta de jeito” num mau aluno. O que há, isso sim, é trabalho, tal como em todas as outras disciplinas.

Para mim, o trabalho na sala de aula é muito subestimado. Estamos na escola 8h por dia. Outras 12h são para dormir, comer e satisfazer necessidades básicas. Sobram 4, que nem sempre são usadas(falo por mim). Não digo que devemos estar super concentrados nas aulas, e registar tudo e mais alguma coisa à marrão. Mas deixar a coisa andar e não ter interesse quando se está a aprendar, na escola, é o pior que pode acontecer a um aluno, na minha opinião. É evidente que há matérias mais interessantes do que outras. Mas o que é mais desinteressante de tudo, mais do que os conteúdos é não saber do que se está a falar. E depois o efeito é o de uma bola de neve. O mesmo se aplica quando é ao contrário. Um aluno que esteja a compreender e, mais do que isso, a relacionar e a mobilizar conhecimentos, dificilmente perde o interesse naquilo que se está a falar. Essa é que é essa.

Quanto à matemática em particular, creio que o fazer exercícios atrás de exercícios é um bocado para o overrated, para além de pouco saudável. Penso que a base para o sucesso, é saber, em primeiro lugar, todos os conceitos teóricos, tim-tim por tim-tim. Os livros de matemática não são só exercícios de matemática, mas também explicações, caso ainda não tenham reparado :whistle:. Só depois de saber todos os conceitos, fazer-se alguns exercícios. Facilmente se confirma que os conhecimentos adquiridos quando aprendeste como as coisas são teoricamente te leva a fazer todo o tipo de coisa que te apareça à frente. O que eu noto, e principalmente nos alunos com notas compreendidas entre o 10 e o 14 +/-, é que até podem dedicar algumas horas à disciplina e fazer montes de exercícios. Mas depois não sabem muitas vezes o cerne da questão, e quando esse cerne é posto à prova num teste, como por vezes o é, erram perguntas a torto e a direito, sem justificação nenhuma. A Matemática não tem que ser exaustiva. Este para mim é o maior estigma da matemática em portugal. Pensar que aprender matemática é só praticar, praticar, praticar. Erro crasso, que torna os alunos em espécie de programa de computador. Só que esses programas só estão preparados para responder de determinada maneira e nunca tem a flexibilidade de um ser humano a sério.

Já reparei que se metermos um exercício que utilize outro tipo de linguagem do que esses alunos ,que fazem carradas de exercícios, estão habituados, eles bloqueiam sem saber o que fazer.

A minha estratégia é estar atento às aulas (principalmente às que introduzem uma nova matéria), identificar o raciocínio, fazer uns poucos de exercícios e meter algumas ideias chave na calculadora para ir mais seguro. Tudo isto leva um par de horas de estudo. A explicação basicamente serve para me orientar e não para levar 500 exercícios em que tenha dúvidas.
Esta estratégia não me leva ao 20, nem nunca vai levar, mas até agora tem dado para tirar boas notas.

Para mim a matemática também nunca foi fazer montes de exercícios mas sim estar sempre por dentro da matéria e depois fazer alguns exercícios para ver se está tudo bem percebido…
E comigo tem resultado bem, senti algumas dificuldades neste ano ao passar para o 10º mas consegui aguentrar e alias, ascabei o 2º período com média de 19 a matemática…
Pena que agora vai baixar porque blooquei um bocado no intermédio… ^-^

Mas de resto acho que não é preciso ser um grande marrão para ser um bom aluno na generalidade…
Eu nunca fui aluno de me matar a estudar, muitas vezes limitava-me a estar sempre por dentro da matáeria estando atento nas aulas e fazendo apenas umas revisões minúsculas em casa…
Depois no dia antes do teste era só mesmo dar um arevisão geral e prontos, mais um exercício ou dois e está feito…
Com esta metodologia acbei o 2º período do 10º com uma média de 17,44 no geral e espero aumentá-la até ao fim do 3º…

O problema da Matemática não está relacionado com o 12º, começa de trás e acaba por ser transversal a todo o ensino. Os alunos são ensinados a decorar e a realizar exercícios como autómatos sem perceberem a base teórica, no fundo não compreendem a matéria e agem de acordo com uma série de passos aprendidos nas aulas para resolver as questões.

Se nas outras matérias há espaço para a criatividade, na Matemática não há ambiguidades e as respostas têm que ser bastante objectivas. Quem não compreende a matéria quando se depara com um exercício novo ou algo diferente vai ter muitas dificuldades em conseguir dar a resposta certa porque está formatado para responder de uma determinada forma perante uma questão específica.

Mais do que obrigar os alunos a resolver exercícios em catadupa, é importante ensinar a pensar sobre os mesmos - e esta deveria ser a preocupação principal de todo o ensino. Como o Paracelsus disse, a concentração na Matemática é fundamental devido ao elevado grau de especificidade das respostas, e os nossos alunos não estão habituados a concentrar-se e pensar sobre os problemas, agem de forma automática aplicando fórmulas e afins sem terem a noção do “big picture”. Atrevo-me até a dizer que qualquer indivíduo de inteligência média tem capacidades mais do que suficientes para ter mais de 15 a esta disciplina, portanto o problema não está relacionado com talento ou afins.

Sempre gostei de matemática e enquanto puto tinha boas notas, mas assim que me apareceram as trigonometrias, estragaram-me o esquema todo. A partir daí comecei a aplicar-me mais, e nunca chumbei à disciplina, mas passei sempre com notas baixas. No 12º ano, vi que ou me aplicava a sério ou não entrava para a faculdade que queria, e comecei a estudar mais regularmente e a resolver exercícios. Resultado: No exame nacional tive 14,8, o que subiu a minha média final do secundário para 14 (as notas nos restantes exames também contribuíram, e muito, para isto, já que sempre fui um bocado desleixado no secundário :whistle:). Contando o exame de Matemática como 50% da nota de entrada na minha faculdade, consegui entrar com 14,4 (tenho ideia que o último aluno entrou com 14,1 ou 2). No ano a seguir resolvi dar uma vista de olhos no exame nacional e achei escandalosamente mais simples que o do meu ano. Resultados à vista, já que as médias de entrada nas faculdades subiram brutalmente (na minha passaram para os 16, 1 ou 16,2, uma subida de 2 valores!!). Por outro lado, durante o curso sempre tive problemas para fazer estatística (comecei no 2º semestre e acabei no 7º :mrgreen:), e das outras matemáticas também nunca gostei, mas demorando mais ou menos tempo para as fazer, despachei-as a todas, e espero não ter de voltar a ver aquilo nos tempos mais próximos. Tudo isto para concluir que acho que o ensino de matemática tem vindo a diminuir de exigência, e consequentemente a piorar, e perdoem-me por puxar este assunto para aqui, mas acho que está totalmente relacionado com a política, e os números que o ME quer mostrar