Bruno de Carvalho

Bolha, LeaoEsfomeado, Zm3, Gonçalo Santos, Icetuga, bgvp, LisbonLions, Bravo leao, Iion, Joaoalcobia, jpgmn (+ 1 Escondidos) e 18 Visitantes estão a ver este tópico.

« Última modificação: Fevereiro 12, 2019, 17:49 pm por Nightwish76 »



não consigo ver.
diz que foi apagada.

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Luis Aguilar :

"Cartilheiro", diz um tal de Luís Paixão Martins, suposto consultor de comunicação do Sporting. Aqui está alguém que, para se defender dos ataques dos outros, não tem problemas em mentir sobre quem não conhece e até chama doentes aos adeptos do clube que diz apoiar. Não sei quem é este senhor, mas está apresentado. Tristes figuras. Os meus desejos de rápidas melhoras
.
https://observador.pt/especiais/pre-publicacao-exclusiva-os-episodios-mais-caricatos-da-reestruturacao-financeira-do-sporting-por-bruno-de-carvalho/


Mas eu fui só fazer xixi...

 :lol:


Fantástico relato.
Sem dúvida que será um livro muito interessante e de leitura rapidíssima.

Os moderadores que estejam atentos aos spoilers, devia dar 3 meses de moderação :mrgreen:

Consegui ler aqui mesmo, se a realidade coincidir com a versão de BdC foi espetacular... E enquanto ninguém desmentir, não tenho razão para não aceitar.
"É fraqueza entre ovelhas ser Leão." (Lusíadas, I-68)



não consigo ver.
diz que foi apagada.

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Luis Aguilar :

"Cartilheiro", diz um tal de Luís Paixão Martins, suposto consultor de comunicação do Sporting. Aqui está alguém que, para se defender dos ataques dos outros, não tem problemas em mentir sobre quem não conhece e até chama doentes aos adeptos do clube que diz apoiar. Não sei quem é este senhor, mas está apresentado. Tristes figuras. Os meus desejos de rápidas melhoras
.

 :great:
https://observador.pt/especiais/pre-publicacao-exclusiva-os-episodios-mais-caricatos-da-reestruturacao-financeira-do-sporting-por-bruno-de-carvalho/


Mas eu fui só fazer xixi...

 


Fantástico relato.
Sem dúvida que será um livro muito interessante e de leitura rapidíssima.

Os moderadores que estejam atentos aos spoilers, devia dar 3 meses de moderação :mrgreen:
:arrow:
Ia dizer o mesmo.
Nós somos da raça que nunca se vergará!
 :lol:



não consigo ver.
diz que foi apagada.

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Luis Aguilar :

"Cartilheiro", diz um tal de Luís Paixão Martins, suposto consultor de comunicação do Sporting. Aqui está alguém que, para se defender dos ataques dos outros, não tem problemas em mentir sobre quem não conhece e até chama doentes aos adeptos do clube que diz apoiar. Não sei quem é este senhor, mas está apresentado. Tristes figuras. Os meus desejos de rápidas melhoras
.
Falta colocar a resposta engraçada que lhe deram  :rotfl:
https://observador.pt/especiais/pre-publicacao-exclusiva-os-episodios-mais-caricatos-da-reestruturacao-financeira-do-sporting-por-bruno-de-carvalho/


Mas eu fui só fazer xixi...

 


Fantástico relato.
Sem dúvida que será um livro muito interessante e de leitura rapidíssima.

Os moderadores que estejam atentos aos spoilers, devia dar 3 meses de moderação :mrgreen:
:arrow:
Ia dizer o mesmo.


Todos sabiamos na altura, tanto por ser muito no ínicio da nova direção como por tudo aquilo que o clube atravessava (incluindo um PER) que não devia ter sido nada fácil.
Mas agora sei que para além das dificuldades inerentes a uma reestruturação, também teve algo de sorte e de bluff.
E só uma pessoa obstinada e impulsiva como BdC o conseguia.
Qualquer um mais low profile e menos obstinado não teria conseguido uma reestruturação, pelo menos nestes moldes.
Aquele momento em que se começa a elogiar e a defender Luís Aguilera, eu sabia que ia acontecer, it was just a matter of time.

Aquele momento em que se começa a elogiar e a defender Luís Aguilera, eu sabia que ia acontecer, it was just a matter of time.


Aquele momento em que tu acusas pessoas de mentir por causa dum tweet, és ridicularizado e pedes para apagar a conta no fórum.

Exigência máxima rumo ao 7° lugar!

Miúdo, não me verás a descer a teu nivel, pois é essa a vossa característica.

Sou uma pessoa respeitada na sociedade, com cargos de responsabilidade, sou filiado na Juventude Popular, ala do nosso partido CDS-PP da Dr. Assunção Cristas e não vivo da internet nem recebo subsidios, para andar aqui como alguns. Portanto miudo, volta la para o teu canto pois não falo com qualquer um.
Aquele momento em que se começa a elogiar e a defender Luís Aguilera, eu sabia que ia acontecer, it was just a matter of time.



Aquele momento em que o Aguilar até palminhas levava de alguns que rasgam as vestes agora...

Aquele momento em que se começa a elogiar e a defender Luís Aguilera, eu sabia que ia acontecer, it was just a matter of time.



O otávio riu-se
Dia 15! Está quase! Tic Tac... Tic Tac...
Até se espumam presi!  :beer:
SPORTING ACIMA DE TUDO E TODOS c******!
O Carlos Dolbeth se fosse à croquetteTV, só lá ia uma vez, pois como diz o que pensa, ia arrasar estes CS

imagino o dinheirão que podia ganhar caso fosse para a cmerdatv... só para falar mal do Bruno, e dizer que também se sentiu enganado. Mas como é Sportinguista integro, provavelmente já os mandou f**** n vezes.

Quem devia ir para a cmtv era o próprio do Bruno!
Pago a peso de ouro pois seria audiências pela certa... sempre servia para o compensar pelos enormes prejuizos que esses merdosos lhe causaram e ainda ia lá gozar com a cara deles!
Não me chocava nada, mas nada mesmo.
Para ***, *** e meio!
E muito dito  sportinguista merecia essa "traição" pois quando ele precisou... pufffffffffff!
Era incrível. Olhem BdC 24/7 na CMTV a falar mal do Varandas .

O problema aqui é que o BdC gosta mesma muito do Sporting se não, não punha as mãos no fogo. Mas conhendo o homem qb acho que é algo praticamente impossível e ainda bem...

Para palhaçada já chega o que se passa neste momento no clube internamente.

Não sei porque é que achas que isso é impossível de acontecer. Se quando era presidente do Sporting já telefonava para a CMTV, dando audiências ao canal, agora que não tem nenhum cargo no clube tem o caminho livre para trabalhar com eles.


Porreiro.

Telefonou 1 vez. Quando malhavam no homem pós Madrid. Acto pelo qual assumiu ter feito um disparate.

Conclusão: "telefonava para a CM".

Aos Domingos, Quartas e Sextas. E a Sábados alternados.


PS:

A ironia disto é sabermos o que se passou na campanha eleitoral e na visibilidade que o tal CM teve. Mas as "vestes ainda se rasgam" com o tal telefonema.


Comentário do Super-Moderador Opa, :inde:
« Última modificação: Fevereiro 12, 2019, 18:42 pm por Lion73 »
Em terra de olho, quem tem cego... Errei!
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«Mas eu fui só fazer xixi»

A minha primeira grande batalha como presidente do Sporting foi conseguir realizar uma restruturação financeira que pudesse voltar a colocar o clube no topo do desporto português. Assim que cheguei, deparei-me com um documento elaborado pela anterior direção, juntamente com a banca, que mais não era do que uma mera operação de cosmética. Servia para disfarçar o imediato, mas iria ser ainda pior a médio prazo. Vou mais longe: aquela proposta, caso fosse para a frente, poderia fazer com que o Sporting Clube de Portugal fechasse as portas de vez.

Foi uma luta de cerca de um ano, em negociações muito tensas com o Millennium BCP e com o Banco Espírito Santo (BES), os dois bancos que eram os principais credores do Sporting. Acabou bem, para todas as partes, mas esteve perto de se romper várias vezes. Incluindo num último momento, quando parecia que as principais dificuldades já estavam ultrapassadas.

Depois de muitos avanços e recuos, fui às instalações do BES para ter uma reunião com Joaquim Góis, representante deste banco, e Miguel Maia, pela parte do Millennium BCP. Naquele dia, tínhamos conseguido ultrapassar todos os assuntos mais delicados e preparávamo-nos para assinar um pré-acordo, de modo a que este fosse depois visto pelos advogados das várias partes, para então celebrarmos, em definitivo, o memorando da restruturação financeira. Tudo parecia acordado depois de mais uma reunião que demorou muitas horas. Já só faltava mesmo cumprimentarmo-nos e passarmos à próxima fase. Existia um espírito de satisfação e alívio por, finalmente, termos chegado a um patamar de entendimento que em muitos momentos parecera impossível de alcançar. É então que Joaquim Góis se levanta e diz que tem de ir à casa de banho. Fiquei sozinho com Miguel Maia e o ambiente parecia tranquilo. Mas não por muito tempo.

Miguel Maia resolveu criar uma dificuldade inesperada e totalmente desnecessária naquela altura. Disse-me que o Millennium só assinava a restruturação caso eu me comprometesse a fazer um pedido de desculpas público. Segundo ele, em algumas conferências de imprensa que realizei sobre este tema, tinha dado a entender que a banca estava a ser um empecilho e a pôr em causa, propositadamente, o futuro do Sporting. Revelou também que ele e as pessoas do seu banco não tinham gostado dessas minhas declarações e que, por isso, não havia outra solução a não ser eu retratar-me e mostrar o meu arrependimento diante dos órgãos de comunicação social. Aquilo era um braço de ferro totalmente inusitado. Depois de horas e horas de reunião, de conversa construtiva, de diálogo com vista a um entendimento benéfico para todas as partes, e aproveitando a ida do colega do BES à casa de banho, o representante do Millennium BCP faz uma inesperada exigência de última hora e completamente descontextualizada de tudo o que havíamos discutido até essa altura.

Não aguentei aquela conversa. Agarrei nas folhas do pré-acordo que estavam em cima da mesa e atirei-as para o ar. De seguida, levantei-me e disse-lhe que não tolerava semelhante atitude e desfaçatez contra o Sporting Clube de Portugal: «A restruturação acaba aqui.»

Os ânimos estavam exaltados. Gritos da minha parte. Gritos da parte dele. Palavras duras. É nesse momento que entra Joaquim Góis. Vê as folhas no chão e assiste a toda aquela discussão. Com um ar muito inocente e triste, diz uma das frases que jamais esquecerei: «Mas eu fui só fazer xixi.» Como quem diz: «Quando saí daqui estava tudo bem e agora aconteceu isto.»

Eu disse que me ia embora. Saí daquele espaço e comecei à procura, nas salas ao lado, de alguém que pudesse dar -me um cigarro. Fiquei enervado com toda aquela situação, precisava de fumar, e não tinha levado tabaco. Fui abrindo várias portas até que encontrei uma sala onde estavam cerca de 20 pessoas, incluindo o então presidente do grupo BES, Ricardo Salgado. Ficaram todos a olhar para mim em silêncio e algo receosos porque naquele momento a minha cara não era a mais simpática do mundo.

«Preciso de um cigarro», disse eu. «Alguém tem de me dar um cigarro agora.» Uma senhora olhou para mim, muito a medo, abriu a mala, puxou do maço e estendeu-mo. Agradeci e perguntei onde poderia fumar. Apontaram-me o caminho para um jardim interno. Assim que virei costas e abandonei essa sala, percebi que continuavam todos em silêncio a verem-me ir embora. Cheguei ao jardim, fumei o cigarro e tentei acalmar-me para depois poder voltar à mesa das negociações e ultrapassar aquele obstáculo de última hora. Quando quis regressar, não encontrava o caminho de volta. O meu sentido de orientação é péssimo. Sempre foi.

Estava completamente perdido dentro das instalações do BES quando passei por uma sala e Joaquim Góis viu-me. Achando que me ia embora, ele veio ter comigo e disse-me: «Por favor, presidente, não se vá embora, porque já ficou tudo resolvido com o Miguel. Não precisa de pedir desculpa a ninguém.»

Eu não estava a dirigir-me para a rua, mas, como aquilo era uma negociação importante e a ofensa não tinha sido menor, dei a entender o contrário. «Tem a certeza? É que a situação que se passou foi grave. E eu não vou fazer qualquer pedido de desculpa por causa das chantagens que ouvi ali dentro.» Em suma, não dei o braço a torcer. Até porque não tinha de o fazer. Apresentar uma exigência daquelas, após tantos meses de negociação, depois de toda a saturação que isso provocou nos diferentes envolvidos, só servia para uma reação daquelas. Mas lá voltei a entrar na sala com a garantia de Joaquim Góis de que tudo estava tratado. Só que eu precisava de ouvir isso da boca do próprio Miguel Maia. Ele falou entredentes e eu nem consegui perceber muito bem. «Peço desculpa, mas não ouvi o que o senhor disse», respondi, reagindo ao som abafado que tinha saído da boca de Miguel Maia. Após três tentativas falhadas, ele lá conseguiu dizer, de forma audível, que eu não precisava de fazer qualquer pedido de desculpas ao Millennium BCP e que a situação estava ultrapassada.

Assim que ele disse aquilo, cumprimentámo-nos cordialmente. Como se aquele episódio de grande tensão não tivesse acontecido. Esse é um aspeto interessante das negociações. Podem ser muito duras, mas quando se atinge uma plataforma de entendimento, as pessoas são educadas umas com as outras. Porque, por norma, não há ali nada pessoal. Cada um está a representar a sua instituição e a defendê -la da melhor forma que pode e sabe. E, pela parte que me tocava, esse acabou por ser um dia muito importante na história do Sporting Clube de Portugal. Um momento absolutamente fundamental para a recuperação que o clube encetou a partir daí. Em todos os setores.

Basta recordar que, mais tarde, em 2018, fomos campeões em todas as modalidades excetuando no futebol profissional masculino. Também convém lembrar que, durante a nossa administração, fomos capazes de recuperar modalidades históricas do Sporting, como o hóquei em patins ou o voleibol, e fazer uma forte aposta no projeto paralímpico, que será sempre um dos meus maiores motivos de orgulho do tempo em que fui presidente do Sporting.

Aliás, nesse período, ganhámos sete títulos europeus: três no atletismo, um no hóquei em patins, outro no andebol e um no goalball (modalidade de desporto adaptado). Encontrámos um clube à beira do precipício e com tudo encaminhado para acabar devido à gestão ruinosa de grande parte das direções que nos antecederam. Com esforço, dedicação e devoção, lembrando a base do lema do Sporting, conseguimos uma recuperação histórica. Mas tudo estava preparado para que não fossemos capazes. Para fracassarmos e sairmos mesmo antes de começarmos.

https://observador.pt/especiais/pre-publicacao-exclusiva-os-episodios-mais-caricatos-da-reestruturacao-financeira-do-sporting-por-bruno-de-carvalho/
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Agarrei nas folhas do pré-acordo que estavam em cima da mesa e atirei-as para o ar.

Um QE de uma criança de 5 anos. Parece que é mesmo de família. :lol:
E o que dizer do QE e do QI de uma pessoa que no meio de tanto sumo escolhe essa frase?
.

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«Mas eu fui só fazer xixi»

A minha primeira grande batalha como presidente do Sporting foi conseguir realizar uma restruturação financeira que pudesse voltar a colocar o clube no topo do desporto português. Assim que cheguei, deparei-me com um documento elaborado pela anterior direção, juntamente com a banca, que mais não era do que uma mera operação de cosmética. Servia para disfarçar o imediato, mas iria ser ainda pior a médio prazo. Vou mais longe: aquela proposta, caso fosse para a frente, poderia fazer com que o Sporting Clube de Portugal fechasse as portas de vez.

Foi uma luta de cerca de um ano, em negociações muito tensas com o Millennium BCP e com o Banco Espírito Santo (BES), os dois bancos que eram os principais credores do Sporting. Acabou bem, para todas as partes, mas esteve perto de se romper várias vezes. Incluindo num último momento, quando parecia que as principais dificuldades já estavam ultrapassadas.

Depois de muitos avanços e recuos, fui às instalações do BES para ter uma reunião com Joaquim Góis, representante deste banco, e Miguel Maia, pela parte do Millennium BCP. Naquele dia, tínhamos conseguido ultrapassar todos os assuntos mais delicados e preparávamo-nos para assinar um pré-acordo, de modo a que este fosse depois visto pelos advogados das várias partes, para então celebrarmos, em definitivo, o memorando da restruturação financeira. Tudo parecia acordado depois de mais uma reunião que demorou muitas horas. Já só faltava mesmo cumprimentarmo-nos e passarmos à próxima fase. Existia um espírito de satisfação e alívio por, finalmente, termos chegado a um patamar de entendimento que em muitos momentos parecera impossível de alcançar. É então que Joaquim Góis se levanta e diz que tem de ir à casa de banho. Fiquei sozinho com Miguel Maia e o ambiente parecia tranquilo. Mas não por muito tempo.

Miguel Maia resolveu criar uma dificuldade inesperada e totalmente desnecessária naquela altura. Disse-me que o Millennium só assinava a restruturação caso eu me comprometesse a fazer um pedido de desculpas público. Segundo ele, em algumas conferências de imprensa que realizei sobre este tema, tinha dado a entender que a banca estava a ser um empecilho e a pôr em causa, propositadamente, o futuro do Sporting. Revelou também que ele e as pessoas do seu banco não tinham gostado dessas minhas declarações e que, por isso, não havia outra solução a não ser eu retratar-me e mostrar o meu arrependimento diante dos órgãos de comunicação social. Aquilo era um braço de ferro totalmente inusitado. Depois de horas e horas de reunião, de conversa construtiva, de diálogo com vista a um entendimento benéfico para todas as partes, e aproveitando a ida do colega do BES à casa de banho, o representante do Millennium BCP faz uma inesperada exigência de última hora e completamente descontextualizada de tudo o que havíamos discutido até essa altura.

Não aguentei aquela conversa. Agarrei nas folhas do pré-acordo que estavam em cima da mesa e atirei-as para o ar. De seguida, levantei-me e disse-lhe que não tolerava semelhante atitude e desfaçatez contra o Sporting Clube de Portugal: «A restruturação acaba aqui.»

Os ânimos estavam exaltados. Gritos da minha parte. Gritos da parte dele. Palavras duras. É nesse momento que entra Joaquim Góis. Vê as folhas no chão e assiste a toda aquela discussão. Com um ar muito inocente e triste, diz uma das frases que jamais esquecerei: «Mas eu fui só fazer xixi.» Como quem diz: «Quando saí daqui estava tudo bem e agora aconteceu isto.»

Eu disse que me ia embora. Saí daquele espaço e comecei à procura, nas salas ao lado, de alguém que pudesse dar -me um cigarro. Fiquei enervado com toda aquela situação, precisava de fumar, e não tinha levado tabaco. Fui abrindo várias portas até que encontrei uma sala onde estavam cerca de 20 pessoas, incluindo o então presidente do grupo BES, Ricardo Salgado. Ficaram todos a olhar para mim em silêncio e algo receosos porque naquele momento a minha cara não era a mais simpática do mundo.

«Preciso de um cigarro», disse eu. «Alguém tem de me dar um cigarro agora.» Uma senhora olhou para mim, muito a medo, abriu a mala, puxou do maço e estendeu-mo. Agradeci e perguntei onde poderia fumar. Apontaram-me o caminho para um jardim interno. Assim que virei costas e abandonei essa sala, percebi que continuavam todos em silêncio a verem-me ir embora. Cheguei ao jardim, fumei o cigarro e tentei acalmar-me para depois poder voltar à mesa das negociações e ultrapassar aquele obstáculo de última hora. Quando quis regressar, não encontrava o caminho de volta. O meu sentido de orientação é péssimo. Sempre foi.

Estava completamente perdido dentro das instalações do BES quando passei por uma sala e Joaquim Góis viu-me. Achando que me ia embora, ele veio ter comigo e disse-me: «Por favor, presidente, não se vá embora, porque já ficou tudo resolvido com o Miguel. Não precisa de pedir desculpa a ninguém.»

Eu não estava a dirigir-me para a rua, mas, como aquilo era uma negociação importante e a ofensa não tinha sido menor, dei a entender o contrário. «Tem a certeza? É que a situação que se passou foi grave. E eu não vou fazer qualquer pedido de desculpa por causa das chantagens que ouvi ali dentro.» Em suma, não dei o braço a torcer. Até porque não tinha de o fazer. Apresentar uma exigência daquelas, após tantos meses de negociação, depois de toda a saturação que isso provocou nos diferentes envolvidos, só servia para uma reação daquelas. Mas lá voltei a entrar na sala com a garantia de Joaquim Góis de que tudo estava tratado. Só que eu precisava de ouvir isso da boca do próprio Miguel Maia. Ele falou entredentes e eu nem consegui perceber muito bem. «Peço desculpa, mas não ouvi o que o senhor disse», respondi, reagindo ao som abafado que tinha saído da boca de Miguel Maia. Após três tentativas falhadas, ele lá conseguiu dizer, de forma audível, que eu não precisava de fazer qualquer pedido de desculpas ao Millennium BCP e que a situação estava ultrapassada.

Assim que ele disse aquilo, cumprimentámo-nos cordialmente. Como se aquele episódio de grande tensão não tivesse acontecido. Esse é um aspeto interessante das negociações. Podem ser muito duras, mas quando se atinge uma plataforma de entendimento, as pessoas são educadas umas com as outras. Porque, por norma, não há ali nada pessoal. Cada um está a representar a sua instituição e a defendê -la da melhor forma que pode e sabe. E, pela parte que me tocava, esse acabou por ser um dia muito importante na história do Sporting Clube de Portugal. Um momento absolutamente fundamental para a recuperação que o clube encetou a partir daí. Em todos os setores.

Basta recordar que, mais tarde, em 2018, fomos campeões em todas as modalidades excetuando no futebol profissional masculino. Também convém lembrar que, durante a nossa administração, fomos capazes de recuperar modalidades históricas do Sporting, como o hóquei em patins ou o voleibol, e fazer uma forte aposta no projeto paralímpico, que será sempre um dos meus maiores motivos de orgulho do tempo em que fui presidente do Sporting.

Aliás, nesse período, ganhámos sete títulos europeus: três no atletismo, um no hóquei em patins, outro no andebol e um no goalball (modalidade de desporto adaptado). Encontrámos um clube à beira do precipício e com tudo encaminhado para acabar devido à gestão ruinosa de grande parte das direções que nos antecederam. Com esforço, dedicação e devoção, lembrando a base do lema do Sporting, conseguimos uma recuperação histórica. Mas tudo estava preparado para que não fossemos capazes. Para fracassarmos e sairmos mesmo antes de começarmos.

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Hahaha
É preciso telos no sítio!
 :venia:
Saudades!
A todos os haters fica aqui um muito obrigado com 1 abraço muito sentido  :inde:

QUEREMOS O VARANDAS E RESTANTE TRUPE NA RUA !

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