Alguns dias passados sobre o arquivamento do caso «Maddie», Gonçalo Amaral (ex-inspector da polícia judiciária) lança um livro, onde, alegadamente, pretende limpar a sua imagem de inspector competente e injustiçado pelos contornos deste caso. Confesso que não li o livro, mas tive acesso, tal como toda a gente (perdão, a esmagadora maioria das pessoas), às declarações e comentários preliminares ao seu lançamento e que foram para mim suficientemente eloquentes. De imediato percebi que estávamos na presença de uma pessoa que se deixou apaixonar profundamente por esta investigação e que pretendia levá-la até ao fim, custasse o que custasse.
Há contudo, um quinteto de respeito, autênticos arautos da análise, investigação e dedução, verdadeiros «idiotas» dos tempos modernos, aos quais o canal SIC Notícias decidiu dar tempo de antena através de um programa, de seu nome «O Eixo do Mal» e onde, de forma destemperada e sem grande critério ou sensatez, são ditas as maiores barbaridades a respeito de tudo e de todos. Se eu disser que antes d’«O Eixo do Mal», a maioria dos intervenientes nesse espaço televisivo nem sequer faziam parte do mapa jornalístico e que inclusive, uma dessas personagens teve há algum tempo atrás, a humilde tirada: «Os portugueses têm de aprender com as minhas opiniões», creio já ter dito tudo, mas como vivemos num país onde a liberdade de expressão nos concede a prerrogativa de criticar tudo e todos (inclusive os próprios críticos), também eu venho aqui tecer alguns considerandos a respeito das posições desses intelectuais de bolso (do bolso de trás, porque os da frente são usados para guardar coisas mais úteis e importantes) a respeito do livro de Gonçalo Amaral.
Como já referi atrás, não tive ainda a oportunidade de ler o livro do ex-inspector da PJ, tal aliás como os próprios jornalistas-paineleiros, só que entre nós, há uma diferença substancial: é que eu entendi desde o primeiro minuto, o objectivo deste livro. Sempre ouvi dizer que quem não se sente, não é filho de boa gente e Gonçalo Amaral, como ser humano que é e pessoa que viveu por dentro e por fora todos ou quase todos os trâmites desta investigação, sentiu necessidade de desabafar, dizer o que lhe ia na alma e tentar explicar às pessoas que há mais para ver e perceber, do que aquilo que os olhos alcançam. Pessoalmente, nem seria necessário este livro, porque eu já tenho a minha opinião formada, mas para certos «intelectuais de pacote», este livro constitui, pasme-se, «um aproveitamento», «uma forma de ganhar dinheiro», «uma forma de pôr em causa uma investigação inconclusiva», etc., etc. De entre todos os disparates proferidos, chegou-se inclusive ao ponto de comparar o caso Joana (onde Gonçalo Amaral participou) com o caso Maddie e de criticar a própria PJ, referindo que esta «anda ao Deus dará».
Tecnicamente, o casal McCann não foi condenado pelo estado português, porque são necessários elementos concretos que constituam prova da realização de um crime – até aqui, todos de acordo, mas também é bom não esquecer que a ausência de prova, não constitui a prova de ausência e quem não anda neste mundo para ver passar os comboios e tem pelo menos meia-dúzia de neurónios ligados entre si, não acredita em coincidências, ou pelo menos, na maioria delas. Assim, para os 5 magníficos da caneta em riste, perante o desaparecimento de um filho nosso…
1 – Contactar a imprensa britânica em vez da polícia, é… normal. Aliás, corrijo: normalíssimo.
2 – Recusar-se a responder às perguntas da polícia, quando aquilo que mais queremos é ajudar a recuperar o ente que nos é querido, não quer dizer absolutamente nada, pois claro.
3 – Contratar um assessor de imprensa, ainda por cima, um que trabalhava para o 1º ministro britânico e que deixou de o fazer (coitado, devia ganhar mal) para ser porta-voz do casal indiciado, é a medida mais comum, qual é a admiração?
4 – Contradições nas declarações de pessoas que fazem parte do processo, valem…zero! Zero!
5 – Tentativa de condicionar a investigação para uma linha de orientação específica, é pouco menos que irrelevante. Nem há discussão, sequer.
6 – Mostrar-se enfadada (Kate McCann) por ser transportada ao local onde, supostamente foi avistada a criança, não tem qualquer significado. Afinal de contas, o que é que isso mostra?
7 – Serem apagados registos de chamadas telefónicas efectuadas entre o casal McCann na noite de 3 de Maio, não indicia nada. Aliás, isto nem sequer deveria fazer parte da investigação.
8 – O cheiro a sangue e a cadáver dos cães ingleses (sugeridos pela própria polícia britânica), não nos leva a lado nenhum. Sinceramente, não sei o que vieram cá fazer.
9 – A quantidade de meses que foram necessários para obter o resultado de análises levadas a cabo num laboratório que leva em média 2 – 3 dias para as fazer, é para esquecer. Afinal, a rapaziada lá em Birmingham até tinha mais que fazer…
10 – O facto dos investigadores britânicos terem deixado Portugal precisamente na mesma altura em que o fez o casal McCann, é de somenos importância. Pois…
11 – Chupar um chupa-chupa e discutir actualidades desportivas (Jerry McCann) com um polícia inglês, dentro da PJ, enquanto aguardavam por um informador, é um acto… banalíssimo. Aliás, eu ao pequeno-almoço, farto-me de rir com as notícias de atentados, assassinatos e outros que tais. É assim que vou mais bem disposto para o trabalho.
12 – Ser-se afastado do caso quando se estava prestes a tomar a decisão de chamar o casal irlandês Smith a Portugal para confirmar que a pessoa que tinham visto no dia 3 de Maio às 21h55m com uma criança ao colo era mesmo Jerry McCann, (isto depois do casal irlandês ter visto Jerry na TV), não interessa para nada. Afinal, o «taralhoco» do inspector devia era ter saído há mais tempo.
Em suma, as provas são servidas na maior parte das vezes, por conjuntos de indícios, mas para estes «intelectualóides» de fim-de-semana, a prioridade não está em saber porque é que um caso de polícia foi transformado num caso político - nem tão pouco porque é que houve interesses em desviar a linha de rumo da investigação - mas sim acusar alguém que foi convenientemente afastado porque estava a ser demasiadamente incómodo e que mais não está a fazer que a tentar repor o seu bom nome e o da equipa que orientava.
Continuando, estes «jornalistas-paineleiros» que nada devem ao politicamente correcto, não se coibindo de criticar os tais julgamentos populares (pois claro!), são precisamente os mesmos que semana após semana, lá estão com o rabinho alapado, pagos pela SIC, a criticar tudo e todos, a levantar suspeições sobre pessoas e a criar factos e teses mirabolantes. Afinal, em que é que ficamos? Onde está a coerência? Já agora, proponho que elevem os McCann ao estatuto de vítimas do século. Afinal, para além de lhes terem… raptado a querida(?) Maddie na bárbara Lusitânia, ainda têm de sofrer na carne, a arrogância e a prepotência dos bárbaros lusitanos que os acusam, sem provas absolutamente nenhumas, de estarem envolvidos numa (imagine-se!) morte da filha. Ele realmente, há com cada um…
Não abram os olhos, que não é preciso! :arrow: