Qual é o passivo do Sporting? (actual: 410 M€, R&C 2016/17)

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Pois eu discordo dessa visão por 2 ordens de razões.

Primeiro, porque um clube, ou uma empresa, ou uma família, ou um país, precisam de uma visão estratégica, a longo prazo, para saber para onde vão. O filho do Visconde estabeleceu um objectivo para o clube "ser tão grande como os maiores da Europa", e nem sequer deu um prazo. Um dirigente seja do que for tem que estabelecer objectivos de longo prazo, ou, como estava na moda há uns anos, ter uma "visão". Se depois os seus sucessores mudarem de ideias, tudo bem, eles lá sabem.

A segunda ordem de razões é mais preversa, e nas entrelinhas lê-se assim: o "projecto" começou com Roquette em 95, e não se vislumbra que nos tempos mais próximos mude de mãos. Pelo que o que o FSF pensa é que continuará a ser o "projecto", com diferentes nuances, que governará o Sporting nos próximos anos. Que, se for seguida esta política de contenção, subjacente a todo o "projecto", esse objectivo de passivo zero será atingido.

Não precisas de dizer novamente o que pensas, já percebi à primeira, não sou burro.


É claro que não és burro.
Nem eu disse que eras.
Como disse no post anterior, há aqui intervenções muito pertinentes.
Algumas, mesmo sem a minha concordância em algumas vertentes, por acaso até são tuas.
Não te queria ofender minimamente.
És Sportinguista, vê-se que tens algum cuidado com o que postas e vê-se que te preocupas com o clube.
Como poderia eu querer ofender-te?
Não.
Nada disso.

Limitei-me a explicar as razões que me levaram a não levar muito a sério os tais objectivos de longuissimo prazo que tu tinhas postado que não tinhas percebido porquê.
Afinal, como tu acabas de dizer, tinhas percebido à primeira.

Aparentemente, temos é visões diferentes da coisa.
Isso não é grave.

Nada é bom demais para o SCP!
Alemid,

Continuo a lamentar o tom paternalista, mas não quero entrar por esse caminho.

Sobre o contrato do Ronaldo, aqui continuo eu a reescrever a história, com o auxílio de uma notícia de Agosto de 2001:

Citar
Jovem Ronaldo renova compromisso até 2005

CLÁUSULA IGUAL À DE QUARESMA E HUGO VIANA
         
A RENOVAÇÃO até 2005 com mais um jovem das suas escolas e cláusula de rescisão situada nos 5,7 milhões de contos (o mesmo montante em que se situam as de Quaresma e Hugo Viana) foi uma das novidades de ontem entre os leões.

O madeirense Cristiano Ronaldo, cuja carreira se iniciou no Andorinha, seguindo-se um ano no Nacional, nasceu a 5 de Fevereiro de 1985 e, observado pelo Sporting, logo veio para Lisboa. Vivendo sob a protecção do clube de Alvalade, o jogador foi cumprindo a adaptação à capital, sem perder as raízes madeirenses, até porque pode deslocar-se várias vezes por ano ao Funchal, além de receber a família para matar saudades.

O treinador Silveira Ramos, do Gabinete Técnico das Selecções, foi o responsável pela estreia de Ronaldo no Torneio de Montaigu, tendo opinião bem definida sobre o futebolista.

“Trata-se de um jogador imaginativo, cuja excelente relação com a bola lhe permite encontrar boas soluções de drible. Rápido, pode actuar como avançado-centro ou segundo ponta-de-lança, remata bem com o pé direito ou com o esquerdo, sendo perfeitamente indiferente a qual deles dá primazia, pois os resultados são, normalmente, semelhantes na qualidade. Obviamente, está numa fase importante de aprendizagem, tem evoluído bem no jogo combinado, mas necessita aliar o prazer de jogar a uma atitude séria perante o futebol.”

Admirador de João Pinto

No passado dia 15, participou no jogo-treino com o Atlético e obteve um golo. Admirador de João Pinto, Figo ou Zidane, inicia um percurso que pode conduzi-lo à ribalta, embora tenha ainda muito a aprender. Para isso, trabalhar mais vezes junto dos consagrados pode ajudá-lo a perceber melhor o universo futebolístico. Conversas com Pedro Barbosa ou Nélson, por exemplo, serão vistas, um dia destes, como episódios da integração.

Autor: JOÃO LOPES e PAULO JORGE PEREIRA

Data: Quinta-feira, 23 Agosto de 2001 - 02:28

Sobre o valor extra pago pelo Nani, a minha delirante teoria da conspiração é a de que as cláusulas de rescisão só podem ser accionadas com pagamentos a pronto, e quem queira pagar em tranches tem que se entender com o clube vendedor e aumentar a parada se for o caso. :arrow:
O FJP tem razao no que diz...
a nivel desportivo não sei se existe uma ravaliação dos passes dos jogadores, mas o que ele quer dizer com o goodwill (podias ter explicado para quem não sabe  :P ) é que por exemplo o Veloso deve ter como avaliação cerca de 2 ou 3 M (caso não haja reavaliações).Mas todos sabemos que é capaz de ser vendido por 30M. Basicamente, não consta no balanço que ele vale 30M mas sim os tais 2 ou 3M.

Para, como citaste e muito muito bem, só o balanço não chega, para isso é que existem tambem as demonstrações e dentro da área da análise financeira os rácios...

Peço por favor que não contemplem as vendas e compras de jogadores. O clube não pode viver disso no dia a dia. Por isso é que até na contabilidade são considerados "extraordinários". O clube para crescer tem que arranjar maneira de ter resultados operacionais positivos sem a venda de jogadores...quando isto acontecer, ai sim, procede-se aquilo que tinha referido no topico acima...vendemos um gajo bom por 30M...vamos buscar 2 bons por 15M...ou vamos buscar 2 bons por 10M e os outros 10M é para aumentar salários/investir nas outras modalidades/comprar relvados,etc...

Uma nota e uma correcção.

A nota tem a ver com o tal "goodwill" (por acaso nao concordo com a utilização do termo nesta situação, mas adante, não é esse o ponto) - efectivamente nao há reavaliação. Eu ainda há pouco tempo li o relatório e contas deste ano e coloquei num outro post o valor actual contabilístico do plantel do Sporting - ver mais abaixo.

A correcção tem a ver com as vendas serem consideradas proveitos operacionais. O POC não o considera assim. Mas o Sporting, suportado nos seus ROC (revisores oficiais de contas para quem não conhece, ou seja, os "contabilistas" - chamemos-lhes assim - que validam as contas apresentadas), utiliza as vendas como receitas correntes/operacionais.

Voltando ao valor do plantel; O R&C 2006/07, copio o que escrevi no outro tópico:

Citar
dado muito importante: contabilisticamente o Sporting tem os passes de 95 jogadores (plantel principal + jovens), que valem "apenas" 14,5 M EUR. Ora bem, sabemos que só o passe do Veloso deverá andar pelo dobro desse valor. Isto significa, e é uma crítica recorrente aos nosso métodos contabilísticos aplicados ao futebol, que na realidade o nosso activo da SAD é muito maior do que os míseros 100 M EUR que constam lá.
- com a contratação, prémios de assinatura, comissões, etc, gastamos 9,3 M EUR nos novos jogadores (Vuk, Stoj, Puro, Pedro Silva, Celsinho. Estes valem contabilisticamente exactamente esses 9,3 M EUR, passando o total dos jogadores a valer 23,7 M EUR

Repito: hoje, na nossa contabilidade, estes 95+5 jogadores "valem" apenas 23,7 M EUR -> 237 mil EUR em média por jogador. Reparemque basta a venda do Veloso pelos 30 M EUR de que se fala para recuperar tudo isso! Não sei o valor contabilístico do passe do Veloso, mas deve ser zero ou muito próximo disso. Idem para Moutinho, Adrien, Pereirinha, etx, ou seja, os jovens vindos da Academia. Idem para os jogadores cujo passe foi comprado há mais de 4 ou 5 anos. Porque contabilisticamente estes passes são amortizados todos os anos, até chegar ao valor zero. Porque a contabilidade é uma visão crua, de custos e proveitos hoje, e não do valor que o mercado dá ao nosso activo.

Pegando em mais exemplos para crianças de 4 anos:
A familia atrás referida comprou um carro novo em folha. Custou 40 mil EUR. Comprou-o no dia 31 de Dezembro. No dia 01 de Janeiro, apenas 1 dias depois, o carro só já vale contabilisiticamente 30 mil EUR! Não porque tenha desvaloirizado mas porque foi amortizado 1/4 do seu valor.
Agora vejamos outro caso, a familia comprou o carro em 01 de JAN, por esse mesmo valor. No dia a seguir arrepende-se e vai ao stand devolver o carro. O vendedor faz um grande sorriso e só dá 25 mil EUR pelo carro. A familia, resignada, aceita. Mas contabilisticamente o carro ainda vale os mesmissimos 40 mil pelos quais o comprou.

Ou seja,
Conclusão 1: Contabilisticamente, o valor do bem depende da data em que se compra e do número de anos que decorreu desde essa compra,
Conclusao 2: Valor contabilistico é totalmente diferente de valor de mercado! Tanto para cima como para baixo
Conclusão 3: Ao fim do tempo de amortização, o valor contabilístico é zero! ZERO! NULL! Nothing! Zipo! Mesmo que o standa ainda nos ofereça 5000 EUR pelo carro...

Mais: suponhamos que o puto mais novo da familia concorre a um concurso da TV e ganha um carro! Fantástico. Mas, como o carro foi oferecido, ou seja,, valor de compra = zero, o património da familia, o seu activo, continua a valer o mesmo! Não aumentou nem um cêntimo.

Daqui, conclusão 4: os bens adquiridos sem custo (por exemplo, passes dos miudos da Academia, cujo valor deve ser zero ou lá perto, e o "lá perto" serão os custos com a sua formação) no balanço não valem nada - ver novamente o valor do nosso plantel de 100 jogadores: 23 M EUR...



O FJP tem razao no que diz...
Peço por favor que não contemplem as vendas e compras de jogadores. O clube não pode viver disso no dia a dia. Por isso é que até na contabilidade são considerados "extraordinários". O clube para crescer tem que arranjar maneira de ter resultados operacionais positivos sem a venda de jogadores...quando isto acontecer, ai sim, procede-se aquilo que tinha referido no topico acima...vendemos um gajo bom por 30M...vamos buscar 2 bons por 15M...ou vamos buscar 2 bons por 10M e os outros 10M é para aumentar salários/investir nas outras modalidades/comprar relvados,etc...

Penso que o Sporting está próximo de conseguir isso... quero dizer, resultados operacionais positivos sem a venda de jogadores.


Sim. Segundo o R&C 2006/07: Proveitos operacionais excluindo vendas de jogadores - 40 M EUR
Custos operacionais: 35 M EUR
+ 5 M EUR

Mas depois juntam-se os custos não operacionais (juros, custos extraordinários, provisões e amortizações) e o custo sobre para 51 M EUR...Por isso temos que contrabalançar com a venda de jogadores, +25 M EUR neste ano...
Infelizmente ainda não, porque o respectivo passivo bancário consume imenso dinheiro...
É como se tivessemos comprado uma casa de 200.000€ que de prestação custa 1000€/mês e em que do ordenado após descontada a comida para o mês (entenda-se custos operacionais = salários,etc...) sobram 800€...faltam 200€ para cobrir isto...como é que arranjamos estes 200? fazendo um emprestimo obrigacionista, pedindo outro emprestimo, por ai fora...

solução...vender a casa de 200.000€ (e aqui não é o estádio mas sim alvaláxias, bocados de terra, viscondes,etc...) para em vez de 200.000€ ficarmos só a dever 150.000€ e pagarmos 750€ em vez dos 1000€


se alguem não perceber ou quiser que eu explique melhor posso o fazer pela 10 vez pois já postei isto mais ou menos desta forma (aproveito para pedir desculpa pela repetição de ideias em posts)

Por acaso não é bem assim, actualmente (ano passado), já conseguimos cobrir quase todos os custos excepto mesmo as amortizações. Já conseguimos cobrir os juros dos empréstimos da SAD, 2,5 M EUR, os do Clube devem ser bem maiores:

Proveitos sem vendas de jogadores: 40 M EUR
Custos operacionais: 35,5
Juros: 2,5
Custos extraord: 1,0
Impostos 0,2
Total custos "do negócio": 39,1

Depois são menos 9,8 de amortizações e 2,0 de provisões. E mais 25,5 proveitos de vendas de jogadores.


Quero sublinhar com muito agrado a elevada qualidade de algumas intervenções que aqui sem têm postado.

Há massa cinzenta no Sporting!

Cabe-nos a nós, adeptos apaixonados pelo nosso clube, contribuir com a nossa parte para que o clube cresca.
Seja através da simples elevação da qualidade do debate com consequência na criação de opinião pública leonina de qualidade, seja até, um dia mais tarde, quem sabe...Através do dirigismo desportivo.


Concordo em absoluto. Um belíssimo tópico e intervenções bem fundamentadas. Mas...

Infelizmente estes palhaços que nos governam o clube já mostraram ter poucos escrúpulos em alterar as regras do jogo...

... volto a pedir respeito pelo Presidente do Sporting Clube de Portugal, e, se mais não for, pelos Sportinguistas que o elegeram.
FLL,

Essa de eles considerarem a venda como operacional...desconhecia e digo desde já que discordo completamente, apesar de em parte compreender o porquê (a actividade do sporting é a vertente desportiva, a venda e compra de jogadores pare eles é considerada como fazendo parte do mundo desportivo).
Claramente, a venda e compra de jogadores deve ser vista de um modo "especial"...a sporting sad não existe só para comprar e vender jogadores (elá...tive um deja vu, quase parece).

Tamos 5 anos sem comprar e vender jogadores com RO de +10.000€ ou - 10.000€, depois vendemos 3 ou 4 gajos, fazemos logo 50M e puf...somos ricos como o catano...enfim...e ando eu a tirar uma licenciatura de gestão e a trabalhar na area financeira a receber 600€ e estes gajos a fazer m**** e a receber milhoes... ^-^ ^-^

Fazme lembrar quando o vale e azevedo andou a pregar que o Benfas tinha lucros de 10 e 20M de euros e os orcs todos contentes...depois olhavas para as contas e viasse que tinha vendido os terrenos todos...  :rotfl:

Já que tens bases de gestão, e sendo adepto/sócio do Sporting, fazias bem em ler o R&C, está no site da bolsa. Nos últimos 2 ou 3 anos os R&C vêm exactamente com esse pressuposto bem escarrapachado, e até me recordo da discussão que isso gerou na altura, que vou tentar rapidamente relembrar: quando a legislação das SAD's foi publicada, o Sporting, e penso que outros clubes, disseram que o futebol não podia usar o POC das empresas normais, e as regras contabilisticas normais, precisamente para evitar estes erros de palmatória no cálculo dos activos, dos passes dos jogadores. Os clubes propunham uma medida que passava pela reavaliação anual dos passes, actualizando os activos de acordo com isso. O certo é que o POC específico do futebol nunca avançou, pelo que os clubes seriam obrigados a usar as regras do antigamente, ou seja, venda de jogadores = proveitos extraordinários.

Mas o Sporting, e não sei se outros clubes, continuaram a discordar publicamente, e passaram a fazer as suas contas com o pressuposto de que as vendas de jogadores eram proveitos correntes. Não para fugir à Lei, como diz o FLL, uma vez que sempre fundamentaram o seu raciocício, sempre disseram isto publicamente, usaram este critério por exemplo na emissão dos prospectos dos empréstimos obrigacionistas, e nos R&C que são assinados pela ROC e aceites pela CMVM. Ou seja, não fazem isto às escondidas, "a ver se passa", fazem-no publicamente, não é bem contra a Lei porque como qualquer contabilista sabe, há items que podem ser lançados a uma conta ou a outra, depende da interpretação, se o ROC aceita, se o Estado aceita estas contas, porque é que há de ser ilegal? O futebol mudou, agora compra e venda de jogadores é a maior parte dos movimentos das sociedadades desportivas, nao me choca particularmente que as considerem receitas operacionais. Eu sei que ao fazer as minhas contas, desconto sempre essas receitas! Mesmo assim as contas satisfazem-me em muitos dos items, penso que estamos no bom caminho, mesmo que isso nos custos a competitividade futebolistica, mas penso que o caminho é inevitável e que batemos no fundo o ano passado, e que agora será sempre a melhorar... mas agora divago, não é este o tema central.




Caro Bala, não estamos a dicutir se a decisão estava certa ou errada, mas sim que foi cometida uma enorme ilegalidade ao tomar a decisão no Conselho Leonino! Fonix, é o mesmo que dizeres "agora precisávamos era de uma ditadura", ok, isso ia de acordo com o que pensas, ia de acordo com o que 64% das pessoas pensa, ou até 99% das pessoas, mas não anula o facto de ser uma enorme ilegalidade na mesma.


Não estou a querer pôr em causa o que dizes, mas em que te baseias para dizer que foi uma ilegalidade? Em que lei?

(atenção, não estou a dizer que é mentira, só não sei porque dizes ser uma ilegalidade).

Não terá sido antes uma forma de contornar os regulamentos sem, no entanto, passar para o campo da ilegalidade?

A segunda assembleia geral mostrou, novamente, que a maioria dos votantes estava do lado do SF, tal como a primeira mostrou. Os regulamentos são antigos, muito deles inadequados aos tempos modernos.

Basicamente, naquela assembleia geral até podias ter 90% dos votantes do lado do SF e, mesmo assim, o "não" vencer. Isso não é democracia.

Foi contra os estatutos, logo se aquilo fosse a tribunal provavelmente o tribunal daria a razão a quem o contestasse. Não houve quem se quisesse chatear.

O facto de os regulamentos serem antigos não é chamado para o caso. Os estatutos são claros, se queres vender património precisas de dois terços dos votos, acho que não é preciso nenhum desenho para isto, e não tem nada a ver com a democracia, aliás, um clube não tem nada de democrático, tens por exemplo os votos que dependem da antiguidade dos sócios, e os sócios com menos de 1 ano nem podem votar.

Para a história fica que os estatutos foram atropelados.

Não havendo reavaliação (como é obvio não pode haver e a duvida que coloquei foi estupida  ^-^ ).
Relativamente à venda de jogadores ser operacional, não concordo mas como é obvio (até a nivel de aprovação do relatorio em si) é suportado e dado o aval do ROC.

Pera lá...referes que o Sporting está perto de cobrir quase todos os custos operacionais sem a venda de jogadores excepto as amortizações (que também são custos operacionais e de 9.8M) ou seja este quase são 10M...

peço desculpa se percebi mal o que estavas a dizer...

atenção...eu não disse que as coisas eram feitas às escondidas e no a ver se passa...e peço já desculpa se foi isso que pareceu mas sejamos sinceros.

eu sei que as SAD's encontram muitos entraves nas normas contabilisticas mas o plano oficial de contas apareceu para existir maior clareza, fiabilidade e comparabilidade das contas das empresas aquando o acesso de informação por parte de todos intervenientes relacionados com a empresa (estado,accionistas,trabalhodores,etc...)

Ora, as vendas de jogadores deturpam por completo o que enumerei acima.
Eu sei que os resultados extraordinários se destinam a proveitos e custos "não usuais por natureza e de ocorrência não frequente" e que a venda de jogadores pode muito bem fugir deste ambito...dai o relatorio ser aceite... eu ainda sei algumas coisas, mas sei que sabes que a clareza da informação é deturpada...

e basta só um exemplo: não vender jogadores durante 4 anos e despachar meia equipa no ano a seguir... achas que isto é claro a nivel da saude/situação da empresa/clube? para mim não... acieto e sei que o que se fez é legal e  não é novidade mas isso não impede que concorde...



« Última modificação: Outubro 31, 2007, 00:23 am por Márinho »
Sempre Sporting!
Infelizmente estes palhaços que nos governam o clube já mostraram ter poucos escrúpulos em alterar as regras do jogo...

... volto a pedir respeito pelo Presidente do Sporting Clube de Portugal, e, se mais não for, pelos Sportinguistas que o elegeram.
[/quote]

A palavra "palhaços" efectivamente está a mais, mas o resto está correctíssimo. Refraseando:
Infelizmente estes senhores que nos governam o clube já mostraram ter poucos escrúpulos em alterar as regras do jogo...

Mas o Sporting, e não sei se outros clubes, continuaram a discordar publicamente, e passaram a fazer as suas contas com o pressuposto de que as vendas de jogadores eram proveitos correntes. Não para fugir à Lei, como diz o FLL, uma vez que sempre fundamentaram o seu raciocício, sempre disseram isto publicamente, usaram este critério por exemplo na emissão dos prospectos dos empréstimos obrigacionistas, e nos R&C que são assinados pela ROC e aceites pela CMVM. Ou seja, não fazem isto às escondidas, "a ver se passa", fazem-no publicamente, não é bem contra a Lei porque como qualquer contabilista sabe, há items que podem ser lançados a uma conta ou a outra, depende da interpretação, se o ROC aceita, se o Estado aceita estas contas, porque é que há de ser ilegal?

Tu hoje estás inspirado, onde é que «optou por desrespeitar as normas do POC», que foi o que eu escrevi, significa que contabilizaram nos proveitos correntes «para fugir à Lei»?

Olha, fuga à lei é essa rábula da aprovação da venda do património, deve ser a única coisa em que concordamos hoje. :arrow:
Não havendo reavaliação (como é obvio não pode haver e a duvida que coloquei foi estupida  ^-^ ).
Relativamente à venda de jogadores ser operacional, não concordo mas como é obvio (até a nivel de aprovação do relatorio em si) é suportado e dado o aval do ROC.

Pera lá...referes que o Sporting está perto de cobrir quase todos os custos operacionais sem a venda de jogadores excepto as amortizações (que também são custos operacionais e de 9.8M) ou seja este quase são 10M...

peço desculpa se percebi mal o que estavas a dizer...

Não, o Sporting não está perto, o Sporting efectivamente já cobre os custos operacionais + juros + custos extraordinários apenas com os proveitos operacionais (excluindo vendas de passes). Basta veres o R&C neste link, amavelmente colocado pelo Marinho:
http://www.sporting.pt/IncSporting/pdf/i...r_relations/Relat%F3rio%20e%20Contas.pdf

Isto em 2006/07.

No ano anterior, proveitos operacionais = 33,8 + vendas 6,3 = 40,2
Custos operacionais = 26,6
Juros+extraord+impostos = 4,2
Amortiz = 9,0
(ou seja, no ano anterior também se conseguiu isso)

E no ano antes desse:
Proveitos operacionais = 32,4 + vendas 1,3 + prov extraordinários (venda da empresa Desporto e Espactáculo a outra empresa do Grupo) 66,4

Custos operacionais = 28,8
Juros+extraord+impostos = 3,0
Amortiz = 13 + Provis 0,5

Ou seja, 3º ano consecutivo em que se conseguiu este feito....

Antes deste ano não tenho os dados à mão. Mas contabilisticamente não tenho dúvidas de que vamos no caminho certo. O que está a faltar é a ligação ao futebol, não cortar a direito à imagem do Governo que fecha hospitais só para cortar custos esquecendo tudo o resto...





Infelizmente estes palhaços que nos governam o clube já mostraram ter poucos escrúpulos em alterar as regras do jogo...

... volto a pedir respeito pelo Presidente do Sporting Clube de Portugal, e, se mais não for, pelos Sportinguistas que o elegeram.

A palavra "palhaços" efectivamente está a mais, mas o resto está correctíssimo. Refraseando:
Infelizmente estes senhores que nos governam o clube já mostraram ter poucos escrúpulos em alterar as regras do jogo...


[/quote]

Epahh...
É claro que se se atreverem a tentar vender o estádio, hipótese que já foi aqui aventada e na qual eu me recuso a acreditar, passam num ápice de senhores a umas palavras que eu cá sei...
E não é palhaços que me apetecerá chamar-lhes nesse eventualidade.

Só o pôr-se esta hipótese já me incomoda...
Que nunca sonhem em sequer pensar numa coisa destas!

Atenção:
Aqui a coisa fiava doutra maneira !!!


Nada é bom demais para o SCP!
Nem vou pensar mais nisto.
Nada é bom demais para o SCP!
Mas o Sporting, e não sei se outros clubes, continuaram a discordar publicamente, e passaram a fazer as suas contas com o pressuposto de que as vendas de jogadores eram proveitos correntes. Não para fugir à Lei, como diz o FLL, uma vez que sempre fundamentaram o seu raciocício, sempre disseram isto publicamente, usaram este critério por exemplo na emissão dos prospectos dos empréstimos obrigacionistas, e nos R&C que são assinados pela ROC e aceites pela CMVM. Ou seja, não fazem isto às escondidas, "a ver se passa", fazem-no publicamente, não é bem contra a Lei porque como qualquer contabilista sabe, há items que podem ser lançados a uma conta ou a outra, depende da interpretação, se o ROC aceita, se o Estado aceita estas contas, porque é que há de ser ilegal?

Tu hoje estás inspirado, onde é que «optou por desrespeitar as normas do POC», que foi o que eu escrevi, significa que contabilizaram nos proveitos correntes «para fugir à Lei»?

Olha, fuga à lei é essa rábula da aprovação da venda do património, deve ser a única coisa em que concordamos hoje. :arrow:

Tens razão, citei de cor, são textos longos e estou a responder a vários em simultâneo, fiquei com essa ideia de que o sentido do que tinhas escrito era aquele, mais uma vez as minhas desculpas.

Relativamente ao outro post, não tenho uma atitude paternalista, apesar daquelas piadas dos "miudos de 4 anos", escrevi daquela forma porque há aqui quem não perceba de contabilidade e tem que se explicar de forma simplificada. E relativamente ao reescrever a história, tenho que ir pesquisar uns links na net para contrariar os teus, como sabes o que não falta são informações cruzadas sobre os assuntos, normalmente secretos, dos contratos, e se tiveres razão não terei problema nenhum em o reconhecer, não tenho é nenhuma agenda que me faça atacar ou defender a hierarquia, para mim o que está bem é para defender, e nessa óptica concordo com as decisões financeiras/contabilisticas da SAD, independentemente de não concordar com as opções desportivas, ao passo que tu às vezes cascas de cima abaixo e enviesas um pouco as coisas. Não leves aquilo do "ser sério" demasiado a sério".

Abraço de um Grande Sportinguista para outro Grande Sportinguista.

Epá...

Alemid ajuda me aqui:

Tu referiste:

Por acaso não é bem assim, actualmente (ano passado), já conseguimos cobrir quase todos os custos excepto mesmo as amortizações. Já conseguimos cobrir os juros dos empréstimos da SAD, 2,5 M EUR, os do Clube devem ser bem maiores:

Proveitos sem vendas de jogadores: 40 M EUR
Custos operacionais: 35,5
Juros: 2,5
Custos extraord: 1,0
Impostos 0,2
Total custos "do negócio": 39,1

Depois são menos 9,8 de amortizações e 2,0 de provisões. E mais 25,5 proveitos de vendas de jogadores


...as amortizações fazem parte dos custos operacionais logo esses 9.8 entram para as contas.
referes que já se consegue cobrir os custos dos emprestimos...ora se de proveitos operacionais (jogadores vendidos metidos aqui) são 64.882M e de custos são 47.428M temos RO de 17.454...

Transf jogadores:
25.5M€ (mas não está aqui o valor da venda do custódio não sei porque, querem ver que saiu de borla?...o ricardo só  foi em Julho não entra para aqui)
-9.3M€ de contratações e comissões,etc que é o que eles referem (tou a por tudo no mesmo saco)
isto dá um saldo de 16.2M que para mim não apareceria no RO sendo este de qq coisa tipo 1.250M o que é bom mas não cobre sequer o emprestimo de 2.5M...

« Última modificação: Outubro 31, 2007, 00:55 am por Márinho »
Sempre Sporting!
Infelizmente ainda não, porque o respectivo passivo bancário consume imenso dinheiro...
É como se tivessemos comprado uma casa de 200.000€ que de prestação custa 1000€/mês e em que do ordenado após descontada a comida para o mês (entenda-se custos operacionais = salários,etc...) sobram 800€...faltam 200€ para cobrir isto...como é que arranjamos estes 200? fazendo um emprestimo obrigacionista, pedindo outro emprestimo, por ai fora...

solução...vender a casa de 200.000€ (e aqui não é o estádio mas sim alvaláxias, bocados de terra, viscondes,etc...) para em vez de 200.000€ ficarmos só a dever 150.000€ e pagarmos 750€ em vez dos 1000€

Gostei muito deste exemplo Márinho, e ainda acho que o consegues simplificar mais... se calhar mesmo com um desenho :P


Para mim, a questão está na necessidade ou não da venda de património.

- Ao não vender o património, o seu pagamento regular é um obstáculo ao balanço positivo no final do ano e ao "dinheiro em caixa" que é possível obter todos os anos. Se tivermos ordenado mensal de 100 e 80 for para pagar património, então só sobra 20 para as outras despesas todas, o que pode nem chegar e dar um saldo negativo.

- Ao vender património, desafogas o seu pagamento já que, podendo pagar no mesmo prazo, pagas menos de uma forma regular. Se tivermos ordenado de 100 e 60 for para pagar património, então já sobram 40 para as outras despesas.


Agora podem corrigir-me:
O problema para mim na venda de património é que se está a reduzir um Activo, julgo eu, isto porque grande parte dos nossos activos está contido também no passivo, uma vez que ainda não foi pago... penso eu que ainda não pagámos por exemplo o Alvaláxia, que é um Activo e ao mesmo tempo um Passivo. O que se passa é que ao projectarmos e gerirmos muitíssimo mal o Alvaláxia, não conseguimos que possa gerar lucro suficiente para pagar-se a si mesmo (ou seja, cobrir a sua quota parte do passivo que se paga regularmente). E por isso a decisão dos dirigentes foi vendê-lo, que assim não têm de arcar com o prejuízo corrente + o custo da sua construção (passivo).

Agora imaginem que são um grupo de amigos que querem construir um centro comercial chamado Alvaláxia, mas que não querem gastar muito dinheiro nisso. Um desses amigos trabalha numa empresa e convence essa empresa a construir-vos esse Alvaláxia, apregoando à empresa que isso lhes vai dar um lucro dos diabos. Mas afinal não dá lucro, dá sim prejuízo devido a uma péssima gestão, e essa empresa não consegue arcar com o pagamento da sua construção, já que o empréstimo que usou para o construir e que agora tem de ser pago lhe asfixia as contas correntes.
Então esse grupo de amigos convence essa empresa a vender-lhe o Alvaláxia, mas a um preço inferior ao de construção, já que desvalorizou por dar prejuízo e porque o tal amigo que trabalha na empresa convence a mesma que aquela oportunidade de venda não se pode desperdiçar.
E então imaginem que custou 100 a construir e que é vendido por 80... ora, os amigos ficam todos satisfeitos porque conseguiram um espaço por 80 que à partida lhes teria custado 100 e eles têm a certeza que conseguem gerir o espaço bem melhor e ter lucro para pagar o endividamento dos 80. A empresa, para além de se ter endividado para pagar 100 e de o pagamento da dívida aos bocadinhos ter asfixiado o balanço corrente, livrou-se desse fardo por 80 e fica a arder com 20 ainda para pagar, sendo que já nem dispõe do tal centro comercial para conseguir lucro no caso de querer implementar uma boa gestão do mesmo.

Pergunto... uma vez que não percebo nada de contabilidade e finanças... é isto um cenário altamente improvável ou não?
Já muitas vezes dei comigo a pensar que as deficiências de concepção, implementação e gestão do Alvaláxia são tantas e tão graves que chega a dar ideia que aquilo foi feito de propósito para falhar. Qualquer pessoa com dois dedos de testa conseguia ver quais os principais problemas e identificar algumas soluções, será que os alegados experts das sociedades imobiliárias do Sporting não conseguiriam também?

Não tenho dados que me permitam estar mais do que intrigado acerca deste assunto. O que sei é que todo o negócio imobiliário, e não só o Alvaláxia, foi um desastre para o Sporting, que pagou 35 milhões de euros mais encargos financeiros para o construir, vendeu-o por perto de 49 milhões (já descontado o trabalho da mulher do Sr. Lima de Carvalho), ainda vai continuar a pagar juros sobre 10 milhões (porque agora só recebeu metade do valor de venda, e o resto só chega em 2010) e vê-se na contingência de pagar ao novo proprietário os valores das rendas dos inquilinos, caso estes deixem de cumprir.
Também já me passou essa ideia pela cabeca FLL, mas é tão macabra, que prefiro pensar pouco nela...

Aquilo que vejo é FSF a defender a reducão do património a todo o custo, usando a venda de património e usando o dinheiro da venda de jogadores para que o Sporting tenha dinheiro suficiente ao fim do ano para simultaneamente pagar o empréstimo e ainda poder investir na equipa de futebol (aumentando ordenados aos melhores jogadores, contratar novos jogadores, etc)... esta é a estratégia de FSF desde o 1o segundo, admitida pelo próprio.

Aquilo que me parece é que nem tudo tem sido feito no sentido de aumentar as receitas que nos permitiriam cobrir esses tais encargos, sem ter de recorrer à venda de património e da venda de jogadores. Temos receitas claramente inferiores à dos nossos rivais - recebemos uma miséria das TV's, recebmos menos pela bilheteira, vendemos menos produtos com a marca Sporting, temos menos sócios... temos tudo isto a menos e porquê? Porque tem sido usada uma estratégia desastrosa a meu ver a nível desportivo e desastrosa também a nível de marketing e fidelizacão dos adeptos.

Se me dissessem que as receitas decorrentes da actividade desportiva do Sporting estavam ao máximo e equiparadas às dos rivais e que mesmo assim não era suficiente para cobrir os encargos das despesas correntes mais empréstimo, ainda era capaz de aceitar a venda do património de forma cega como têm feito. Mas isso não é verdade e recorreu-se à estratégia mais fácil, menos trabalhosa, mas cujo efeito nefasto é despropriar o Sporting de algo que é seu e que no futuro poderia gerar receitas fruto de uma gestão equilibrada (e nem estou a contar com a estratégia de vender o capital bolsista dos 70 e tal % pertencentes ao Sporting para 51% apenas para manter o controlo). FSF está a melhorar os resultados operacionais, i.e., o balanco ao fim do ano entre as receitas e as despesas correntes + empréstimo, mas está a retirar património ao Sporting (como o Alvaláxia), património esse que poderia ser ele mesmo gerador de receita caso fosse gerido de forma correcta.
Não li o que vem para trás, mas só ler um licenciado em Gestão a prometer Passivo 0 para uma empresa seja a que prazo for já dá para me deprimir seriamente. ???
Saudades do futuro.