Drama do preço das rendas das casas em Lisboa

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Tópico para discutir um problema real que está a acontecer em Lisboa, soluções, medidas a tomar para que Lisboa continue a ser habitada por portugueses, começa a ser complicado..

Estou a deparar-me com esta situação neste momento, o meu contrato acaba em Maio e querem passar dos 675 para 1k por um t1 duplex na Estrela o que para quem vive sozinho como eu não justifica minimamente estar a pagar 12k anuais de renda  por uma casa que não é minha, para termos uma ideia do absurdo a que se chegou eu até 2013 morava com a minha ex namorada nas avenidas novas entre Entrecampos e o Campo Pequeno pagava 750 de renda, hoje em dia a mesma casa com as mesmas condições a pessoa que lá está paga 1250 estamos a falar de um aumento de 40 por cento num espaço de 4 anos pela mesma casa.

Depois do meu exemplo introdução de um apanhado de noticias:

Os preços das casas em Lisboa a valorização foi de 19% num espaço de 1 ano de acordo com a base de dados Confidencial Imobiliário. 
E basta abrir um qualquer site de venda e aluguer de imóveis para encontrar um estúdio em São Vicente que se arrenda por €1 250 por mês ou um T1 em Alfama por €2 200.

E a tal família, com o ordenado médio, vive aonde? Podemos considerar que um casal que leva para casa, em conjunto, €1 800 brutos, faz parte da classe média, cuja classificação tanta polémica tem dado? Imaginemos que têm dois filhos menores, que precisam de um T2, no mínimo, e que o ordenado líquido conjunto é de 
€1 400. As boas práticas indicam que não deveriam gastar mais de 35% dessa liquidez na renda de casa, ou seja, um máximo de €490. Vão viver aonde?



É um problema que não me afecta directamente (pelo menos por agora), mas me tem feito pensar. Aqui há dias passei na Avenida da República e, qual não é o meu espanto, até já os anúncios metem em chinês...

Outra questão importante é a dos estudantes. Um tipo aqui de Coimbra que queira ir estudar para Lisboa, tem de alugar casa em Vila Franca de Xira?

Recentemente coloquei a possibilidade de me candidatar a um emprego que me faria progredir vários degraus, para Lisboa. Não era líquido que ficasse, obviamente. Mas se ficasse, com a diferença que ia pagar a mais para alojamento, ia ficar com muito menos dinheiro para mim, pelo que me mantive como estou.

É dramático, obviamente, e merece discussão...
''You have forgotten who you are and so have forgotten me. Look inside yourself, Simba. You are more than what you have become. You must take your place in the Circle of Life.'' Mufasa, Lion King, 1994

''These are dark times, there is no denying. Our world has perhaps faced no greater threat than it does today. But I say this to our citizenry: We, ever your servants, will continue to defend your liberty and repel the forces that seek to take it from you!'' Rufus Scrimgeour, Minister for Magic
Esse artigo é extraordinário. "A tragédia de mudar do Saldanha para os Olivais." Porra, quem dera a tantos viver nos Olivais... Quem dera a muitos que isso fosse a maior tragédia das suas vidas.  :lol:

Quanto ás rendas, estão a arrendar um T2 por 600€ nos arredores de Lisboa (até sei de um que anda a pagar esta exorbitância na... Barcarena). O problema das rendas nem é tanto Lisboa em si, mesmo que tenham aumentado mais em Lisboa do que nos restantes sítios, é mesmo as rendas que aumentaram muito em todo o lado que seja perto da capital. Tipo, justifica-se pagar mais do que o ordenado mínimo na periferia? Mas é isso que pagas lá, por isso normalíssimo que as rendas em Lisboa aumentem ainda mais.

Lisboa nunca vai ter falta de trabalho, visto ser a capital do país. O que vai acontecer é que cada vez mais Lisboa será a cidade para viver da malta com dinheiro, quer seja português ou estrangeiro. Os bairros típicos do centro irão desaparecer, para dar lugar a condomínios privados típicos (bom exemplo do que já está a acontecer, Chiado) ou hotelaria (esse sim, um grande cancro de Lisboa, e que vai acabar mal daqui a uns 10 anos). O resto, quem ganha o ordenado mínimo ou o ordenado médio, vai viver para as Almadas ou as Amadoras, e vem para Lisboa trabalhar. É aliás assim para quem vive fora dos centros de Paris, Londres, Nova Iorque.

O dramático não é viver na periferia, é mesmo os acessos a Lisboa e dentro da mesma que são uma valente m****. Tenho casa em Lisboa e levo 10m sem trânsito a chegar à universidade. Até aqui tudo bem. Mas com trânsito levo uma hora (mais estacionamento caríssimo) e se vou de transportes públicos levo menos uns 10m quer esteja trânsito ou não. É sensivelmente o mesmo tempo perdido do que se viesse de Almada ou da Amadora, e sei isto porque entre colegas, já fizemos essas contas.

Nessas grandes metrópoles que falei acima, o transporte público é rei, até mesmo para quem vive nos centros. Aqui no tugão é que vai tudo de carrinho para o trabalho, mesmo quando a alternativa do transporte público é melhor. Não só entopem os acessos à cidade (já de si medíocres), como ainda gastam espaço com estacionamento ao ar livre, e atrasam em muito a evolução do transporte público (porque maior procura, melhor serviço). Conheço um gajo que prefere gastar 2h para atravessar Lisboa inteira (vem do Fogueteiro e vai para o Parque das Nações) do que ir de comboio quando levava uns 45m (e porquê? porque tem carro / combustível pago pela empresa, que já agora é pública). E como ele há n exemplos.

Lisboa como cidade simplesmente está a evoluir para o que as outras já são, não vale de nada tentar parar isto porque é este o seu destino. O dramático é mesmo a rede de transportes públicos miseráveis que temos. Da maneira atrasada como os portugueses vivem, ainda vão andar nisto de andar de popó (preferencialmente, um por carro) e os transportes públicos continuarão a ser uma vergonha. Sortudos os que têm comboios ou metros ao pé de casa (autocarros, eléctricos, carros, é para esquecer), quer vivam dentro ou fora de Lisboa. Por isso, quem dera a muitos viver nos Olivais.

Outra questão importante é a dos estudantes. Um tipo aqui de Coimbra que queira ir estudar para Lisboa, tem de alugar casa em Vila Franca de Xira?

Normalmente, alugas quartos facilmente e muito perto por 250€.
« Última modificação: Abril 02, 2018, 01:24 am por radicalhighway »
Outra questão importante é a dos estudantes. Um tipo aqui de Coimbra que queira ir estudar para Lisboa, tem de alugar casa em Vila Franca de Xira?

Normalmente, alugas quartos facilmente e muito perto por 250€.
E isso não é caro, para um quarto? Por esse preço, aqui em Coimbra, alugas uma suite presidencial! (passo o exagero)...
''You have forgotten who you are and so have forgotten me. Look inside yourself, Simba. You are more than what you have become. You must take your place in the Circle of Life.'' Mufasa, Lion King, 1994

''These are dark times, there is no denying. Our world has perhaps faced no greater threat than it does today. But I say this to our citizenry: We, ever your servants, will continue to defend your liberty and repel the forces that seek to take it from you!'' Rufus Scrimgeour, Minister for Magic
Outra questão importante é a dos estudantes. Um tipo aqui de Coimbra que queira ir estudar para Lisboa, tem de alugar casa em Vila Franca de Xira?

Normalmente, alugas quartos facilmente e muito perto por 250€.
E isso não é caro, para um quarto? Por esse preço, aqui em Coimbra, alugas uma suite presidencial! (passo o exagero)...

É o preço normal, já há mais de dez anos (o preço flutua entre os 200€ e os 300€), por isso não entra aqui o aumento das rendas que se tem visto ultimamente. Como o alvo é sempre o mesmo, e há sempre a mesma procura, não tem modificado o preço.
Outra questão importante é a dos estudantes. Um tipo aqui de Coimbra que queira ir estudar para Lisboa, tem de alugar casa em Vila Franca de Xira?

Normalmente, alugas quartos facilmente e muito perto por 250€.
E isso não é caro, para um quarto? Por esse preço, aqui em Coimbra, alugas uma suite presidencial! (passo o exagero)...

É o preço normal, já há mais de dez anos (o preço flutua entre os 200€ e os 300€), por isso não entra aqui o aumento das rendas que se tem visto ultimamente. Como o alvo é sempre o mesmo, e há sempre a mesma procura, não tem modificado o preço.

Olha que tem aumentado, há casos em que antes era 200/250 e agora anda nos 350/400 principalmente nas Avenidas Novas e perto da Cidade Universitária assim como nas Amoreiras.

Pelo mesmo preço alugas um t2 ou um t3 na Margem Sul renovado por isso sim está bastante caro.
Eu já só me rio com a desfaçatez das pessoas, ando há uns meses a procura de casa porque já sei que não vou ficar na casa onde estou e é com cada episódio bizarro.

Vou contar o mais surreal de todos, vi um anuncio t1 600 euros perto de São Bento, zona nobre e tal, achei estranho o preço, pensei que era fake mas a pessoa atendeu-me o telefone e combinámos de ir ver a casa, a casa parecia-me decente pelas fotos e era o que eu queria, chego mostra-me a cozinha, cool, mostra-me o quarto, porreiro, vou a sala e diz-me olhe agora tem de baixar a cabeça.. e eu oi? Sim o tecto é baixinho, então o tecto da sala tinha 1m60, ou seja 600 euros por uma casa em que o tecto da sala é para anões, havia de ser bonito levar alguém a casa, olha agora baixa-te se não bates com a cabeça na parede e depois dizer as pessoas que estava a pagar 600 paus por aquilo.

Tendo em conta estas situações não é de admirar que uma amiga minha por exemplo que morava sozinha há 10 anos em Campo de Ourique mudou-se recentemente para Oeiras.
Outra questão importante é a dos estudantes. Um tipo aqui de Coimbra que queira ir estudar para Lisboa, tem de alugar casa em Vila Franca de Xira?

Normalmente, alugas quartos facilmente e muito perto por 250€.
E isso não é caro, para um quarto? Por esse preço, aqui em Coimbra, alugas uma suite presidencial! (passo o exagero)...

É o preço normal, já há mais de dez anos (o preço flutua entre os 200€ e os 300€), por isso não entra aqui o aumento das rendas que se tem visto ultimamente. Como o alvo é sempre o mesmo, e há sempre a mesma procura, não tem modificado o preço.

Olha que tem aumentado, há casos em que antes era 200/250 e agora anda nos 350/400 principalmente nas Avenidas Novas e perto da Cidade Universitária assim como nas Amoreiras.

Pelo mesmo preço alugas um t2 ou um t3 na Margem Sul renovado por isso sim está bastante caro.

Se vais para sítios pipis (e tanto avenidas novas como amoreiras são sítios pips), absolutamente normal. À volta do técnico, continua praticamente tudo igual, e volta e meia há lugares vagos porque aparecem nos placards no pavilhão central. É mais capaz de ter aumentado por causa dos contratos de electricidade do que outra coisa.

Até podes alugar um t2 ou um t3 na margem sul pelo mesmo preço mas para chegar ao destino levas um *** de tempo e tens de descontar o passe. Conhecia um gajo que vivia em Setúbal e acabou por alugar casa em Lisboa porque o passe comia logo 100€. Tendo em conta que alugou a 10m da universidade, nem passe compra mais.
A grande questão de Lisboa é psicológica. "Londres" não é o Big Ben e a zona central, onde mram umas centenas de milhares de pessoas, e onde o custo da habitação é brutal. "Londres" inclui toda a cidade em que de uma ponta a outra se demora duas horas.O mesmo para todas as grandes cidades.

As pessoas têm que se habituar que "Lisboa" é a Grande Lisboa, e o centro é o centro, onde mora pouca gente e que, tal como todas as grandes cidades, está dedicada 50% ao turismo.

Ou seja, "viver em Lisboa", para ser semelhante ao que hoje em dia é "viver em Londres", "viver em Paris", ou "viver em Berlim", é viver na Quinta do Conde, em Massamá ou em São João da Talha.

Uma renda no centro de Londres custa uma enormidade e é para quem a pode pagar. O mesmo está a acontecer no centro de Lisboa (que corresponde aos limítrofes convencionais da cidade), onde vai ficar por um lado quem comprou casa e por outro quem pode pagar as rendas, que não vão parar de subir, com contratos em geral anuais.

Ou seja: existe o direito à habitação, mas não existe o direito a morar onde se quer a pagar o que se quer, nem sequer existe o direito a morar no centro da cidade. Se existisse, seria preciso demolir os bairros históricos e construir arranha-céus no seu lugar para caber tanta gente.

E noto uma ironia: há 20 anos atrás, o que estava na moda era ir para os arrabaldes, para casas novas, grandes e boas. Não havia ninguém da classe média portuguesa que sequer considerasse morar em Alfama, Mouraria ou Madragoa. Agora, depois da reabilitação dos bairros históricos feita para o alojamento local, e depois da animação que estes ganharam - tornaram-se cool - o mesmo pessoal subitamente descobriu que afinal quer ir morar para lá e que morar no tal arrabalde é uma desgraça, e que quem investiu na reabilitação agora tem que arrendar as casas a "preços justos", que na cabeça das pessoas é 1/3 ou 1/4 do seu valor comercial real.

Bom bom, era quando se pagava €80 por um T4 nas Avenidas, e depois ainda se queixava que o proprietário não fazia obras.
O tópico é pertinente, não só para a realidade de Lisboa, mas para qualquer localidade onde a pressão turística se faz sentir a sério.

Antes de me mudar para o Algarve vivi em Lisboa uns bons anos. A última casa em que estive foi em Alfama. Dividia a casa com amigos: um T4 renovado com áreas enormes custava 550 euros. Isto há uns 7 ou 8 anos. Hoje sei de quem pague o dobro por um T1 na mesma zona.

Mas em Lagos, onde estou agora, a realidade consegue ser ainda pior. Um misto de variáveis faz com que seja praticamente impossível encontrar um imóvel para arrendar num raio de uns bons 15 kms.

As poucas opções destinadas a arrendamento anual que surgem no mercado são desde logo absorvidas por clientes internacionais. Por mais disparatado que seja o preço. Sei de quem procure casa para arrendar há mais de um ano. E conheço também quem tenha arranjado emprego aqui, mas não consiga casa para se mudar.

Mas não sei o que é possível fazer para atenuar isto. Não sei como o governo pode legislar.

Talvez através de incentivos fiscais para quem arrendar em longa duração.
« Última modificação: Abril 02, 2018, 08:50 am por Southwest »
A grande questão de Lisboa é psicológica. "Londres" não é o Big Ben e a zona central, onde mram umas centenas de milhares de pessoas, e onde o custo da habitação é brutal. "Londres" inclui toda a cidade em que de uma ponta a outra se demora duas horas.O mesmo para todas as grandes cidades.

As pessoas têm que se habituar que "Lisboa" é a Grande Lisboa, e o centro é o centro, onde mora pouca gente e que, tal como todas as grandes cidades, está dedicada 50% ao turismo.

Ou seja, "viver em Lisboa", para ser semelhante ao que hoje em dia é "viver em Londres", "viver em Paris", ou "viver em Berlim", é viver na Quinta do Conde, em Massamá ou em São João da Talha.

Uma renda no centro de Londres custa uma enormidade e é para quem a pode pagar. O mesmo está a acontecer no centro de Lisboa (que corresponde aos limítrofes convencionais da cidade), onde vai ficar por um lado quem comprou casa e por outro quem pode pagar as rendas, que não vão parar de subir, com contratos em geral anuais.

Ou seja: existe o direito à habitação, mas não existe o direito a morar onde se quer a pagar o que se quer, nem sequer existe o direito a morar no centro da cidade. Se existisse, seria preciso demolir os bairros históricos e construir arranha-céus no seu lugar para caber tanta gente.

E noto uma ironia: há 20 anos atrás, o que estava na moda era ir para os arrabaldes, para casas novas, grandes e boas. Não havia ninguém da classe média portuguesa que sequer considerasse morar em Alfama, Mouraria ou Madragoa. Agora, depois da reabilitação dos bairros históricos feita para o alojamento local, e depois da animação que estes ganharam - tornaram-se cool - o mesmo pessoal subitamente descobriu que afinal quer ir morar para lá e que morar no tal arrabalde é uma desgraça, e que quem investiu na reabilitação agora tem que arrendar as casas a "preços justos", que na cabeça das pessoas é 1/3 ou 1/4 do seu valor comercial real.

Bom bom, era quando se pagava €80 por um T4 nas Avenidas, e depois ainda se queixava que o proprietário não fazia obras.

Vim há 8 anos para Lisboa e durante o tempo que cá estou assisti a um aumento brutal do preço de rendas. Este aumento brutal é generalizado, não se limitam às rendas nas Avenidas Novas, Campo de Ourique, Amoreiras, Alamenda, etc. Vê-se, também, um aumento brutal das rendas em zonas supostamente menos "nobres" da cidade.

Contrariamente à maioria, não acho que o problema seja o facto de Lisboa deixar de ser dos portugueses. Não vejo tal facto como negativo, bem pelo contrário. Gostava até que esta tendência se expandisse para outras cidades que, muitas vezes, se encontram às moscas e sem qualquer interesse. Acho, sinceramente, que este "movimento" contribui para melhorar a qualidade da cidade.

Contudo, não posso deixar de ficar preocupado quando vejo muito dos governantes assobiarem para o lado quando olham para esta situação. O problema não é o crescimento de Lisboa ou a sobrelotação de Lisboa. É mesmo a falta de alternativas na periferia de Lisboa. O trânsito a entrar e a sair de Lisboa está cada vez mais degradado. O serviço de transportes encareceu e perdeu qualidade. Quando se fala da expansão do metro, fala-se de uma expansão dentro da cidade ao invés de se falar de uma expansão para a periferia.

Acho que seria benéfico pensar no desenvolvimento das periferias (aquelas que têm metro têm conhecido uma valorização muito grande), preocupada em fazer chegar as pessoas rapidamente ao centro da cidade, criando novas maneiras de chegar ao trabalho, etc. Esses sim, são para mim os grandes problemas da cidade de Lisboa.
Na minha opinião coincidem uma série de fatores.

Por um lado está ainda a assistir-se a um ajustamento natural de mercado, na sequência de décadas de congelamento de rendas. Mesmo sem capital estrangeiro e turismo, haveria sempre uma subida com o desaparecimento progressivo das muitas rendas absurdamente baixas que se pagavam em Lisboa.

Em segundo lugar o imobiliário premium em países seguros tem sido a nível internacional um refúgio de capitais empolado pela fraca rentabilidade de aplicações financeiras derivada da baixa dos juros. Lisboa entrou neste circuito e muito investimento estrangeiro não tem nada a ver com arrendamento ou AL. É puramente financeiro, parqueamento de capital até que se mude para aplicações mais vantajosas.

Em terceiro lugar, as benesses fiscais dadas a estrangeiros são um fator de distorção que já não consigo perceber. Nos bairros históricos sobretudo a procura por franceses, escandinavos, etc. tem sido muito forte por causa disto.

Depois vem o turismo e a transferência de propriedades para esta atividade. Aqui têm que se distinguir várias situações. Os hóteis do AL por exemplo. Num cenário de ajustamento futuro do fluxo turístico que parece inevitável, os hotéis serão mais difíceis de reverter para um uso habitacional e entrada no mercado de arrendamento do que os AL. Neste casos o excesso de oferta já está a conduzir a um abrandamento e os proprietários serão mais propensos a arrendar num futuro próximo. Assim lhes dêm condições de segurança legal, sobretudo de cobrança atempada e com poucos riscos. Depois, já dentro do AL há que distinguir o verdadeiro AL (em que a propriedade se mantém inalterada e puramente vocacionada para um uso habitacional) do AL "hoteleiro" em que prédios inteiros foram transformados em T1 com investimentos elevados. Estes últimos mais dificilmente voltarão ao mercado de arrendamento porque os investidores são sobretudo do primeiro tipo atrás referido, os de aplicação financeira. Vão preferir ter a casa fechada a arrendar por valores moderados e com risco de cobrança.

Enfim a vertente ideológica. Estão aqui em confronto interesses públicos e privados. A esmagadora maioria da propriedade habitacional é privada, mas o Estado tem uma obrigação constitucional em garantir habitação aos seus cidadãos. Até que ponto deverá condicionar a liberdade dos particulares disporem do seu património para prosseguir este objectivo ? Congelar rendas como se fez no passado ou condicioná-las, prejudicando o investimento feito e comprometendo o investimento futuro, além de injustiçar quem conta com os rendimentos da propriedade para seu sustento ? Condicionar o tipos de uso da propriedade privada (ex. quotas AL), com as mesmas consequências ? Manter a situação atual de liberalização progressiva e ter a paciência de esperar pelos ajustamentos, num timing político que poderá ser insustentável ?

Eu estou convencido que haverá um ajustamento em breve e alguma propriedade (sobretudo verdadeiros AL) voltarão ao mercado de arrendamente se garantirem aos proprietários segurança jurídica, sobretudo a redução dos riscos de cobrança. Muita gente está no AL só para não ter que andar todos os meses a pedinchar a renda. É que aquilo dá muito tabalho e tem custos elevados.

Por outro lado, as pessoas têm que preparar-se para maior mobilidade. Como acontece nas capitais de países desenvolvidos de todo o mundo. Quem quiser passar uma vida na mesma casa vai ter que a comprar. Quem preferir o arrendamento terá que estar preparado para mudar de vez em quando.

Por detrás disto tudo está um problema muito mais grave. O empobrecimento progressivo dos portugueses. Cada nova fornada que entra no mercado de trabalho (privado ou público) vai ganhar menos do que a que sai. Os portugueses estão cada vez mais pobres, a começar pelos jovens. Este é o grande problema. Não conseguirem arrendar decorre sobretudo disto. Não pensem que a oferta existirá a preços que eles possam pagar se o investimento estrangeiro e o turismo abrandar. Voltar-se-á aos tempos em que estava quase tudo vazio. Aqui não existe elasticidade infinita dos preços. Abaixo de certo valor, a maioria dos proprietários prefere ter a casa fechada.
 O crescimento e o selvagem investimento no Turismo tem vindo a amplificar os problemas que Lisboa tem em relação à mobilidade, à habitação e protecção de património. O aumento exponencial de o número de pessoas que circulam na cidade têm dificultado imenso os transportes públicos, que são incapazes de responder aos desafios colocados, a habitação tem vindo a diminuir a oferta também em virtude de existir um aumento dos alojamentos locais que são mais lucrativos, a protecção do património é colocado em causa pelo o aumento de pessoas a circular e a ausência de medidas que conservem e respondam a estes desafios.

 O Turismo é o sector que mais cresce em Portugal, que tem vindo a sustentar o crescimento económico, que tem motivado investimentos atrás de investimentos, o problema é que a cidade de Lisboa, podemos incluir igualmente outras, têm dificuldades em responder aos desafios que este sector coloca. São mais pessoas a circular, logo, há uma obrigatoriedade de reforçar os serviços (transporte, saúde, habitação, alimentação, segurança) e temos assistido a uma incapacidade das entidades governativas em arranjar estratégias que respondam a estes novos desafios. Apostamos imenso no Turismo como sector económico e depois esquecemos tudo o resto, faltando sensibilidade e inteligência para dotar as cidades de ferramentas que permitam dar resposta a esta realidade.

 O mercado de arrendamento é apenas uma das consequências. Tal como já relatado, o problema de viver na periferia é exactamente os acessos ao centro das cidades. É necessário dotar as grandes cidades de excelentes redes de transporte que garantam uma boa mobilidade de pessoas e de bens. A nossa resposta é inócua porque se mete muita ideologia pelo meio, dado que se discute se o modelo de transportes deve ser público, privado ou público-privado. A mim parece que deve ser o modelo que responde melhor aos desafios, sem que para isso tenha que ser exigido um preço exorbitante para se mover entre o ponto A ao ponto B. A actualização de rendas antigas aumento igualmente os valores a cobrar por rendas, hoje temos proprietários com mais responsabilidades, quando se aumenta as responsabilidades, os deveres, há logo contrapartidas financeiras.

 Diria que em Portugal tudo tem um maior custo, excepto os salários. Esses têm estado de forma genérica estáveis e obviamente que isto é um problema grave e sério. Há que procurar estratégias para responder aos desafios que se colocam, sem que haja guerras ideológicas que só contribuem para uma ineficiência na resolução de problemas.
“We have to be compact, close together tactically, and if you are close then you have options to play with. You don't always have to try the most risky ball if you are compact. You have to run, to fight, until the moment, and then ... bang, you take it.”

Jurgen Klopp
Airbnb gosta deste tópico.
Airbnb gosta deste tópico.

 Eles vieram dar organização ao arrendamento. Claro que depois de ver o facilitismo que proporcionam nesse mercado, a oferta começou a subir e a consequente procura idem. São a resposta somente aos desafios que a abertura e aposta no Turismo proporciona. O que podia surgir era um serviço de transporte, na linha da Uber, mas que fosse mais colectivo, respondendo assim à ineficácia dos transportes públicos. O aumento da linha do metro tem que ser uma realidade.

 As pessoas vão começar a habitar nos sítios onde há espaço livre e que se possam ter preços de acordo com a sua condição financeira. O espaço está nos arredores da cidade de Lisboa e o investimento no imobiliário tem que se expandir para essas zonas, desde que comece a existir procura por essas habitações e essa procura existirá obrigatoriamente, o centro de Lisboa ficará cada vez mais para turistas e para as pessoas que laboram.
“We have to be compact, close together tactically, and if you are close then you have options to play with. You don't always have to try the most risky ball if you are compact. You have to run, to fight, until the moment, and then ... bang, you take it.”

Jurgen Klopp
Lisboa entrou no círculo das grandes cidades de top mundial com tudo o que de bom e mau acarreta.

Infelizmente os lisboetas são os primeiros da fila a levarem com o que de mau tem esta subida brutal de custo de vida em Lisboa.

Acredito que isto vai levar muito boa gente a ir para a "minha" Margem Sul. Já tem vindo a acontecer em número elevado para Almada e provavelmente vai expandir-se para outras localidades.

Achei curioso as declarações da Presidente da CM de Almada que se deveria privatizar os transportes no rio Tejo. Acho que ela vai acabar por ter razão mais tarde ou mais cedo. Se houver um aumento da população já por si bastante elevada nesta zona, não vai haver transportes que cheguem. Infelizmente já há muito que deveria ter sido feita a terceira travessia do Tejo...
Se há um idiota no poder, é porque os que o elegeram estão bem representados.
Airbnb gosta deste tópico.

 Eles vieram dar organização ao arrendamento. Claro que depois de ver o facilitismo que proporcionam nesse mercado, a oferta começou a subir e a consequente procura idem. São a resposta somente aos desafios que a abertura e aposta no Turismo proporciona. O que podia surgir era um serviço de transporte, na linha da Uber, mas que fosse mais colectivo, respondendo assim à ineficácia dos transportes públicos. O aumento da linha do metro tem que ser uma realidade.

 As pessoas vão começar a habitar nos sítios onde há espaço livre e que se possam ter preços de acordo com a sua condição financeira. O espaço está nos arredores da cidade de Lisboa e o investimento no imobiliário tem que se expandir para essas zonas, desde que comece a existir procura por essas habitações e essa procura existirá obrigatoriamente, o centro de Lisboa ficará cada vez mais para turistas e para as pessoas que laboram.

De TODAS as pessoas que conheço que têm casa em Lisboa disponíveis, nenhuma vende ou aluga neste momento, apenas Airbnb para turismo.
De TODAS as pessoas que conheço que têm casa em Lisboa disponíveis, nenhuma vende ou aluga neste momento, apenas Airbnb para turismo.

 Natural, o alojamento local é muito mais lucrativo que o arrendamento de longo-prazo. Cresceu tanto, que o Governo ainda anda aprovar legislação para regulamentar esse mercado, depois de umas medidas avulso. Por isso é que as zonas fora dos grandes centros urbanos vão começar a ganhar habitantes, já que os turistas têm pouco interesse em ficar deslocados das cidades que visitam. As cidades têm que se expandir, dormir nos grandes arredores e trabalhar nos grandes centros. Já é assim nas grandes cidades europeias. Aqui, Portugal, chegou somente mais tarde.

 Aquele conceito de casas isoladas nos arredores tende acabar. Vão, naturalmente, nascer blocos residenciais de apartamentos para responder ao aumento de procura, digo apartamentos porque é o modelo colectivo de habitação onde podemos "arrumar" mais agregados. Penso até que isto já acontece e o ritmo vai aumentar, já que como podemos ver o Turismo tem crescido imenso e o imobiliário é um mercado seguro de investimento, investimento que tem vindo aumentar fruto da recuperação económica da Europa.
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Jurgen Klopp
Meus caros, toda a vida vivi na linha de Cascais... até o ano passado.

Por razões de facilitar a vida e reduzir custos, resolvemos em família vender a nossa moradia e neste momento vivo na Margem Sul, Montijo.

Rendas e casas mais baratas, por enquanto.

Estou a 20, 25 minutos da Expo, de carro ou autocarro dos TST e do Cais do Sodré se for de barco (desde que a Transtejo funcione bem).

Pago 600€ de renda por um T3 duplex e, em princípio, sairei em Julho para casa comprada, se Deus quiser.

Os preços das casas ainda estão simpáticos e há muitas casas acabadas de construir por bancos, devido à falência de alguns construtores no tempo da crise. Estas casas têm 100% de empréstimo garantido. É só ter paciência e procurar nas dezenas de imobiliárias que existem em Alcochete e no Montijo.

Muita gente da Margem Norte está a fazer isso. Em 6 meses nota-se o aumento do tráfego na Vasco da Gama se bem que não atinja o tráfego infernal da 25 de Abril.

E a vida é muito mas mesmo muito mais calma.

É uma boa opção.
 O crescimento e o selvagem investimento no Turismo tem vindo a amplificar os problemas que Lisboa tem em relação à mobilidade, à habitação e protecção de património. O aumento exponencial de o número de pessoas que circulam na cidade têm dificultado imenso os transportes públicos, que são incapazes de responder aos desafios colocados, a habitação tem vindo a diminuir a oferta também em virtude de existir um aumento dos alojamentos locais que são mais lucrativos, a protecção do património é colocado em causa pelo o aumento de pessoas a circular e a ausência de medidas que conservem e respondam a estes desafios.

(...)

Não, não tem. O que tornou os transportes públicos incapazes de responder aos desafios colocados foram os próprios transportes públicos. Os tempos de espera aumentaram e o número de carruagens diminuiu, isto numa altura em que há um aumento de utilizadores.