Unidade de Performance Desportiva

0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.

 A novidade aqui é somente o atraso com que se cria uma Unidade de Performance Desportiva. Qualquer grande clube ou clube médio possui já uma Unidade destas e há quem inclusive recorra a serviços externos para parte do trabalho que se faz nestas Unidades. A Alemanha, no futebol, tem sido uma referência nesta área. É investimento necessário e que vai fazer cada vez mais a diferença em campo.

 Quanto ao funcionamento, obviamente, dependerá sempre de quem está à frente, dos quadros que há compõem. Isto é de enorme pertinência, é investimento necessário, o desperdiço pode acontecer quando se contrata mal, quando se escolhe mal, mas aí substituí-se e resolve-se o problema, caso haja essa visão.

 O desporto está cada vez mais profissional, num Mundo onde a concorrência é enorme, a competição é intensa, Unidades desta dimensão fazem a diferença porque trabalham os pormenores e os pormenores fazem toda a diferença. Previne-se muito mais, potencia-se muito mais, identifica-se problemas com maior rapidez, determinamos padrões, há todo um maior controlo sobre as variáveis que são possíveis de controlar e que em campo aproximam-nos do sucesso.

 Só isto por si só dificilmente dá o quer que seja. Faz parte de toda uma panóplia de investimentos fundamentais no sucesso desportivo de um atleta, posteriormente de uma equipa. São dados que auxiliam os treinadores a tomar decisões, os departamentos médicos a trabalhar na prevenção e na identificação de lesões.
“We have to be compact, close together tactically, and if you are close then you have options to play with. You don't always have to try the most risky ball if you are compact. You have to run, to fight, until the moment, and then ... bang, you take it.”

Jurgen Klopp
@Ravanelli
Desculpa a minha ignorancia, mas qual é exatamente a função da unidade de performance desportiva ? Que devem eles fazer, e, em geral, qual é o método de trabalho ? Peço porque desconheço completamente essa área, e antes ser parvo 5 minutos que parvo até o fim dos meus días.
@Ravanelli
Desculpa a minha ignorancia, mas qual é exatamente a função da unidade de performance desportiva ? Que devem eles fazer, e, em geral, qual é o método de trabalho ? Peço porque desconheço completamente essa área, e antes ser parvo 5 minutos que parvo até o fim dos meus días.

Eu acho que estás a pedir para outras pessoas, fingindo que é para ti.  :lol:

Eu não sou especialista na área. Portanto, só posso falar na generalidade. Isto para dizer que, por exemplo, quando a métodos de trabalho não osso falar. Até porque cada um deverá ter os seus e a qualidade desse trabalho fará a diferença entre técnicos.

De uma forma muito pouco cientifica, às tantas aparece aqui alguém e vai rir desta explicação, a performance desportiva mede e interpreta o treino e a competição. Depois aplica os dados recolhidos para analisar a performance individual e colectiva e com isso programar melhor o treino, desenvolver fisicamente o atleta ou identificar comportamentos específicos a serem (re)programados/condicionados.

Eu aqui lembro-me sempre da resposta do Boloni quando lhe perguntaram que raio ele escrevia tanto no seu caderno. E ele respondeu (por outras palavras, mas não me lembro da expressão exacta) que detestava dar informações genéricas aos jogadores ao intervalo. Dizer que "passaste mal", "remataste mal", "defendeste bem", "temos de atacar mais pelo lado X", etc, são informações vagas. O atleta não retira grande coisa disso. Mas dizer "erraste X de Y passes", "eles atacaram Y de vezes pelo lado direito com X jogadores, o meio campo tem de estar atento e compensar", "remaste X vezes para o lado direito e o GR agarrou-as todas, mas o K rematou 2 para o lado esquerdo e o GR demorou a reagir" já são informações mais precisas e que os jogadores podem usar.

A análise de performance desportiva é mais ou menos isto, mas levado a um nível muito mais elevado. Fornece dados específicos sobre a performance da equipa e de cada jogadores, seja no treino, seja em competição. E pode fornecer dados sobre os adversários. Mas informação concreta, o menos subjectiva e vaga possível. Aqui também se pode dar o exemplo do moneyball e daquela cena em que os scouts estão a falar do swing, da beleza com que faz isto ou aquilo, que gostam muito da forma como se mexe, que é veloz, que tem 2, 3, 4 ou 5 características de que gostam. E depois aparece o outro a dizer quantos pontos ganham, fazem ou perdem, quantas acções concretas têm, quantas falham, qual é a contribuição específica de cada atleta. Obviamente que no futebol a coisa não é tão precisa e há sempre um subjectividade maior. O factor X (o da imprevisibilidade, do talento em fintar 3 e decidir) é um bocadinho maior, mas ainda assim uma coisa é achar-se que o jogador falha muitos dribles, outra é saber exactamente quantos dribles com sucesso ou insucesso tem, quais falham mais, de que forma e usar isso no treino para corrigir. Uso aqui o drible, mas isto é convertido para qualquer acção em treino ou jogo.

Na verdade, alguns estudos apontam que mesmo os melhores e mais experientes treinadores no mundo apenas retêm 45 a 55% da informação relevante, seja no treino, seja no jogo. E a maior parte dela é subjectiva e não pode verdadeiramente ser usada para comparação. Já quase todos ouvimos falar do tipo que filma o treino para depois mostrar. bem, isso é um método. É apenas um pequeno método e pode ser considerado como a idade média da análise. Depois temos aqueles tipo que mandam um adjunto tirar umas notas do treino e um scout ver o adversário e sacar umas notas num papel. Isso é a pré-história da análise. Nenhum scout no mundo, por muito bom que seja, consegue recolher todos os dados de uma equipa adversário num jogo. Ele não consegue ter os dois olhos no campo todo a toda a hora. E a maioria dos dados são intuitivos, subjectivos. Outra coisa é teres alguém que te transforme aquele jogo em dados mensuráveis. Quantas vezes atacam pelo lado direito, pelo lado esquerdo, quantos cruzamentos, para que poste, como marcam os cantos, quantas vezes o Y finta para aquele lado, quantas vezes o Y é fintado por aquele lado,

Também se pode analisar a equipa ou o jogador em termos situacionais, ou seja, em situações/contextos específicos. Por exemplo, como o jogador (ou equipa) reagem em jogos fora, como reage ao estar a perder ou a ganhar, como é que a performance individual ou global é afectada ao longo do jogo, como é que reagem perante adversário de estatuto diferente, etc. Há depois cenas muito à frente, tipo análise do tempo de reacção de atletas individuais face a adversários de diferentes características ou movimentos diferentes. Isto permite treinar especificamente aquele movimento ou a defesa aquele movimento. Estes dados servem também para a malta do treino físico, da biomecânica, etc.

No caso específico do Alireza Rabbani, pode ser que as coisas sejam um pouco diferentes desta generalidade. Isto porque, aparentemente, o tipo é especialista na análise física e (talvez) biomecânica. Ou seja, a área dele parece ser no condicionamento físico e no desenvolvimento do atleta. Disto eu já percebo mesmo nada, ainda menos do que o anterior, mas é basicamente medir a forma como os atletas se comportam fisicamente ao longo da época, medir o impacto que deslocações, sessões de treino, cargas de jogos, etc, têm na equipa e em cada jogador, para que depois se possa treinar e condicionar o corpo. Como é que acham que o C. Ronaldo chega sempre em grande forma aos jogos decisivos? Também procura medir o potencial de cada jovem atleta, medir o impacto que cada sessão de treino tem no seu desenvolvimento físico (e não estamos a falar em músculo Vs gordura ou cenas assim generalistas, mas rapidez, ritmo cardíaco, capacidade de oxigenação, recuperação de esforço, etc) e com esses dados poder trabalhar cada atleta para atingir a sua melhor condição, tendo em conta o desporto que pratica e as exigências colectivas.
“A lot of football success is in the mind. You must believe you are the best and then make sure that you are.” - Bill Shankly
O @Ravanelli já explicou um pouco o que é esta parte da Unidade de Performance Desportiva. Na realidade esta Unidade tem por objectivo trabalhar tantas áreas que nem se consegue dar uma definição geral do que é. Consegue-se dar exemplos como o Ravanelli deu.
Vou dar Aqui 2 Exemplos práticos do que esta unidade pode contribuir para a futuro do clube:
Dizia-se e diz-se que o atleta de futebol está no pico de carreira entre os 24 e os 28 anos, isto porque a fisionomia já está completamente formada, o jogador já tem a experiência de como gerir o seu esforço e já aprimorou as suas valências técnicas que o fazem destingir dos restantes jogadores (velocidade, passe, o cruzamento, a marcação de livres). Agora imaginem ter uma unidade que desde as camadas jovens prepara os jogadores a nível nutricional, de acompanhamento fisiologico e metabólico, do desenvolvimento do corpo, mentalmente e tecnicamente para preparar o jogador a atingir o seu pico de forma mais cedo, aos 21, 22 anos? O jogador começa a render mais cedo na equipa, tem massa muscular que permite competir ao mais alto nível com indivíduos fisicamente mais evoluidos, consegue ter uma velocidade de corrida constante ao longo do jogo, consegues gerir já todo o seu sforço ao longo de 90 min. Esse jogador manterá a forma assim uns bons anos contribuindo ao máximo de anos para ajudar a equipa. Chega ao 30 anos continua a ter acompanhamento para gerir o esforço de outra forma, prevenir lesões ter acompanhamento das lesões antigas, ou como o Ronaldo anda a fazer, diminiur ao máximo a sua gordura para que ele mantenha a velocidade e ao mesmo tempo aumentando a massa muscular para continuar a saltar, ir o choque ou a rematar como se tivesse menos 7 anos. Isto é um resumo muito abreviado do que uma Unidade de Performance pode contribuir para o clube. Tirar partido ao máximo dos seus activos os jogadores e dando-lhe condições para que eles tirem ao máximo partido das suas valências técnicas.       
 E ainda falta a nutrição. Em Portugal, o porto é uma excelente referência.
“We have to be compact, close together tactically, and if you are close then you have options to play with. You don't always have to try the most risky ball if you are compact. You have to run, to fight, until the moment, and then ... bang, you take it.”

Jurgen Klopp
Já agora e ainda relativamente ao que escrevi sobre a análise do jogador e da equipa, embora parece que não seja a área dele, há que referir a forma como muitos clubes cruzam dados da análise táctica com o scouting, procurando assim o jogador certo para as necessidades da equipa. Não estamos a falar de "jogador da ala esquerda, que jogue de pé direito e tenha facilidade em fazer o movimento X". Estamos a falar de coisas muito acima disso, medindo a rentabilidade que o jogador X tem em situações que ocorrem na equipa que estamos a montar.

Obviamente que isto não é bem para clubes como o Sporting, ou como qualquer em Portugal. Significa ter poder financeiro e estar em competições suficientemente atractivas. Contudo, há quem diga o inverso e que nem sempre significa que esses jogadores são caros. Também é feito com jovens, porque há jogadores que têm grande pinta, mas a nível de acerto de decisões são péssimos. Mas pronto, isto já são outras coisas que não entram nas competências do que se discute. Mas apenas para aquela discussão sobre o que é feito hoje em dia e até usado nos grandes clubes. É que não é só ter bons jogadores, é ter os jogadores certos. E enquanto andamos a discutir "análise dos comportamentos" e que temos de saber mais sobre os jogadores fora do campo e tal, pensando que isso é algo de novo, anda malta a medir acções em campo e a ver flutuações de forma ao longo da época, jogos fora e jogos casa, etc, para decidir.

Neste ponto, temos o exemplo do Arsenal, que mudou o chefe de scouting, pretendendo outra forma de análise. No Sporting o Steve Rowley seria dar um salto de 10 anos, mas no Arsenal é old news. Estamos a falar de um tipo que trabalhava no clube desde os anos 80 (esteve no Arsenal 35 anos), foi o scout que descobriu o Tony Adams e era Chief Scout desde 1996, com todos os sucessos em jogadores que se podem conhecer. Mas os maus resultados que lhe foram imputados nas últimas épocas (más contratações e parece que com um software qualquer de análise defeituoso pelo meio) e ficou logo marcado. Entretanto chegaram também à conclusão que pretendem uma análise miais cientifica e baseada em dados e estatísticas muito precisas, levando-os ao jogador certo para aquela posição e para o que a análise táctica da equipa pede.

Quanto ao que @Clasimodo21 estava a falar, existe um caso exemplificativo da análise ao potencial do jogador e ao que já fez. O Imbula, quando foi vendido, saiu com a plena certeza do treinador e de outros elementos da estrutura que tinha atingido o seu pico de forma, quer seja técnica, quer seja física. Nunca na vidinha dele ele iria valer mais. Estava puxado ao máximo e era a altura certa para vender. E o que é certo é que após isso a carreira foi sempre descendente. Podem dizer que teve uma venda superior, mas lembrem-se que envolveu a XXIII Capital, a Doyen e umas comissões esquisitas, seja na compra, seja na venda. Aliás, levantou muitas interrogações como é que um flop tinha valorizado em seis meses, mas por outro lado temos sempre aquelas coisas do Roberto, do Benito, etc, que valorizam no banco.

Na verdade, o Imbula foi mesmo um flop a partir daí. Atingiu o seu potencial e não houve forma de o manter. Análise correcta, venda na altura certa.
« Última modificação: Novembro 17, 2018, 09:36 am por Ravanelli »
“A lot of football success is in the mind. You must believe you are the best and then make sure that you are.” - Bill Shankly
@Ravanelli @Clasimodo21 agradece-vos infinamente pelas as vossas respostas tão detalhadas, e as cuais devem ter levado um certo tempo a escrever ! Vejo muito melhor o papel da função agora ;)
Quem tem dinheiro para isto...

... é óbvio que tem dinheiro para trazer os necessários reforços neste mês!

Bora lá!  8)
Quem tem dinheiro para isto...

... é óbvio que tem dinheiro para trazer os necessários reforços neste mês!

Bora lá!  8)

O ordenado de um gajo que trabalha aqui não deve ser 1/10 do ordenado de um grande jogador, logo aí tens a tua resposta.
Cientista do desporto será gajo para ganhar um salário de "gente normal", ou seja, muito abaixo do treinador e jogadores da equipa principal.

É uma parte importante da equipa profissional, mais importante que Petrovics e Misics. Ganha um décimo ou menos do que esses ganham. O que é estranho confirmar é que não havia um departamento destes no futebol "profissional".
Quem tem dinheiro para isto...

... é óbvio que tem dinheiro para trazer os necessários reforços neste mês!

Bora lá!  8)

O ordenado de um gajo que trabalha aqui não deve ser 1/10 do ordenado de um grande jogador, logo aí tens a tua resposta.

"Não deve ser"?

Pois, não faço ideia... às tantas, com o fredericas, até pode ser.

O que sei é que com um plantel a precisar de reforços... há dinheiro a ser gasto nisto...
Quem tem dinheiro para isto...

... é óbvio que tem dinheiro para trazer os necessários reforços neste mês!

Bora lá!  8)

O ordenado de um gajo que trabalha aqui não deve ser 1/10 do ordenado de um grande jogador, logo aí tens a tua resposta.

"Não deve ser"?

Pois, não faço ideia... às tantas, com o fredericas, até pode ser.

O que sei é que com um plantel a precisar de reforços... há dinheiro a ser gasto nisto...

É inacreditável pensar que o Sporting não tinha este departamento e ainda haver quem pense que análise científica do treino é algo secundário... O dinheiro que o Iraniano vem ganhar é no máximo 100m€ por ano. 1/10 iou menos do que o Petrovic ganha.

Isto não é dinheiro gasto, é dinheiro investido num departamento importante em qualquer estrutura profissional.
Quem tem dinheiro para isto...

... é óbvio que tem dinheiro para trazer os necessários reforços neste mês!

Bora lá!  8)

Quando é para discutir projectos eleitorais, toda a gente acha óptimo e fundamental.

Mas, na realidade, o adepto português não está preparado para implementar este tipo de mudanças que só dão resultados a médio e longo prazo. Trocavam tudo isto por uns milhões investidos num jogador bem cotado no mercado.  :inde:
Campo Grande paga a traidores.
Nada a apontar neste aspecto. É uma aposta importante e que merece elogios. Mas também é uma aposta que tem muito a ver com a área académica do presidente. É fácil  :mrgreen:

Vai na volta e precisamos é de ter vários presidentes ao mesmo tempo, cada um com uma vida académica dentro do que necessitamos. :twisted:

"Ele não é estúpido" Mãe de Fgedegico Vagandas


Quem tem dinheiro para isto...

... é óbvio que tem dinheiro para trazer os necessários reforços neste mês!

Bora lá!  8)

Quando é para discutir projectos eleitorais, toda a gente acha óptimo e fundamental.

Mas, na realidade, o adepto português não está preparado para implementar este tipo de mudanças que só dão resultados a médio e longo prazo. Trocavam tudo isto por uns milhões investidos num jogador bem cotado no mercado.  :inde:

Também dão a curto-prazo, normalmente os resultados são é atribuídos a outros.
“A lot of football success is in the mind. You must believe you are the best and then make sure that you are.” - Bill Shankly
Muito moderno, este vatangas e tao grande.

 :lol:
DA RAÇA QUE NUNCA VERGA!

Apesar da croquetada e Varandetes.
MITO, pelo menos mais uma lesão muscular
MITO, pelo menos mais uma lesão muscular

A importância não é um mito, senão os clubes das grandes ligas europeias não as tinham.
“A lot of football success is in the mind. You must believe you are the best and then make sure that you are.” - Bill Shankly
MITO, pelo menos mais uma lesão muscular

A importância não é um mito, senão os clubes das grandes ligas europeias não as tinham.

Mito porque não existe.

Não basta ter por ter, para ter têm de ter qualidade e mostrar trabalho.

Sou profissional da área, não iria como é óbvio desvalorizar a importância