Incêndio Pedrógão Grande - 64 mortos confirmados

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A Industria dos incêndios Por José Gomes Ferreira

A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.

Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.

Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:

1 – Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica?

Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências?

Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair?

Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis?

Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?

2 – A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios…

3 – Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.

4 – À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: “enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder”. Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.

5 – Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade.

Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime…

Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta – e até as habitações – e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal?

Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país.

Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo – destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime.

Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:

1 – Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.

2 – Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).

3 – Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores

4 – Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.

5 – Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.

6 – E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios.

Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.

José Gomes Ferreira

http://www.alegriaeboadisposicao.com/a-industria-dos-incendios-por-jose-gomes-ferreira/
Todos os anos sempre o mesmo. 19 mortos? sem palavras, algo muito triste.

Já se fala em 23 mortos
Segundo o Secretário de Estado o número de 19 vitimas mantém-se.

Ainda não chegou essa confirmação aos meios de comunicação social
A minha namorada tem lá família que não conseguimos contactar e sabemos que as duas casas já foram  :'(
A minha namorada tem lá família que não conseguimos contactar e sabemos que as duas casas já foram  :'(

Não desesperes. As comunicações em algumas zonas do concelho estão cortadas porque as antenas caíram ou foram incendiadas.

O Jaime Marta Soares dizia que ainda não perceberam como é que o fogo chegou tão depressa à estrada onde morreram as pessoas, porque foi em minutos que as chamas percorreram quilómetros.

Já agora não sabia que ele tinha sido o comandante operacional dos bombeiros da zona de Leiria durante mais de 20 anos.
A minha namorada tem lá família que não conseguimos contactar e sabemos que as duas casas já foram  :'(

Não desesperes. As comunicações em algumas zonas do concelho estão cortadas porque as antenas caíram ou foram incendiadas.

O Jaime Marta Soares dizia que ainda não perceberam como é que o fogo chegou tão depressa à estrada onde morreram as pessoas, porque foi em minutos que as chamas percorreram quilómetros.

Se for fogo posto, basta que tenham despejado combustível na zona que o fogo se espalha num instante, ainda para mais com este braseiro que tem estado hoje.
Provavelmente a maior tragédia florestal dos últimos largos anos.

Não é novidade alguma os interesses subjacentes por trás de um fogo posto. O @leaoverdebranco explanou isso de forma exímia.

Resta esperar que não se confirmem mais vítimas mortais e que sejam encontrado(s) os culpados. Não quero imaginar como será morrer carbonizado dentro da própria viatura e não consigo conter a revolta que esta situação gera em mim.
« Última modificação: Junho 18, 2017, 01:24 am por dude_31 »
Uma tragédia.

Como disse um popular: "Portugal não é só Lisboa".

E os culpados são os governos que tivemos, este e o anterior, pelos cortes sucessivos nos bombeiros e nos meios de prevenção e de combate e, nunca esquecendo, dos chulos da Europa que são aplaudidos pelos burocratas que nos emprestam dinheiro para voltar à casa de partida, num círculo infindável de chulice; também pelos federalistas e colaboracionistas que se pavoneiam em Portugal e dos outros que se prestam a beijar o anel do dedo quando vão a Bruxelas para poderem manter o poiso e a choruda mesada; pelas desgraças que deixaram acontecer em Portugal: ide todos para o Diabo.

A culpa é vossa.
Ainda hei-de ver alguém responsável a culpar o calor. Continua-se a assobiar para o lado.
E uma palavra para os verdadeiros heróis: os bombeiros e populares que combatem os fogos.

Quanto ao Marcelo das feiras, dos afetos e dos abraços, e do Costa da altivez da sorte política que lhe aconteceu: ponham o rabo entre as pernas e peçam desculpa.

E Passos, tu que também que te vendeste aos estrangeiros, nem ouses usar isto para fins políticos, és o primeiro culpado.

Todos uma desgraça, todos uns vendidos. Todos culpados.
Uma tragédia.

Como disse um popular: "Portugal não é só Lisboa".

E os culpados são os governos que tivemos, este e o anterior, pelos cortes sucessivos nos bombeiros e nos meios de prevenção e de combate e, nunca esquecendo, dos chulos da Europa que são aplaudidos pelos burocratas que nos emprestam dinheiro para voltar à casa de partida, num círculo infindável de chulice; também pelos federalistas e colaboracionistas que se pavoneiam em Portugal e dos outros que se prestam a beijar o anel do dedo quando vão a Bruxelas para poderem manter o poiso e a choruda mesada; pelas desgraças que deixaram acontecer em Portugal: ide todos para o Diabo.

A culpa é vossa.

mas porque é que não é culpa de todos nós, que não somos bombeiros (qualquer um pode ser bombeiro voluntario), que não organizamos associações que se preocupem com o estado do território que nos rodeia, que não temos qualquer sentido de comunidade?

Critica-se o Estado por tudo mas ninguém olha para aquilo que cada um de nós poderia fazer pela comunidade..

A culpa é nossa.. a culpa é minha.
vivó Sporting!!!
Andam a atear fogos para conseguir algum lucro, pouco lhes interessa se ceifam dezenas de vidas pelo caminho.

Perpétua era pouco para esses porcos, mas neste país ficam uns mesinhos a viver à conta do estado e ainda levam uma palmadinha nas costas, saindo mais cedo por "bom comportamento".  :menos: :menos: :menos:
E uma palavra para os verdadeiros heróis: os bombeiros e populares que combatem os fogos.

Quanto ao Marcelo das feiras, dos afetos e dos abraços, e do Costa da altivez da sorte política que lhe aconteceu: ponham o rabo entre as pernas e peçam desculpa.

E Passos, tu que também que te vendeste aos estrangeiros, nem ouses usar isto para fins políticos, és o primeiro culpado.

Todos uma desgraça, todos uns vendidos. Todos culpados.

Quando os políticos andaram a dar milhares de milhões em negociatas aos amigos, parte desse dinheiro que podia ser usado para aquisição de meios aéreos por exemplo, quando os políticos passam para o sector privado o combate aos incêndios que ganham com o fogo, quando as leis que deviam combater este fenómeno dos fogos não são cumpridas, etc, etc, o resultado é este..
mas porque é que não é culpa de todos nós, que não somos bombeiros (qualquer um pode ser bombeiro voluntario), que não organizamos associações que se preocupem com o estado do território que nos rodeia, que não temos qualquer sentido de comunidade?

Critica-se o Estado por tudo mas ninguém olha para aquilo que cada um de nós poderia fazer pela comunidade..

A culpa é nossa.. a culpa é minha.

O associativismo em Portugal está pelas ruas da amargura e a culpa é nossa, nisso concordo; desde que há portugueses que se dizem federalistas e ninguém diz nada, nem fica de boca aberta, já podemos concluir o Estado do orgulho nacional.

@leaoverdebranco

Exactamente, tem de haver responsáveis políticos. Relembro que no caso da ponte que caiu e morreram dezenas de pessoas, o ministro Jorge Coelho demitiu-se, espero que o actual faça o mesmo.

E começem rapidamente a alocar dinheiro para reforçar os meios.
« Última modificação: Junho 18, 2017, 01:46 am por HugoN »
Lamentável o que se está a passar. 19 mortos é o pior incêndio dos últimos anos..
Todos os anos é a mesma história.. Ninguém limpa nada ( o estado nem sequer da o exemplo.. Tudo sujo)
O tempo quente, também não ajuda..

A minha avó sabe bem o que é perder tudo no incêndio.. Em 2005 o fogo que aqui andou durante 1 semana, destruiu lhe a casa. Horas de pânico. Só teve tempo de tirar documentos e fugir.. Morreu lhe animais todos ( cão, galinhas, cabras.. Ficou tudo carbonizado)

Morreram centenas de animais, casas ardidas, pelas anexas da freguesia e limitrofes.. Horroroso!

Cada vez recordo esse drama.. Arrepio me todo!!
Segundo o autarca de Pedrógão o número de mortos vai subir bastante, para mais do dobro.

Existem aldeias isoladas que arderam por completo e ainda não chegaram lá bombeiros e protecção civil para vistoriar.
És do Sporting?

Amas o teu clube?

Então faz algo por ele!
http://www.sporting.pt/Socios/Inscricao/socios_inscricaosocio.asp
Infelizmente isto não é nada de novo, previsível até.  :inde:
Que tristeza  :(


Seja mão criminosa, negligência grosseira ou outra origem, quando se tem uma zona de mato assim é um rastilho autêntico para uma tragédia.


Pelo que vi das imagens estamos a falar duma zona de mato praticamente impenetrável, com áreas extensas eucalipto, acácias e mato ao monte, com declives e pequenas estradas lá pelo meio. E quase de certeza com casas lá metidas pelo meio também, o tão famoso (des)ordenamento de território que temos por cá, constrói-se onde calha e depois nestas situações calha aos bombeiros ter que ir lá para o meio do monte acudir a aqui, ali, e acolá a casas isoladas rodeadas de mato...
Enquanto os bombeiros continuarem a chegar aos locais de incêndio e terem de se dividir por n sítios para salvar habitações isoladas e afins o combate aos incêndios em si ficará sempre muito mais complicado. Para não falar que se aumenta o risco de estes ficarem subitamente cercados pelo fogo.

Enquanto continuar a ser tudo "à balda" teremos este problema. Já temos o problema dos criminosos e gentes negligentes a causar ignições em elevado número, um clima com verões quentes e secos, e ainda juntamos uma prevenção muito pouco eficaz e o tal desordenamento do território, continua-se a assobiar para o lado e a permitir construção sem critério e a "não" gestão dos espaços florestais/agrícolas/mato.


E venho para aqui reforçar isto, pois nestas alturas acho que se fala muito das ignições (e bem) e deixa-se para segundo plano tudo o resto que leva a que essas ignições assumam proporções gigantescas. Continua-se a não se dar a devida importância a isto (depois do verão já ninguém parece querer saber), a começar pelo estado, tirando uma ou outra camara municipal não tenho noticias de que se tenha feito algo concreto para prevenir grandes fogos...
« Última modificação: Junho 18, 2017, 02:15 am por fr0z3nshad3 »
Segundo o autarca de Pedrógão o número de mortos vai subir bastante, para mais do dobro.

Existem aldeias isoladas que arderam por completo e ainda não chegaram lá bombeiros e protecção civil para vistoriar.

Medo...
É baixa a percentagem de arguidos condenados por este tipo de crime que cumprem, efectivamente, cadeia. Apenas 6% dos condenados entre 2007 e 2011 pelo crime de incêndio florestal nos tribunais de primeira instância viram ser-lhes aplicada uma pena de prisão efectiva. No final de 2013 havia apenas 21 pessoas nas cadeias portuguesas por terem deitado fogo à floresta, muito embora os tribunais de primeira instância tenham condenado 104 dos 156 arguidos que lhes foram apresentados por esse crime naquele ano. Muitas vezes, os juízes acabam por decretar multas ou por suspender as penas de prisão, pondo como condição que os incendiários se sujeitem a tratamento.

“Basta de ter mão leve”
Perante este cenário, não é de estranhar o sucesso que está a ter uma petição lançada online há 48 horas, e que conseguiu, antes sequer de as completar, reunir mais de 25 mil assinaturas, na qual se exige que a pena máxima de prisão para os incendiários suba para os 25 anos de prisão — ou seja, para o máximo permitido por lei em Portugal. Trata-se de uma moldura penal aplicável a crimes de extrema gravidade, como o homicídio qualificado.

O autor da iniciativa, Rafael Carvalho, um funcionário público de 29 anos residente em Vila Nova de Cerveira, diz-se cansado de assistir, ano após ano, à destruição do património florestal. “Basta de ter mão leve para os criminosos que, por prazer ou interesses económicos, destroem o património, põem vidas humanas em risco, e fazem gastar milhares de euros nos combates aos incêndios”, argumenta na petição. “Chega apenas estarmos sentados no nosso sofá a ver as notícias de mais um incêndio. Nós, cidadãos, temos o poder de mudar as coisas matando o mal pela raiz”, apela ainda.

https://www.publico.pt/2016/08/11/sociedade/noticia/so-meia-centena-a-cumprir-pena-por-incendio-florestal-1740964
Impressionante :S

É horrível que tenha que ser assim, mas espero que isto sirva para os partidos políticos portugueses fazerem um esforço grande para arranjar soluções para estes problemas que ano após anos parece assolar o país... É preciso rever os meios de prevenção, de acção, e os meios de condenação.

O calor não pode justificar tudo.