LONGE VÃO OS TEMPOS…
Longe vão os tempos em que, os nossos pais ao serão e ao deitar nos transmitiam os princípios, os valores, e as conquistas dum Sporting dominador, pujante, orgulhoso.
Era o Alfredo Trindade… eram os Violinos… eram os sprints à linha de fundo e passes atrasados do Jesus Correia… eram as genialidades do Vasques… eram os golos do Peyroteo… era a classe e a arte do Travassos… eram as travessuras e as pinturas do Albano…
E era o Azevedo, o melhor guarda-redes português de todos os tempos, que até de braço ao peito foi herói, e nos deu em 1947 uma enorme conquista contra os nossos inimigos de sempre.
E era o Cardoso, o Manecas, o Canário, o Barrosa, o Veríssimo, e antes o Mourão, o Soeiro, o Pireza e o João Cruz, e ainda antes o Jorge Vieira e o Francisco Stromp. Eram tantos…
Tudo isto era magia, tudo isto fascinava, tudo isto era grandioso. Éramos crianças.
Longe vão os tempos em que, quando na escola, na vizinhança, nos nossos momentos de lazer - fossem eles quais fossem - conhecíamos alguém que se identificava como Sportinguista, e que para nós constituía desde logo, motivo de empatia, afinidade, identidade, e amizade. Éramos miúdos.
Longe vão os tempos em que andávamos diariamente à pancada com os lampiões, que escolhíamos para as nossas equipas só aqueles que eram do Sporting, que nas nossas festas de aniversário só iam os que eram do nosso Clube.
Longe vão os tempos em que, para ir para a borga, e assim chegar mais tarde ou nem dormir em casa, dizíamos aos nossos pais que ficávamos em casa de respeitáveis amigos Sportinguistas.
Longe vão os tempos em que rejeitávamos namoradas por não serem do Sporting, e que começávamos a cortar relações com supostos amigos que eram lampiões. Éramos adolescentes.
Longe vão os tempos em que na nossa vida profissional preferíamos a convivência com os nossos colegas do Sporting, e se acontecesse sermos entidade patronal, para contratar alguém, privilegiávamos quem era Sportinguista.
Longe vão os tempos em que os nossos filhos eram logo à nascença feitos sócios do Sporting. Éramos adultos.
E assim, fomos crescendo, fomos vivendo, e fomos conhecendo e aprendendo.
E há medida em que tudo isto ia acontecendo, a desilusão entranhou-se, e a decepção instalou-se em todos aqueles que estavam dispostos a dar a vida pelo Sporting.
Nessa circunstância, a “Era Roquette” foi determinante.
Se dúvidas houvesse, esse período nefasto e criminoso, entre 1995 e 2013, veio clarificar tudo o que de mau, detestável, e pernicioso o Sporting tinha dentro de si.
O Clube definhava, o Clube ia desaparecendo de dia para dia, o Clube ia sendo estilhaçado, os seus sócios humilhados e ostracizados, mas havia quem continuasse a defender a linhagem vergonhosa e abjecta dos vendidos, dos vergados, daqueles que nunca foram do Sporting.
Em consequência de toda esta desgraça, chegou ao Sporting, Bruno de Carvalho.
Depois de 5 anos de brilhantismo a todos os níveis, depois duma entrega total e dum fervor Sportinguista nunca antes visto, depois de devolver a honra e o orgulho aos Sportinguistas, expulsaram-no.
Expulsaram-no os mesmos de sempre. O baronato de piolhosos, a brigada do sapatinho de polimento, a matilha de mabecos, a execrável pandilha das boas maneiras e dos educadinhos, a detestável chusma da fidalguia e dos condes falidos, a repugnante camarilha dos impostores, dos ressabiados, e dos falhados, organizados em tertúlias e grupelhos de gentalha reles e nauseabunda, a infame seita dos notáveis de pacotilha e dos ridículos defensores do “somos diferentes”.
Este é o vírus maligno que não foi extirpado e exterminado a tempo, e que está instalado e espalhado por todo o Sporting. Este é o vírus que desgraçadamente contamina todo um Clube. Este é o vírus que está a matar e vai matar o Sporting.
Hoje, dizer-se que se é do mesmo Clube do que por exemplo, José Roquette e Godinho Lopes, apenas referindo o primeiro e o último carrasco da criminosa Era Roquette, onde todos os outros que pelo meio passaram afinavam pelo mesmo diapasão, é aviltante e repulsivo.
Dizer-se que se é do mesmo clube do que os Varandas, Henrique Monteiro, Daniel Oliveira, Trigo de Mira, Meneses Rodrigues, só para citar alguns, é revoltante e vergonhoso.
Hoje, aqueles que são realmente Sportinguistas, e que querem um Sporting digno, vencedor e dominador em todas vertentes, sentem nojo e vergonha desta corja infecta.
É com uma profunda tristeza, com uma enorme amargura, com uma dor dilacerante, que hoje, passados tantos anos, tenho um sentimento de vergonha em pertencer ao mesmo Clube do que toda essa escumalha que gravita dentro do Sporting.
O sofrimento é tão grande que, depois da maior pulhice a que assisti em toda a minha vida, não tenho coragem de dizer a meu Pai de 96 anos de idade, que sabendo o que sei hoje, fez mal em fazer-me Sportinguista. O desgosto que lhe dava seria enorme.
Resta-nos lutar, lutar muito, com todas as forças que temos e que não temos, de todas as maneiras e feitios, contra este sporting degradante, e contra a miserável casta que o domina.
Até à morte.
Longe vão os tempos…